sábado, junho 28, 2008

SOLUÇÕES BIO-ENERGÉTICAS (1) - A HORTA



No final do ano passado antecipávamos que o barril de petróleo iria ultrapassar em Janeiro os 100 dólares por barril, a previsão , não só se confirmou como hoje, está a 140 , ou seja, subiu 40% de Janeiro até agora !!!

Para lá das discussões académicas do real valor do petróleo, a margem especulativa, o verdadeiro valor da subida absoluta em euros , face à desvalorização do dólar...o que é facto e real são as subidas constantes do valor do produto final refinado , quer seja gasóleo , gasolina ou jet-fuel !


A recente bloqueio dos camionistas revelou também , uma fragilidade gritante, de um sistema de distribuição de bens assente numa única vertente , a rodoviária , e também mostrou a falência de um sistema assente no transporte de produtos ... das alfaces que podíamos produzir na varanda, mas vêm da Europa de Leste , às uvas que não tarda estão maduras nos nossos quintais, mas que importamos do Chile ou da África do Sul.

Todo este sistema comercial está assim baseado no vector transporte/combustível e de quem o controla , mas também naquilo que o faz mover, o crude , que quer queiramos , quer não, vai continuar a subir. Será sobre o que poderemos fazer no imediato, para amanhã , que assentarão os próximos posts.

Pensando global e agindo local, algo é claro perante um cenário de carestia dos alimentos , desemprego , redução dos rendimentos , é necessário voltar a produzir esses produtos de primeira necessidade , recuperando solos agricolas e impedindo que nem mais um metro quadrado desse solo tenha fins , ou especulativos ou sejam atribuídos à construção, como criminosamente tem acontecido.

É necessário voltar a dar valor à agricultura e a quem a ela se dedica , não faz sentido comprar produtos que vêm literalmente do outro lado do mundo quando podemos produzi-los aqui, com mais sabor e qualidade e num regime de práticamente auto-suficiência .

É necessário que nas escolas se ensine agricultura , como fazer uma horta , como semear feijão ou batatas ou como transplantar couves e alfaces , como cultivar ervas aromáticas, como enxertar árvores de fruto , isto mesmo em escolas inseridas em zonas urbanas , até porque nas zonas urbanas há possibilidades de cultivo e produção caseira de vários produtos.

As autarquias para além de manterem intactos terrenos com aptidão agrícola, têm que incentivar as hortas urbanas como factor de melhoria da qualidade de vida de quem o pretenda fazer, quer como mera forma saudável de ocupar os tempos livres, quer como forma de acrescentar algo mais às parcas reformas ou aos cada vez mais reduzidos salários.

Termino com una citação do Professor José Manuel Pureza , professor de Economia da Universidade de Coimbra :

"
Se algo de positivo há nesta ameaça de catástrofe é ela forçar-nos a repensarmos a pequena e média agricultura como uma prioridade e não como um anacronismo. Talvez esteja na altura de percebermos que a luta pela preservação das hortas no centro das nossas cidades e a luta contra a liberalização mundial do comércio dos produtos agrícolas nos termos em que a quer a OMC não são lutas simétricas mas gémeas."
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BOM EXEMPLO

Se acha surreal o que acabei de escrever , veja aqui um projecto arquitectónico que contempla esta opção (Clique - Poio/ Pontevedra) .

2 comentários:

Anónimo disse...

Cá têm vergonha das hortas, acham que é coisa de pobre.

outsider disse...

A ideia é boa, só tem um problema: a agricultura moderna é uma actividade especializada não apenas pelas vantagens económicas que dai advêm, mas também pela necessidade de alimentar uma população humana cada vez maior... se o efeito pedagógico é importantíssimo, não me parece uma solução séria para a resolução da nossa dependência real dos centros de produção massivos de alimentos agrícolas, mais importante e sério teria sido manter e preservar as unidades produtivas agricolas no seio dos concelhos (fenómeno de sinal contrário a tudo o que aconteceu nos concelhos suburbanos de Lisboa, onde só em Loures e Sintra se encontram explorações agrícolas dignas desse nome).

Infelizmente sempre é mais rentável para as Câmaras Municipais urbanizar e retirar dai chorudos impostos e contrapartidas