segunda-feira, junho 19, 2006

A ESCOLA DA CORRUPÇÃO













A Citação :
"Temos uma cultura de corrupção e as instituições não têm principios de ética, o que torna o país muito laxista em relação às boas práticas"- Maria José Morgado

Vem isto a propósito do trabalho publicado ontem no DN que analisava o quanto se copiava nas escolas portuguesas entre uma análise a instituições de ensino Europeias, e traçando um interessante quadro de correlação entre esse "hábito" e os niveis de corrupção de um país, sendo essa correlação directamente proporcional e passo a citar alguns excertos do artigo que poderá aqui (clique) ler na integra, o trabalho é assinado por Elsa Costa e Silva e André Carrilho :

"Os países onde os alunos universitários mais admitem copiar nos exames são também aqueles onde o índice de corrupção é mais elevado. A associação entre corrupção no mundo real dos negócios e a fraude académica está traçada num estudo efectuado pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), que avaliou 21 países, de quatro continentes. E os resultados mostram uma "forte correlação" entre as duas realidades.

Esta investigação - a de maior dimensão a nível mundial em número de países avaliados - inquiriu mais de sete mil alunos, dos cursos de Economia e Gestão. Aqueles que, salienta o trabalho de Aurora Teixeira e Fátima Rocha, serão os homens e mulheres de negócios do futuro e "potencialmente os líderes económicos e políticos" (...).

As investigadoras destacam uma relação significativa, marcada por duas excepções (a Argentina e a Nigéria, ver caixa), na associação positiva entre os níveis de copianço de cada país e o índice de corrupção percebida.

Assim, os países nórdicos, vistos como os menos corruptos do mundo, apresentam igualmente níveis baixos de incidência de fraude académica. É o caso da Suécia e da Dinamarca, avaliadas no estudo da FEP. Também as Ilhas Britânicas e a Nova Zelândia, que pontuam baixo no índice de corrupção, apresentam percentagens baixas de alunos que admitem copiar nos exames.


Portugal - onde 62,4% dos alunos universitários, à semelhança do que se passa noutros Estados da Europa do Sul, admitem copiar nos exames às vezes ou quase sempre - aparece também como um dos países onde a corrupção percebida é mais elevada. No topo da tabela que relaciona corrupção e fraude académica surgem países como Polónia, Roménia, Brasil, Eslovénia, Espanha e França."

E sobre o mesmo trabalho destaco ainda do editorial de António José Teixeira:

"O problema português é que de pouco nos vale o copianço. Nem sequer somos competentes a copiar... Os resultados escolares são maus. Pior, revelamos grande resistência a copiar bons exemplos. "A ciência da mais ampla usança é a arte do fingimento", dizia o jesuíta renegado espanhol Baltasar Gracián. Para muitos portugueses é a grande doutrina. E os exames estão à porta..."

Somos levados face à posição do país a pensar que para além de mal formados técnicamente, a tentativa de iludir essa faceta é feita á base de uma má formação ética que de tão comum se torna a regra e extrapola-se fácilmente para o dia a dia das instituições, dos partidos, e doutros meandros que metam poder em qualquer uma das suas fecetas, não só é tese académica como é mesmo o retrato do país e da sua posição na Europa.

O que mais assusta é a "naturalidade" e a aceitação social em que tudo isto funciona, desde a fuga aos impostos, a receber indevidamente o Subsidio de Desemprego ou o Rendimento de Inserção, construir uma barraca para receber um apartamento novo do Estado, apartamento esse que por sua vez resultou de um favor discricionário a uma empresa que por sua vez permitiu o encaixe a mais uma outra que entretanto se meteu de permeio no negócio de um terreno que nada valia, mas que dada a oportunidade de alguém que entretanto mudou o uso do solo logo valorizou garantidamente milhões dos quais são depois distribuídas "migalhas" de forma a criar um manto de silêncio e uma teia de encobrimentos que tudo tornam legítimo, normal, como se a corrupção fosse tão natural como respirar...e assim é para muitos!


Mas verdade seja dita, não é preciso frequentar os bancos da faculdade, basta ser um mero operário...desde que tenha determinado cargo politico... depois não nos podemos é queixar do Ambiente que perdemos ou no desordenamento urbano que ganhámos.

5 comentários:

Anónimo disse...

A impunidade ajuda. Basta ver os carros que para ai andam.

NP disse...

Aproveitando a temática da "ESCOLA", permita-me o anónimo autor deixar aqui um texto sobre a ESCOLA SINDICAL E AS SUAS UTOPIAS que o Prof.Jorge Vasconcelos e Sá publicou hoje no Diário Económico a propósito da Opel da Azmbuja:

"A fábrica invisível"

Jorge A. Vasconcellos e Sá


Se os 1200 empregados da Azambuja (+800 indirectos) têm o direito (a determinado salário) quem tem o dever (de pagar)?

No mesmo dia em que a televisão nos trazia imagens do presidente da General Motors a cumprimentar Putin, por ocasião da abertura de uma nova fábrica na Rússia, os empregados da fábrica da Azambuja faziam greve.

Porquê? ”Pelo direito a melhores condições salariais”, segundo um delegado sindical.

Uma pessoa, pára, olha e pensa: Direito? Em que mundo vivem estas pessoas?

Vejamos... um direito só existe na prática quando alguém tem o correspondente dever: de não fazer ou de fazer. Sem a obrigação deste, o direito daquele não existe. Na realidade.

Portanto, se os 1200 empregados da Azambuja (+800 indirectos) têm o direito (a determinado salário) quem tem o dever (de pagar)?

Os gestores? Mas estes representam os accionistas. Pelo que se aqueles tiveram subdesempenho, estes demitem-nos ou retiram o dinheiro.

Os governantes? Mas estes representam os contribuintes. E a sua responsabilidade moral prioritária não é para os que têm algo e querem mais (ou igual), mas sim para os que não têm nada e querem algo: os doentes; os desempregados; os reformados; e os estudantes.

? ... Donde não há ninguém com um dever/obrigação que corresponda na prática ao direito dos empregados da Azambuja. Pelo que o direito destes é teórico, sem concretização real.

É pois um direito de outro mundo, da Lalalândia ou do planeta Zorg. E talvez aí a personagem Oris ou Bug esteja disposta a passar o cheque. Neste mundo, não vejo ninguém. Quando as regras do jogo forem outras, quando o mundo for diferente, aí falamos. Até lá...

Até lá... fazer greve é deitar um erro em cima dum problema e criar as condições para que a Azambuja seja transportada para Bratislava ou S. Petersburgo. É de quem não sabe o mundo em que vive.

Mas porquê? Porque não sabem eles, quem lhes encheu a cabeça, descreveu a estes empregados, um mundo de ficção, irreal? Quem os enganou?

Aqueles que durante décadas após Abril lhes disseram ”têm direitos” e os enganaram porque não há (gestores, accionistas, governantes, contribuintes, ninguém) que tenha o correspondente dever. Ninguém que deva passar o cheque.

No dia 25 de Abril eu estava no Largo do Carmo. Muitos destes vendedores de ilusões (incluindo um ex-presidente) estavam fechados em casa.

Quando saíram, dedicaram-se às suas construções: castelos de ar e fábricas invisíveis. Todos as podem ver, daqui a um ou dois anos, quando passarem na Azambuja.

Quanto ao mais, é como dizia F. Pessoa: ”Para podermos sonhar, não podemos ter ilusões”.
____

Jorge A. Vasconcellos e Sá, Professor da Universidade Técnica e Lisboa e PhD pela Columbia University

Anónimo disse...

Bom e oportuno texto o inserido por este laitor anterior.

cidadao disse...

Almoços no PACO...vejam o escândalo da Flor da Mata no www.pinhalfrades.blogspot.com

Tee Foley disse...

you are beautiful x