quinta-feira, junho 28, 2007

A SIDERURGIA DO BETÃO



Na imagem , o então Presidente da República condecora António Champallimaud pela construção da Siderurgia Nacional no Seixal no dia da sua inauguração em Paio Pires.

É curioso vermos Champalliaud e o Fascismo a negociar o mesmo saque ( legitimado por expropriação) em data anterior a Champallimaud, constituído por propriedades agricolas de familias do Seixal e agora disputado por Comunistas e Democratas (legitimado por "consulta publica" mas agora , não para a produção, mas para a construção...).


Sobre o Plano de Pormenor da Siderurgia há que não esquecer o que foi publicado no semanário Sol na passada sexta feira :

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PJ investiga antiga Siderugia Nacional, diz Sol A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar uma denúncia de «desvio de dinheiros públicos» na Urbindústria, empresa nascida da antiga Siderugia Nacional, noticia este sábado o semanário Sol.

A denúncia partiu de um antigo verador do PS da Câmara do Seixal e foi feita há cerca de três anos. Em causa estava um cheque de 1,1 milhões de euros pago pela Urbindústria à autarquia por um alvará que, um ano após o pagamento ainda não tinha sido emitido.

Entretanto, acrescenta o jornal, um grupo de militantes do PS local solicitou a intervenção do Tribunal de Contas para que investigue a gestão da empresa, nomeadamente a aquisição de diversas empresas que apresentam sucessivos resultados negativos.

A Urbindústria integra a holding estatal Parpública e tem como principal missão a gestão dos terrenos da antiga Siderugia Nacional. Nos terrenos em causa, existe actualmente um parque industrial, mas a Urbindústria tem um projecto de construção de habitação para o local. Nesse sentido, o Plano Director Municipal (PDM) do Seixal está a ser revisto.

Por sua vez vejamos o que resultou da Assembleia Municipal realizada em Dezembro de 2006 em que este plano foi abordado

"O Estudo de Ordenamento Urbano e Paisagístico para a zona da antiga Siderurgia Nacional de Paio Pires, Seixal, foi aprovado com 28 votos a favor (21 do PCP, 4 do PS e 3 do BE) na última assembleia municipal, dia 29. Votos contra foram nove (6 do PSD e 3 do PS) tendo ainda havido uma abstenção do PS. Sobre a dispersão de votos do PS o vereador socialista José Assis referiu apenas que “cada um votou de acordo com a sua consciência".

Vítor Antunes (PS) foi um dos que votou contra por considerar que o estudo apresenta uma carga excessiva de fogos (1500) para um concelho com “mais de 2000 fogos devolutos por habitar e outros 17 000 à venda”, e que irão “limitar a expansão industrial”. Já para José Assis a habitação e a indústria “podem coexistir” e lembra que o estudo “está de acordo com o Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa e que o plano de pormenor é que determinará a carga habitacional”( ...)

Cerca de 1500 fogos de habitação, comércio, indústria ligeira e logística, indústria pesada, espaços verdes e acessibilidades poderão vir a conviver nos 500 hectares da antiga Siderurgia Nacional de Paio Pires, Seixal, pelo menos é o que prevê o Estudo de Ordenamento Urbano e Paisagístico mandado realizar pela autarquia. ... - in Setubal na Rede





16 comentários:

Papoila disse...

Ouvi dizer por aí que o Presidente do Seixal anda obcecado com o PDM... Construção, construção, construção, taxas, taxas, taxas, IMI, IMI, IMI,...

nunocavaco disse...

Lexotan, toma lexotan que isso passa.

Comunistas e democrtas, quem és tu...

Falar de fascismo desta forma.

Toma lexotan, que isso passa

Monte Cristo disse...

Que grande caldeirada que para aí vai!

Na verdade, a gestão municipal dança ao som da música do neoliberalismo galopante que, no coreto da S.Bento, marca o compasso.

Na verdade, o país está a saque, entregue à lei do mercado, e as pessoas - seres humanos - e o meio ambiente, são detalhes. De Norte a Sul. De Este a Oeste. A nível planetário.

Entretanto, certos senhores, fingindo-se independentes e acima de quaisquer interesses políticos ou partidários, vão salivando argumentos e críticas, como se não estivessem, também eles, enfeudados aos mesmos criminosos, só que de cor diferente. No fundo, falam de ervas, sem conseguirem ver o prado. Falam de rebentos, sem conseguirem ver a floresta.

Assim, não vamos lá.

O que é preciso, meus amigos, é corrermos com a tropa fadanga que, a nível local, nacional e internacional, põe e dispõe - e que, de uma maneira ou de outra, lê toda pela mesma cartilha.

Depois, podemos conversar e resolver os nossos problemas.

João Afonso disse...

Exmo Senhor Ponto Verde
Não quererá V. Excª voltar a postar sobre o corte de árvores na Flor da Mata? Saberá V. Excª que o mesmo foi autorizado pela Direcção Geral de Serviços Florestais, unica entidade com competência para aprovar o corte... Saberá V. Excª que a Câmara Municipal do Seixal só teve conhecimento do facto quando a fiscalização Municipal se dirigiu ao local para ordenar a imediata suspensão do corte e que foram surpreendidos com a autorização... Pois é, está o senhor aqui a fazer o jogo do PS e afinal é o próprio PS, através do Governo, quem autoriza o corte de árvores... Antes de falar, deverá o senhor saber do que fala... para não dar tiros nos pés de quem lhe paga...

Anónimo disse...

"...para não dar tiros nos pés de quem lhe paga..."

Tem provas?

Anónimo disse...

Este pasquim é a prova provada dos objectivos obscuros que movem o ponto verde... Pois para escrever tanta mentira é preciso ser muito bem pago!

Ponto Verde disse...

São quase cinco horas e os aparelhistas já devem ter largado a sua tarefa de monitorização e desinformação de hoje, mas também é só para dizer que : - Sobre a Flor da Mata voltamos a a falar amanhã.

Sobre o Sr Nuno Cavaco que parece ter fácil acesso e alguma experiência quanto a calmantes , agradeço o conselho. Falar de Fascismo de que forma? Não percebi! Queria que falasse bem do "Corta fitas" ou do Sr. Champallimaud ? Ou que tivesse referências positivas à transformação da Siderurgia em mais um projecto imobiliário? Desculpe, mas não percebi, é melhor reduzir nos lexotans, ou então não fazer misturas...

Depois há os preocupados com os que funcionam civicamente mas fora dos partidos... e também os que simplesmente estão incomodados de existirmos...

Isso ou o serem incomodados por jornalistas encartados a quem não podem responder da forma que aqui respondem?

Passem bem, ah! e Flor da Mata é amanhã! Hoje o tema é Siderurgia!!!

José António disse...

Engana-se Ponto Verde eu aqui estou vigilante à espera das suas mentiras, e se alguém é aparelhista e mentiroso é o senhor!

Ponto Verde disse...

Ah ! Esqueci - me de responder à Papoila, as minhas desculpas e agradecimentos pela opinião:

- A CM do Seixal como muito bem refere anda obcecada pela construção, aliás, aconselho todos os que se interessam por urbanismo a vir ao Seixal ver COMO NÃO SE DEVE FAZER?

Há um boom generalizado de construção quando é o concelho da AML com mais fogos em comercialização!Um contrasenso ou uma mãozinha a lavagens de capitais?

A razão, bem, deve ter visto os jornais de ontem e hoje, a Câmara do Seixal é uma das tais!!!

nunocavaco disse...

Nunca tomei um calmante nem um comprimido para dormir. Consciência tranquila, agora que p post é das coisas mais estúpidas que já li, é.

Se o ofende, reflicta e pense que também ofende os outros de uma forma gratuita (eu continuo a acreditar nisso).

Ponto Verde disse...

Caro Nuno Cavaco, como não o vi comentar oportuna e negativamente os artigos do Setubal na Rede ou do Semanário Sol penso pois que o que acha estupido será a introdução:

"Na imagem , o então Presidente da República condecora António Champallimaud pela construção da Siderurgia Nacional no Seixal no dia da sua inauguração em Paio Pires.

É curioso vermos Champalliaud e o Fascismo a negociar o mesmo saque ( legitimado por expropriação) em data anterior a Champallimaud, constituído por propriedades agricolas de familias do Seixal e agora disputado por Comunistas e Democratas (legitimado por "consulta publica" mas agora , não para a produção, mas para a construção...)"...

Estúpido esta comentário? mas porquê?

No tempo da ditadura fascista, antes da Siderurgia havia no local (muito aprazivel e ambientalmente rico)quintas agricolas que foram expropriadas para fazer a vontade a Champallimaud!

Hoje, na democracia não há expropriação (já houve... mas para outros fins...)mas há mecanismos que a autarquia comunista e o estado utilizam da mesma forma, não para repor o território depois de explorado, mas parea fazer mais dinheiro... não haverá hoje Champallimauds (???) por detrás mas o país continua refém dos mesmos de sempre! Agora com o selo de uma autarquia (falida) dita "comunista".

Zeca da Borga disse...

Ó Ponto Verde, olha lá.

Há um médico muito bom - é um bocado carote, mas justifica-se o preço - que dá umas consultas de psiquiatria ali na clínica S. Marcos.

Pelo teu palrar, vê-se que estás a precisar de ajuda. As consultas são às Terças e Quintas, ao fim da tarde.

Um amigo meu andou lá e deu-se muito bem. Está quase curado.

Se não quiseres, vai à consulta externa do Miguel Bombarda.

Zeca da Borga

Anónimo disse...

Porque razão os comunas estão tão interessados em construir em todo e qualquer lugar no Seixal, vão-se mudar todos para lá?

Celino Cunha Vieira disse...

Como o tema é sobre a Siderurgia, tomo a liberdade de transcrever na íntegra (com a devida vénia ao autor) aquilo que foi escrito há dias por João Carlos Pereira.

E NINGUÉM FOI PRESO

A história que eu vou contar não é ficção. É uma história que se passou em Portugal, nos nossos dias. É a história de um grande crime, com vários crimes menores pelo meio. É, em suma, uma história de terror.

No dia 5 de Março de 1998, escrevia eu no jornal Outra Banda: «O fim da Siderurgia Nacional, como empresa estratégica ao serviço dos interesses nacionais, está praticamente consumado. O processo arrastou-se ao longo de vários anos, mas caminha agora para um fim inexorável e muito bem definido: colocar um instrumento necessário ao desenvolvimento nacional e ao bem-estar dos portugueses nas mãos de quem, a nível europeu, quer, pode e manda na indústria siderúrgica».

Mas para que se compreenda melhor todo o processo, é preciso dizer que Portugal nunca produziu mais do que 60% das suas necessidades em produtos siderúrgicos. Conscientes desse défice, que obrigava o país a importar os restantes 40%, o que o colocava numa perigosa e caríssima dependência do estrangeiro, nos finais da década de 70, início da década de 80, o Estado entendeu – e bem – executar um plano de desenvolvimento da Siderurgia Nacional. Investiram-se, então, já em meados da década de 80, 70 milhões de contos nesse plano, o que incluiu trabalhos de terraplanagens e compra de equipamentos, entre eles um novo alto-forno, que ficou acondicionado nos terrenos da empresa. Convém dizer que, na época, trabalhavam na Siderurgia Nacional, entre as instalações de Aldeia de Paio Pires e da Maia, cerca de 6.500 pessoas.

Porém, por essa altura, iniciaram-se as conversações para a adesão de Portugal à CEE, que impuseram, entre outras obrigações, a necessidade de reduzir a nossa produção de produtos siderúrgicos, pois a Comunidade era, como parece que ainda é, excedentária nessa matéria. Ora, se isso era verdade em relação à Comunidade, não o era em relação a Portugal, que precisava de produzir mais para satisfazer o seu consumo interno. Parece lógico que, a haver redução de quotas, deveriam ser os países que produziam acima das suas necessidades a fazê-lo, e nunca Portugal. Por incompetência, cobardia ou outra razão qualquer ainda mais censurável (e seria bom que, um dia, os dossiers fossem divulgados para conhecermos os nomes e as caras desses vendilhões da pátria), a verdade é que fomos forçados a sacrificar o interesse nacional para comprarmos os produtos siderúrgicos produzidos no estrangeiro.

Para além dos 70 milhões de contos assim deitados à rua – apenas o alto-forno, que entretanto apodrecia nos caixotes expostos ao tempo, permitiu algum retorno, pois foi vendido para um país asiático – também se comprometeram as hipóteses de garantir, no futuro, o nível de emprego e a estabilidade social de milhares de trabalhadores e suas famílias.

Se o que acabámos de relatar é mau, o que estava para vir não seria melhor.

Mentindo aos portugueses, o governo de Cavaco Silva acabou aquilo que a governação de Mário Soares havia começado. Estou a falar do desmembramento e venda da Siderurgia Nacional a empresas estrangeiras, o que, ao contrário do que afirmaram, em coro, PS e PSD, não foi uma imposição, nem uma consequência da integração na CEE. Aliás, depois desta venda, passámos a ser o único país da então CEE que não tinha uma indústria siderúrgica própria.

Mas se o desmantelamento e venda da SN foram um autêntico crime de lesa-pátria, as peripécias da venda atingiram as raias do autêntico escândalo, próprio de uma qualquer – e autêntica – república das bananas.

Depois de dividir a SN em três empresas (SN-Serviços, SN-Empresa de Produtos Longos e SN-Empresa de Produtos Planos), o Governo decidiu manter na pose do Estado apenas a SN-Serviços, abrindo à privatização as outras duas. Em 18 de Setembro de 1995, é decidida a privatização da SN-Empresa de Produtos Longos, de Aldeia de Paio Pires e da Maia, a qual é adquirida por 3,750 milhões de contos, pelo grupo constituído pela Metalúrgica Galaica, SA e a Herisider Holand, B.V., uma empresa do Grupo Riva, considerado como os patrões do aço a nível europeu. E os compradores terão feito, sem a menor dúvida, o maior e melhor negócio do século passado, digno de figurar no Guiness.

De facto, por apenas 3,750 milhões de contos, a nova empresa ficou proprietária de todas as instalações e equipamentos das fábricas da Maia e de Aldeia de Paio Pires, das respectivas linhas de produção, correspondendo tudo a uma área de 83 hectares. Mas, para além disso, ficou a deter, também, 5 milhões de contos em stocks (isto é, produtos já fabricados, que, só eles, valiam mais do que o preço pago por tudo) e, como cereja em cima do bolo, de 9 milhões de contos em créditos, ou seja, valores a receber por vendas feitas antes de terem comprado as fábricas. Contudo, o Estado português, que abriu mão dos seus créditos, assumiu, pelo contrário, todos os débitos existentes à altura da venda.

Resumindo: A RIVA comprou por menos de 4 milhões de contos aquilo que valia, no mínimo, 14 milhões de contos. Sendo assim, não espanta sabermos que, tempos depois, cedeu a sua posição aos seus parceiros espanhóis por um valor que rondou os 20 milhões de contos.

Foi de tal ordem o escândalo, que o Eng. Silva Carneiro, na altura deste mirabolante negócio presidente do conselho de administração da SN, foi despedido sem justa causa, mas o inquérito que Augusto Mateus, secretário de Estado de Guterres, em finais de 1995, na altura prometeu, perdeu-se nas inúmeras gavetas do poder político.

A partir daqui, sucederam-se os despedimentos de milhares de trabalhadores. E como nota final, também ela explicativa da subserviência do Estado português aos interesses económicos – e dos muitos negócios subterrâneos que se adivinham no meio desta trapalhada toda – enquanto o alto-forno funcionou, a SN-Serviços, a única que se manteve nas mãos do Estado português, fornecia à SN-Longos as matérias primas (bilhetes, produzidos a partir da gusa líquida, via alto-forno, e energia). Porém, com a substituição no alto-forno por um forno eléctrico, enganam-se os que pensam que o novo forno ficou nas mãos nacionais. Nada disso. Agora, toda a produção passou para as mãos privadas, que são, como sabemos, estrangeiras. Portugal perdeu totalmente o controlo sobre uma área estratégica fundamental para o seu desenvolvimento, que é a produção de produtos siderúrgicos.

E aqui vos deixei os traços principais de um crime – de vários crimes – em consequência dos quais o país saiu altamente lesado. Mas de onde, para além dos grandes interesses económicos estrangeiros, alguém deve ter ficado muito bem na vida.

Mas a verdade é que ninguém foi preso.

João Afonso disse...

Das verdades constantes no comentário anterior não fala o ponto verde... Mas alguém que só sabe mentir, não pode falar de verdades...
PS: Espero que o ponto verde tenha aprendido quem é o João Carlos!

Ponto Verde disse...

O senhor João Afonso já deve ter compreendido ao longo dos ultimos três anos em que aqui vem sistemáticamente, certamente para se autoflagelar que este não é o orgão central de nenhum partido, nem um site sindical.

É curioso é que também aqui o senhor não saiba ler português, se soubesse deveria estar a defender o mesmo que eu, estou contra a transformação de uma unidade produtiva em mais umprojecto imobiliário. O Senhor não?

Estou atónito que o PCP apesar da história do ultimo comentário que já foi por mim anteriormente linkada através do site original (imagine-se que do Avante) está de acordo com a transformação, que não foi o objecto da expropriação inicial note-se!!!

O PCP deveria estar empenhado em que aquele fosse um local de criação de mais valia, sobretudo ao nivel das novas tecnologias, da energia, poderia ali istalar um Parque éolico e fotovoltaico para produção de energia... mas o que a CDU Seixal quer é mesmo betão e hipermercados. Arrase-se com todo o que impede esse desenvolvimento .