terça-feira, setembro 25, 2007

COLOMBOFILIA (2)

imagem: espaço publico em Barcelona, Plaza de Catalunha, junto a dois centros comerciais (no centro da cidade) um com uma mega loja FNAC e outro um gigantesco El Corte Inglés.

Ao optar pelo Cento Comercial e não pelo comércio de cidade (vulgo tradicional) o cidadão opta entre centros de cidade mal cuidados, de estacionamento caótico e de dificil acesso, onde não encontra o que procura e uma construção climatizada, com lugar ordenado para estacionar, som ambiente , espaços amplos e agradáveis e horários mais convenientes.


O cidadão sente-se também mais seguro, sem mendigos ou sem abrigo, sem abordagens inoportunas.
Um deficiente motor pode ali sentir-se finalmente autónomo e com as mesmas opções de mobilidade que um qualquer cidadão , os pais podem passear os seus filhos mais descontraídamente e se tiverem carrinhos de bébés , estes não encontram os obstáculos das nossas cidades.


A verdade é que o Centro Comercial (privado) se adaptou às pessoas e que o espaço público (gerido pelas autarquias) se divorciou cada vez mais delas.
Enquanto que o gestor e investidor de um centro comercial tem uma óptica de orientação para o cliente (diária) , o autarca só se preocupa com o eleitor a cada quatro anos, e quanto menos investir no seu dia a dia, mais sobra para acções de propaganda que na sua óptica são as que lhes garante os votos.


A verdade é que no meio disto temos um comércio tradicional que não se torna apelativo, não se torna também atraente à cadeias internacionais que levam muitos clientes aos Centros Comerciais, porque o espaço das cidades está degradado, sujo , mal frequentado e abandonado pelos seus autarcas, entra-se assim num ciclovicioso sem fim à vista.


O único fim que se antecipa é o da degradação ainda maior das cidades, se só se constrói para as periferias, se o comércio vai também para as periferias...haverá ainda pelo desaparecimento do comércio tradicional fenómenos de exclusão inevitávelmente associados.


Na quebra deste ciclo que provocará a morte das cidades - (cidades mortas não atraem turismo!), territórios de ninguém, guetos degradação - está o autarca, só que o autarca inapto que hoje nos governa tem que ter o up-grade que falta à classe politica hoje no poder, tem que ir ver lá fora, não só como se fazem Marinas , mas como se fazem cidades vivas e habitáveis, como se constrói a mobilidade, como e onde se criam espaços verdes, como se conserva a história e a natureza (isso atrai gente e turismo!) , se faz arte e se vive a rua...e assim se valoriza o espaço urbano, o construído e se trornam atractivos os milhares de apartamentos ("em 2ª mão") à venda nos centros das nossas cidades.

Temos que pagar férias aos nossos autarcas em sitios civilizados, não em resorts nem com atrações
indoor (com outras "Marinas"...) , mas em espaços habitados vivos , cidades com história, com gente , com comércio aberto fora de horas, com esplanadas, ciclovias, espaços onde quem está dependente de uma cadeira de rodas possa desfrutar da cidade, ou mesmo quem leve um carrinho de bébé... espero que os autarcas estejam dispostos a aprender, é que já lá vão trinta anos a andar para trás!
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De assinalar o debate na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o combate às alterações climáticas.

"José Sócrates defendeu hoje, perante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, o primado do direito internacional, do multilateralismo e das Nações Unidas na resolução das grandes questões globais — sejam elas de carácter ambiental ou político. " (PUBLICO)

6 comentários:

ex-militante disse...

Eles querem lá saber, interessa é as contrapartidas, veja o Carrefour da Quinta da Princesa e o viaduto por acabar de Corroios.

OctavioCP disse...

Gostei muito do artigo e do modo como abordou as questões. A evasão dos cidadãos dos centros históricos para os campos de refúgio e alienação do dia a dia que são os centros comerciais, é sem dúvida uma das questões mais importantes que levam atrás todo um leque de problemas, a começar pela não justificação de investimentos em recuperação e valorização de partes das cidades "velhas" mas não "antigas" ou "históricas", mas ainda assim perfeitamente funcionais e que deveriam servir não só como dormitórios, mas também como espaços de preenchimento das necessidades sociais, culturais e comerciais das pessoas.

Anónimo disse...

Não é preciso ir a Almada velha para ver a degradação da qualidade de vida dos Almadenses. Vamos ao Pragal e o que vemos é um hotel e um centro comercial a serem construidos num espaço que deveria ser zona verde.

José da Silva Maurício disse...

Olá Blogger! Vamos mudar a LETRA do Hino Nacional?!
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A minha PROPOSTA:
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"A Liberdade" (um povo sem formação não é um povo livre).
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Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!
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Agora a parte em que os Traficantes de Armas se FARTAVAM de rir:
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Às aulas, às aulas!
Na Escola e no Trabalho,
Às aulas, às aulas!
Pela Pátria aprender
Contra o atraso estudar, estudar! (*2)
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(*2) - ALV - Aprendizagem ao Longo da Vida.
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"Toda e qualquer actividade de aprendizagem, empreendida numa base contínua,
com o objectivo de melhorar conhecimentos, aptidões e competências".
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Site em http://www.alv.gov.pt
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NOTA: "Atletas ESPANHÓIS querem dar letra ao hino nacional espanhol".
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in Jornal Diário de Notícias, 13.6.2007, ou em
http://dn.sapo.pt/2007/06/13/desporto/atletas_querem_letra_hino_nacional_e.html
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Quem mudará a letra do hino mais depressa? Espanha ou Portugal?
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Braga (mas Lisboeta, "A Invasão Mourisca,
"http://jn.sapo.pt/2007/02/27/opiniao/a_invasao_mourisca.html) 20.9.2007
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JOSÉ DA SILVA MAURÍCIO para os que não gostam de Anónimos.
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ANÓNIMO para os que não gostam de armantes.
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E para os restantes, J#o? d/ sI&v? Ma+/+u)io (Assinatura ilegível).
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mauricio_102@sapo.pt
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http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

O hino espanhol não tem letra, só música.
É um instrumental, por assim dizer.

Anónimo disse...

Oh se se compreendo. Barcelona? Londres? Amesterdão? Mas nós estamos a 50 anos dessas gentes?! Porque não aceitarmos a realidade nacional e atacá-la na base de todo o mal..? Revolução armada? Revolução pacífica? Revolução verde? Ou mudança de atitude perante o nosso incipiente pensar?
Ó a-sul, então estamos a cair sempre no mesmo?
Cadê o ensino, cadê o professor, cadê a escola, cadê o social/solidário?.
Voltar ao Futuro, necessita de apoios! Na hora de votar,40% dos portugueses votam da maneira que se sabe...Quando deveriam fazer o mesmo que os restantes 60%. Porque ou se sabe escolher, se sabe o quer ou então teremos de volta ao Texto.