quinta-feira, junho 22, 2006

PORTUGAL E A DEMOCRACIA OMISSA


Em 29 de Abril de 2002 o falecido João Amaral afirmava:

"A politica em Portugal está a atingir perigosos patamares de descrença e desprestigio. O financiamento privado dos partidos é fonte de suspeitas dando a imagem de um país minado pela corrupção"

Desde então perdemos quatro anos e pouco ou nada mudou.
Na continuidade do post de ontem e na assumpção por toda a sociedade de que tem havido a apropriação do Estado de Direito Democrático por um polvo indistinto de interesses gostaria que ficasse bem claro que embora imperfeito, considero o sistema democrático, o menos imperfeito dos sistemas, as falhas acontecem quando alguém mina as suas lacunas e fragilidades...ou outros se abstêm das suas responsabilidades.

O sistema democrático não faz no entanto sentido sem pluralismo de ideias e de ipiniões, devendo os eleitos a nível local e regional ser em primeiro lugar todos eles o garante do funcionamanto das instituições e por outro lado representarem forças perfeitamente identificáveis e distintas.

Para bem do sistema é assim que as coisas devem funcionar, de um lado os que em maioria exercem o poder, do outro os que não o exercendo o controlam do ponto de vista politico...depois em temos legais há os tribunais para julgarem, as policias para investigarem sempre que há corrupção ou abusos de poder...ou suspeitas de que tal ocorre.

Penso que na "primeira liga" -Assembleia da Republica e Governo- as coisas assim funcionam, no entanto a nivel regional e locar a Democracia deixa muito a desejar, basta desfolhar "uns meses" de jornais para verificar que não fossem os cidadãos a pôr em causa determinadas decisões das iluminadas "maiorias" autárquicas e jornalistas a investigarem e publicarem , e estariamos perante um ambiente politico semelhante a uma ditadura, sem vozes audiveis que dêm sequer a ideia de que há uma "oposição" e com ela um controlo minimo que seja da Democracia.

É triste que isto assim aconteça, é o primeiro passo para a descredibilização dos politicos e das instituições e uma porta aberta a todas as manipulações, todos os abusos , todos os totalitarismos e um golpe profundo na sociedade e no Estado e o vergar perante toda uma MÁFIA e teia de interesses há muito instalada.

A situação actual a nivel de determinadas autarquias é insustentável, a apropriação do bem publico por parte de quem está no poder é inadmissivel e a inoperância, aparente apatia e demissão de muitos vereadores das oposições é a prova da sua inutilidade democrática.

Quem perde ? Acima de tudo perde o país, perde a Democracia mas quem mais perde em credibilidade , em legitimidade em utilidade, são os próprios politicos, por tudo isto, o intervalo para o jogo de futebol é só um fait-divers...

5 comentários:

Anónimo disse...

A culpa é nossa!
pq votamos neles
pq nos acomodamos e só sabemos armar-nos em chicos espertos q tudo sabem e q todas as soluções temos para todos os problemas, mas nunca fazemos nada,
pq do ponto vista de mobilidade cívica ou de contestação social nunca participamos e achamos sempre q quem participa são uns hippies q têm a mania q querem salvar o mundo,
pq permitimos as estes autarcas de norte a sul da esquerda à direita tudo fazerem mesmo quando esta em causa a nossa qualidade de vida, o meio ambiente o futuro das gerações futuras,
pq compramos casas em locais feios e sem condições alimentando os construtores e assim permitindo a eles e às autarquias continuarem a assassinar o país sem haver protestos, excepto em alguns casos muito pontuais
pq só olhamos para o nosso umbigo e achamos sempre o “nosso” partido é tudo gente boa e honesta (!?) e que os outros são uma cambada de mafiosos e que por isso tudo o q os “nossos” fazem é tudo feito em prol do país (basta ler os comentários deste blog)
pq não temos capacidade critica em relação ao q se passa,
pq só queremos fado, futebol e fátima (sim, nada mudou, apenas os actores são outros!)
pq somos um país que não aposta numa educação de qualidade o que faz com que a “elite” que manda realmente no país seja sempre a mesma
pq permitimos que gente sem qualidades nenhumas esteja no poder
pq desde que nos calhe algumas migalhas é suficiente para nos calar e vender a alma ao diabo!
Pq o poder politico e os meios de comunicação social conseguem muito facilmente influenciar-nos e alterar a nossa opinião pq não apostamos no conhecimento e educação, pq mais uma vez achamos q tudo sabemos...
Enfim, a culpa é da nossa mentalidade, da nossa visão do país e do mundo e sobretudo da falta de visão do que queremos para o nosso futuro!

António

Manuel Pires disse...

Concordo muito com o teor deste comentário. Penso que peca apenas por se referir apenas ao poder local e aos autarcas, esquecendo-se o poder central e os governantes. Ou será que o António pensa que os governantes são bons e os autarcas são maus?

Anónimo disse...

Manuel,
n referi apenas por esquecimento mas quando disse "pq permitimos que gente sem qualidade nenhuma esteja no poder" estava a referir-me a todo o tipo de governação seja ele autarca ou governo etc... e já agora não esquecendo q apesar de tudo, tb há bons governantes nas várias vertentes politicas, embora sejam muito poucos!

O texto é um desabafo e uma critica á nossa sociedade na qual eu tb faço parte, sendo por isso tb uma critica pessoal...

Cumprimentos,
António

Ponto Verde disse...

Agradeço a colaboração do leitor António, a participação e discussão séria é um estimulo que da minha parte só merece o maior dos agradecimentos.

Pedro disse...

A verdade infelizmente é que este estado de coisas dificilmente se altera, pelo menos, em poucas décadas, pois é mais uma questão cultural que outra coisa.

Quantos de nós pedimos uma facturta quando vamos a um restaurante ? Quantos de nós pedimos uma factura quando arranjamos o automóvel na oficina lá do bairro ?

As actuais gerações nasceram e cresceram nesta sociedade, e a capacidade de apreender a honestidade como algo fundamental para a melhoria do nível de vida, é muito baixa. E basta olhar para os paises nórdicos para perceber aquilo que digo.

A verdade é que não conseguimos ser honestos nem com a própria vida, como se percebe do modo como conduzimos, do modo como tratamos o ambiente.

Mas como desistir é uma palavra que não existe, o melhor é continuar a lutar, nem que seja pelo exemplo.