quinta-feira, setembro 27, 2007

"A PRIVATIZAÇÃO DO MUNDO"

imagem : Rio Sul Shopping Seixal e envolvente

Para concluir o tema que aqui temos tratado gostaria de citar excertos de uma crónica assinada por José Vitor Malheiros e Publicada no PUBLICO na passada semana, passo a citar recomendando para a leitura integral do texto :


" Houve uma altura em que morávamos num prédio, íamos fazer compras à rua e passávamos férias na praia.

Hoje moramos em condomínios fechados fazemos férias em centros comerciais e passamos férias em resorts.
Uma das diferenças fundamentais desta mudança é que, enquanto há uns anos nos movimentávamos durante a maior parte do tempo em espaços públicos de utilização livre e acesso universal, passámos a fazer isso em espaços privados, de utilização condicionada e acesso restrito (...)

Acontece, porém, que todas estas empresas (a que a linguagem tecnocrata chama "infra-estruturas") assumem funções que já foram do espaço público e cuja deslocalização constitui um empobrecimento desse espaço público.

Um Centro Comercial não é apenas um "espaço de qualidade onde pode desfrutar das compras com prazer depois de deixar os seus filhos em segurança no nosso serviço baby-sitting".É também um pretexto para que as autoridades municipais não invistam na qualificação de mercados, das ruas ou jardins, não olhem para as praças e passeios como o local de trânsito e de encontro que deviam ser e não se sintam culpadas nem sejam responsabilizadas pela inexistência de oferta desportiva ou cultural para os jovens.

Afinal, se a "infra-estrutura" já existe e tem a adesão das pessoas, para quê fazer mais? E o facto dessa "infra-estrutura" ser privada é uma vantagem, pois isso significa que assim se "produz riqueza" ( = empresas ganham dinheiro) , em vez de se "desperdiçar dinheiros publicos" ( = todos usufruem de serviços gratuitos).

A ficção cientifica nostrou-nos um mundo futurista onde ilhas de alta-tecnologia e conforto inimaginável existem num mar sórdido de miséria, crime e droga (...)

Todos estes microcosmos privados são espaços de consumo, onde o direito de permanência se adquire pelo dinheiro e onde as regras são ditadas por empresas. São espeços totalitários, inteligentes, concebidos para orientar os olhares, os passos e os gestos nalgumas direcções, para promover o consumo e para gerar uma fugaz sensação de felicidade através desse consumo (...)

Uma sociedade não se pode estruturar, não pode construir valores comuns, criar arte, produzir liberdade, aumentar o seu bem-estar e educar os seus filhos exclusivamente em torno do consumo e do negócio (...) .

A privatização generalizada dos espaços comuns , a sua monopolização por interesses privados não é admissível numa sociedade democrática e aberta (...)

A atitude dos cidadãos não pode ser negligente nem demissionária. O espaço público tem de continuar a ser reivindicado, construído e ocupado - para além das catedrais de consumo que as empresas continuam a construir. As nossas praças têm de ser outras "

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"O PAÍS ESTÁ DOIDO...COM TODO O RESPEITO!!!"


9 comentários:

Paulo Edson Cunha disse...

Boa noite "Ponto Verde".
Sobre o Dr. Santana Lopes, deixo a minha opinião no meu blogue http://pauloedsonc.blogspot.com/e no "Setubal na Rede", na secção Assento Parlamentar -psd.
Sobre o resto do post, muito oportuno.

Anónimo disse...

Santana teve uma atitude exemplar: interrompido quando estava a dar uma entrevista a Ana Lourenço,em directo no estúdio da SIC Noticias, para se ver a chegada de José Mourinho ao aeroporto, onde este nada disse e onde o repórter esteve a encher chouriços e a dizer banalidades depois do treinador já ter saído de cena, Santana decidiu abandonar o estúdio. Disse que achava inacreditável interromper uma entrevista para fazer um directo sobre futebol "Acham que é com isto que o país anda para a frente ? Está tudo doido ? Vocês têm as vossas regras eu tenho as minhas. Não vou responder a mais nada". E saiu.

Estes golpe de asa traz de volta o velho Santana. Com todo o respeito e solidariedade que tenho para com a estação, acho que por vezes nós jornalistas precisamos de perceber que há limites para tudo. No jornalismo não vale tudo. Se a SIC queria dar a chegada do Mourinho em directo devia ter avisado o entrevistado ou ter passado a imagem do directo do Mourinho em oráculo.

Acabou por serem dois grandes momentos de televisão: a chegada do herói e a partida do ex-herói.
Puro divertimento, portanto.

Luiz Carvalho - Expresso/ instantefatal.blogspot.com

Anónimo disse...

Parece que estamos todos um pouco doidinhos. Depois de uma interminável cobertura desse extraordinário acontecimento, de uma importância tremenda para a vida do País, que foi o despedimento de José Mourinho, as televisões dedicaram ontem, ao que parece, uma prioridade máxima à chegada do dito cujo ao aeroporto da Portela. Desde o regresso dos "12 de Inglaterra" que não se via nada assim. Como não existia televisão nesses tempos, nem a possibilidade de entrevistar Pedro Santana Lopes e interromper essa entrevista pelo regresso do "mui valoroso cavaleiro", não tivemos acesso a uma nota de imprensa meio apalermada - ou será totalmente?- da Direcção de Informação da SIC- Notícias.
Falta o essencial: uma declaração do Governo a evidenciar que neste País um desempregado não necessita de se preocupar com mais nada, apenas aspira a viver bem, tranquilo com a sua família, com a sua segurança social devidamente assegurada. A segurança social do snr. Abramovitch.

Adenda: Santana Lopes pode até ter sido um péssimo primeiro-ministro mas tem qualquer coisa que muitos dos outros não têm: coluna vertebral e uma saudável capacidade de se revoltar contra os desvarios do poder mediático.

José Carlos Guinote no pedradohomem.blogspot.com

Anónimo disse...

..e disse muito bem, porque realmente não se faz a ninguém o que a SIC-Notícias lhe fez ontem à noite: estava a entrevistá-lo em estúdio e a meio interrompeu a entrevista para transmitir um directo imbecil sobre a chegada ao aeroporto de Lisboa de José Mourinho. Santana, irritado, esperou que o directo acabasse e depois, ele próprio em directo, explicou que recusava continuar a entrevista: "Acho que o país está doido". E foi à vida dele.

O que a SIC fez não se faz a ninguém - e não o digo por Santana ser ex-primeiro-ministro ou ex-líder do PSD. Digo-o apenas porque jornalisticamente aquela interrupção foi asneira da grossa. E porque tenho a certeza que nunca aconteceria se o entrevistado em estúdio fosse alguém na mó de cima. Evidentemente nos noticiários seguintes da SIC-Notícias o episódio era apresentado como um gesto de alguém que por norma "deixa as coisas a meio". Esteve bem, Santana. São poucos os político que fariam o que ele fez.

gloriafacil.blogspot.com

Anónimo disse...

Que outro político português, depois de uma desastrada, e felizmente curta, aventura como primeiro-ministro conseguiria esse espantoso pleno de elogios na blogosfera, da esquerda à direita? Só mesmo Santana Lopes, que recusou esta noite continuar uma entrevista à SIC Notícia depois de ter sido interrompido por um directo da chegada de Mourinho a Portugal.
"Convidam-me para vir aqui falar de coisas importantes, eu venho, com prejuizo para a minha vida pessoal e interrompem por causa do Mourinho. Eu sei que ele é importante, mas francamente, isto está tudo doido", disse Santana, perante uma surpreendida Ana Lourenço. E a entrevista ficou por ali.
As reacções não se fizeram esperar. De todos os quadrantes políticos.
Vital Moreira aqui, João Villalobos aqui, Daniel Oliveira aqui, Medeiros Ferreira aqui, Pacheco Pereira aqui, João Pinto e Castro aqui, ou João Pedro Henriques aqui.

Sejamos claros: o que a SIC Notícias fez não tem desculpa. Não há critério editorial que justifique a interrupção. Bem educado e elegante, Santana esperou o directo do não-acontecimento para explicar que ficava por ali. Ana Lourenço, seguramente a menos culpada (naturalmente, apenas cumpriu o que lhe disseram ao ouvido) não conseguiu reagir. Percebe-se porquê.

Nuno Azinheira ; azinhas.blogspot.com

Anónimo disse...

É pelo menos insólito o que aconteceu esta noite na SIC Notícias. Convidado para uma entrevista a pretexto da discussão da actual situação do PSD, Santana Lopes foi interrompido pela pivot, porque José Mourinho acabara de chegar a Portugal naquele instante. À entrevista sobrepôs-se então um directo do aeroporto de Lisboa. Quando a emissão regressou ao estúdio, Santana Lopes estava indignado. Reconhecendo ironicamente que José Mourinho é mais importante do que “todos nós”, o ex-Primeiro Ministro considerou que “o país está doido”, porque sobrepõe um treinador de futebol a um debate sobre a situação política do país. Suspendeu a entrevista e deixou-nos um bom pretexto para reflectir sobre critérios editoriais. Os mesmos em que a SIC insistiu agora no noticiário das 23h00, quando lamentou o sucedido.

http://mediascopio.wordpress.com

Anónimo disse...

Um caso de regulação dos media

O gesto de Santana Lopes na SIC-Notícias, abandonando uma entrevista em estúdio após ser interrompido para a transmissão em directo de uma irrelevante chegada de José Mourinho ao aeroporto da Portela (ver vídeo aqui), fez mais pela regulação dos media do que todas as deliberações juntas da ERC mais o novo Estatuto do Jornalista e outros condicionamentos ordenacionais da prática jornalística pelo poder político. A SIC-Notícias aprendeu a lição e não voltará a repetir a graça. Os outros canais de TV também. A regulação dos media é matéria da sociedade, não do Estado.

observatoriodaimprensa.pt

Luis Eme disse...

O mundo está a caminhar mesmo para a loucura...

Não sei se as pessoas serão felizes nessas redomas (já existem muitas por aí...), protegidas por muros altos, quando no lado de lá reina o medo, a miséria e a morte...

mário da silva disse...

Ganda homem! Assim é que é!
E viva o Direito à Indignação!

reason.blogsome.com

Até mais.