quinta-feira, novembro 09, 2006

PONTES SOBRE O TEJO














Ontem foi anunciada com a costumeira pompa e circunstância, a construção, ou a possibilidade de se vir a construir uma nova travessia rodo ferroviária sobre o Tejo... não discordei ...antes... da decisão de construir uma ponte que una o Barreiro e a Margem Norte... discordo, como antes discordei, da opção tomada para a construção da Ponte Vasco da Gama em deterimento desta opção então posta de parte.


Porquê? Porque se perdeu uma oportunidade de requalificar o Barreiro e de evitar o que se temia e veio a acontecer, a betonização de Alcochete e do Montijo... Pinhal Novo...Moita... num decalque do que sucedera décadas antes com a Ponte 25 de Abril e Almada e Seixal...

Uma ponte rodo ferroviária agora entre a Margem Norte e o Barreiro vem suburbanizar ainda mais a Margem Sul , insiste novamente na dependência do automóvel e de novo vai dar um impulso desregrado e insustentável à construção civil a quem uma vez mais é prestada vassalagem.

Veja-se o aumento as variações populacionais nos Concelhos da margem Sul entre 1991 e 2001:

1991
2001
Val. Abs.
Val. Rel. (%)
Alcochete 10169 13010 2841 27.9
Almada 151783 160825 9042 6.0
Barreiro 85768 79012 -6756 -7.9
Moita 65086 67449 2363 3.6
Montijo 36038 39168 3130 8.7
Palmela 43857 53353 9496 21.7
Seixal 116912 150271 33359 28.5
Sesimbra 27246 37567 10321 37.9
Setúbal 103634 113934 10300 9.9


Agora o que se demonstra é que a opção Vasco da Gama estava errada e que esta sim, teria sido (na altura) a opção certa a contar com a ligação ferroviária de alta-velocidade, a outra é uma ponte bonita sim senhor, mas o custo-beneficio para além de ainda estar por fazer, bem como o estudo comparativo da outra opção (a agora tomada) jámais será comparado... é como a história do aeroporto da Ota, meia dúzia de anos depois de ser construído, descobrir-se-á que outra teria sido a melhor opção... a questão é que antes como hoje , ou amanhã, ninguém será responsabilizado, nem nunca será investigada a teia de interesses e os lobies que favorecem as opções destas obras faraónicas...

Amanhã, como hoje, desceremos mais lugares no ranking da credibilidade, da competividade, do desenvolvimento mas atingiremos os lugares cimeiros da corrupção , das desigualdades sociais, e da perda de qualidade de vida e ambiente...

E os responsáveis até se autopromovem de tantos em tantos anos , não em fotos de policia, mas em cartazes gigantes, como se fossem estrelas num firmamento à parte dos restantes mortais.

A opção por esta nova ponte e localização vai encaixar na perfeição no anunciado projecto da mega urbanização nos terrenos da siderurgia, mas baralha quer a construção, quer a anunciada loicalização do ex-futuro Hospital do Seixal, já questionável com a anunciada construção pa ponte Seixal-Barreiro.

Uma palavra para o Engenheiro Carlos Pimenta que sempre defendeu a opção Chelas-Barreiro e não a decisão tomada Montijo-Sacavém.

8 comentários:

juca disse...

Ó Ponto, já andas a incomodar muito mais do que a "conspiração Comunista", parece que andas a roubar o protagonismo de alguém.

oliveira disse...

Impressionante o decrescimento do Barreiro.

Que crescimentos do Seixal, Sesimbra e Alcochete.

Muito cheiro a betão...

Qualidade de vida nestes locais a deteriorar-se. Em troca de quê?

Papoila disse...

Realmente o Barreiro está neste momento muito isolado e distante de qualquer um dos acessos actuais a Lisboa.

Por outro lado, penso ser pertinente a existência de uma outra travessia, justificada pelo fluxo de trânsito entre a Margem Sul e a Linha de Cascais. Quase todos os dias, o pior acesso à Ponte 25 de Abril é a A5, com a descida da Pimenteira sempre preenchida. Assim, poderia talvez existir uma ligação, não só rodoviária, para fazer esta ligação.

Ponto Verde disse...

O que sucedeu ao Barreiro é comum ao casco histórico da maioria das povoaçõpes históricas da Margem Sul, a diferença é que o Barreiro não evoluiu em mancha de óleo como a restante Margem Sul, por uma falta de procura, falta de acessibilidades e morte dos meios de suporte tradicional empregadores.

Almada , Seixal, Sesimbra... evoluiram em termos populacionais por se terem transformado em macro-dormitórios alimentados pelo comboio Fertagus, pelas pontes e pela permeabilização à pato-bravice por parte destas autarquias.

Mas atenção que no Concelho do Barreiro há projectos na "manga" que se desenvolverão certamente como cogumelos com uma nova ligação a Lisboa. Veremos o renascer de António Xavier de Lima?

LB disse...

Muito bem Ponto! A frieza dos números não engana (tal como o algodão):))) A opção feita há 10 anos atrás para a 2ª travessia do Tejo foi, tal como foi antevisto por muito boa gente na altura, um grande erro a favor da política de betão!
Permitiu entre outras coisas que se betonizasse massivamente concelhos que de outro modo não o teriam sido, ou pelo menos não nestes moldes... permitiu por exemplo viabilizar um projecto como o projecto "Vila Nova de Sto. Estevão"! Permitiu como normalmente por cá acontece, que alguns poucos beneficiem muito do "benefício" que "oferecem" aos outros!
P.S.: para algumas pessoas que ao que parece muito se incomodaram com o meu comentário de ontem, e não querendo levantar grandes polémicas, sou leitor assíduo do "Ponto Verde" desde início e em momento algum busco protagonismo aqui, mas se estiver a incomodar, caro Ponto Verde, pois é só avisar que não vem mal ao mundo por isso :)

Ponto Verde disse...

Meu caro, não incomoda nada!!! Incomoda é quem passa ao lado dos problemas, deixe para os outros as decisões e se demite sequer de ter ideias próprias. Não sou adepto nem de unanimismos nem de carneiradas.

Anónimo disse...

Ainda bem que assim é!

E, já agora, deixe-me dizer-lhe que faz muito bem em não apagar os comentários de quem discorda de si!

av1 disse...

A opção pelo Montijo deveu-se a "questões técnicas" alegadas pelo então Ministro Ferreira do Amaral, mas as quais ele nunca explicou.
Sempre me disse quem trabalho no GATTEL que essas questões não existiam e que todos os indicadores racionais - excepção feita à especulação imobiliária - indicava como melhor a hipótese Barreiro.
Mas os "negócios" estão acima de tudo.