sexta-feira, setembro 07, 2007

COSTA DA CAPARICA PRIVILÉGIOS DE SER "CAMPISTA" (2)




Finalmente com o POLIS da Costa de Caparica parecia que haveria um fim à vista para os Parques de Campismo junto á linha do Mar, residenciais, densificados e inqualificáveis em termos de segurança e de contacto nulo com a natureza, mas não foi isso que aconteceu, em vez de acabar de vez com um incompreensivel privilégio de alguns, que dura há DÉCADAS, optou-se pela pior solução, juntar os très Parques de Campismo, comprar uma propriedade parivada e instalar um mega parque de campismo de 42 hectares junto a uma zona protegida (Mata dos Medos).

O projecto do respectivo plano de pormenor está aprovado estando actualmente em discussão publica (...mais uma discussão publica em pleno Verão) os acessos, o dito Plano de Pormenor foi aprovado na Assembleia Municipal de Almada a 29/6/04, tendo sido retificado em sede de resolução de Conselho de Ministros a 2/3/2005.

Foi reconhecido pelo estudo de avaliação de impacto ambiental que, passo a citar " A principal caracteristica dos actuais parques é o facto de serem ocupados em permanência pelos mesmos utilizadores e familiares há longos anos, sendo minima a rotatividade dos campistas. Por esta razão, os parques do CCCA, CCL e SFUAP apresentam uma estrutura sociológica semelhante à que se observa em agregados urbanos com relações de vizinhança e de convívio"

Ou seja, reconhece-se que o que ali se passa não é o esperado para a função e utilização de um "PARQUE DE CAMPISMO"! Mas perde-se a oportunidade de acabar com aquele abuso!

Por outro lado é reconhecido que a instalação dos Parques, causou um assinalável impacto na zona hoje ocupada, trouxe a essa zona sensível graves danos ambientais que a sua desocupação " permitirá a recuperação do cordão dunar, constituindo um importante impacto positivo, Este é sem duvida o impacte positivo mais relevante deste projecto no qual assenta em grande parte a justificação e necessidade da construção dos novos Parques de Campismo"

Ou seja , diz o EIA que a vertente positiva é o fim dos Parques de Campismo tal qual eles existem! Então porque não ficamos por aqui?

Aqueles cidadãos e suas familias gozaram em exclusividade por mais de quarenta anos um espaço (PUBLICO) que degradaram e que é de todos! Então porque não FIM?

Porque razão se tratou este caso como uma operação de realojamento? Porquê tanto medo com o Lobby campista?

Porquê ? Se vai agora criar num Pinhal :
"conjunto de três parques que albergará no máximo 17 700 utentes e terá 3463 alvéolos " em 42 hectares ?

Porquê? Uma actividade ludica, não essencial, portanto fútil, é tratada como uma questão de "relocalização" como se fosse uma questão de primeira habitação, onde até vão ter em consideração "laços de vizinhança"?

Vão ser ainda criados 2538 lugares de estacionamento, uma via dedicada, com ciclovia, de acesso às praias (agora em discussão publica).

Pergunto, porquê só agora e porque razão tal só foi tomado em consideração pelos campistas e nunca o foi para a população residente ?

Porquê ? Só agora uma preocupação também por um "serviço de transportes publicos regular e de qualidade" , ainda bem que estes campistas têm privilégios superiores ao cidadão comum, que por arrastamento (e só por isso) acabará por beneficiar algo com o assunto , até porque, é reconhecido pelo estudo, que "a população residente da Charneca de Caparica e da Costa da Caparica aumentou significativamente entre os anos de 1991 e 2001, sendo as freguesias do concelho de Almada que maior crescimento populacional registaram neste periodo" ... mas para estes nem as ciclovias, nem os transportes publicos que agora preocupam os responsáveis...

Quanto aos impactos desse novo MEGA PARQUE no pinhal, uma verdadeira cidade de quase 18 MIL Habitantes (é muito voto...) , das 21000 àrvores existentes vão ser cortadas 8400...e ainda bem que se identificou um pequeno problema , que o " principal risco ambiental deste tipo de projecto é o risco de incêndio, o qual no presente caso poderá ser potenciado pelo facto do projecto recair numa zona de pinhal"... La Palisse direi (42 hectares de pinhal , muito nylon e matéria altamente combustível e inflamável ... fogão e fogareiro, saco cama ...), mas é claro que as normas de segurança que reconhecidamente não existem nos actuais parques (não sou eu que o digo é o EIA) vão ser respeitadas, agora, nos novos parques o que garantirá a segurança destes...

A propósito, pergunto, porque razão há neste momento três parques de campismo em funcionamento que de acordo com a documentação do Costa Polis, não garantem as normas de segurança em vigor?

Mas que LOBBIE é este dos campistas da Costa que tudo lhes é permitido e tudo lhes é devido?

E alegremente, sem que nada nem ninguém conteste , aqueles e suas familias que há décadas "ocupam em permanência" terreno do direito publico maritimo, vão ter só para si, mais umas décadas, em permanência, o que agora é um pinhal, numa zona protegida, só para seu bel prazer, não vão , coitadinhos... ficar traumatizados, por serem tratados como os demais cidadãos.

Não seria mais democrático já que a coisa está aprovada, abri-la a toda a população com iguais regras e igualdade de oportunidades do que é afinal a "coisa publica" ? Criando até, como ontem sugeri, agravantes que fomentem a rotatividade e combatam a "permanência" que não é em nenhuma parte do mundo a caracteristica e os objectivos de um Parque de Campismo.


16 comentários:

Mário da Silva disse...

Tão diferente do que foi feito no Parque de Campismo de Lisboa, que era um cancro igual.

E tudo feito com o nosso dinheirinho.

Parabéns! Camaradas, parabéns!

Já agora era interessante saber de quem era o pinhal, de 42 hectares, imprestável por não se poder lá fazer nada; e por quanto foi o dito vendido ao Estado.

E depois nós é que dizemos mal só por dizer.

Osvaldo Lucas disse...

É possível participar na discussão do Plano para os Parques de campismo.
Vide o endereço de mail no final de http://www.costapolis.pt/artigo.php?id=16101216&m=7

Estive a dar uma vista de olhos por um Guia de Campismo e reparei que a maioria dos parques tem uma lotação entre 100 campistas/ha e 200 /ha.
Este megaparque terá uma densidade de 420...

Seria interessante saber quais os custos que ascolectividades têm com o licenciamento actual e com os licenciamentos futuros. Os custos de reimplantação dos novos/destruição dos anteriores são suportados pro quem?
É que o EIA não contém informações sobre o imapcto financeiro
http://www.costapolis.pt/artigo.php?id=16101211&m=2&s=1610121115

Anónimo disse...

Caro Osvaldo

O Plano de pormenor dos parques de campismo já foi aprovado. O que está agora em discussão pública é o EIA dos acessos Ccosta-Charneca (ER377-2 – COSTA DA CAPARICA/NOVA VAGA/IC32).
O custo de re-implementação é assegurado pela CostaPólis....

Já agora, será que os campistas querem vir para a Charneca?

Nuno Ribeiro

Mário da Silva disse...

Ou seja... pagamos nós :)

Anónimo disse...

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JSD SEIXAL LANÇA OUTDOOR SOBRE OS ESGOTOS DEITADOS DIRECTAMENTE PARA A BAIA. VEJAM NO BLOG:


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jsd seixal disse...

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Luis Eme disse...

Concordo com a generalidade do texto.

Realmente o conceito "campista" foi adulterado. Estes parques são entendidos essencialmente como uma forma económica de se ter uma segunda habitação, junto ao mar.

Claro que se devia acabar com este privilégio, deveria ser obrigatória a rotatividade nos parques. E neste caso, não seriam necessários tantos hectares para a construção destas quase cidades "pouco ambulantes".

Dark Blue disse...

Contestei, lutei, trouxe até cá as televisões, organizei uma marcha de protesto na Fonte da Telha, claro que tive a colaboração de muito mais pessoas, mas fui um dos rostos mais visíveis da contestação aos Parques.

Faço parte da comissão de acompanhamento, mas estranhamente só sei do que se passa por intermédio da comunicação e de outros (como você). E apesar de morar em frente ao Pinhal do Inglês nunca recebi na caixa do correio qualquer carta a informar-me do que se passava.

Discussões públicas durante as férias ou período do Natal, falta de informação, decisões ao arrepio da vontade expressa e manifestada das populações, interesses.

Tenho de confessar que estou cansado e que a minha vontade é vender a casa e ir-me embora para outro lado a Nova Zelândia é uma hipótese tentadora visto que é o mais longe possível deste pais de brincadeira.

VOLTEM FILIPES ESTÃO PERDOADOS!

Ponto Verde disse...

Desistir ? Abandonar? Nunca, isso é o que "ELES" queriam, não vamos por aí, a nós que também já nos convidaram a ir para a Filândia ou Noruega ,já que somos tão "elitistas" e contestatários da M_____ em que querem transformar esta margem... abraço!

Epá disse...

Eu não tenho nada que ver com isto mas...Fui até à F. da Telha e logo que cheguei lá abaixo vejo um grande prédio em construção bem junto da arriba dita fóssil. Será legal? Os Gajos (guardas fiscais e da natureza) que estão lá em cima, logo à entrada, ainda não conseguiram ver a referida. E esses inovadores ligados ao falado polis. E as bichas provocadas pelo pagamento do parque da praia, são o quê? Ordenamento dos cofres da Junta ou da CMA!!! Continua-se a criar dificuldades para vender facilidades, é o que é. Recomendo visitas a algumas cidades costeiras (F. da Foz, Varzim, etc), aprendam com os erros dos outros melhorando aquilo que eles já fizeram e sobretudo façam parques de custo zero para a população tornar aquilo vivido. Pela conversa parece que não é fácil de fazer!!! O condomínio fechado e o gueto é que estão a dar!!! Épá

Anónimo disse...

Despacho n.º 18690/2007, D.R. n.º 160, Série II de 2007-08-21

Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional - Gabinete do Ministro

Expropriação de uma parcela de terreno na Charneca da Caparica, tendo em vista a execução das obras relativas ao Plano de Pormenor dos Novos Parques de Campismo da Costa da Caparica


link:
http://www.dre.pt/pdf2sdip/2007/08/160000000/2393223933.pdf

Anónimo disse...

Aviso n.º 15145/2007, D.R. n.º 160, Série II de 2007-08-21

Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional - Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P.

Discussão pública do Plano de Ordenamento da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil e Costa da Caparica

link:
http://www.dre.pt/pdf2sdip/2007/08/160000000/2393423934.pdf

Anónimo disse...

Aviso n.º 15149/2007, D.R. n.º 160, Série II de 2007-08-21

Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional - Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P.

Discussão pública do Plano de Ordenamento da Reserva Natural do Estuário do Tejo

link:

http://www.dre.pt/pdf2sdip/2007/08/160000000/2393523935.pdf

Anónimo disse...

Aviso n.º 15147/2007, D.R. n.º 160, Série II de 2007-08-21

Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional - Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P.

Discussão pública do Plano de Ordenamento da Reserva Natural do Estuário do Sado

Anónimo disse...

Infelizamente, as necessidades cegas de alguns, não deixam vêr algumas realidades.

Para muitos os parques de campismo são primeira e unica habitação, pelo simples facto de, ou gostarem do contacto com a Natureza e preservá-la, pelo facto de não terem necessidade de viver em 4 paredes e subjugados por sistemas bancários e politiquices corruptas, ou pelo simples facto de não terem possibilidades e de ser uma opção bem viável.

Os tais ditos "privilégios" de ser campistas, estão acessiveis a todos, mas nem todos estão dispostos a abandonar o que acham que tem, e realmente viver em ressonancia com a verdadeira Natureza.

Mas claro, isto não passa de uma opinião e de uma forma de viver.

Cumprimentos
Pedro AC

Davidoff disse...

"...viver em ressonancia com a verdadeira Natureza"
Para mim viver em ressonância com a natureza passa tb por me poder deslocar do ponto A até ao B sem ter que ofuscar os olhos com uma densa e extensa metrópole de tendas caro Pedro AC. Concordo com a sua opinião, mas essa não se aplica de algum modo à situação em questão. Eu como residente na Charneca de caparica repudio largamente tanto o actual como o futuro parque de camp., que de contacto com a natureza tem pouco ou nada, apenas priva os demais dessa harmonia.