terça-feira, julho 11, 2006

APRENDAMOS

















Costa da Caparica

No seguimento do que aqui foi publicado ontem, vale a pena ler o Editorial de ontem do Diário de Noticias assinado por Eduardo Dâmaso.

Sol e praia


Eduardo Dâmaso
O Presidente da República apelou há dias aos autarcas para que não cedam à pressão dos construtores civis. Velha questão esta que, apesar dos muitos planos de ordenamento e de urbanismo, continua a degradar o litoral português e a contaminar a definição de melhores estratégias para um desenvolvimento económico mais eficaz e coerente.

A nossa realidade litoral já é, em muitos casos, de uma trágica irreversibilidade. Mas basta olhar para as costas espanholas e para o debate que começa a nascer em Espanha sobre a falência do modelo turístico assente no sol e praia e na consequente construção a um ritmo infernal para rapidamente concluirmos o que não queremos para o que ainda se pode salvar.

Em Espanha, grande parte da costa mediterrânica está indefesa face ao avanço do cimento, afogada em problemas de poluição gerados pelas águas residuais e palco de processos de investigação por corrupção associada à emissão de licenças e alvarás. Valência, Andaluzia e Múrcia são as pontas de um icebergue que há muito domina a economia espanhola, um território por onde circulam 50 mil milhões de euros em notas de 500, uma quarta parte das que são emitidas pelo Banco Central Europeu.

No caso do Algarve e de alguns pontos do litoral na área metropolitana de Lisboa e no Norte os danos já são muito óbvios. Mas para outras áreas uma boa aprendizagem da grande ressaca espanhola seria essencial para que os erros não se perpetuem.

Pouco adianta definir no papel os melhores planos de ordenamento do território se as câmaras continuarem muito dependentes das receitas da construção para a melhor saúde dos seus cofres.

Esta esquizofrenia é insuportável por muito mais tempo e o seu fim seria a melhor maneira de acabar com a promiscuidade existente em muitas zonas do País entre o poder político, não necessariamente apenas autárquico, e os interesses da construção e especulação imobiliária.

Seria, aliás, bom que o Governo recuperasse como linha essencial da sua acção a boa consciência ecológica que o primeiro-ministro exibia há uns anos. Desde logo, seria bom que essa recuperação significasse um maior protagonismo das políticas ambientais na acção governativa. O ministro do Ambiente é reconhecidamente um técnico competente, talvez não fosse mau se tivesse maior espaço político dentro do Executivo. Se não o homem, pelo menos as suas ideias.

____________________________________________________











Finalmente chegou à Margem Sul o livro " Paulo Morais, mudar o poder local" ... procure na parteleira de Politica na FNAC de Almada, não se vai arrepender.


1 comentário:

salvador disse...

Precisamos é de um destes na Margem Sul.Aqui não escrevia um livro mas uma estante cheia sobre o tema da corrupção nas autarquias.