quarta-feira, fevereiro 20, 2008

EM PORTUGAL , QUE ESPERANÇA PARA OS SUBÚRBIOS?



Do blogue HEKATE (clique) , e numa altura em que reina de novo um sentimento de insegurança nos bairros sociais da Margem Sul, nomeadamente Almada e Setubal chamamos atenção para este texto a exigir uma leitura atenta, agradecimentos ao autor:

« Sarkozy divulgou esta semana o seu muito esperado plano para os “banlieues”, uma das suas promessas de campanha e uma das que suscitou mais esperanças.


O plano denominado “Esperança para os Subúrbios" concentrar-se-á numa centena de bairros considerados problemáticos. Este plano terá como principais prioridades as áreas da inserção pelo trabalho, da luta contra o insucesso escolar, e o reforço dos transportes públicos e da segurança como formas de evitar a “guettização”.

Em paralelo anuncia-se a criação de 45 000 novos empregos nos próximos 3 anos e um financiamento de um milhão de euros. Tudo isto aliado à chamada lei SRU (Solidariedade e Renovação Urbana) que contempla a necessidade dos municípios de reservarem 20% para habitação social (foi aliás, publicado esta semana, a um mês das eleições municipais, um relatório sobre o cumprimento desta lei nas diversas municipalidades).
Este plano surge de entre as muitas críticas que têm sido feitas à dinâmica social das cidades francesas. Entre aqueles que acreditam no plano e, aqueles que o interpretam como apenas mais um espectáculo eleitoralista numa fase em que as sondagens em França não são favoráveis ao presidente Sarkozy, a discussão mantêm-se acesa.

Em França, temos pois um plano e um debate que atravessa a sociedade num período de eleições municipais. Mas, e em Portugal? O debate sobre este tema restringe-se a determinados momentos. Não parece haver uma política articulada para combater estes fenómenos de exclusão social derivados do fraco domínio da língua, associados não qualificação da mão-de-obra e à existência de sub-culturas.
O fenómeno da exclusão social está a alastrar em Portugal. As segundas e terceiras gerações de imigrantes têm denotado muitas dificuldades na integração. Não houve ainda uma aposta séria na formação aliada à criação de emprego.

As escolas não estão dotadas de meios que permitam fazer face aos desafios postos por estas comunidades, o que leva frequentemente ao abandono escolar precoce e à manutenção do círculo vicioso da exclusão e da pobreza.


Quanto à habitação social, tem havido um desinvestimento e um desinteresse da parte das autoridades locais e centrais que têm permitido a criação de zonas habitacionais extremamente degradadas e / ou a degradação do parque habitacional existente. O não cumprimento dos programas de realojamento social conduz à eternização de situações de extrema carência que em nada beneficiam a comunidade local.

Por outro lado, colocar os bairros sociais em zonas periféricas contribui e reforça a tendência para a sua marginalização e para a perda de autoridade do Estado.


Os grandes motins que assolaram as cidades francesas no Outono de 2005 são reveladores de um grande mal-estar. Esse mal-estar existe também em Portugal, o que não existe aqui, é o fermento agregador da religião. É que em França, muitos destes problemas são ocasionados pelas segundas e terceiras gerações de imigrantes magrebinos. Em Portugal, os emigrantes encontram-se divididos pela sua origem étnica o que de algum modo tem evitado grandes as explosões.

Esta questão tem que ser pensada e discutida até porque não existem soluções fáceis e, adiar esta discussão é adiar o problema e contribuir para o reforço de epifenómenos como a criminalidade e a xenofobia.»
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ULTIMA HORA 1

A Visita do Dr.Luis Filipe Meneses à Zona J de Chelas onde identificou problemas que parece desconhecer enquanto autarca de Vila Nova de Gaia e se passam no concelho onde é presidente de Câmara..."Vila D'Este" diz-lhe alguma coisa senhor Dr. ?

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ULTIMA HORA 2

O Chumbo pelo Tribunal Administrativo do circulo de Lisboa que suspende o PIN Costa Terra na Comporta :

A decisão suspende o loteamento e manda parar a obra na Costa Alentejana , resultado de uma providência cautelar interposta pela QUERCUS e pelo GEOTA.


6 comentários:

Anónimo disse...

Não há duvida que este país está mesmo a saque. Que vergonha de governantes nós temos. Pena que isto só vai mudar quando um governante for sujeito a uma de tantas situações que vemos todos os dias.

sónia disse...

Os suspeitos detidos em Setubal movimentavam-se pelo Bairro da Belavavista, com algum sentimento de poder. As queixas começaram a chegar à PSP que esperou pelo “momento certo” para desencadear a operação. Os moradores sentiam-se muito inseguros.

Anónimo disse...

É nas cidades que se desenvolvem bolsas de marginalidade e relações de conflito entre os homens e o planeta.

Os bairros não são planificados, o urbanismo é uma miragem e a degradação ambiental é visível a olho nu.

O ser humano contemporâneo já não tem territórios. Já não temos antecessores!
Hoje tudo circula (música, moda, slogans) e no entanto, tudo parece ficar no mesmo lugar, os espaços são todos iguais.

A subjectividade encontra-se assim ameaçada de petrificação. Perde-se o gosto à diferença, ao imprevisto.

As cidades diversificadas, foram agora substituídas por «cidades mundo» onde aumenta a pobreza e a degradação.

As cidades são mega máquinas produtoras de subjectividade, através de equipamentos colectivos e dos media.

É este o terreno onde circulam os novos heróis urbanos...heróis em banda desenhados, heróis do lote ou da «zona jota», mas de tanto serem heróis também podem ser malandros que assinam os nomes nas paredes.

Anónimo disse...

Luís Filipe Menezes disse aos jornalistas querer mostrar o contraste entre "o país real, em que 80 por cento da população, face à inexistência de uma classe média, está a caminhar para uma lógica de sobrevivência" e "o país das maravilhas" de que fala o primeiro-ministro.

Esse "país das maravilhas, dos poderosos é para quem governa o engenheiro José Sócrates", acusou, enquanto "os portugueses reais vivem numa situação difícil".

O presidente do PSD considerou "confrangedor" o discurso do primeiro-ministro sobre o país na entrevista à SIC de segunda-feira à noite, a que se referiu como "um magnífico tempo de antena que lhe foi concedido".

"Eu pensava que até era proibido ter tempos de antena tão longos em Portugal fora do contexto de campanhas eleitorais", observou.

Segundo Menezes, o retrato de Sócrates foi "de um país como a Dinamarca, a Finlândia, a Suécia, nada tem a ver com Portugal", que afirmou estar "a decrescer em termos de desenvolvimento", afastando-se da União Europeia.

No país real "vivem portugueses no limiar da pobreza, vivem portugueses desempregados, vivem portugueses na rua" e os que têm emprego "perdem qualidade no emprego porque todos os dias o seu poder aquisitivo é menor", descreveu.

"A qualidade de vida tem-se deteriorado de forma muito grave", criticou.

IEL.

Lusa/Fim

Anónimo disse...

"Os senhores vereadores do PSD têm que vir ver isto e depois suscitar questões. É isso que têm que fazer", comentou Luís Filipe Menezes para a comitiva que o acompanhava, que não incluía nenhum vereador de Lisboa.

"Nós infelizmente não podemos. Temos os nossos agentes na câmara. É preciso procurar ajudar as pessoas. A junta também pode procurar dar um empurrãozinho", acrescentou.

O comentário do presidente do PSD foi feito depois de ouvir um morador queixar-se da sua situação e de que "os da junta de freguesia passam aqui à portam e ignoram".

Apontando o perigo de os bairros sociais se transformarem em "verdadeiras bombas relógio, Luís Filipe Menezes insistiu na ideia de um "Polis social", que defendeu no início do mês, durante um encontro com as distritais do PSD, na Régua.

Esse programa "seria o Estado assumir aquilo que pediu às autarquias, que foi o investimento para a aquisição dos edifícios [de habitação social] e da sua construção e, em contrapartida, as autarquias definirem projectos de investimento em creches, em escolas, em lojas sociais do cidadão, no combate à toxicodependência, na promoção da segurança", expôs.

Na visita à Zona J, Menezes ouviu sucessivas queixas. Um dos casos foi o de uma mulher que lhe disse morar na rua há três semanas com os filhos, junto a um dos prédios, e lhe mostrou a habitação improvisada encostada a um dos prédios. O presidente prometeu "fazer o possível para poder ajudar".

Luís Filipe Menezes ouviu também cantar o fado e jogou às cartas numa das mesas à entrada do centro de dia uma partida de sueca em que começou por desconfiar que "foi o engenheiro Sócrates quem baralhou isto".

Quando um dos adversários o avisou que ia perder, Menezes respondeu: "Infeliz ao jogo, feliz aos amores". Depois, acabou por ganhar o jogo.

IEL.

Lusa/Fim

Anónimo disse...

20.02.2008 - 14h38 Lusa
O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, demarcou hoje a sua liderança do partido da ilegalidade financeira cometida em 2001 no caso Somague, quando Durão Barroso assumia o cargo de chefia dos social-democratas.

"Independentemente de o PSD ser só um, este meu PSD não tem nada a ver com isso", declarou Luís Filipe Menezes, durante uma visita à Zona J de Chelas, em Lisboa, afirmando que esse será o seu único comentário ao caso.

O PSD foi condenado pelo Tribunal Constitucional a pagar 35 mil euros por ter recebido ilegalmente da construtora Somague um donativo indirecto de 233.415 euros em 2001, montante que terá de entregar ao Estado, segundo um acórdão divulgado ontem.

Na sequência dessa condenação, o secretário-geral do PSD, José Ribau Esteves, anunciou que a direcção social-democrata decidiu realizar uma auditoria externa administrativa e financeira às contas do partido desde o ano de 2001.

Ribau Esteves disse também que o PSD pagará o valor total devido, 268.415 euros, e considerou que "embora não tenha havido dolo ou má fé dos responsáveis do PSD de então, 2001, houve desleixo, que motivou esta situação desagradável".