segunda-feira, fevereiro 25, 2008

A DEMOLIÇÃO DO ESTALEIRO DA QUINTA DA FIDALGA




Na imagem de cima o estaleiro demolido , na imagem de baixo é notório no enquadramento geral (o estaleiro no canto inferior direito) , o betão que cresce sobre a Baía e o desrespeito pelo património histórico e natural por parte dessa urbanização que nasce em muralha sobre o Rio e a Quinta da Fidalga.

Temos reflectido várias vezes sobre este tema , a tentativa marxista de reescrever a história da Margem Sul.

É notório a ênfase dada a ciclos economico/historicos que têm como centralidade o periodo da industrialização e do proletariado, escamoteando por exemplo, a ocupação da população quer na pesca, quer na agricultura ou até mesmo na construção naval.

Nesse sentido há uma opção de valorização patrimonial de determinadas estruturas (Mundet, Alto Forno da Siderurgia...) deixando degradar ou ocupando de forma descaracterizadora construções que tiveram o seu auge como elementos marcantes das descobertas, da vilegiatura da monarquia que aqui assentava arraiais estivais ou as grandes quintas agrícolas.

Parece haver uma intencionalidade notória nesta politica "cultural" de fundamento tipicamente comunista , acumulando com a impreparação intelectual dos autarcas eleitos que acabam por ter responsabilidades decisórias sobre a matéria.

O último desses exemplos chega-nos do Seixal onde apressadamente e contrariando vários alertas , foi demolido um estaleiro naval que poderia ter raízes no período dos descobrimentos , havendo hipóteses de o subsolo conter uma reserva arqueológica que carecia de estudo , a par da manutenção do edifício.


Assim não entendeu a autarquia que na pessoa do seu vereador do urbanismo, o senhor serralheiro Jorge Silva decidiu avançar com a demolição do edifício, alegadamente por este apresentar algumas marcas de degradação e por considerar, o senhor serralheiro instituído vereador , que não havia valor patrimonial a defender, nem história a investigar por meios arqueológicos.

O Senhor Veredaor dá agora ênfase ao bonito que o espaço vai ficar, com passeio , relva e potencialmente um restaurante...

Gostava de ver no entanto respondidas algumas questões para além das apresentadas institucionalmente , e uma delas é , se foi tão fácil demolir , não teria sido ainda mais fácil manter, se a autarquia teve poderes para arrazar, também teria para pintar e conservar ao longo dos anos não permitindo o facto consumado e decretado da ruína total... (?)


Outra é, quem e porque razão vai saír beneficiado com a demolição daquele património para ali instalar um restaurante ?

Porquê tanta pressa na demolição daquele edifício, não apresentando explicações aos eleitos da oposição ou ao movimento de cidadãos que em crescendo se assumia no sentido da preservação daq
uele espaço ?

Para concluír o mal contado que toda esta história está, veja-se a imagem aérea abaixo que contradiz os responsáveis quando estes referem que é necessária a demolição da construção para continuar o passeio pedonal.


A imagem mostra que isso não passa de uma mentira, que espaço para uma ciclovia, um passeio e uma área para ajardinar existe independentemente do edifício ali estar .
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ULTIMA HORA

PSD Seixal lança campanha em defesa do Sapal de Corroios questionando Governo e autarquia.

11 comentários:

Anónimo disse...

Basta um tapetinho de relva para justificar a fortuna dos apartamentos que se erguem....

Além disso, senhor Ponto Verde, quem sustenta a câmara não está disposto a ter custos com manutenção do património.

Mas pior é sentir que a estupidificação das pessoas está na génese do imenso silêncio em torno deste atentado...

ex-militante disse...

O Vereador Estaline é no Seixal, como um elefante numa loja da mais fina porcelana, é interessante começar a escrever uma biografia deste ex-operário, ex-cooperante (uma excelente fase a investigar) ex-controleiro (ex é exagero, controleiro uma vez...) esperamos que em breve ex-vereador.

ana lima disse...

Não é credível que com a importância nacional acrescida da Margem Sul com o investimentos como o aeroporto, que os candidatos de todos os psrtidos continuem a ser "fraquinhos" como até aqui.
Também não é credível que o PCP não reconheça as fragilidades destes que o representem e não procedam a uma renovação .
Como é que um vereador inculto e do betão como o Sr Silva é o responsável por decisões do foro cultural e ambiental ?

Anónimo disse...

Mais um computador presidencial apreendido...

http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=279252&idCanal=90

Anónimo disse...

Reflexão DOR Setúbal PCP este fim-de-semana:

"“O PCP reclama que se concretizem os investimentos já anunciados para a Península de Setúbal e há muito reivindicados pelas populações e autarquias: a Circular Regional Interna da Península de Setúbal, sem portagens!, a Plataforma Logística do Poceirão, a conclusão do Metro Sul do Tejo"

Curioso as autarquias CDU tudo terem feito até agora para atrasar o MST

hkt disse...

Todo o processo é revelador da forma "transparente" como funciona a câmara do Seixal: o vereador acha que não há referências históricas e isso corresponde, naturalmente, a um estudo... logo, prossigam os trabalhos que as eleições estão à porta e teremos que fazer novas fotografias para mostrar "obra". Por outro lado, esta política corresponde a uma certa noção de que só o que é novo é bom". Um novo caminho atapetado de relva certinha é bem melhor do que "uma velharia"... mentalidades!

Anónimo disse...

«As pontes sobre o Tejo foram mal pensadas. Os comboios de alta velocidade passam sempre em lugares errados, os hospitais em construção são um desperdício de dinheiro, a avaliação dos professores é uma enormidade de consequências gravíssimas. Nada, rigorosamente nada, é bem pensado e bem feito. Todas estas reformas já aconteceram em quase todos os países da Europa. Houve polémicas mas chegou-se a consensos. Em Portugal não é possível. Vamos morrer asfixiados pelo nosso pessimismo.»

Emídio Rangel

Velas do Tejo disse...

Na realidade não sei onde quer chegar o anónimo que citou o Emidio Rangel, mas deixe-me que lhe diga que esse senhor quase que arruinou a SIC o que, na realidade, poderá não ser uma figura credível para a mensagem que tenta passar (seja ela qual for)...

Vejamos, acho que já disse tudo o que poderia dizer sobre este tema.

Considero que a preservação da cultura marítima deveria ser um pilar básico no desenvolvimento turístico e cultural do nosso concelho e do nosso país. Portugal, deve muito mais ao Mar que a importância que hoje lhe atribui.

Acredito num barco à vela como instrumento de potenciador de conhecimento interdisciplinar que conjuga o conhecimento da física, matemática, geografia e até da História num só lugar.

Acredito na preservação das nossas raízes marinheiras como marco básico da nossa identidade enquanto Homens portugueses.

Acredito que o passado de "Mar" do concelho do Seixal é a melhor referência que podemos, hoje, transmitir aos filhos de muitos de nós que têm, neste lugar, a sua terra.

Acredito que a preservação de profissões antigas ligadas à construção naval poderá ser um factor potenciador do turismo mas, sobretudo, é uma dívida que temos para com o nosso passado épico.

Só vos peço que me perdoem se vos macei por defender aquilo em que acredito.

E a todos os que demonstraram apoio, interesse e empenho nesta causa, muito obrigado e muito bem hajam.

Ponto Verde disse...

Aproveito a participação do "velas no Tejo" para agradecer a sua participação civica, o levantamento de questões e o abraçar de causas que tem demonstrado.

Sobre esta questão do estaleiro, como o que refere da prática da vela estou 100% de acordo, embora suspeito pela ligação ao mar e aos desportos náuticos.

Tem toda a razão nos princípios e do respeito pela natureza que daí advém, e da escola de vida e sobretudo pelo reconhecimento da pequenês do Homem.

Eles não pensam assim,são os senhores do universo e têm da natureza uma visão asséptica, a relva bem cuidada e limitada ao seu sítio , a água ou a areia ali , mas separada por um vidro e numa sala climatizada e depois de um almoço bem regado, a terra , bom a terra bem longe porque denuncia as raízes que renegam e o chão das suas casas de infância na provincia , de que se envergonham.

A terra agora é negócio, é forma de vingança é meio de enriquecimento. Eles agora têm "poder" mandam derrubar, mandam cortar, mandam construír...pensam eles que em impunidade!

Agradeço a participação.

Cordialmente.

Anónimo disse...

Um texto de António do Telhado contra o governo e em defesa da educação e dos professores foi apagado pelo censurador e ditador ponto verde, um empregadeco fascista ao serviço do poder central.

Anónimo disse...

Eh pá !
Querem ver que agora o ponto verde é algum ex-ministro dos governos PSD/CDS, algum ex-ministro de Salazar ou de Caetano, ou mesmo quem sabe, um ex-agente da PIDE/DGS, agora no anónimato e que se disfarça quando sai à rua? Ah, já sei, e tem como última missão acabar com o PCP e todos os outros partidos de esquerda. É isso !!!
Valha-nos Deus !