segunda-feira, março 04, 2013

CIÊNCIA PARA TODOS


Via Público


Ciência e divertimento num jogo, é possível? A empresa portuguesa Science4you diz que sim. Há cinco anos que põe crianças a brincar com a ciência e agora expande-se para o estrangeiro
Óculos postos, reagentes na mesa. Coloca-se bicarbonato de sódio e corante vermelho, porque lava que é lava tem aquele brilho incandescente, vermelho-alaranjado. Misturam-se os pós e acrescenta-se ácido acético, ou seja, vinagre. Resultado: boom! Ou melhor, schlhglrhhgrh - a onomatopeia impronunciável que acompanha o líquido vermelho, borbulhante e algo misterioso que sai da cratera. Temos um vulcão de plástico a espumar lava de brincar à nossa frente e, de repente, voltamos a ser crianças.


Podemos ser crianças vezes sem conta. Em casa, lembra-nos Daniela Silva, directora do departamento de investigação e desenvolvimento da Science4you - a empresa portuguesa que idealizou o vulcão -, há fermento para substituir o bicarbonato de sódio, há vinagre e há também corante vermelho em forma de guache. Mesmo que os reagentes originais acabem, a brincadeira continua.



Estamos na sede da Science4you, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), mais precisamente na sala onde há festas de aniversário científicas. Os miúdos podem comemorar aqui os anos a fazer experiências, produzem sabonetes ou fazem um "pega-monstro" que depois levam para casa. Na mesa, Daniela Silva, engenheira química de 27 anos, mostra o vulcão a funcionar. Não tem os óculos postos.



"O vulcão está no top de vendas há anos", conta. É o seu brinquedo favorito, juntamente com o Química 1000, uma caixa que traz 80 experiências de laboratório, e o kit solar, que se monta e transforma em carro ou barco ou em moinho e funciona com a luz do Sol, num apelo à utilização das energias renováveis.



Cada brinquedo vem com um livrinho que vai além da explicação das experiências, está repleto de conhecimento. No caso do vulcão, o pequeno manual é uma porta de entrada para as ciências geofísicas. "Um vulcão activo é um dos elementos mais imponentes da natureza. É a representação do poder do planeta Terra", lê-se. Os temas do vulcanismo, da tectónica de placas, das camadas existentes no interior da Terra, da energia geotérmica ou pequenas curiosidades como a origem do termo "geologia" e uma referência ao Vulcano, o deus romano do fogo, encontram-se ali.



Esta vertente educacional é uma aposta forte da empresa. "Não estamos só a dar um carro para construir, como o Lego,também damos educação", explica por sua vez Miguel Pina Martins, administrador da empresa, de 28 anos. "Colocamos o painel solar, [as crianças] têm de perceber como é que funciona o motor, por que é que quando está sol funciona e quando não está não funciona, e tem a componente educativa: por que é que as energias renováveis são o futuro da humanidade."



Miguel Pina Martins defende que assim "consegue-se sensibilizar as crianças" que sabem que ""um dia, o mundo vou ser eu, daqui a 30 anos isto vai ser para mim"", diz, colocando-se no lugar das próximas gerações. Mas essa não é uma tarefa fácil. O embrião da Science4you remonta a 2007, a partir do projecto final de licenciatura de Pina Martins, na altura a sair do curso de Finanças do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, numa parceria com a FCUL que funcionou como incubadora de ideias.

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