quarta-feira, janeiro 16, 2008

SEIXAL NA BTL, UM SAPAL, UM PARQUE TEMÁTICO...UMA ESPÉCIE DE CONCELHO AMIGO DO AMBIENTE




Na sequência das questões aqui postas à oposição socialista à Câmara do Seixal sobre duas questões de grande importância para o concelho , a piscicultura no Sapal de Corroios e a proposta de um Parque Temático, foi publicado no blogue Rumo a Bombordo(clique) por parte do seu autor, o Vereador Samuel Cruz uma resposta pessoal a essas questões, agradecendo a atenção gostaria de acrescentar o seguinte:

Sobre a votação da Vereação P.S. a favor da piscicultura (clique) , compreendo e aceito a justificação juridico-politica , mas como não sou nem jurista, nem politico , sou um mero cidadão preocupado com a qualidade ambiental que me rodeia e aos meus concidadãos e que com a aprovação de actividades, como a piscicultura , considero que, naquele local que a lei define como de protecção ambiental , o ecossistema e o ambiente se degradam cada vez mais.

Sugiro pois um boicote à compra de pescado criado naquela piscicultura de génese ilegal que além do mais está situada junto a uma ETAR, gostava de saber o que pensa a ASAE do assunto...Bem sei que no terceiro mundo (India) há pisciculturas que servem para purificar o esgoto...mas pensava eu que na Europa os teores de metais pesados e outros tóxicos que entram por via do consumo destes peixes na cadeia alimentar humana eram considerados indesejáveis...ah mas Portugal é só uma espécie de Europa...

Sobre o Parque Temático (clique) , não me vou repetir, pois nos post's anteriores está a minha posição de cidadão, não do politico que não sou , se o fosse , como muito bem explicou o senhor vereador restar-me-ia tal como o senhor a obedecer e acatar quando lhe disseram

" - Você é politico, não é funcionário do Ministério. Se quer um conselho, a bem dos alunos que representa, identifique o problema e diga como gostava do ver resolvido. Deixe o resto para os técnicos, que é para isso que cá estão."


Pois eu, mero cidadão, não creio nos politicos que têm tomado decisões nos ultimos 30 anos no Seixal, nem na capacidade condicionada dos técnicos , que ao serviço dos eleitos da maioria, cá têm trabalhado, embora não pondo em causa as suas qualidades tecnicas ou a sua formação ! Tal como não acredito em Arquitectos que trazem Manhatans, Torres Boónicas ou salgadas Torres da Marinha...


Ora como cidadão, não obrigado a votar nem a acatar ordens contra a minha consciência, considero que a proposta de "Uma espécie de Parque Temático" e a forma como a apresenta , passo a citar:


"Não acredito em panaceias milagrosas, mas sei que para resolver este problema é necessário criar pólos de atracção no concelho do Seixal. Antes de mais ordenando o território e tornando o espaço público agradável, sem dúvida. Ai se inserem as ciclovias, as praias fluviais e os respectivos equipamentos de apoio.


Mas a questão aqui é outra, reside na necessidade de criar riqueza localmente, porque criar riqueza localmente significa criar empregos directa e indirectamente estimulando o comércio local."

É uma filosofia ( a dos polos de atracção) perdoe que lhe diga, que não difere das propostas , das promessas, da visão e do modus operandit da gestão CDU (veja a desculpa que esta esta deu para instalar o Centro de Estágios da Caixa Geral de Depósitos) , sendo contrária aos fundamentos de turismo sustentável em que primeiro está a comunidade anfitriã, as infraestruturas, as vias de comunicação, a qualidade ambiental , a qualidade do espaço urbano...e só depois se pensa em captar e receber turistas...

A propósito, alguém da oposição criticou os gastos com a presença do Seixal na BTL ? A menos que tenha sido pago pelo A.Silva & Silva...Libertas...Cortegaça...para promover indirectamente o seu betão, é um gasto e desnecessário... .


SUGESTÕES A-SUL:

Sugestão 1- O Senhor vereador no seu post sugere para deixar para os técnicos a resolução destas questões, bom , então, uma vez que tenho formação tecnico-academica na área, deixe-me então, para além das sugestões deixadas em posts anteriores (ciclovia, praias fluviais...) primeiro que tudo sublinhar e elogiar uma proposta sua, a de ancorar na Baía do Seixal um navio hotel. É uma ideia excelente, exequível, que até poderia não ter qualquer custo para a autarquia e seria diferenciadora e atractiva.

Sugestão 2 - Agora, em acrescento a esta ideia , porque não instalar ao longo da Baía um Museu de Marinha (com a colaboração deste e da Marinha de Guerra)
atracando por exemplo onde esteve um barco restaurante, a Fragata D.Fernando II e Glória (ela própria um museu) em recuperação e sem ponto de atracação desde o quase abandono em que esteve em Alcântara, a estes dois navios poder-se ía juntar por exemplo navios da Marinha que em breve vão ser desafectados e cujo unico fim é ser desmantelados, porque não pô-los em esposição ancorados em plena Baía (como se faz em todo o mundo, por exemplo Hamburgo onde está a Sagres I , em Londres, em Boston, em Nova Yorque), também ,por exemplo um dos submarinos classe Albacora poderia ficar em exposição em terra...pode estar certo que atraíria visitantes ao Seixal, porque não criar em colaboração para a Marinha um atracadouro para o Creola?


Sugestão 3 - O Seixal tem também um passado ligado aos caminhos de Ferro e uma Estação desactivada que é sede da Cruz Vermelha, porque não instalar, em parceria com privados (já que os nossos autarcas gostam tanto de parcerias) , uma carruagem antiga transformada em café-restaurante , com uma esplanada a dar para o rio ?

Sugestão 4 - Porque não, em parceria com o Benfica , instalar na zona do Centro de Estágios , o tal que iria "atraír milhares de visitantes ao Seixal" , uma área museológico interactiva com material audiovisual e fisico, visitável ligada àquele clube ?

Sugestão 5 - E óbviamente, porque a presença de um bando de Flamingos no Tejo demonstrou que a vida animal e o contacto com a natureza atraí muita gente, construír o já sugerido pelo PS Parque ambiental na zona protegida da Flor da Mata onde já se instalou uma "escola" para cães , com um centro de interpertação da vida selvajem, zona de lazer para piqueniques e passeios/desporto... e que se articularia na área que o senhor vereador sugere para o Parque Temático que, porque não, poderia incluir alguma temática de diversão e lazer ligada aos descobrimentos e que faria a ligação com o Museu de Marinha vivo e real instalado na Baía.

Ficam as sugestões de um cidadão que respeita mas não se abstém de criticar decisões que considera erradas, venham elas de um autarca,de um técnico ( a proposta do Arqº Manuel Salgado para Torre na Torre da Marinha é absurda), de um politico ou até de um director geral ou de um ministro.

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ULTIMA HORA

Co-incineração pronta a avançar na Arrábida.

10 comentários:

Anónimo disse...

Essa do museu dos lampiões é bacana eles já estão mesmo é todos no museu, é so fazer uma visita aos treinos. Ganda ideia meu.

Anónimo disse...

Este concelho não quer nada com o Ambiente... ou com a preservação deste.. apenas querem show-off com os seus compostorzinhos e as sua quintinha pedagógica na ETAR ou com campanhas de apanha do cocó dos canitos.. NÃO CHEGA... há que preservar o Património Natural que ainda existe neste concelho... ou será que os Senhores Vereadores e Directores não sabem o que é Património Natural e a sua importância para a sustentabilidade? Se calhar pensam que a natureza é alguma praga que e que é exterminada com os interesses privados... talvez devessem receber umas aulitas de Educação Ambiental... não lhes fazia mal nenhum... ou se calhar são alérgicos e pensam que com a piscicultura no Sapal de Corroios as melgas vão desaparecer... "e o burro sou eu?"... IGNORÂNTES ESTES SENHORES
Ana S.

j.a. disse...

Os do PS e do PSD querem é tacho para depois irem para a Assembleia pavonearem-se. Os da CDU são os únicos que pensam no povo e só cá estão para o servir, o Ponto Verde é outro que quer trepar mas ninguém o quer.
O povo não se ilude e sabe bem em quem votar e o que quer e o Seixal precisa é de mais dinheiro para que a Câmara possa fazer o que quer e não pode porque o dinheiro do estado não chega.Deixem-se dessas conversas de ambiente que o que queremos é empregos e a criação de peixes vai dar muitos postos de trabalho.

j.a. disse...

É verdade, não sou João Afonso nem hetrónio de ninguém se andam assim tão preocupados passem bem ou queixem-se à ASAE.

ana lima disse...

Boas propostas para uma galáxia distante aqui é pregar aos peixes, do Mar da Palha, não aos do aviário da ETAR. Nem o Samu entende.

EMALMADA disse...

Cinco boas e excelentes sugestões de a-sul. Assim os autarcas soubessem aproveitá-las e se decidissem gerir para servir as populações e seus concelhos.
Os concelhos das margens do Tejo estão a perder oportunidades quanto a criarem e alojarem um Museu Naval ou Marítimo vivo dado à sua natural ligação a estas actividades e a presença de muitos cidadãos reformados e não só que poderiam dar a sua colaboração útil e desinteressada.
Em Mystic, Connecticut, USA, existe o Mystic Seaport Museum, nas margens do Rio Mystic, que é um museu vivo extraordinariamente interessante onde os muitos visitantes diários ficam encantados com todo o acervo ali existente e as actividades desenvolvidas ao longo do dia nos diversos espaços do museu, por voluntários que recordam, em quadros vivos, muitas actividades inerentes à vida naval e maritima.
Este museu constitui uma grande e excelente escola para a formação e aquisição de conhecimentos do cidadão-visitante.
É urgente valorizar e conservar o que temos para não perdermos a nossa memória.

Velas do Tejo disse...

São duas da manhã, estou cansado para escrever o que gostaría mas, ainda assim quero dar os parabéns pelo magnifico trabalho neste blogue.

Nem sempre estou de acordo ou com o principio ou com a atitude, no entanto, acho que é um trabalho brilhante que tem vindo aqui a ser feito.

Os meus parabéns!

Anónimo disse...

“(…)A desertificação afecta a qualidade de vida de milhões de pessoas, em particular dos habitantes mais pobres das terras áridas.

Contaminam-se os solos agrícolas, destroem-se as florestas, fragmentam-se os habitats naturais e as pescas entram em colapso.

A taxa de extinção das espécies aumenta assustadoramente perdendo-se a biodiversidade necessária à vida no Planeta.

Mais de 850 milhões de pessoas estão subalimentadas, 1100 milhões não têm acesso a água potável e mais de 2600 milhões não dispõem de saneamento.

Há sintomas de aquecimento do Planeta e os ecossistemas são contaminados e destruídos.
(…)
À ideia capitalista de «desenvolvimento sustentável» opomos a nossa luta «por uma relação sustentável entre as comunidades humanas e a Natureza».(…)Outro exemplo é toda a legislação orientada para a especulação em Espaços Naturais de Protecção Especial, na Reserva Agrícola Nacional, na Reserva Ecológica Nacional e na Rede Natura 2000.
São os chamados PIN’s – Projectos de Interesse Nacional, a que mais propriamente deveriam chamar PIC’s – Projectos do Interesse do Capital.
(…)
Portanto, para os comunistas, uma luta consequente por um melhor ambiente não pode alhear-se das reivindicações sociais radicais, antes pelo contrário, deve aprofundá-las.
(…)”

http://www.avante.pt/noticia.asp?id=22976&area=19

“(…)
À escala nacional verifica-se uma forte assimetria regional, com três regiões: Lisboa, Algarve e Madeira a concentrar mais de 80% da oferta.
(…)
O incremento do turismo tem assentado em dois vectores. Por um lado, em apoios estatais como subsídios, reduções e até isenção de impostos e outros benefícios fiscais, prioridades por via das facilidades concedidas aos chamados Projectos de Interesse Nacional (PIN) e outros. Por outro lado, o incremento do turismo também se tem baseado numa enorme exploração dos trabalhadores do sector hoteleiro e similares: salários baixos, não cumprimento das 40 horas semanais, precariedade e inexistência de vínculos laborais numa lógica de biscate que não protege os seus direitos, mas que aumenta desmesuradamente os lucros dos grupos económicos do turismo, e a exploração do trabalho clandestino nomeadamente de emigrantes.
(…)
O PCP considera importante o turismo, a potenciação das suas virtualidades económicas e sociais e defende um modelo de turismo sustentável, de impactos positivos na economia, no território e nas populações, visando as seguintes metas prioritárias:

Desenvolvimento económico – Garantindo, a longo prazo, a competitividade, a viabilidade e o sucesso económico dos destinos e das empresas, fomentando o aumento da oferta de emprego e a qualidade deste, com garantia de direitos, remunerações e condições de trabalho justas, sem descriminações;

Desenvolvimento social – Garantindo que o turismo contribuirá para a qualificação da vida das comunidades locais, e que elas intervenham directamente nos processos de planeamento, ordenamento e gestão da actividade turística;

Salvaguarda da cultura e do ambiente – Diminuir a poluição e a degradação do ambiente a nível global e local, equilibrar a utilização dos recursos usados pelas actividades turísticas e preservar, valorizar e divulgar as identidades locais e o património cultural e natural.
Para que estes objectivos sejam conseguidos, apontamos algumas intervenções fundamentais, entre elas:
– Combater a sazonalidade, promovendo uma mais equilibrada distribuição temporal da procura, que contribuirá para a viabilidade económica das empresas do sector e reforçará a sua capacidade em garantir uma oferta laboral ao longo de todo o ano, apostando em mercados e produtos não sazonais, pacotes, eventos e incentivos de preços nas épocas baixas.
– Melhorar e qualificar o emprego, combatendo os horários de trabalho longos e irregulares, a instabilidade e sazonalidade do emprego, os baixos níveis remuneratórios, a ausência ou precariedade de protecção social, os baixos níveis de qualificação e falta de oportunidades de progressão na e carreira.
– Qualificar a vida das comunidades locais, que devem ser as primeiras beneficiárias da actividade turística, importando para tal que se mantenham no local as receitas geradas, com promoção dos produtos locais. Importa destacar o contributo das micro e pequenas empresas do sector pela forma como distribuem os fluxos da procura pelo território e pela afectação das receitas que geram localmente.
- Salvaguardar o património e a natureza, de modo a que o aumento da actividade turística não comprometa o património natural e cultural, tanto mais que vive e depende desses recursos, devendo os proveitos gerados também ser aplicados na sua conservação. É necessário que sejam definidas formas de fruição visando o equilíbrio entre as áreas protegidas e os interesses turísticos locais, combatendo a anárquica e destruidora especulação imobiliária, investindo na restauração de edifícios classificados e na conservação da paisagem e habitats tradicionais.”

http://www.avante.pt/noticia.asp?id=22975&area=19

Velas do Tejo disse...

Bom... j.a. só pode ser abreviatura de janado!

Qualquer associação da Piscicultura a emprego é pura coincidência. Se o meu amigo está assim tão preocupado com empregos e pesca, porque é que não defende a frota pesqueira nacional e o regresso dos pescadores ao mar?!

Ou eu me engano muito, ou em qualquer traineira de Sesimbra trabalham mais pessoas que nos viveiro do Seixal.

Empregos com piscicultura J.A.?! Tu tás passado, meu!

Rosa Gambóias disse...

É lamentável que, num país com tão poucas áreas naturais protegidas, se vá destruir um autêntico santuário de aves, como é o caso do sapal de Corroios.
Só alguém que nunca se deu ao trabalho de ir observar a enorme variedade e quantidade de aves que ali nidifica e passa grande parte da sua vida, e que não sabe que sem ambiente a vida é impossível na terra, pode dizer barbaridades do género "deixem-se dessas conversas de ambiente".
Para sua informação, e caso não se lembre disso, a terra pertence a todos os seres vivos, e não sómente ao Homem. Se há falta de empregos neste país, certamente haverá mais alternativas para os criar sem exterminar ainda mais reservas naturais.
Eu só gostava era de saber os interesses que estão ocultos por detrás desta decisão camarária, radicalmente oposta há de uns anos atrás.
Dizem que ali já não é sapal... vão lá e vejam! Não ficarão com quaisquer dúvidas!
Desde flamingos, vários tipos de garças, colhereiros, patos, passando por todo o género de pequenas aves, terão bem com que se entreter!
Talvez precisem de uns binóculos e de uma mente mais aberta...

Despeço-me deixando a célebre frase do Greenpeace, para meditação:

"Quando a última árvore tiver caído,
quando o último rio tiver secado,
quando o último peixe for pescado,
vocês vão entender que dinheiro não se come".

Rosa Gambóias