quinta-feira, julho 06, 2006

MAIS UMA PEDRADA NO PÂNTANO

Impunemente à pedrada



Jornalista pedro.roloduarte@gmail.com
Pedro Rolo Duarte

Ficaram inquietas e chocadas as almas mais sensíveis depois de ouvirem Fernando Ruas, o presidente da Câmara de Viseu e presidente da Associação Nacional de Mu-nicípios Portugueses, dizer alto e bom som que os fiscais ao serviço do Ministério do Ambiente deveriam ser "corridos à pedra-da" pelos autarcas. A inquietação vem do apelo ao uso da violência, o choque vem do facto de Ruas ter sido escolhido pelos seus pares como digníssimo porta-voz dos mu-nicípios.

Ora, para mim a coisa não podia bater mais certa: é justamente porque a maioria dos autarcas deste país gostaria de correr à pedrada os fiscais - do ambiente, das finanças, de toda a espécie... - que Fernando Ruas é o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses. E é por vivermos no lume brando da ameaça sem consequências que, oito dias depois, Fernando Ruas continua a ocupar os seus lugares públicos. Em Portugal, ser autarca é bem melhor do que ser ministro - por contar uma anedota infeliz, caiu o ministro Carlos Borre-go em menos de 24 horas e nunca mais ouvimos falar da figura.

Fernando Ruas não apenas se mantém no seu posto como explica que afinal a pe-drada era apenas em "sentido figurado" e pretendia traduzir a vontade de lutar contra a burocracia. Alguém sugeriu que o senhor pedisse desculpas pelo que afirmara. Mas Ruas foi português até ao fim: "Não haverá nenhum pedido de desculpas. O que me preocupa é fazer uma guerra aberta à burocracia, quer seja a do Terreiro do Paço, quer seja a da administração local."

Há algo de estranho nesta declaração: só os fiscais do ambiente é que são burocratas? A burocracia, em Portugal, não começa exactamente nas câmaras municipais? Defenderá Ruas que a populaça comece a correr com os autarcas à pedrada?

Num país civilizado, Fernando Ruas tinha pedido desculpas públicas, depois teria pedido a demissão, e agora estava tranquilamente em casa, cumprindo aliás o voto que deixou aos seus eleitores nas últimas autárquicas: "Digo presente ao futuro dos viseenses, porque respondo por tudo aquilo que faço." Em Portugal, no meio do entusiasmo do Mundial e da remodelação de Sócrates, nem foi preciso correr com o assunto à pedrada. Morreu na praia, impune e tristemente.

9 comentários:

Anónimo disse...

O PÊCÊ está envolvido nas grandes máfias do Betão da Margem Sul , exemplos ? Quinta da Trindade, Quinta da Fidalga, Flôr da Mata, Fábrica da Pólvora de Corroios.

Anónimo disse...

Este anonimo também devia de ser corrido à pedrada pelas parvoices que diz

Anónimo disse...

sim sim...ainda falta a reserva da Quinta da Atalaia...

farto_de_maria_emilia disse...

a unica maneira de acabar com estes nivel de autarcas independetemente da sua cor politica, é responsabilizando-os pelos seus actos. a culpa morre solteira.

Anónimo disse...

Não morre solteira...
Acaba por casar com o contribuinte, que é quem paga os erros e as aldrabices dos políticos e afins.

Anónimo disse...

"O PÊCÊ está envolvido nas grandes máfias do Betão da Margem Sul , exemplos ? Quinta da Trindade, Quinta da Fidalga, Flôr da Mata, Fábrica da Pólvora de Corroios. "

Santa paciência, uma coisa é não gostar da gestão da nossa autarquia, outra é escrever coisas sem nexo, tipo boatos! Penso que o objectivo é debater ideias e apresentar soluções e denunciar com base em factos e não fazer politiquice, para isso já basta a classe politica q temos e os defensores da autarquia q aqui vêm! E depois escrever a mesma coisa em todos os textos do blog... enfim!

P.S:só mais uma coisa, eu n gosto da gestão da nossa autarquia nem votei neles!

António

ruas disse...

Só se fossem parvos é que não entravam em esquemas, em compadrio com os influentes homens do betão. Infelizmente não há fiscalização

João Poço disse...

"O PÊCÊ está envolvido nas grandes máfias do Betão da Margem Sul , exemplos ? Quinta da Trindade, Quinta da Fidalga, Flôr da Mata, Fábrica da Pólvora de Corroios...
sim sim...e ainda falta a reserva da Quinta da Atalaia..."!

Anónimo dixit!

Será porque todos estes negócios se têm feito à custa de "sociedades" e grandes grupos com perdas, SEMPRE, para o ambiente e para o património do Seixal e para o Bem público?

Anónimo disse...

... e, quando há fiscalização os fiscais, têm medo de ser corridos à pedrada.

E o ciclo vicioso no qual vive este país...