quarta-feira, março 07, 2007

ARRÁBIDA , ATÉ QUANDO















A propósito da pedra que vai ser necessário trazer para reforçar a duna artificial da Costa da Caparica um dos locais privilegiados onde se irá buscar, está ali à mão nas pedreiras da Arrábida.


Nos últimos anos o que ali falta, está espalhado pelo país , nas mais variadas formas, do "tout vennant" que forra muitas estradas à nobre calçada portuguesa, mas é bom lembrar que aquelas crateras monstruosas, uma que quase devora a Serra do Risco (na imagem), outra que dá dentadas no Espichel, fazem parte de um Parque Natural , tal como a SECIL do Outão.

Sobre a SECIL, veja o que escreveu o responsável pelo Museu de Setubal no Setubal na Rede, de facto, não poderia estar mais de acordo:

“Mais cedo ou mais tarde, o concelho terá que enfrentar o encerramento da Secil”, defendeu António Batista Pereira, conservador do Museu de Setúbal, no passado sábado, numa conferência sobre o património setubalense. No encontro, realizado no Museu do Trabalho Michel Giacometti e subordinado ao tema “À Descoberta do Património da Nossa Cidade”, Batista Pereira referiu que “a Secil já marcou demasiado a Serra da Arrábida”, sendo hoje “um dos símbolos da industrialização da região”. “No entanto, no futuro poderiam ser dados vários destinos àquele complexo industrial, como a instalação de um pólo museológico”, sugeriu.

Para o responsável do Museu de Setúbal, “a conservação do património passa também por defender a herança natural”. Nesse sentido, Batista Pereira considera que “há cada vez mais um sector de turismo ambiental que o concelho tem que desenvolver na serra e no rio”. Para isso, o conservador aponta o “caminho das soluções diversificadas”, de modo a “encontrar um equilíbrio entre a indústria e o património natural, nomeadamente no caso da Secil e da Arrábida” Parabéns pelo assumir de uma posição hipócritamente esquecida por muitos "responsáveis" da região.

5 comentários:

Anónimo disse...

outra imagem magnífica que poderia e deveria ser difundida a bem da consciencializaçao das pessoas que ainda nao entenderam que se está a delapidar irreversivelmente uma das maiores riquezas do distrito em prol de políticas de resíduos e de ordenamento do território totalmente afastadas dos reais anseios das populaçoes.

Anónimo disse...

Uma Serra tão bonita com uma ferida tão profunda, não seremos todos nós cumplices de uma tal barbérie?

hkt disse...

Um local único palco de mais um crime que as gerações futuras não nos poderão perdoar.

António disse...

Eu costumo fazer caminhadas na Serra e no meio dos arbustos quando o que deveria existir eram pedras, animas, encontro vivendas com o seu belo jipe de fim de semana. Secil é um problema gravíssimo e uma vergonha nacional, mas o que se anda a passar com a urbanização escamoteada da serra pode vir a ser o golpe final numa zona linda que deveria ser preservada. Nem mais uma casa para a Arrábida. Os portugueses e a sua mania de que têm de ter uma casinha de fds ou na praia ou numa zona rural, nunca se importando se o local deveria ou não ter habitação.

É a nossa forma de pensar “Desde que eu esteja bem quero lá saber dos outros, quem vem a seguir que apague a luz”

Anónimo disse...

O meu tio herdou um pequena habitação tipicamente portuguesa em alvenaria, numa zona classificada como REN e RAN, segundo o PDM. A sua beleza natural era de cortar a respiração. A cerca de dez anos para cá a tragédia iniciou-se a extracção da pedra, dos vales circundantes. a destruição é difícil de descrever com palavras, apenas lágrimas. O meu Tio nunca mais foi o mesmo, triste por viver num pais de ciganos de fato e gravata como ele dizia.é o progresso saloio, o desenvolvimento sustentável da tanga como nos querem vender.
Mas existe uma solução verdadeiramente sustentável que é o pré-fabrico da estrutura, garantindo desta forma que os materiais possam ser provenientes de uma fonte renovável, reciclagem etc. Os benefícios são muitos...A industria automóvel é um bom exemplo.

Cumprimentos