sábado, dezembro 15, 2007

CARRIS DERRAPANTES 1


Derrapagens é algo que nos querem fazer crer ser inerente ao ser português, veja-se a imutável sinistralidade rodoviária.

Agora considero abusivo o eufemismo "derrapagem" utilizado a torto e a direito, até pelo Ministro das Obras Publicas para o buraco financeiro em que se está a tornar o Metro Sul do Tejo.

Hoje, manhã cedo na Ramalha, lá estavam os operários á lufa lufa dos preparativos, tanta retro-escavadora e outra maquinaria no troço a inaugurar e nem diria que " estava pronta a inaugurar" a derrapagem ... dois anos depois do previsto...

Bom ,mas lá foram abertos mais quatro quilómetros, por este andar, vai render ainda muita inauguração... mas continuo sem compreender é que, se agora há um culpado assumido dos atrasos na obra, não compreendo as palavras contraditórias do ministro a dizer que compreendia os custos acrescidos, de estaleiro, blá blá, blá, de obras paradas... justificando-se agora um acerto de 70 milhões de euros...beneficiando... o culpado pelo atraso, a concessionária!!!???

Então, se o atraso é culpa assumida da própria "Concessionária" ... aquela que ganhou concurso publico por apresentar os números e os prazos que assumiu, porquê agora aquela indemnização???

Não deveria ser a concessionária a indemnizar governo, autarquia, munícipes??? O que espera a autarquia para pedir choruda indemnização?


Devo ser muito limitado para não compreender esta gestão dos dinheiros públicos, aliás , há uns dias, quando aqui se comparava o TGV ao MST, e alguém comentava:

"comparar preço por km teórico (no caso do TGV) com km real (no caso do MTS) não me parece lá muito sensato, até porque sabemos já que o TGV vai "descarrilar" e MUITO no preço previsto, não estivéssemos em Portugal" , pergunto :

- Então, mas não é com base em proposta sobre o preço "teórico" caracteristicas e memórias descritivas que se comparam em concurso publico e se escolhem depois as melhores opções? Ganhando depois supostamente a melhor opção/custo???
Salvaguardando-se ainda , contratualmente todo o tipo de derrapagens???

Ou os concursos publicos são afinal uma fraude?

Ou esta história do bode espiatório no MST é também ela uma fraude para que a autarquia e o governo saiam bem na fotografia final?
Ou trata-se de mais um acerto entre ambos ?

Bom, mas finalmente lá foi inaugurada linha que justifica alguma lógica de existência, mas é pouco, muito pouco para o investimento envolvido e pelas consequência das obras, a que as populações têm vindo a ser sujeitas, limitando a sua mobilidade e qualidade de vida, sobretudo dos deficientes motores, dos idosos e das crianças.

O troço agora inaugurado vai permitir , é verdade, acessos da Cova da Piedade á linha Fertagus (já o fazia a partir de Corroios , para Sul e Lisboa) ou à Universidade por exemplo já são algo mais do que existia, embora não deixe de continuar a ser uma solução e uma filosofia de traçado tão discutivel como financeiramente derrapante...na medida em que as autarquias têm imposto modelos disparatados de urbanização que se afasta desta oferta de mobilidade, obrigando os novos residentes a "optar" pelo automóvel.

4 comentários:

Anónimo disse...

Tanto a primeira como a segunda etapas da primeira fase das obras do Metro Sul do Tejo foram concluídas com atrasos. A governante Ana Vitorino justificou o incumprimento dos prazos previstos com a “necessidade de aprofundamento do estudo de impacte ambiental” e com o “desentendimento entre as Câmaras de Almada e do Seixal, a empresa concessionária e o Governo.” Acrescentou que as três etapas da primeira fase estão avaliadas em 268,7 milhões de euros, mais 70 milhões de euros do que o previsto, devido à paragem do processo desde Julho de 2002 até Março de 2005.

A autarquia de Almada nada tem com estes atrasos ou com os prejuizos causados à população pelas obras e pelo traçado imposto pelo poder central. Até arranjaram um grupo para denegrir a autarquia e mentir descaradamente à população.

revisor disse...

Por este andar o Ponto Verde nunca entrará nos carris, a alta tensão associada a uma desorientação constante não lhe permitem algum discernimento da realidade. É um TóTó.

Anónimo disse...

«Hoje, mais que nunca, faz sentido aquilo que já aqui foi proposto , um estudo comparativo deste projecto como outros projectos idênticos ,na Europa e também com o Metro do Porto»

residente disse...

O primeiro anónimo não fala verdade porque:
1- o traçado inicial pelo centro de Almada foi imposto pela presidente da CMAlmada, para mostrar aos almdenses o seu (dela)comboio.
2- A autarquia de Almada é responsável pelos atrasos,leia-se a Deliberação da Assembleia Municipal de 10-03-04, em que a CMA/AM pedem ao governo a fixação do traçado do MST na Ramalha, devido aos protestos dos residentes, depois de estudo de traçados alternativos.
3-A obra poderia e deveria ter-se iniciado logo após esta decisão.
4- Na Deliberação de 10MAR2004 a CMA diz que não disponibiliza terrenos enquanto o Governo não decidir sobre alguma matéria que lhe exigia.
Isto não nos diz quem provocou atrasos?
O Governo, este Governo, em 22JULHO2005, fixou o traçado do MST no local, mas a a Presidente da CMA, como não é democrata, não aceitou a decisão governamental que andava a exigir, e impôs um novo traçado que nem sequer foi apresentado naos moradores, mais caro (1.200.000€), de maior impacte ambiental para toda a área e mais prejudicial aos moradores e a todos aqueles que têm de se movimentar nesta zona incluindo carros de bombeiros ou ambulâncias para o Hospital Garcia de Orta.
A autarquia almadense anda a denegrir a imagem de Almada e dos almadenses, com a trapalhada deste seu MST que poderia ser útil à cidade, se tivesse ouvido e entendido a população.
O Presidente da Assembleia Municipal, da mesma cor da Presidente da CMA nem sequer fez a CMA cumprir a Deliberação da AM, conforme era sua obrigação, porque está escudado no seu voto de desempate caso a oposição votasse tal exigência. O PCP tem 22 Deputados e a oposição igual número.
Com gente desta a democracia representativa é uma farsa, encenada por eleitos sedentos de exercício de um poder autoritário e ditatorial.
Naturalmente que nesta imposição da presidente da CMA este Governo, ou a Secretária de Estado têm a sua quota parte de responsabilidade por se terem ajoelhado aos pés da presidente da CMA.
A troco de quê, gostava o zé de saber.
Para começar a Concessionária já recebeu um prémio pelo atraso da obra e ainda não vimos o PCP ou a CMA que dizem defender o povo reclamarem desta derrapagem orçamental, como em outros casos temos visto.
Provavelmente porque são cúmplices da situação.