
Assistimos neste momento ao aplicar da terceira investida, em termos urbanísticos, da gestão comunista da Margem Sul , sobre a História, as tradições e a cultura locais.
O que se passa no Seixal e arredores é disso um paradigma.
Como outros já analisaram, numa primeira vaga a estratégia era, em oposição às quintas agricolas (consideradas "feudais") , construír paredes meias urbanizações ditas "sociais", com uma tal carga , desestruturação e abandono que se tornaram rápidamente Bairros Problemáticos.
Com estes guetos , referência como Quinta da Princesa começaram a ter nova conotação ...
A pouco e pouco as estruturas construídas dessas quintas , depois de desvalorizadas... tornaram-se em "conquistas de Abril " e viraram património das autarquias, embora sem grande valia para a população ou para a sua conservação patrimonial.
A segunda vaga veio com o alargamento dos perímetros urbanos para as zonas tradicionalmente e culturalmente rurais , foi e é ainda , a suburbanização pela negativa da memória e do património natural riquíssimos , mas que era necessário submergir para guardar unicamente a memória operária em clara oposição ás raízes camponesas, à floresta ou à tradição maritimo-piscatória . Os caixotes de betão mudaram a paisagem e os signos culturais, dando dinheiro a ganhar a muita gente ... pouco culta ou com poucos escrúpulos...
A terceira vaga teve agora, depois de trinta e tal anos desta visão "colectivista" de reescrever a História, o descaramento para emergir em todos o seu esplendor , e agora vale tudo !
Vale o que se está a fazer na Quinta da Trindade , vale a construção em muralha de prédios sobre a Baía , vale a implantação de Hipermercados sobre instalações produtivas (Leclerc da Amora ), sobre património natural (Carrefour /Continente no montado da Quinta da Princesa) , mas sobretudo está a fazer escola de uma forma preocupante a nova filosofia do camartelo sobre património histórico construído.
Estamos na expectativa do que vai acontecer à Fábrica de Lanifícios da Arrentela, mas veja-se a pressa com que foi demolido o estaleiro de Paulo da Gama , da Quinta da Fidalga , a demolição (anunciada) de património viável e reconvertível dos munícipes, no Fogueteiro , o bloqueio à reconversão das antigas instalações da "Fábrica da Seda" no mesmo local, a degradação a que votaram a Quinta da Trindade (o edifício histórico) , como foram arrazados os seus jardins e a propriedade ou veja-se a degradação a que chegaram os moinhos de maré.
Ou seja, depois do arrazar da memória "feudal" agrícola , da memória piscatória e de construção naval , da memória natural chegou agora a vez, sem qualquer despudor de arrazar o património histórico construído!
Em todas estas "vagas" quem ficou sempre a perder foi a população, quem ficou sempre a ganhar foi a construção civil , a especulação imobiliária e todo o universo que delas se alimentam, inclusivamente o financiamento partidário, não será por acaso que nas últimas autárquicas , segundo trabalhos publicados na imprensa, o PCP gastou mais em propaganda no Seixal do que em Lisboa...
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DESTAQUE
Para o trabalho ultimamente desenvolvido pelo PSD e pelo Dr.Edson Cunha no sentido de levantar estas questões patrimoniais e morais, nas respectivas sedes autárquicas com divulgação desse trabalho na blogoesfera.














