sexta-feira, julho 28, 2006

OS TRINTA ANOS DO PARQUE NATURAL DA ARRÁBIDA














O Parque Natural da Arrábida completa hoje seu trigéssimo aniversário num cenário que não é o melhor para uma Àrea Protegida ao nivel da protecção ambiental que devia ser o garante e exemplo.

Numa sociedade onde o respeito pela natureza e pelo ambiente ainda é trabalho para duas ou três gerações, com favorecimentos vários à solta, não só no território do Parque mas em toda a Península de Setubal, seria pois de esperar o óbvio, que o próprio território do Parque Natural não escapasse a tamamnha pressão que ocorre sobretudo com loteamentos e construções avulsas, com patrocinio de uma ou várias entidades publicas.

Por outro lado temos várias feridas abertas e cada vez mais longe de estarem ou serem cicatrizadas, refiro-me como é normal, à SECIL, problema agora agravado com a novela da queima dos residuos industriais perigosos e também à exploração de pedreiras de calcário na região de Sesimbra... os interesses associados ao Betão agora numa outra vertente de exploração de matéria-prima.

Temos depois a imensa e generalizada falta de civismo deste povo que a cada dia que passa prova não merecer os recursos naturais e paisagisticos de que dispõe, desde os piqueniques cujos restos são abandonados no local, às "distrações" por vezes criminosas que têm provocado incêndios de uma dimensão avassaladora e incontrolável, até ao cidadão que ignora os alertas nas zonas de reserva integral ou deixa lixo por tudo o que é berma de estrada, ou mesmo pela profusão (agora mais disciplinada com o POA) de embarcações de vaidade e recreio...

Destes trinta anos de Parque natural da Arrábida ficará para sempre a imagem de Carlos Pimenta , imagem essa associada porventura ao período mais negro da Arrábida, a fase em que o Portinho foi transformado num imenso abarracamento...uma vergonha nacional.

Para quem tiver saudades desta fase "revolucionária" que se desloque até à Fonte da Telha e compare, para nos próximos trinta anos nem se atreverem pensar em repetir.

3 comentários:

Anónimo disse...

O que chama "abarracamento" foi uma conquista de Abril contra o latifundiarismo dos Palmelas. Uma praia da aristocracia para o Povo... Ambiente? O que era isso?

Alfredo disse...

Arrábida hoje é uma vergonha, lixo nos caminhos do Portinho deixado por um Povo que acha que há sempre alguém um degrau abaixo para limpar o que suja.

António disse...

O pouco que ainda restava está a ser destruído, Tróia já vai a caminho de se tornar um local para os ricos passarem um mês por ano. Uma zona que deveria ser protegida vai a caminho de desaparecer. A Arrábida está a ser destruída, basta subir a um ponto alto da serra e olhar à volta e assistir em directo à destruição de um meio protegido (!?)...e um dia destes vai surgir um daqueles projectos com interesse nacional e vai ser a machadada final...mas também de um país de chicos espertos não se podia esperar mais! Se o cidadão comum não respeita o meio ambiente como pode exigir aos políticos e decisores que o façam? O que gostamos é de ver nascer grandes empreendimentos de preferência com shoppings associados, levar os miúdos a passear para ver as montras de marcas que nunca vão poder ter, sentir o ar fresco do ar condicionado nos dias de calor, voltar para casa e sentir o calor humano nas estradas das zonas metropolitanas apinhadas de gente e enfiar-nos em caixotes em que a única árvore que se vê é durante o mês de Dezembro, sim essa mesma: A árvore de Natal!