terça-feira, setembro 04, 2007

(I) MOBILIDADE E MARGEM SUL (ALMADA E SEIXAL)


Não são sérias as autarquias da margem sul quando se associam à semana da mobilidade ou ao dia sem carros pois desde que tal se comemora na perspectiva (europeia) de alertar cidadãos e autarcas para esta questão, nada se alterou que acrescentasse mobilidade, alternativa ao automóvel ou maior qualidade de vida para as populações.

O que se fez , apesar dos enormes investimentos, foram aplicações enviezadas (e estáticas) de conceitos que até podiam resultar, mas que continuam, em vez de melhorar a qualidade de vida dos residentes, a funcionar com polo aglutinador para mais gente, para mais massificação urbana servindo sim a industria da construção e acessórias.


Os grandes projectos a que me refiro, um é o do projecto Fertagus que teve a filosofia completamente invertida pela localização escolhida para as estações, em vez das zonas povoadas, optou-se para pôr as estações em descampados onde não habitava ninguém, objectivo, construir novos polos urbanos (na imagem : x - Santa Marta/Corroios e x2 estação Foros de Amora) em vez de servir os já existentes , aumentou-se a carga humana e não se fomentou o uso dos carissimos parques de estacionamento (custo e dificuldade de acesso).

Depois e ainda relacionado com a Fertagus há a desarticulação com os TST que deveriam em autocarro fazer a ligação com outros pontos alimentando o comboio!


O outro projecto que conseguiram distorcer é o do Metro Sul do Tejo, deveria estar a funcionar, não vazio como está, nem no percurso minimalista que cumpre diáriamente e a ninguém serve, optou-se pela pior solução no triângulo da Ramalha onde caricatamente atravessa (não em túnel nem em passagem desnivelada como seria desejável) a avenida de ligação de Almada com a Costa de Caparica, o Sul e Lisboa, para além das divergências com os residentes e o disparo dos custos.

O Metro Sul do Tejo teve ainda no Seixal , concelho que deveria também servir , opções de traçado completamente surreais, com o desaproveitamento total de servir de forma simples o centro da Cruz de Pau, aproveitando a EN 10 e o corredor BUS existente - cerca de dois quilómetros!!! (linha amarela na imagem) , mais grave, descartando esta hipotese , não se criou a possibilidade de fazer esta curta ligação entre a Cruz de Pau e a Estação de Recolha (que tem paragens construídas) em ciclovia , continuando a que foi construída pela Metro Sul do Tejo, ou ainda não implementou a possibilidade de um autocarro de ligação com o MST, funcionando este desgarrado de tudo e de todos, e logo...VAZIO!!!

Veja-se o absurdo do desperdicio do troço, construído , entre a estação de recolha e o inicio da linha de exploração e que não serve ninguém, e poderia alimentar o Metro a partir de utentes residentes da Cruz de Pau até Amora (linha vermelha na imagem).

Mas está em projecto (linha rosa tracejada na imagem) numa segunda fase novo troço que mais uma vez se afasta das zonas mais povoadas de Amora e Cruz de Pau servindo a Quinta da Atalaia...e posteriormente os condominios fechados em construção junto ao Rio, da Quinta do Outeiro e Quinta da Trindade...

Depois tudo está orientado no sentido Sudeste-Noroeste , o eixo que conduz a Lisboa, mas que no presente é um eixo (EN10) que está a ficar com menos habitantes, uma vez que há um desenvolvimento quer de Almada (Laranjeiro-Feijó-Sobreda-Charneca-Costa) Quer no Seixal ; (Corroios-Santa Marta- Pinhal Conde da Cunha...) e eixo (Paio Pires-Arrentela-Torre da Marinha-Pinhal dos Frades-Fernão Ferro) em eixos que são perpendiculares ao eixo considerado como canal principal (A2,Fertagus,Metro), ainda por cima, são eixos mal servidos de transportes publicos e sem alternativa ao automóvel em vias altamente congestionadas como a EN-378 (Sesimbra-Seixal).

Esta limitação é uma das razões que o transporte Fertagus não seja utilizado em pleno pelos residentes nestes eixos (perpendiculares não servidos de transportes nem com ciclovias), e que o metro ande vazio .

O Metro só terá algum sentido e começará a ter ...finalmente...passageiros quando um dos tais eixos perpendiculares (Monte da Caparica-Almada-Cacilhas) estiver em funcionamento (troço a verde na imagem).


6 comentários:

LB disse...

Este projecto do Metro Sul do Tejo é todo ele tão surreal que só se compreende no quadro da politica de mobilidade e urbanização definida por sucessivos governos e autarquias que há mais de 30 anos têm responsabilidades pelo desenvolvimento da região.
Parece-me que o projecto tem alguns anos de atraso e foi feito com base em estudos de mobilidade e concentração urbana que estão completamente desactualizados... mas ninguém parece preocupado em corrigir, antes fechar os olhos e seguir em frente aproveitando pelo caminho para abrir mais umas frentes de construção que bem falta devem fazer nesta altura a um sector, que atravessa uma grave crise, como o é o sector da construção!
Há alguém a receber ordenados para pensar e executar um trabalho de planeamento e ordenamento do território, que em minha opinião deixa muito a desejar nestes concelhos da margem sul (eu pelo menos gosto de pensar que existem pessoas a ser pagas neste momento para pensar, preocupar-se e agir sobre estes problemas... mas vai daí, talvez não!)

André disse...

A zona a tracejado rosa foi recentemente proposta?

É que lembro-me do traçado do metro e este iria ao longo da N10 até à rotunda das Paivas, virando nesta zona em direcção à Amora e depois fazendo a curva até ao Rio Sul.

Realmente é um desperdício aquele troço de Corroios à Cruz de Pau, bem que podiam ter feito duas estações (uma a meio e outra antes do túnel da Cruz de Pau), sendo que não estou a ver como o traçado irá ultrapassar este.

De resto, a verdade é que enquanto não resolverem a Ramalha para o metro ir até ao Pragal, vamos continuar a assistir à diminuta utilização do MST

Joao Soares disse...

Olá,
Também fiquei fascinado com a descoberta daquela reportagem do americano em Amsterdão.Faz uma visita ao Bioterra. Tens uma surpresa...a tua luta é minha e é de todos os que desejam uma mobilidade moderna.
Abraços

Ponto Verde disse...

Pois é André, há uma grande confusão com o traçado do MST no Seixal, a documentação (minimalista) disponibilizada pela Câmara de Almada dá a entender que o MST irá directo ao Fogueteiro.

Vária informação emanada da CM do Seixal, dá outra interpertação ao traçado, fazendo-o ir servir a Quinta do Avante, passo a citar o site da CMS :

- "No Seixal, o Metro passa por Miratejo, Corroios, Cruz de Pau, centro da cidade de Amora, Correr d' Água, Paivas e Fogueteiro, segue para a Torre da Marinha, Arrentela, Centro Cívico do Seixal (Fórum Cultural, Palácio da Justiça, Pavilhão do Seixal F.C. e Mundet), Núcleo Urbano Antigo do Seixal, Terminal Fluvial, Quinta da Trindade e Instituto Hidrográfico."

O site para que não haja dúvida do que digo é este : http://www.cm-seixal.pt/CMSEIXAL/CAMARA/PROJECTOS/PR_MST_2005.htm

Anónimo disse...

A ante-projecto do MST está publicado!! Não há interpretações, nem devaneios, nem invenções possíveis, nem linhas rosa inventadas...

Anónimo disse...

A inauguração prematura do MST foi uma "burrice" das grandes, por isso aí estão os comboios a circular sem passageiros porque apenas os podem levar a "lugar nenhum", i.e. não chegam a um local que seja um grande destino de passageiros, como será CACILHAS, PRAGAL, UNIVERSIDADE, COSTA DA CAPARICA (se um dia lá chegar) ou SEIXAL (também se um dia lá chegar). Antes de se atingir qualquer um daqueles destinos não conseguirá captar passageiros suficientes que justifique o serviço e o resultado será o inevitável acumular de prejuízos. FIM!