quinta-feira, junho 05, 2008

CAMINHO FERRUGENTO



No video, as declarações surpreendentes do Presidente da Câmara da Moita e da Presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros que "desconheciam" a intenção da REFER de demolir as estações da Moita e de Alhos Vedros.

A decadência e o desmembramento da estrutura ferroviária em Portugal assemelha-se em muito a um corpo humano padecendo de patologia do foro circulatório que implique, primeiro a amputações de membros, e depois à falência de orgãos, considerando como membros os inúmeros ramais e estações encerradas e como orgãos, uma coluna vertebral que poderemos consideras a Linha Lisboa Porto e as inúmeras cidades e actividades servidas e alimentadas pelo comboio.

Ao contrário de muitos outros países, em Portugal o Caminho de Ferro entrou numa decadência mortal e com esssa decadência , o próprio país entrou em colapso , numa esclerose múltipla e disfuncional que desestruturou o território e as próprias cidades , vilas e aldeias... assentes agora em "artérias" de alcatrão , amplas avenidas , quilómetros de auto-estradas.

O caricato é que tudo se fez em torno de uma "modernização " , de um "progresso" que afinal, não se vê.

Fui utente da CP anos a fio e da rede europeia de caminhos de ferro por várias e multiplas vezes ao longo dos últimos anos , incluindo nesse curriculum ferroviário, dois Inter-Rails e muitas viagens em TGV, coisa normal na Europa e à qual não podemos , nem devemos pôr-mo-nos à parte .

Tenho nos últimos anos usado mais o comboio na Europa Central Comunitária , e verifico que ali , o sistema continua funcional, que apesar da adopção da Grande Velocidade nas vias principais , a ferrovia não foi abandonada nas vias com menor tráfego , onde continuam , funcionais as velhas estações e antigas composições.

Consequência directa disso, uma descentralização territorial , uma não dependência em exclusivo do transporte rodoviário e ... cidades vivas , porque continua funcional a estrutura urbana assente na Praça Central, que pode ser ou não a Praça da Estação , no Mercado , no Comércio Tradicional , na Escola , na pequena indústria... cidades que têm dimensão humana e que com essa atractividade não têm perdido, mas ao invés , captado , novos habitantes.


Ou seja, exactamente o inverso do que se tem pretendido fazer no País e com a Margem Sul.

Por cá, nesta banda, a tentativa é de um alastramento urbano que tudo una para afinal tudo desmembrar , o movimento associativo, o comércio tradicional, as tradições de cada lugar , a sua cultura própria e as suas memórias . É a filosofia Terceiro Mundista da Megalópole contrária ao
"Small is beautifull" das sociedades mais desenvolvidas... contando que com a primeira há um desperdício de tempo e recursos nos movimentos diários casa-trabalho-casa...

O que aconteceu na passada semana com a demolição das Estações de Caminho de Ferro de Barreiro A , Moita e Alhos Vedros é só mais uma peça nesse puzzle que aos poucos vai aniquilando as velhas memórias e estruturas urbanas (Estação - Praça - Rua - Café - Merceria - Drogaria - Igreja ...) para criar uma nova ordem "moderna" que tem na actual questão dos combustíveis o paradigma máximo do seu erro .... só que a questão é que todos estes erros não têm nem nunca terão culpados ... a menos que algo mude!

E , claro como o (preço do ) Crude , algo vai ter que mudar !

5 comentários:

Carlos (Brocas) disse...

Nem sei o que hei-de comentar....

Tudo isto não passou de uma colagem das forças politicas representadas pela DRª. Fernanda Gaspar e pelo Engº. João Lobo ao movimento de cidadãos.
Sem tirar nem por.

Carlos (Brocas) disse...

Contudo, tudo me leva a crer que a Drª. Fernanda Gaspar de nada sabia, não foi pela CMMoita informada.

Anónimo disse...

Pela 2ª semana que o blog rumoabombordo não está acessivel no dia de escrever os comentarios para publicação.

Anónimo disse...

No futuro, e não querendo parecer o Zandinga, há-de surgir um projecto de modernização da linha, com a construção de novas estações e apeadeiros, onde toda a gente poderá ganhar dinheiro com a construção em novo... porque preservar e recuperar o que já está edificado é coisa que não dá dinheiro que se veja!

E assim funciona o nosso belo Portugal!

Samuel Cruz disse...

Caro anónimo,

A partir de onde tentou aceder?
Não notei nnhuma quebra no Blog.
Grato pela atenção dispensada,