domingo, setembro 23, 2007

SEMANA DA MOBILIDADE : O RIDICULO DIA "SEM CARROS"



Porque é tão dificil em Portugal reservar espaço nas vias para as bicicletas, a imagem inferior é do centro de Paris, aqui há faixas só para bicicletas, mas também faixas comuns para transportes publicos, uma solução que poderia ser aplicada entre a Cruz de Pau e a ciclovia do MST que começa junto à estação de recolha de Corroios...é assim tão dificil de copiar ?

- Uma dica, as letras BUS já existem, são capazes de adivinhar o que falta?

A imagem de cima permite comparar o que se passa no Seixal, com uma das principais vias procurada pelos ciclistas (direcção Sesimbra-Lagoa Albufeira...) e o perigo que é circular por cá de bicicleta.

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Hoje é um fim de semana "sem carros" em muitas cidades , em Lisboa por exemplo fecha-se as vias principais da Av da Liberdade , vem-se há algumas semanas também, a fechar o trânsito na Praça do Comércio, na Margem Sul, há iniciativas do género em Almada e no Seixal (não há divulgação nos sites das restantes).


São no entanto, todas elas, iniciativas sem continuidade nem sustentabilidade. O que as cidades portuguesa em geral e a margem sul em particular precisam é de voltarem a ter os seus espaços urbanos projectados para as pessoas e a partir da sua casa, não se pode partir do pressuposto que tem de haver sempre o automovel como interface para o transporte publico, isso é um erro e um beco sem saída.

O petróleo atigiu esta semana (final do Verão) um novo recorde , superando os 8o dólares por barril, o que face à procura que aumentará com o Inverno e caso haja instabilidade meteorológica provocada pela "época de furacões" no golfo do México, estima-se irá subir ainda mais, o que fácilmante permite perceber que a dependência do petróleo há muito que perdeu a sustentabilidade, mesmo não considerando a libertação de gases com efeito de estufa.

Como temos aqui amplamente demonstrado, há uma filosofia europeia de adopção da bicicleta como transporte individual alternativo para curtas distâncias, as principais cidades europeias estão a investir forte nesta opção, com os sistemas já aqui divulgados (mesmo em La Rochelle onde parece que haverá uma delegação do Seixal em visita). Quem ainda ridiculariza ou ignora esta opção está desajustado no tempo.

Mas é obvio que a bicicleta não se pode impôr, como o automóvel não se pode simplesmente proibir sem alternativas, simplesmente deslocalizamos fluxos de tráfego e engarrafamentos, como sempre acontece nos contraproducentes "dias sem carros"...há que primeiro criar condições, práticas e de segurança.

Como referi o investimento que falta fazer na margem sul em mobilidade é barato, um só dia do valor gasto pelo Metro Sul do Tejo em auto-promoção já fazia milagres, pois o que falta é em muitos casos simplesmente desenhar nas vias faixas para bicicletas, não são necessárias pomposas ciclovias à beira de qualquer rio feitas para pura propaganda ou para promover novas urbanizações.

Começar por percursos que conduzam às escolas seria um bom principio, igualmente percursos que levem aos interfaces (Metro-Fertagus-Autocarro ou aos terminais fluviais) seria também os percursos prioritários (certamente havia de ser criadas condições de estacionamento para as bicicletas nas escolas e nesses locais publicos, o que existe hoje , por exemplo com quatro ou cinco lugares na estaçãp de Corroios é simplesmente ridiculo.

Outra prioridade nestas ciclovias seria a sua complementaridade com as ciclovias paralelas à linha do Metro e ainda desligadas de tudo o resto.

Isto seria um principio, mas representaria uma verdadeira revolução na concepção urbana e de transportes na margem sul, estariamos a dar um passo gigantesco na qualidade de vida dos cidadãos, a aplicar uma alternativa com continuidade e com utilidade para o futuro...estes dias sem carros, com bicicletas a ocupar o lugar dos carros é , em Portugal, um puro disparate e mera propaganda inconsequente, até porque para se chegar a esses locais é preciso ir ... de carro!

Deixo aqui no entanto uma boa decisão em Lisboa . tomada pela Carris e que terá continuidade, a possibilidade de transportar a bicicleta nos autocarros , só em dois percursos (708 e 723) , ainda só com uma óptica de lazer...mas é um principio.Também a Transtejo e Soflusa alarga a permissão de transporte gratuito de bicicletas, todos os dias e em todos os transpores fluviais, em qualquer horário, excepto na ligação entre Cacilhas e o Cais do Sodré às horas de ponta.

A CP - Comboios de Portugal passa a permitir o transporte gratuito de bicicletas nos comboios urbanos, fora das horas de ponta (para além dos Sábados, Domingos e Feriados, quando já era gratuito). Veja aqui as condições de transporte de bicicletas nos comboios urbanos.

As empresas de trasportes da AML estão despertas para esta questão, o que esperam os autarcas ?

3 comentários:

Anónimo disse...

Um dia desta semana assistimos a uma situação ridícula em Almada: "nove ciclista", "nove", eram só nove por ruas de Almada com três batedores da PSP de mota e sirenes em acção.

Anónimo disse...

Na Moita esteve tudo fechado, ou quase.

Muita Festa e muita largada.

Foi sem carros e sem bicicletas, mas teve bois a fartar.

Bici Activismo disse...

Massa Critica - Sexta-feira, 28 de Setembro

Aveiro
18h00
Ponte Praça

Coimbra
18h00
Largo da Portagem

Lisboa
18h00
Marquês de Pombal

Em Lisboa faremos a Massa Crítica dos Executivos, para mostrar que a bicicleta não serve apenas para lazer ou para desporto (obrigando a calção de Lycra, camisola colorida e mala xpto), mas também é um meio de transporte que pode e deve ser usado por qualquer pessoa em qualquer ocasião.

Veste o teu casaco, calças e camisa, saia ou vestido.
Calça o teu sapato de escritório, sandália ou sapato alto.
Vem pedalar.

Porto
18h00
Praça dos Leões

O que é a Massa Crítica?
A Massa Crítica (Critical Mass) é um evento que ocorre tradicionalmente na última sexta-feira do mês em muitas cidades pelo mundo, onde ciclistas, skaters, patinadores e outras pessoas com veículos movidos à propulsão humana, ocupam seu espaço nas ruas. No Brasil e em Portugal, há um movimento ciclista inspirado na Massa Crítica, chamado Bicicletada. Os principais objectivos da Bicicletada são divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.

Mais informações:
www.massacriticapt.net

“Anda de bicicleta todos os dias, festeja uma vez por mês”