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sábado, setembro 22, 2007

SEMANA DA MOBILIDADE : ANDAM-NOS A GOZAR A METRO?


Obras do Metro Sul do Tejo, Centro de Almada, Setembro 2007 - O Metro já devia estar a passar por aqui!!!

Parece que sim, que nos andam a gozar com o Metro Sul do Tejo... Mas quem nos anda a gozar com o metro? Bom , os suspeitos do costume, a concessionária, as autarquias e o Governo.


É que todos parecem considerar normal toda esta novela e todo este gasto suplementar ao orçamentado, não estando em funcionamento o que era suposto estar a funcionar e mais grave, com um gasto superior ao orçamentado e insustentáveis perdas mensais.

Primeiro que tudo está a gozar connosco o gestor da concessionária, ao nos servir como normais os 15 mil euros custo/dia, e como justifica esses 15 mil euros custo dia com a declaração de que a actual fase de exploração "nunca foi para rentabilizar, mas antes para sensibilizar a população para este novo meio de transporte" , não parece excessivo um tal custo, só para "sensibilizar" , não há outros meios mais simples e eficazes?

É que por este custo, mais valia pagar viagens e estadias aos nossos autarcas, para verem o que se faz na Europa em termos de mobilidade, nomeadamente levando-os a visitar cidades que têm também composições Combino em funcionamento, levar os nossos autarcas a ver como este meio interage com a cidade, com o espaço urbano e como é complementado pelos restantes meios de transporte, quanto à sensibilização do Povo ela poderia ser feita de uma forma mais económica e eficaz ... por exemplo se tivesse entrado em funcionamento a amplitude de linha que era supoosta estar a funcionar neste momento!









Os 15 mil euros diários de custo promocional, mais precisamente , € 2 175 000 desde que entrou em funcionamento a 1 de Maio
! Pois é, estamos a falar de de uma campanha de (até agora) mais de DOIS MILHÕES DE EUROS que poderiam estar a ser utilizados para promover o transporte publico na margem sul de uma outra forma, nomeadamente construindo ciclovias complementares , melhorando os pontos de interface, melhorando e entrosando os outros meios de transporte publico existentes.


Depois o senhor presidente da concessionária goza connosco porque um gestor jamais poderá considerar normais tais perdas, a menos que esteja seguro de que o estado (NÓS) assumamos tal custo (alguém nos 18 Forums publicos, perguntou aos cidadãos se estavam dispostos a arcar com uma tal despesa sem sentido?) , é que é isso que parece ir acontecer, passo a citar "Se a viabilidade não for atingida, entra em cena o Estado, com uma compensação financeira que cubra os prejuizos da concessionária por o número de passageiros se encontrar abaixo do limite minimo previsto" situação que "ainda está a ser revista pelo Tribunal de Contas"... Compreende-se agora a ligeireza com que o presidente da concessionária fala dos números em jogo e de mais um negócio ruinoso para o estado?

Até agora, e como a população já demonstrou, o custo por quilómetro do Metro Sul do Tejo, mostrou-se mais caro que o projecto do TGV para Portugal .

Outra questão entretanto surgida é a construção de vários parques de estacionamento, quando o estacionamento automóvel como interface para o metro não é uma questão séria, e só estão mais uma vez, à custa do erário publico a compensar a não aplicação da lei que há muito obriga os construtores a construir lugares de estacionamento nos prédios que multiplicam a um ritmo de copy/paste e porque a linha do metro não serve as zonas mais populosas, de onde se subentende ter o cidadão que se deslocar de carro, um absurdo!

Explicam-nos também que milagre dar-se á , a partrir de Dezembro , com a entrada em funcionamento do troço até à Universidade, esquecendo-se de referir que esse troço DEVERIA já estar a funcionar!!!, a linha esta construída, as estações degradam-se porque não se quiz ou não se soube, atempadamente e da melhor forma resolver a questão do Triângulo da Ramalha! Esquecem-se também de nos informar que o custo "promocional" do funcionamento do Metro, nessa altura (15 de Dezembro) terá um saldo negativo de aproximadamente TRÊS MILHÕES QUATROCENTOS E TRINTA E CINCO MIL EUROS !

Gostaria de um simples exercicio por parte da tutela, da concessionária ou das autarquias:

- O que aconteceu, nas outras cidades do mundo onde composições do mesmo tipo COMBINO estão em funcionamento.

- Gostaria de saber se houve semelhantes atrasos , se houve semelhantes derrapagens de custos, semelhantes custos promocionais (15 mil euros diários) .

- Se houve semelhantes birras das autarquias envolvidas.

- Se entraram em jogo semelhantes garantias compensatórias por parte do Estado.

É que quase que apostava que não, mas estas seriam umas excelentes respostas a dar à população num próximo 19º Forum Publico de discussão sobre o MST. É que até agora , só têm andado a gozar connosco!


terça-feira, setembro 04, 2007

(I) MOBILIDADE E MARGEM SUL (ALMADA E SEIXAL)


Não são sérias as autarquias da margem sul quando se associam à semana da mobilidade ou ao dia sem carros pois desde que tal se comemora na perspectiva (europeia) de alertar cidadãos e autarcas para esta questão, nada se alterou que acrescentasse mobilidade, alternativa ao automóvel ou maior qualidade de vida para as populações.

O que se fez , apesar dos enormes investimentos, foram aplicações enviezadas (e estáticas) de conceitos que até podiam resultar, mas que continuam, em vez de melhorar a qualidade de vida dos residentes, a funcionar com polo aglutinador para mais gente, para mais massificação urbana servindo sim a industria da construção e acessórias.


Os grandes projectos a que me refiro, um é o do projecto Fertagus que teve a filosofia completamente invertida pela localização escolhida para as estações, em vez das zonas povoadas, optou-se para pôr as estações em descampados onde não habitava ninguém, objectivo, construir novos polos urbanos (na imagem : x - Santa Marta/Corroios e x2 estação Foros de Amora) em vez de servir os já existentes , aumentou-se a carga humana e não se fomentou o uso dos carissimos parques de estacionamento (custo e dificuldade de acesso).

Depois e ainda relacionado com a Fertagus há a desarticulação com os TST que deveriam em autocarro fazer a ligação com outros pontos alimentando o comboio!


O outro projecto que conseguiram distorcer é o do Metro Sul do Tejo, deveria estar a funcionar, não vazio como está, nem no percurso minimalista que cumpre diáriamente e a ninguém serve, optou-se pela pior solução no triângulo da Ramalha onde caricatamente atravessa (não em túnel nem em passagem desnivelada como seria desejável) a avenida de ligação de Almada com a Costa de Caparica, o Sul e Lisboa, para além das divergências com os residentes e o disparo dos custos.

O Metro Sul do Tejo teve ainda no Seixal , concelho que deveria também servir , opções de traçado completamente surreais, com o desaproveitamento total de servir de forma simples o centro da Cruz de Pau, aproveitando a EN 10 e o corredor BUS existente - cerca de dois quilómetros!!! (linha amarela na imagem) , mais grave, descartando esta hipotese , não se criou a possibilidade de fazer esta curta ligação entre a Cruz de Pau e a Estação de Recolha (que tem paragens construídas) em ciclovia , continuando a que foi construída pela Metro Sul do Tejo, ou ainda não implementou a possibilidade de um autocarro de ligação com o MST, funcionando este desgarrado de tudo e de todos, e logo...VAZIO!!!

Veja-se o absurdo do desperdicio do troço, construído , entre a estação de recolha e o inicio da linha de exploração e que não serve ninguém, e poderia alimentar o Metro a partir de utentes residentes da Cruz de Pau até Amora (linha vermelha na imagem).

Mas está em projecto (linha rosa tracejada na imagem) numa segunda fase novo troço que mais uma vez se afasta das zonas mais povoadas de Amora e Cruz de Pau servindo a Quinta da Atalaia...e posteriormente os condominios fechados em construção junto ao Rio, da Quinta do Outeiro e Quinta da Trindade...

Depois tudo está orientado no sentido Sudeste-Noroeste , o eixo que conduz a Lisboa, mas que no presente é um eixo (EN10) que está a ficar com menos habitantes, uma vez que há um desenvolvimento quer de Almada (Laranjeiro-Feijó-Sobreda-Charneca-Costa) Quer no Seixal ; (Corroios-Santa Marta- Pinhal Conde da Cunha...) e eixo (Paio Pires-Arrentela-Torre da Marinha-Pinhal dos Frades-Fernão Ferro) em eixos que são perpendiculares ao eixo considerado como canal principal (A2,Fertagus,Metro), ainda por cima, são eixos mal servidos de transportes publicos e sem alternativa ao automóvel em vias altamente congestionadas como a EN-378 (Sesimbra-Seixal).

Esta limitação é uma das razões que o transporte Fertagus não seja utilizado em pleno pelos residentes nestes eixos (perpendiculares não servidos de transportes nem com ciclovias), e que o metro ande vazio .

O Metro só terá algum sentido e começará a ter ...finalmente...passageiros quando um dos tais eixos perpendiculares (Monte da Caparica-Almada-Cacilhas) estiver em funcionamento (troço a verde na imagem).


segunda-feira, setembro 03, 2007

BICICLETA MOBILIDADE E A EUROPA



Continuando o tema de ontem, e antecipando a "Semana da mobilidade" vamos mostrar o que sériamente tem sido feito na Europa sobre a opção bicicleta em oposição ou complemento a todos os outros meios de transporte , já aqui trouxemos em posts anteriores os exemplos de Lyon, de Burgos, de Bruxelas entre outros.

Vamos hoje aqui trazer os dois casos mais recentes, inaugurados já esta Primavera/Verão e que são um sucesso , o primeiro é em Barcelona onde há cinco meses foi inaugurado o sistema Bicing , que se apresenta, não como uma curiosidade ou uma falsa preocupação ambiental, mas sim como uma verdadeira alternativa de transporte publico... aliás arrancou sem mesmo uma campanha bublicitária ou de propaganda (isto seria impensável na margem sul, onde mesmo campanhas virtuais e ficticias têm honras de primeira página) .

BARCELONA - Os números são os seguintes : Entrada em funcionamento -------- 5 meses , as previsões eram no inicio terem 15000 utilizadores inscritos para 1500 bicicletas.

Em cinco meses, os pedidos de adesão ultrapassaram os 90000 registos, com 20000 utilizadores diários.

As 1500 bicicletas iniciais passarão a 3000 até ao final do ano.
Pontos de levantamento depósito das bicicletas, são actualmente 120 e serão 200 até ao final do ano.

Filosofia de utilização - Inscrição pela internet, fornecida identificação e cartão de crédito recebendo depois pelo correio um cartão de acesso mediante uma taxa anual de 24 euros para percursos até 30 minutos.

Outro exemplo vem de Paris, há ainda menos tempo, o sistema denominado VELIB , foi implantado a 15 de Junho !!!




















PARIS - Os números
------ em dois meses UM MILHÃO DE INSCRITOS , 11 000 bicicletas disponiveis que serão 20 600 até ao final de 2007

Locais de distribuição 750, serão 1450 até ao final do ano.

Filosofia de utilização, o utilizador regista-se mediante preenchimento de um formulário , os primeiros 30 minutos são grátis, a primeira meia hora depois é taxada a 1 euro, a segunda a 2 € e as demais a 4 euros .



De notar que a implantação e gestão destes sistemas resulta de concurso com empresas privadas que o gerem, nomeadamente empresas concessionárias de mobiliário urbano, o que não traz custos acrescidos às autarqui
as.



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Aqui, num tom mais descontraído , um outro mundo ou as aventuras de um Americano em Amsterdão, agradecimentos a Sargaçal.

Quem acha ainda que bicicleta é coisa de cota ou de pobre?

domingo, setembro 02, 2007

BICICLETA MOBILIDADE E O FUTURO



Temos dado algum espaço à promoção da bicicleta como veículo do futuro, no entanto, é básico que para que tal aconteça, são necessárias as condições base para que os ciclistas se desloquem em segurança, o que implica à priori a criação de espaços devidamente demarcados para que se separe o trânsito de velocípedes do tráfego automóvel.

Esta condição não implica grandes gastos ou investimentos, ou obras por parte das autarquias, na maioria dos casos pouco mais necessário é que na via já dedicada ao tráfego normal, desde que esta tenha a largura suficiente, seja desenhada uma linha à semelhança das que já existem , para delinear uma via de tráfego para bicicletas, acompanhada de alguma sinalização horizontal e vertical.

Nas vias onde a largura não o permite, mas onde há passeios com alguma largura, o espaço para bicicletas pode pacificamente juntar-se ao espaço para peões, só nos casos restantes poderemos ter casos em que tenha de ser pensado de raíz a construção de um canal para ciclistas.


Isto é o que se faz em toda a Europa civilizada, para não ir mais longe. Há bons exemplos em Portugal de autarquias Cycle-friedly , e dinamizadoras deste tráfego em substituição do tráfego automóvel , por exemplo, a Marinha Grande, Cascais ou Aveiro, em Évora temos um antigo ramal ferroviário transformado em passeio ecológico com ciclovia e um projecto para atravessar o Algarve em ciclovia...

Em Lisboa tem havido a falsa desculpa de que é uma cidade de colinas e portanto não ciclável, excepto no Parque das Nações e no eixo ribeirinho até Belém.
Quanto à margem sul apesar de plana, não tem ainda expressão a criação de ciclovias, excepto pequenos troços construídos sobretudo em peródo pré- eleitoral e unicamente com a finalidade de mostrar as falsas preocupações ambientais e de mobilidade dos autarcas em exercício...e depois temos os mais de duzentos quilómetros (virtuais ) de Almada...

O Seixal tem uma ciclovia mista com passeio pedonal de menos de dois quilómetros junto á Baía do Seixal construído em complemento de uma urbanização do Grupo A.Silva & Silva . No lado oposto, na Amora, financiados pela instalação de um hipermercado Leclerc foram construídos antes das ultimas autárquicas cerca de mil metros. No Barreiro , a ciclovia tem cerca de setecentos metros, e da Moita temos o melhor exemplo com ciclovia entre a Fonte da Prata e o Rosário.

Todos estes percursos foram construídos numa filosofia não utilitária, mas de diversão, postura errada e um desperdicio numa filosofia abrangente, de opção e de futuro, o que está em oposição às adesões destas autarquias às "semanas da mobilidade" e do "dia sem carros" e que não têm tido nenhuns reflexos ou consequências para além daquelas datas, tão folcloricas, como desnecessárias.


O maior percurso em ciclovia ( ainda incompleto e por isso impraticável nalguns troços) criado nos ultimos anos foi o construído pelo Metro Sul do Tejo, em acompanhamento da sua linha mas não entrosado com a maioria das zonas urbanas por onde passa ou com as ciclovias municipais já mencionadas (no caso de Almada e Seixal).
Há muito por fazer nesta área e a anos luz do que se está a fazer na Europa neste momento e que aqui veremos amanhã.

sábado, setembro 01, 2007

O "TÊGÊVÊ" DA MARGEM SUL



Passamos a reeditar um trabalho dos blogues Em Almada e Triângulo da Ramalha que efectuaram um estudo comparativo entre o projecto do Metro Sul do Tejo (MST) e o do Comboio de Alta Velocidade (TGV), as conclusões são hilariantes se não fossem trágicamente dispendiosas, tentei obter para acrescentar algo ao excelente trabalho aqui apresentado, os custos de projectos idênticos ao MST, com igual equipamento existentes por essa Europa fora, logo que tenhamos esse material publicá-lo-emos

Note-se que somos a favor e defensores de um metro na margem sul, mas não a favor das soluções encontradas para este projecto, nomeadamente a solução para a Ramalha e para o atravessamento de Almada.

No concelho do Seixal, o traçado não serve a população, mesmo no futuro (2ªfase) não servirá as zonas mais densamente povoadas, mas inexplicávelmente (ou não) vai servir a Quinta da Atalaia, muito menos somos pela farsa dos "forums de discussão" que branqueou a forma não democrática como tudo foi decidido, tal como são incompreensíveis os atrasos da obra a a gigantesca derrapagem financeira :


"A propósito de danos para Almada provocados pelo Metro Sul do Tejo (MST), o blog
http://emalmada.blogspot.com/ apresentou no passado dia 22 de Agosto custos comparativos do TGV (Comboio de Alta Velocidade) com os do MST.

O "Triângulo da Ramalha” aproveita a colaboração e disponibiliza também dados recolhidos do site do Ministério das Obras Públicas a propósito do Projecto TGV para Portugal e do Discurso de inauguração dos 4 Km da Linha 2 do MST entre Corroios e a Cova da Piedade (antigo Pão de Açúcar), para revelar ao cidadão quanto mais caro por Km é construir o MST, do que construir o TGV para País.

TGV:
- Lisboa-Porto 313 Km custo total 4,7 mil Milhões €
custo por Km 15,015 Milhões €

-Lisboa-Elvas 207 Km custo total 2,4 mil Milhões €
custo por Km 11,594 Milhões €

MST:
- 1ª Fase do MST compreendendo três Linhas com extensão total de via férrea 13,5 Km:
Linha 1 Cacilhas-Corroios
Linha 2 Corroios-Pragal
Linha 3 Cacilhas-Universidade
Custo total 268 Milhões €
Custo por Km 19,851 Milhões €

- Custo Total dos 4 Km inaugurados em 30Abril2007 95 Milhões €
Custo por Km 23,750 Milhões €
O comboio anda vazio durante quase todo o dia e noite, a ponto de já ser designado pelo "VAI e VEM VAZIO".

Pensamos que é um luxo e um escândalo desperdiçar tanto dinheiro sem benefícios para a cidade nem para os munícipes, já que o objectivo desta obra é levar pessoas para o comboio da Fertagus e para os barcos da Transtejo.

No custo total do MST não estão incluídos agravamentos por atrasos da obra, alterações ao projecto e custos do material circulante.

Lembramos que a Solução dos moradores, que foi escolhida pela Secretária de Estado permitia poupar 1.200.000 € relativamente à Solução que a CMA pretendia e 1.000.000 € em relação à Solução inicial.

É mais económico construir um TGV em Portugal do que construir o Metro (chamado MST) da Presidente da Câmara Municipal de Almada, que tem de grave destruir o principal e único eixo viário da cidade e prejudicar os residentes na sua mobilidade e acessibilidades, para lá de outros aspectos negativos. (...)"