domingo, março 31, 2013

MÊS DA BICICLETA 24


 Moral da história : 

Há que investir na bicicleta , para começar há que investir na compra dos veículos, e a população tem correspondido , havendo um aumento exponencial das vendas e das bicicletas em circulação, agora há que dar o lugar às autarquias para acompanharem esta vontade e ordenarem as vias de circulação para que a escolha da bicicleta seja uma escolha segura

quarta-feira, março 06, 2013

NENÁTODO DO PINHEIRO



Avanços na monitorização do nemátodo do pinheiro:


Uma equipa da Universidade de Coimbra e da Escola Superior Agrária de Coimbra foi distinguida com o "Best Student Paper Award" graças ao desenvolvimento de um dispositivo que deteta a doença do nemátode do pinheiro, foi hoje anunciado.

De acordo com nota da Universidade de Coimbra (UC), a "tecnologia, já protegida por patente provisória, acaba de ser distinguida com o prémio `Best Student Paper Award` na Conferência Biodevices 2013, que decorreu em Barcelona, uma conferência internacional de topo que reúne cientistas e profissionais de todo o mundo, das mais diversas áreas do conhecimento".
Este dispositivo, de acordo com a UC, "permite detetar a doença do nemátode do pinheiro, conhecida por murchidão do pinheiro, muito antes de os sintomas se revelarem".
"Recorrendo ao método designado cientificamente por Espectroscopia de Impedância Elétrica, a equipa liderada por Elisabeth Borges, aluna de doutoramento em Engenharia Biomédica da Universidade de Coimbra, desenvolveu um dispositivo muito simples, que permite aceder rapidamente à assinatura elétrica de um material biológico (qualquer material, biológico ou não, possui uma assinatura elétrica, quando estimulado por uma corrente ou tensão alternada), isto é, consegue-se obter informação acerca da fisiologia do material", explica a UC.
A investigadora esclarece que este método é "capaz de identificar precocemente se um tecido está saudável ou danificado, o nível de dano, o que no caso do nemátode do pinheiro assume particular relevância porque pode invalidar o avanço da doença e consequente corte dos pinheiros".
"Atualmente, as técnicas utilizadas não impedem o abate das árvores: após a deteção e identificação do nemátode, a única solução é o abate imediato dos pinheiros e a sua destruição, de acordo com a legislação em vigor", sintetiza.
A grande mais-valia da tecnologia desenvolvida, esclarece Elisabeth Borges, é o facto de "ser minimamente invasiva, rápida e mais vantajosa financeiramente em comparação com as técnicas laboratoriais atuais".
"Com este dispositivo, que ainda terá de ser otimizado para poder entrar no mercado, é possível obter um prognóstico quase instantâneo", sublinha.
O dispositivo é composto por dois elétrodos, colocados no tronco a cerca de 30 centímetros do solo -- um elétrodo injeta um sinal de corrente ou tensão e o outro coleta o sinal gerado por essa estimulação -- e por um sistema de aquisição de dados, desenvolvido pela equipa, que permite converter estes sinais analógicos em sinais digitais para posterior análise.
Através da análise da resposta à "provocação" injetada em múltiplas frequências, obtém-se a assinatura elétrica do material. Aparentemente simples, a interpretação dos sinais obtidos é um processo de elevada complexidade, porque a resposta fisiológica tem muitas variantes.
"Durante a investigação, iniciada em 2010, foram utilizados pinheiros jovens. A equipa induziu a doença nas árvores, recolheu e processou as respostas fisiológicas. Agora, os investigadores vão também explorar a utilização desta tecnologia na análise de sementes de `Jatropha` para a produção de biodiesel e em alimentos para avaliação das condições de segurança alimentar", diz a Universidade de Coimbra.

terça-feira, março 05, 2013

NOVAS REGRAS PARA CICLISTAS



Deixar uma criança andar de bicicleta sem capacete pode resultar numa multa de até 300 euros, segundo as alterações que o Governo quer fazer ao Código da Estrada.
Na proposta de lei entregue ao Parlamento, onde agora seguirá o processo legislativo, as crianças até sete anos têm obrigatoriamente de andar de capacete. Se não o fizerem, prevêem-se multas de 60 a 300 euros, embora não seja claro a quem, em concreto, elas serão aplicadas.
A questão do capacete é uma entre várias que abordam as bicicletas nas alterações propostas pelo Governo. E é também uma das que não agrada aos ciclistas. Mário Alves, da Mubi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, afirma que em países onde o uso de capacete foi declarado obrigatório — como a Austrália e a Nova Zelândia — o número de ciclistas caiu 40 a 60%. E ter menos cidadãos a pedalar mas com capacete, afirma Alves, é pior do que ter mais ciclistas sem capacete, em termos de saúde pública. “Se queremos encorajar o uso de bicicletas, não é por aí”, diz.
“É mais uma medida restritiva ao uso da bicicleta”, concorda José Manuel Caetano, presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta. “Melhor seria fiscalizar a qualidade do capacete”, completa.
Os ciclistas não estão satisfeitos também com o nível de prioridade dado às bicicletas. Apesar de várias modificações prometerem maior atenção ao ciclista, mantém-se a obrigatoriedade de circular o mais próximo possível das bermas. No diploma estipula-se que o ciclista mantenha da berma “uma distância que permita evitar acidentes”, mas não diz qual é esta distância.
“O mais próximo da berma é o sítio mais perigoso para se andar”, diz Mário Alves, da Mubi. José Manuel Caetano acrescenta que há uma série de potenciais perigos, como sarjetas onde as rodas podem ficar entaladas, piso irregular, lixo e, sobretudo, o risco de o ciclista ser ultrapassado à rasante por automóveis. Muitos dos acidentes com bicicletas, diz José Manuel Caetano, resultam de toques do espelho retrovisor em situações destas.
“O que queríamos era manter o eixo da via, como qualquer outra viatura”, afirma o presidente da federação de cicloturistas.
Prioridade à bicicleta
A questão da prioridade dada à bicicleta é o ponto central das aspirações dos ciclistas. “A prioridade deve ser do veículo mais leve para o mais pesado”, diz Mário Alves. “À aproximação de um ciclista ou de um peão, o condutor devia abrandar em qualquer circunstância. São o elo mais fraco da cadeia”, acrescenta José Manuel Caetano.
Muitas modificações propostas pelo Governo procuram ir neste sentido. Os condutores deverão sempre abrandar a velocidade e ter especial atenção à distância em relação aos “utilizadores vulneráveis” — uma nova categoria que inclui as bicicletas e os peões e que também consta do projecto de lei enviado à Assembleia da República.
As regras para as passadeiras de peões também ficam a valer para as passagens de bicicletas — como ciclovias que atravessem ruas. E se houver vias de bicicletas que cruzem faixas de rodagem, os carros devem ceder a passagem. Mas parte da responsabilidade da segurança é depositada nos próprios ciclistas, que “não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respectiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente”.
Outras modificações vão ao encontro do que os ciclistas reivindicavam, como a permissão legal de duas bicicletas andarem lado a lado na rua, até que surja um automóvel.
As crianças até aos dez anos são equiparadas aos peões e podem andar de bicicletas nos passeios. E nas ciclovias, passa a ser permitido circular com atrelados para transporte de crianças.
As novas normas do código, caso sejam aprovadas, permitirão o bloqueio ou remoção de automóveis que estejam a bloquear ciclovias ou passagens próprias para bicicletas.
O reino dos peões e dos ciclistas serão as chamadas “zonas de coexistência”, onde os automóveis só poderão andar a 20 quilómetros por hora. São vias especialmente concebidas para serem partilhadas por peões e veículos, e onde as bicicletas poderão andar à vontade.
No global, a Mubi saúda as alterações, mas diz que persistem alguns problemas graves. A Federação Portuguesa de Cicloturistas não está satisfeita. “Tem 25% do que queríamos. Isto não é nada”, queixa-se José Manuel Caetano.
in Publico http://www.publico.pt  by Ricardo Garcia

segunda-feira, março 04, 2013

CIÊNCIA PARA TODOS


Via Público


Ciência e divertimento num jogo, é possível? A empresa portuguesa Science4you diz que sim. Há cinco anos que põe crianças a brincar com a ciência e agora expande-se para o estrangeiro
Óculos postos, reagentes na mesa. Coloca-se bicarbonato de sódio e corante vermelho, porque lava que é lava tem aquele brilho incandescente, vermelho-alaranjado. Misturam-se os pós e acrescenta-se ácido acético, ou seja, vinagre. Resultado: boom! Ou melhor, schlhglrhhgrh - a onomatopeia impronunciável que acompanha o líquido vermelho, borbulhante e algo misterioso que sai da cratera. Temos um vulcão de plástico a espumar lava de brincar à nossa frente e, de repente, voltamos a ser crianças.


Podemos ser crianças vezes sem conta. Em casa, lembra-nos Daniela Silva, directora do departamento de investigação e desenvolvimento da Science4you - a empresa portuguesa que idealizou o vulcão -, há fermento para substituir o bicarbonato de sódio, há vinagre e há também corante vermelho em forma de guache. Mesmo que os reagentes originais acabem, a brincadeira continua.



Estamos na sede da Science4you, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), mais precisamente na sala onde há festas de aniversário científicas. Os miúdos podem comemorar aqui os anos a fazer experiências, produzem sabonetes ou fazem um "pega-monstro" que depois levam para casa. Na mesa, Daniela Silva, engenheira química de 27 anos, mostra o vulcão a funcionar. Não tem os óculos postos.



"O vulcão está no top de vendas há anos", conta. É o seu brinquedo favorito, juntamente com o Química 1000, uma caixa que traz 80 experiências de laboratório, e o kit solar, que se monta e transforma em carro ou barco ou em moinho e funciona com a luz do Sol, num apelo à utilização das energias renováveis.



Cada brinquedo vem com um livrinho que vai além da explicação das experiências, está repleto de conhecimento. No caso do vulcão, o pequeno manual é uma porta de entrada para as ciências geofísicas. "Um vulcão activo é um dos elementos mais imponentes da natureza. É a representação do poder do planeta Terra", lê-se. Os temas do vulcanismo, da tectónica de placas, das camadas existentes no interior da Terra, da energia geotérmica ou pequenas curiosidades como a origem do termo "geologia" e uma referência ao Vulcano, o deus romano do fogo, encontram-se ali.



Esta vertente educacional é uma aposta forte da empresa. "Não estamos só a dar um carro para construir, como o Lego,também damos educação", explica por sua vez Miguel Pina Martins, administrador da empresa, de 28 anos. "Colocamos o painel solar, [as crianças] têm de perceber como é que funciona o motor, por que é que quando está sol funciona e quando não está não funciona, e tem a componente educativa: por que é que as energias renováveis são o futuro da humanidade."



Miguel Pina Martins defende que assim "consegue-se sensibilizar as crianças" que sabem que ""um dia, o mundo vou ser eu, daqui a 30 anos isto vai ser para mim"", diz, colocando-se no lugar das próximas gerações. Mas essa não é uma tarefa fácil. O embrião da Science4you remonta a 2007, a partir do projecto final de licenciatura de Pina Martins, na altura a sair do curso de Finanças do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, numa parceria com a FCUL que funcionou como incubadora de ideias.

domingo, março 03, 2013

ONTEM FOI 2 DE MARÇO


Por:Paulo Morais, Professor Universitário in CM Jornal

No último fim de semana o povo saiu à rua. Veio clamar por justiça e rejeitar as políticas seguidas por este regime moribundo.
Nas manifestações, em Lisboa, no Porto, e um pouco por todo o país, estava representada uma maioria sofredora, todo um povo que se sente num beco sem saída.
Um beco em que Cavaco, Guterres, Barroso e Sócrates nos encurralaram. Passos Coelho prometeu que nos iria resgatar deste atoleiro, mas apenas tem mantido o status quo, tornando-se assim co-responsável por uma das piores fases da vida da história do país. Esta é a geração mais espoliada nos seus rendimentos, que são transferidos pelo sistema político para os cofres dos verdadeiros donos do regime, bancos, construtores e promotores imobiliários. A política abastardou-se e transformou o orçamento de estado no instrumento que drena os recursos dos pobres para o bolso dos poderosos.
Nas manifestações de sábado marcou presença todo o tipo de portugueses, desesperados, revoltados ou deprimidos, injustiçados, letrados e analfabetos, velhos e novos.
Encontrei mães aflitas que já não têm comida para dar aos filhos, professores indignados porque os seus alunos chegam à escola sem pequeno-almoço, reformados deprimidos porque não têm dinheiro para passear, por via da redução das pensões, a par do aumento do preço dos transportes. Também lá estava a classe média, informada e culta, pois sente que a redução do seu poder de compra é em vão. Sabe que abdica de férias, passeios e almoços apenas para manter negócios criminosos como o das parcerias público-privadas.
Estavam jovens sem futuro, idosos sem presente. Pais e avós amargurados. Marcaram presença emigrantes, desde os que saíram para escapar à fome e à miséria, até jovens qualificados que tiveram de deixar o país porque não têm cá qualquer possibilidade de sucesso. Fartos de incompetência, rumaram a paragens onde a sua carreira depende do currículo e não do padrinho ou da filiação partidária.
Marginalizados da manifestação – os verdadeiros marginais no sábado – foram os partidos, a classe política, os sindicatos e todas as outras estruturas orgânicas do regime. Não havia caciques, todos eram pares. Sentia-se no ar o espírito de Grândola, "em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade".

sábado, março 02, 2013