terça-feira, Junho 05, 2007

SEIXAL - UMA MENTIRA CHAMADA QUINTA DA TRINDADE

Uma vez que não obtivemos uma resposta satisfatória à nossa pergunta de 1 de Junho:

- Quantas crianças desfavorecidas têm frequentado o Centro de Estágios do Benfica ao abrigo do protocolo que permitiu a instalação daquela estrutura e de mais 24 hectares de construção em terrenos parte reserva Agricola e Ecológica?

Resolvemos ir à procura de algumas respostas.














Quinta da Trindade antes dos trabalhos de terraplanagem para implantação da urbanização e complexo do Benfica.













Quinta da Trindade durante a fase de trabalhos no terreno onde é visivel a destruição do coberto vegetal.
















Quinta da Trindade já com o Centro de Estágios construído, à esquerda do qual se vai instalar uma mega urbanização cuja enorme área de implantação é bem visível.


Nos debates autárquicos de 2005, Alfredo Monteiro prometia...prometia...prometia até o que não podia, a criação de 1500 empregos, não sei se a contar com os números superiores de desempregados que surgiram desde então, fruto da deslocalização de muitas empresas que deixaram o Seixal... o alargamento da Ponte da Fraternidade, um Parque de estacionamento subterrâneo nas Paivas, uma alternativa à EN 10...

Alfredo Monteiro prometia também « continuar o “projecto de requalificação da área urbanística”. Um projecto sustentado por uma “estratégia ambiental” com a preservação de toda a reserva ecológica, do património histórico e industrial do concelho.

Alfredo Monteiro refere também a importância da
“adopção de energias alternativas no incentivo à construção”, pois estas são fundamentais em termos ambientais e de sustentabilidade. O candidato da CDU quer, acima de tudo, “melhorar a qualidade de vida urbana dos cidadãos” »

Mas o que é que foi melhorado desde 2005? É simples a resposta : NADA!

O que tivemos foi mais do mesmo, mais urbanização, mais construção, mais betão para as mesmas vias. O único aspecto positivo surgido entretanto , o Metro Sul do Tejo, teve mesmo na Câmara do Seixal (e de Almada) forças de bloqueio e não partes interessadas na sua conclusão. Tivemos também o que aqui denunciámos oportunamente , mais construção em zonas consideradas ambientalmente ricas e interesses obscuros a indicar para a construção do hospital do Seixal, um sítio Rede Natura 2000 com mais urbanizações associadas .

Se somarmos a isto construção também nos terrenos do que é hoje a Siderurgia Nacional, e o inicio da construção sobre a Baía na Quinta do Outeiro e a parte urbana da Quinta da Trindade vê-se que nos últimos dois anos em vez de darmos dois passo
s à frente, andámos uns vinte para trás quanto à melhoria da qualidade de vida das populações.

Quanto à Quinta da Trindade, a situação é mais complicada pois revela a mentira que se passou á população, o que Alfredo Monteiro prometeu sobre esse local no calor da propaganda foi "
que o espaço da Quinta da Trindade era um dos pulmões do concelho e que ali seria instalado uma área de lazer para todos os Seixalenses" ora não é o que é propagandeado pelo grupo económico espanhol a quem foi passada a exploração económica daquele património do Seixal (clique) .

Citando agora Daniel Arruda do Bloco de Esquerda «"
Os Seixalenses vão acordando para os atropelos à lei e podem com estes antecedentes ter uma ideia do que os espera no futuro. Para os menos atentos é bom lembrar que toda aquela zona do Seixal começou a ser urbanizada por um regime de excepção, pois encontrava-se em terrenos proibidos à construção. Pelo interesse que o centro de Estágio do SL Benfica teria para o concelho.

A cavalo nesta excepção a Quinta da Trindade foi demolida, ficando só e apenas o velho palacete quase em ruínas. Árvores seculares enterradas por “catrapilas”. No dia 6 de Outubro de 2005 já não restavam árvores na Quinta da Trindade mas, no debate, Alfredo Monteiro garantiu que
aquele seria um espaço de lazer."

Também salientou em 2001 de «
este projecto “permitir o desenvolvimento do desporto no Seixal”, considerando o Benfica como “o embaixador do desporto português”.
No final revelou ainda que o lote cedido à autarquia será utilizado para a construção de um Estádio Municipal.»...
esta parte também não percebo a menos que revele a inépcia de quem negociou este protocolo... a menos que tenha sido propositado e o dinheiro tenha ido para outro lado...

Então, permite-se a instalação a uma empresa ( cotada em Bolsa - SLB) , de um Centro de Estágios e a outras (Euroàrea, Vale e Azevedo... depois Libertas + Nozar ) construirem 24 hectares ( onde não era possivel construír) , no melhor "filet mignon" da margem Sul ...e nem há contrapartidas das brutais mais valias que permitam a construção, que até podia ser feita por essas empresas, de um prometido "Estádio Municipal" ou Cidade Desportiva como já lhe chamaram?


O balanço deste primeiro ano desportivo em que o Benfica esteve instalado de armas e bagagens no Seixal o que é que o Seixal ganhou?

- Pouco, muito pouco, a estrutura veio-se a chamar Centro de Estágios Caixa Geral de Depósitos... e a abertura ao público ou às crianças mais carenciadas (como fora prometido) foi esquecida, resta ás crianças, à restauração e ao comércio ver passar a alta velocidade os bólides dos craques...


O valor acrescentado para o Seixal (movimento com adeptos, jornalistas etc...) é quase nulo, Para quem prometia que o centro de estágios seria um chamariz para o concelho revelou-se um logro do ponto de vista dos Seixalenses que perderam património ambiental, não viram ainda o património histórico ser conservado (a verdadeira Quinta da Trindade continua ao abandono) e o que supostamente iriam ganhar com os espaços públicos prometidos pelo urbanizador vão ser afinal espaços privados caracteristicos de um condomínio fechado...um gueto para ricos portanto.

Mas tinha que ser assim? Para instalar uma estrutura desportiva do género é imperativo que atrás venha urbanização em massa ? É obrigatório que se levante protecção ambiental, Reserva Agricola e Ecológica para construír em 15 hectares, o Ce
ntro de Estágios e em 24 uma urbanização?

Clubismos à parte, resposta é: Não! E temos o exemplo, também na margem sul, do centro de Estágios do Sporting em Alcochete , a todos os níveis bem mais "verde" e amigo do ambiente.

Temos aqui uma ocupação em termos de Centro de Estágios de 10 hectares, o do Benfica ocupa 17, quanto a urbanizações associadas , aqui temos ZERO de àrea, enquanto que no Seixal o Benfica arrastou 24 hectares de construção.

Se no caso do Sporting, o Centro de Estágios teve qualidade para albergar inclusivé a Selecção aquando do Euro 2004, parece ter mais do que a qualidade suficiente para uma estrutura deste género , ocupando um quarto do terreno do Seixal. Se havia aqui em Alcochete um bom exemplo porque não copiá-lo?






14 comentários:

Anónimo disse...

Interessantes e intrigantes comparações.Porquê entregar o Seixal aos Espanhóis?

Luis Eme disse...

Não sou contra a instalação do "campus caixa" no Seixal. Até penso que pode ser mesmo uma mais valia.

Só tenho pena é que as pessoas não percebam que já chega de betão. É altura de criar espaços de lazer para as pessoas estarem em contacto com a natureza e sentirem-se bem.

Mas como o "dinheiro" consegue destruir tudo, nesta sociedade altamente capitalista, pouco se pode fazer, especialmente quando os "anti-capitalistas" comunistas andam de braço dado com o capital...

clubes & construtores & câmaras municipais.......................................................... disse...

“(…)Numa assembleia de sócios realizada no dia 24 de Maio, apenas com umas 430 presenças, e muito bem relatada pelo jornalista do “Setúbal na Rede”, o Presidente apresentou como solução, para pagamento da dívida, “antecipar os últimos 16 dos 90 anos de receitas das rendas dos direitos de superfície do Estádio do Bonfim, contratualizados com a Pluripar”.

A primeira pergunta que se faz é a seguinte: Mas o que é que a Pluripar recebe em troca destes 12 milhões de euros? A resposta dada foi extraordinária; “as negociações com a Pluripar e a Câmara Municipal estão a evoluir favoravelmente, embora nada ainda esteja garantido.” O interessante é que a CMS nada tem a ver com o assunto pois logo a seguir o mesmo Presidente afirmou que as garantias da Pluripar “só serão dadas com a efectivação da ratificação em Conselho de Ministros do Plano de Pormenor do Vale da Rosa. Assim, está tudo nas mãos do Poder Central, embora os dados de que dispõe permitem supor que num período relativamente curto, talvez alguns meses, a situação poderá ser desbloqueada”. Quer dizer, num momento as garantias vêm da CMS logo a seguir afinal é o Governo que as dará através da aprovação Plano de Pormenor do Vale da Rosa. Soluções dúbias e confusas.(…)”


In: http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=9436

Com comentário em:

http://www.setubalnarede.pt/areas/forum/default.php?id=7453

Anónimo disse...

Novamente decretada a lei da rolha. João Afonso e Banheirense de pousio.

Anónimo, concordando com o anónimo de cima disse...

É verdade...tão adeptos da "lei da rolha" que eles são e ainda maltratam "os sobreiros"...se não se põem "a pau" ainda se lhes acaba..."a matéria prima"!!

J.J.J disse...

Não se vislumbra que o poder autárquico do Seixal esteja particularmente vocacionado para o futuro sustentável, atento o passado e o presente da sua gestão absolutamente insustentável.

Hoje, no contexto do desenvolvimento sustentável pretende-se a urgente generalização e transparência de relacionamento entre a sociedade civil e a administração pública. Pena é que, pelo menos em Portugal se tenha feito tão pouco pela eficiência da sociedade civil na participação e gestão da coisa pública, deixando-nos uma vez mais, com a pesada tarefa de curar de vez o problema e a solução.

cityzen disse...

Direi até que o que interessa é afastar o cidadão da coisa publica. Venha o voto e depois não chateie, não questione e muito menos critiqoe. Cada Povo tem os governantes que merece, pobre país.

Paulo Edson Cunha disse...

Ponto Verde, entendi não ser oportuno apresentar ainda nesta assembleia Municipal o problema, no entanto apresentei outros muito curiosos, nomeadamente um que convi-o, assim como a todos os seus leitores a vistarem (e comentarem) no meu blogue:

http://pauloedsonc.blogspot.com/

Anónimo disse...

boa pesquisa

outsider disse...

Em relação ao CAIXA CAMPUS estamos conversados.... Meus caros, está feito. Quem vier, que feche a porta. Os clubes do concelho foram muito coniventes com a situação (pensando que a CMS a(pagaria) os buracos de tão geniais dirigentes dos campos locais). Agora o concelho tem mais um a pedir... e que um... o maior, o que dá mais votos (vejam a posição da oposição), o mais representativo e aquele que foi capaz de transformar uma parte significativa da freguesia do Seixal em mais um "projecto de qualidade" do pato-bravismo local/nacional.

Perdemos terrenos e qualidade de vida( esperem até começarem a habitar o local), ganhamos um mito de com penas patrocinado por um banco qualquer...Seixalenses ! estamos mais felizes!

Alvorada da Baia disse...

JoséÈ verdade, o dinheiro consegue destruir tudo. Mas, por vezes consegue-se destruir sem ganhar nuito dinheiro.
Basta sermos aquilo que não deve ser...

clubes & construtores & câmaras municipais............................ disse...

Opinião de um cidadão setubalense, certamente esclarecido, na minha opinião:

" Como setubalense que diz ser compreende que o problema do VFC não é um estádio novo no Vale da Rosa, mas sim o facto de uns quantos senhores, ditos de setubalenses, terem vendido todo o património do clube para interesses e valores não muito direitos.
Quando se construir um estádio no Vale da Rosa, vai passar a estar às moscas como acontece com a pista de atletismo.
No que diz respeito aos Pavilhões e Ginásios estou para ver, e não me posso esquecer como se enriqueceu a cidade com os Pavilhões do Naval, do UFCI e do Vitória.
Os ginásios do estádio foram feitos graças ao dinamismo do saudoso sr. Trindade da Sapec, servindo as verbas da ginástica muitas vezes para tapar os buracos do futebol. No que respeita ao pavilhão não esquecemos os srs. Antoine Velge e Tavares.
Abstraindo o facto de serem sobreiros, ate podiam ser cactos do deserto, o desenvolvimento da cidade não se faz com a criação do estádio e mais não sei quantos prédios mas sim com a dinamização da cidade que está a morrer e criação de infraestruturas desportivas mas em zonas centrais onde a nossa juventude possa praticar e adquirir o gosto pelo desporto em geral.
Para o lugar do estádio do Bonfim ra um grande centro comercial, para empobrecer e complicar mais a zona, e depois segue-se a zona desportiva da várzea que irá desaparecer.
Se querem desenvolver a cidade porque não constróiem o estádio, campos de treinos, pavilhões, etc onde hoje se situa o parque desportivo da varzea? Sabe porquê? É para construir prédios!
Se quer o desenvolvimento da cidade porque não se manifesta contra a nova aberração dos autarcas da nouvelle vague, fecharem a Av. Luisa Todi ao trânsito no sentido Fontaínhas/Mercado.
Para bem do nosso VFC e da cidade não podemos embandeirar em arco com as idéias dos novos patos bravos. É preciso pensar bem no alcance futuro."

IN: http://www.setubalnarede.pt/areas/forum/default.php?id=7463

Anónimo disse...

E aqui não há investigação da Policia Judiciária? Não é precisa?

Sandra disse...

Realmete nao há vergonha dos dirigentes... O betão é a paisagem do futuro, com a vossa permissão. Mas deixem lá, eu hei-de contar aos meus filhos... "aqui existia..."