sábado, março 31, 2012

sexta-feira, março 30, 2012

MEMÓRIA FUTURA





Relembraámos  mais uma vez a fraude que constituíu a forma como a autarquia Comunista do Seixal  apresentou e "vendeu" aos Seixalenses o projecto maravilha da Quinta da Trindade com a vinda do Centro de Estágios do Benfica para a margem sul.


Se lermos os textos oficiais, todos eles omitem que antes de um projecto desportivo,  estávamos perante ( e sobretudo) um projecto imobiliário engendrado por essa mente brilhante , acho que ninguém o nega , chamada Vale e Azevedo.


Hoje por estas bandas ninguém conhece o senhor doutor de Kensigton Park  e renegarão também  outras figuras, ou figurões com quem andaram de mão dada , muito bem documentados nas imagens ( perdidas)  que recuperámos esta semana e que aqui ficarão para memória futura , já que foram apagadas de outros locais.


Quem foi enganado foi o Estado ( com alterações de uso do solo e mais valias brutais geradas no minuto de um despacho, de uma assinatura ) e foram os Seixalenses, com promessas de que haveria excurssões de todo o país que inpulsionariam o comércio , os restaurantes , o turismo no Seixal e que com isso o património da Quinta (Património Municipal) seria salvaguardado e recuperado  e que desportivamente haveria a construção , não nos esqueçamos .... de Uma Cidade  Desportiva  de Marinas....

quinta-feira, março 29, 2012

MEMÓRIA FUTURA



Primeiro foi o homem da colher na massa (hoje é difícil encontrar nos arquivos as referências que vos trazemos  dessa época de Vale e Azevedo no Seixal, a época Manuel Vilarinho já  está mais acessível ...) mas depois vieram outros , o projecto avançou já sem a Euroárea, já sem Vale e Azevedo , à sombra de um clube e de muitas boas intenções.


Quem devia ter acautelado as negociatas não o fez e a Quinta da Trindade tornou-se em mais um monumento à época de "abastança" passada ao betão,  agora  invendável e á condominização do espaço que devia ser público ... muito mais numa autarquia dita comunista.

quarta-feira, março 28, 2012

MEMÓRIA FUTURA





Seixal e a  Santíssima (Quinta da ) Trindade ... Futebol, Betão & Autarcas ...


" ... Já o presidente da Autarquia, Alfredo Monteiro, congratulou-se com a presença do Clube da Luz no Concelho do Seixal, naquele que considerou ser o «casamento perfeito». «Estão reunidas as condições para se concretizar o protocolo assinado em 2000. 


A Câmara Municipal do Seixal aprovou ontem [dia 7 de Novembro] as condições de emissão do alvará para o projecto de loteamento da Quinta da Trindade, que possibilita o desenvolvimento do projecto do Centro de Estágios do Sport Lisboa e Benfica. Este equipamento é uma mais-valia importante para o Concelho e para a região e permitirá uma estreita cooperação na área da formação entre o Benfica e os clubes do nosso Concelho», salientou Alfredo Monteiro." (Fonte Câmara Municipal Seixal)

terça-feira, março 27, 2012

MEMÓRIA FUTURA



Seixal e o negócio da Quinta da Trindade ... sem comentários...

"...O projecto de construção do Centro de Estágios do Benfica foi apresentado publicamente no dia 8 de Novembro, na Quinta da Fidalga, Arrentela, numa cerimónia que teve a presença dos presidentes da Câmara Municipal, Alfredo Monteiro, e da Assembleia Municipal, Eufrázio Filipe, do ministro da Juventude e Desporto, José Lello, e do presidente do Benfica, Manuel Vilarinho.
Para isso contribuiu o despacho conjunto dos Ministro do Ambiente e do Desporto, com a aprovação da declaração de interesse público para uma área de 11 mil metros quadrados que integra a Reserva Ecológica Nacional, a solicitação da Câmara Municipal no quadro da elaboração do Plano de Pormenor.  Fonte Câmara Municipal Seixal "

quinta-feira, março 22, 2012

"CRIMES DE PEDRA E CAL"



Crimes de pedra e cal

A corrupção urbanística está à solta. Entretanto, a justiça hiberna. Estando em jogo projectos imobiliários de milhões, o Ministério Público fica anestesiado. As notícias sobre vigarices que lesam a comunidade são diárias, mas o MP ignora-as olimpicamente. Um promotor compra terrenos em Valongo por seis milhões de euros, vende-os no mesmo dia por vinte milhões, a Câmara valoriza-os "a posteriori" de forma conivente. E o que acontece? Nada.
Mesmo quando, por forte pressão pública, há abertura de algum inquérito judicial, o arquivamento é a regra. Foi o destino dado ao processo relativo à compra, pela empresa do Metro, do espaço para a estação de Salgueiros, no Porto. O terreno foi adquirido por cerca de nove milhões de euros, quando não valia nem cinco. Ficou provada a delapidação de recursos públicos, e os responsáveis identificados. Consequência? Arquivamento. Neste, como em centenas de exemplos de impotência dos procuradores perante os poderosos.
Mas se por milagre há acusados, mesmo com provas evidentes, os tribunais esmorecem. Foi este sistema de justiça que absolveu Valentim Loureiro no caso da Quinta do Ambrósio. Apesar de se ter provado que, com o seu patrocínio, um terreno agrícola adquirido por um milhão de euros viu a sua classificação de solo alterada e foi vendido de seguida por cerca de quatro milhões. Quando, excepcionalmente, há condenações por corrupção, as sentenças são ridículas. Recorde-se o caso de Domingos Névoa, que, tendo tentado corromper um vereador em Lisboa, foi condenado numa pena de 200 mil euros, quando os negócios em questão lhe irão proporcionar lucros de milhões.
Finalmente, as pouquíssimas sentenças verdadeiramente sérias e dignas desse nome... nem sequer são cumpridas. O Supremo Tribunal determinou a demolição do edifício Cidade do Porto mas, expirado o prazo para a sua demolição, o prédio permanece, imóvel. Os crimes são irremovíveis.
Bem ao contrário, os criminosos dispõem de toda a mobilidade, sendo o exemplo mais escandaloso o de Isaltino Morais, que, apesar de condenado em todas as instâncias, continua alegremente à solta. Em matéria de urbanismo, a justiça morreu! (Pulo Morais - Correio da Manhã)

quarta-feira, março 21, 2012

A FARSA DO DITO "FORUM" PARTICIPATIVO

 O a-sul pelos seus leitores





"Os autarcas CDU deviam ter vergonha.A Câmara do Seixal foi das que mais impostos e taxas recebeu nos ultimos 30 anos e está falida. Não vale a pena a Maioria CDU dizer que é mentira porque já é do conhecimento público vem em todos os jornais que a Câmara do Seixal é das que está em falência e vai ter de ter a intervenção do governo para pagar as dividas e administrar decentemente o dinheiro dos impostos de todos. O PCP continua a encher os autocarros da Câmara com gasoleo pago por todos os municipes para enviar com os trabalhadores para as manifestações contra o governo este e todos que por lá passaram. Deviam ter vergonha que são bem piores que todos os governos que tivemos até hoje. Os governos gastaram o dinheiro e fizeram auto-estradas e a CDU no seixal fez o quê? gastou o dinheiro e não fez nada. Está na hora de ser feita uma inspecção de finanças a sério na Câmara do Seixal e remeter para a cadeia os responsáveis pela gestão danosa na Câmara do Seixal."



"...pela utilização que fez do tal último "encontro", que se resumiu a propaganda para arregimentar para a manifestação do próximo sábado.
Um encontro partidário, pago pelos municípes!!!
E também já sabemos quem vai pagar os autocarros da maciça representação do Seixal, anunciada pelo Sr."Presidente".
...Até vai haver um para levar uma da "bandas" filarmónicas do Concelho!!!
... e andam as direcções a tentar convencer os músicos..se não forem..se calhar...nem subsidios do ano passado, que passou, ora li-ló-lé , nem esses os vêem!!!!"

terça-feira, março 20, 2012

A BOLHA CHINEZA



Não sei se estará em breve numa loja chineza perto de si ( Upsss... discurso potencialmente xenófobo...) porque estas estão também a fechar portas como antes fecharam as das lojas dos trezentos ou os cafés porta sim , porta sim, no que antes tinham sido  croissanterias ou qualquer outro negócio milagroso e da moda.


Também não sei tão pouco o combustível ou a energia  que a move, mas que a bolha chineza anda aí, isso já ninguém nega, a portuguesa  que ninguém reconhece  é que é como a bruxas...

segunda-feira, março 19, 2012

A GRUNHOLÂNDIA DEMOCRÁTICA



Mais um simulacro de democracia na grunholânsdia eleita foi o que se passou em mais um Forum Seixal, agora com nova temática ad-hoc longe da anunciada na página oficial.


Oficialmente está divulgado que a iniciativa "Forum Seixal" tem implícita a discussão da revisão do Plano Director Municipal, no entanto não é isso que está a acontecer, a transparênca é parecida com as consultas públicas em que os dossiers não têm páginas numeradas e tanto têm umas um dia, como outras noutro, é a verdadeira falsificação da democracia a que aqui assistimos:


" O Fórum Seixal está de volta com uma série de encontros entre os eleitos das autarquias e a população, a decorrer por todo o concelho.

A reforma da administração local e a defesa das freguesias é o mote lançado para os debates com os munícipes, que também vão ter oportunidade de se pronunciar sobre temas relacionados com o Plano Diretor Municipal.

As ações, que decorrem até ao final do mês de junho em vários locais do concelho, promovem a participação da população e das instituições na vida municipal e debatem as estratégias de desenvolvimento do município.

O Fórum Seixal é promovido pela Câmara e Assembleia Municipal e Juntas e Assembleias de Freguesia."

Volto a frisar , citando a informação oficial :

"os debates com os munícipes, que também vão ter oportunidade de se pronunciar sobre temas relacionados com o Plano Diretor Municipal"
Pela forma como "discutem" , seguindo a batuta e com a cábula mal lida , está  vista a forma como pretendem fazer aprovar a revisão do PDM ... 

sexta-feira, março 16, 2012

DISCUSSÃO PDM SEIXAL NA ARRENTELA




Hoje (21.30)  realiza-se uma sessão para discussão do PDM do Seixal  na Soc. Filármonica União Arrentelense na Arrentela 


O anúncio da realização desta sessão , é discreto , o que é estranho numa comunidade que tem revelado um elevado grau de cidadania e empenho na defesa da letra do actual Plano Director Municipal, nomeadamente na defesa da letra dessa lei que criou em 1993 uma vasta área de protecção ambiental.


Essa área, a Flor da Mata, é protegida como Mata e Maciço Arbóreo no actual PDM , não é permitido construír , o coberto vegetal é protegido e a lei obriga à sua reflorestação .Entretanto , ao longo destes anos tem vindo a ser um facto , a pressão urbana com visto a alteração de uso do solo para aquele local, com a geração das mais-valias inerentes para "os do costume" .


Face a esta ser uma autarquia CDU (coligação PCP-VERDES) , e ao decidido há cerca de duas semanas no vizinho município do Barreiro para criação de áreas naturais em deterimento do urbano, até porque há nestes concelhos dezenas de urbanizações ao abandono e milhares de fogos construídos sem comprador ou locatário, esperemos que esta câmara do Seixal mantenha e até reforce a protecção ambiental que o PDM 1991 de Eufrázio Filipe ,  já tinha .


Até porque seria uma forma de mostrar que a autarquia do Seixal estava disposta a mostrar que era uma autarquia em defesa das populações e não ao serviço dos interesses imobiliários e corruptos que têm andado a pressionar no sentido de alterar usos de solo para o tornar urbanizável , para já não falar das empresas  que têm andado num afã a registar terrenos ( que não lhes pertecem) em seu nome , num verdadeiro acto de pirataria ou daqueles que se escondem atrás de empresas of-shore.


Isto sem esquecer o atentado ambiental e social que representa a última Parceria Publico Privada a pesar nos nossos impostos e no nosso ambiente a estrada CRIPS , IC32 , que corta a meio a zona verde da Flôr da Mata bem como o Sítio Rede Natura 2000.


Por tudo isto, e ao contrário do que aparentemente parecem pretender, é necessário estar hoje presente na discussão a ter lugar às 21.30 na Sociedade Filármonica União Arrentelense e não no  Centro de Solidariedade Social de Pinhal de Frades como tinhamos sido informados.

quinta-feira, março 15, 2012

A SECA



O discurso da seca tem dado para tudo, desde acreditar na Virgem e nos Santos invocando a Fé, aos que a renegam no Parlamento.


Tudo compreensível porque a figura de um inimigo externo é sempre bem vinda e o São Pedro este Inverno pôz-se a jeito.


O que não se compreende é que tenham aparentemente  secado as fonte de oposição nos municípios da Margem Sul , sobretudo numa altura em que a seca ... mas dos cofres resultado da enxurrada de maus negócios e gestão danosa de décadas está a assentar arraiais e não há nem um bocadinho de pasto que iluda o rumen de muita vaca sagrada que está em vias de deixar de pastar , quanto à teta, essa secou ainda há mais tempo...

quarta-feira, março 14, 2012

ESTAFETAS ECOLÓGICOS



Em tempo de crise, está aberta uma nova área de negócio, eficiente e ecológica, usam a bicicleta como ferramenta e meio de locomoção, a empresa chama-se "Camisola Amarela" ( foto Publico) .

segunda-feira, março 12, 2012

A RESERVA NATURAL DO BARREIRO





Ora aqui está uma excelente notícia, que a concretizar-se e a ser verdade, nos fará um dia elogiar a Câmara do Barreiro , no entanto quem conhece um certo "Parque Natural" na Amora ... duvida . Video aqui:  http://publication.prod.wcm.impresa.pt:8080/sicnot/vida/article1366740.ece


"O concelho do Barreiro vai ter uma área protegida local. A iniciativa de criar uma reserva natural é da autarquia e pretende mudar a imagem que o país tem do Barreiro, muito associada a décadas de poluição e degradação ambiental."

sexta-feira, março 09, 2012

ALMADA A BANDALHEIRA EM PLENA CRISE



Alguém explica o fetiche das Câmaras da Margem Sul pelas moedas e medalhas ? Do Blogue Nem Freud Explica :


Câmara Municipal de Almada edita livro sobre medalhas municipais a 42€ o exemplar

Infelizmente, parece que a recente notícia que dá conta de o Governo editar o respectivo programa a €120,00 o exemplar não constitui prática isolada. Antes de o Executivo o ter feito, já a Câmara Municipal de Almada o fizera, mais concretamente a 6 de Dezembro de 2011, quando encomendou, por ajuste directo, à «António Coelho Dias, S.A.» a edição de 400 exemplares do livro «Insígnias e Medalhas Municipais», pelo preço de €16.888,00, ou seja, €42,22 o exemplar. Incompreensivelmente, a Câmara Municipal de Almada não contactou mais nenhuma gráfica, provavelmente satisfeita com o exagerado valor que pagaria por cada exemplar de um livro mais caro do que muitos livros de colecção.

Uma obra muito válida, esta, sobre medalhas e insígnias municipais. Afinal, a Câmara Municipal de Almada simpatiza muito com estas coisas de condecorações, caso contrário, como se explica que o Município reserve quase €400.000,00 no Orçamento Municipal de 2012 para prémios e condecorações?

quinta-feira, março 08, 2012

ALVOR , UMA DECISÃO HISTÓRICA ... E SE FOSSE NA MARGEM SUL?



A decisão de condenação em sede de crime ambiental aplicada a um proprietário no Algarve, é exemplar, mas se tal tivesse acontecido numa das autarquias CDU da margem sul, o mais provável é que se continuasse a pavonear e a continuar a sua senda destruídora.


A crer em vários  exemplos já aqui trazidos, a Flôr da Mata e a sua desmatação, a Piscicultura de Corroios, a Quinta da Trindade e a Quinta do Outeiro  tudo isto no Seixal  ou a Várzea da Moita  no concelho vizinho da Moita , são mais do que exemplos , não só de CORRUPÇÃO, mas de crimes contra o ambiente e contra as futuras gerações , com a agravante de os prevaricadores  terem tido, senão o empenho , pelo menos o branqueamento e o camuflamento das suas consequências por parte de autarquias que são coligações "VERDES".


Não é fantástico ?


Devo continuar a manifestar a minha ingenuidade e o meu empenho em ver estes responsáveis no banco dos réus e não,  como pretendem com a sua sobranceria e arrogância, ameaçar com processos os que lhes fazem frente, pelo que o  caso de Alvor faz importante jurisprudência que é preciso começar a alegar e a divulgar.

quarta-feira, março 07, 2012

UMA DECISÃO HISTÓRICA



O empresário Aprígio Santos, proprietário da Quinta da Rocha, junto à ria de Alvor, foi condenado a dois anos de prisão com pena suspensa pelo crime de dano contra a natureza e pela prática de crimes de desobediência.
Os ambientalistas consideram tratar-se de uma "sentença histórica", proferida pelo Tribunal de Portimão, nesta quarta-feira.

Na sequência das inúmeras queixas pela associação ambientalista A Rocha e outras organizações não-governamentais, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve levantou sete autos contra o empresário, por alegadamente ter destruído espécies e habitats prioritários, nesta quinta situada no coração da ria de Alvor. Porém, algumas das contra-ordenações resultaram em valores insignificantes. Num dos casos, a coima fixada pela CCDR em 16 mil euros foi reduzida em tribunal a mil euros. Na altura, o acórdão levou em consideração a "experiência comum" sobre o que se passou no litoral algarvio nas últimas décadas: "Tomado de assalto pela construção civil."

A pena agora aplicada ao promotor imobiliário, também presidente da Naval 1º Maio, teve em conta não apenas os valores da natureza destruídos, mas também os objectivos por detrás da "destruição completa de um sapal com habitats protegidos e a remoção de bioindicadores de habitats protegidos", conforme denunciou A Rocha - Associação Cristã de Estudo e Defesa do Ambiente, com sede junto à quinta comprada por Aprígio Santos ao empresário Joe Berardo. O acórdão refere que as intervenções efectuadas nesta zona sensível "visavam seguir o exemplo do que sucedeu noutras zonas da região": dentro do aparente respeito pelas normas ambientais, "inicia-se a construção e outras obras de desenvolvimento, que lentamente vão absorvendo (fazendo desaparecer) os obstáculos naturais" e legais, levando a construção de um "lucrativo empreendimento até onde for permitido".

A Quinta da Rocha, adquirida em Abril de 2006, estende-se por uma área de 205 hectares, dos quais cerca de metade comportam habitats e zonas protegidas. Os sapais, segundo A Rocha, foram lavrados três vezes. O promotor alegou junto das autoridades que pretendia recuperar a área agrícola e reabilitar os 18 prédios urbanos registados (antigas casas de lavoura), anunciando que ali iria ser construído um resort. O processo que levou à condenação do empresário, movido pelo Ministério Público, chegou a ser arquivado, mas foi mais tarde reaberto. O acórdão salienta que, "por norma, as autoridades administrativas, nesta matéria, são passivas, lentas e ineficazes, entrechocando-se e anulando-se as respectivas competências e acções". E enfatiza: "Basta atentar no que aconteceu no litoral algarvio nas últimas décadas (para não ir mais longe no espaço), em larga escala tomado de assalto pela construção civil."

O porta-voz de A Rocha, Tiago Branco, considerou ao PÚBLICO que a decisão do Tribunal de Portimão "fez história" na defesa do ambiente. Acrescentou que no Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé decorre outro processo, movido pelas seis associações que integram o Grupo de Acompanhamento da Ria de Alvor, exigindo a "reposição dos habitats destruídos, para que não avance a construção".

Acórdão é "um marco" para a jurisprudência nacional

A decisão do Tribunal de Portimão "constitui um marco em termos de jurisprudência ambiental", considera a jurista e vice-presidente da associação Quercus, Ana Cristina Figueiredo. Não porque se trate da primeira condenação por crimes relacionados com o ambiente - a primeira, a 87 dias de prisão, ocorreu em 1990 em Coruche, mas ao abrigo da Lei da Caça, por abate de árvores onde nidificavam cegonhas -, mas porque é uma das únicas, e seguramente a mais significativa, verificada pela prática do "crime de danos contra a natureza". Introduzido no Código Penal em 1995, este crime é punido com prisão até três anos e traduz-se, nomeadamente, na eliminação, destruição ou captura de exemplares de espécies protegidas da fauna ou da flora; na destruição ou deterioração significativa do habitat natural protegido; ou na danificação de recursos do subsolo.

Vários dirigentes da Quercus contactados pelo PÚBLICO não se recordam de nenhum caso de condenação por este crime, pelo que a de Portimão seria uma decisão pioneira. As bases de dados do Ministério da Justiça referem, contudo, pelo menos uma condenação anterior. Foi em Cantanhede, em 2005, quando o tribunal local puniu com 1600 euros de multa um empresário que extraiu ilegalmente areias das dunas da Tocha. Apesar disso, Ana Cristina Figueiredo não tem dúvida de que o acórdão de Portimão representa "uma marco" para a jurisprudência portuguesa. "Enquanto em Espanha são conhecidos muitos casos de condenação efectiva pela prática de crimes ambientais, em Portugal, embora a lei contemple há muito esse tipo de crimes, a jurisprudência tem sido muito tímida", observa. Além do crime de danos contra a natureza, o Código Penal prevê, em matéria ambiental, os crimes de poluição, actividades perigosas contra o ambiente e poluição com perigo comum. J.A.C. (PUBLICO)

terça-feira, março 06, 2012

AMBIENTE E ESPERANÇA DE VIDA



O fumo de incêndios florestais e em mato causa uma média de 339.000 mortes por ano em todo o mundo, de acordo com um estudo apresentado no sábado numa conferência científica realizada em Vancôver.

No encontro anual da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência, os autores do estudo destacaram o impacto para a saúde das partículas finas nos incêndios florestais.
Os especialistas, que usaram dados recolhidos por satélite sobre áreas afetadas por incêndios no período entre 1996 e 2006, entre outras fontes, também previram um aumento acentuado dos incêndios devido ao aquecimento global.



segunda-feira, março 05, 2012

"A BOLHA ? NINGUÉM A VIU


O mercado da construção e imobiliário português faz lembrar a velha história das bruxas. Pode não se acreditar nelas, mas lá que existem, existem. Na discussão sobre a existência de uma "bolha" no sector, ninguém admite o fenómeno. Mas o que não falta são manifestações de que ele anda por aí. E bem vivo.
O mercado da construção e imobiliário português faz lembrar a velha história das bruxas. Pode não se acreditar nelas, mas lá que existem, existem. Na discussão sobre a existência de uma "bolha" no sector, ninguém admite o fenómeno. Mas o que não falta são manifestações de que ele anda por aí. E bem vivo.

O pudor com que os peritos falam no tema chega a ser caricato, fundado numa espécie de prudência supersticiosa. Tal como falar numa recessão é tido como meio caminho andado para provocar uma, parece que, caso se fale na "bolha" imobiliária portuguesa, se correrá o risco de a fazer rebentar com um pouco mais de estrondo do que aquele com que se tem esvaziado, com alguma discrição, desde 2008. Há, ainda, a hipótese clássica. Um problema de que não se fala, não é um problema. 

Tudo seria fácil e simples se a observação da realidade e a crua frieza dos números não fossem mais fortes do que as ilusões que se tentam criar em seu redor. Há centenas de milhares de casas para vender em Portugal, fruto de anos a fio de furiosa aposta na construção nova e que alimentou os bolsos dos empreiteiros e os cofres das autarquias. O fácil acesso ao crédito a baixo preço alimentou o aparecimento de mais oferta, atraída pela valorização dos imóveis, e os bancos colocaram o pé no acelerador. O processo de crescimento da "bolha" colocou-se em marcha, mas ninguém o quis ver enquanto foi inconveniente para o negócio.

A espiral teria de ser interrompida e seria apenas uma questão de tempo até se desfazer o mito, vulgar em Portugal, de que investir no imobiliário não tem risco. Ou o outro mito que garantia que uma casa se valoriza sempre, verdade assente em alicerces de geleia como muitas famílias já terão descoberto, mas que também não será estranha às empresas. Entre as imobiliárias, prevê-se que a falência bata à porta de mais de oitocentas nos próximos tempos. Entre as construtoras, a quebra de actividade foi tão radical que está abaixo daquela que o sector registou em meados dos anos 90.

Na periferia das grandes cidades, onde a euforia do cimento deixou as marcas mais intensas, o valor de mercado das casas já registou quedas que chegam a 40%. Na área do financiamento à habitação e à construção estão dois dos focos de tensão mais graves sobre a saúde financeira dos bancos. Ao crédito mal parado, as instituições financeiras vão somando uma carteira de casas para leiloar, num mercado em que escasseiam os compradores e o dinheiro para os financiar. 
Há boas oportunidades de investimento, actualmente? Há. Seria possível comprar, hoje, uma casa a metade do preço que o mercado exigia há cinco anos? Depende das zonas, mas é bastante provável. Se as construtoras estão penduradas, as famílias estão mais apertadas para conseguirem honrar compromissos financeiros, os bancos apanham dos dois lados, os preços caem de forma substancial, parece claro que Portugal tem uma "bolha imobiliária", só que parece ter vergonha em admiti-lo.

A euforia e o lento "crash" que se lhe seguiu teriam acontecido se o País tivesse legislação do arrendamento que não tratasse os senhorios como instituições de beneficência? Não se sabe. Mas um mercado com rendas formadas através do encontro entre a oferta e a procura teria evitado uma parte daquelas dores e a deterioração de zonas antigas das cidades. Se a nova legislação conseguir corrigir este flagelo, a aposta estará ganha
.

sexta-feira, março 02, 2012

A GERAÇÃO "I" DE INSUSTENTÁVEL





Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Mia Couto

quinta-feira, março 01, 2012

SECAS DE MARÇO


I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões