quarta-feira, novembro 29, 2006

O "CHÁ" AMERICANO















O senhor Alfred Hoffman JR, escreve hoje nas páginas do PUBLICO algo que como português me custa ouvir de um estrangeiro, é a velha história de " Dos teus falarás, mas não ouvirás", no entanto não lhe posso dar mais razão.

Ah! É verdade o Sr. Hoffman é o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, e escreveu o seguinte:

"Em virtude de comentários veículados pela imprensa nos últimos dias, gostaria de partilhar alguns apontamentos sobre a politica ambiental dos Estados Unidos. Muitos são os que parecem compartilhar da ideia de que - no que respeita ao empenhamento do governo na protecção do ambiente – a ratificação do Protocolo de Quioto divide os bons e os maus.

Ao viajar por Portugal ao longo do último ano, deparei-me frequentemente com o pressuposto errado de que, uma vez que não assinámos o protocolo de Quioto, não nos preocupamos com o ambiente e só estamos preocupados com a economia"

De seguida traça rasgados elogios à politica Bush que não partilho, uma visão simplista do Amerigan Dream e American way of life que tem muitos pontos positivos e admiráveis, mas que continua a ser um país que é um dos maiores poluidores e delapidadores de recursos.

Mas aqui, a grande questão é a legitimidade de em Portugal, pelo facto de ser país signatário do Protocolo de Quioto, se criticar a politica Bush ao não o assinar... quando a verdade é que a maioria de quem tem responsabilidades no poder, central ou local, não tem legitimidade moral e politica para tal.

Portugal assinou o protocolo, esteve presente no Rio em 92 , esteve presente em Joanesburgo 10 anos depois... mas e depois? A nível nacional o que se fez? Que politicas ambientais ? O que se fez para incentivar energias renováveis , para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, para garantir a sustentabilidade ambiental no país?

E os autarcas, sobretudo os ditos de esquerda (que subscrevem uma outra politica e uma maior superioridade moral) , sobretudo os da Margem Sul, que fizeram
Vossas Exªs que os distingue de um Bush que tanto criticam, quando ao mesmo tempo traçam planos de arrazo total da paisagem natural, da biodiversidade e da sustentabilidade da sua região?


O que os distingue dos coveiros ambientais , dos capitalistas selvagens, quando assinam de cruz urbanizações sobre urbanizações por mera engenharia eleitoral e razões económicas de sustentabilidade própria enquanto estrutura ?

E por mais que me custe, por mais vergonha que tenha em o reconhecer, só posso estar de acordo com o Embaixador Hoffman:

"Ao viajar por Portugal ao longo do último ano, deparei-me frequentemente com o pressuposto errado de que, uma vez que não assinámos o protocolo de Quioto, não nos preocupamos com o ambiente..."

– Pois tem toda a razão !

1 comentário:

manuel disse...

Lamentável que tenhamos que dar razão a um gringo. Assim como lamentamos que sejam os autarcas de esquerda que justifiquem essa razão.
Lamentamos nas duas vertentes: a opinião de um "próBush" e a prática dos CDUs na magem sul.