sábado, agosto 11, 2007

O FIM DA MERCEARIA (2)


Há um lado humano do comércio que se está a perder com a massificação da grande distribuição, os encontros sociais casuais na mercearia do bairro, na padaria, na drogaria, no café da esquina estão a ser substituídos em Portugal por um comércio agressivo, cientificamente estudado e orientado para o consumo e dominado por grandes grupos económicos transnacionais.

Há um lado humano no comércio tradicional que tem a ver com relações de proximidade e confiança que permite em tempos de crise recorrer, não ao crédito, mas ao culturalmente conhecido como "fiado"...e isso não há memória de ter acontecido ainda nos hipermercados de Belmiro de Azevedo por exemplo.

Dir-se-à que não há saída ou alternativa e que é um sintoma dos tempos, não é assim, é assim porque há um poder financeiro enorme por parte dos grupos de distribuição (ver post de ontem) que por exemplo junto de autarquias endividadas permite fazer alguns milagres pré eleitorais.

Nas cidades da Europa , Estados Unidos , Canadá não existe esta fórmula em que é implantado um (ou mais) grande centro comercial na periferia da malha urbana e que funciona como um tumor para as cidades onde nasce, esvaziando o seu centro, o seu comércio , a sua vida social.

Não é por acaso que cada novo shopping que é inaugurado em Portugal é sempre o maior , ou da Península ou da Europa. Este é um fenómeno muito Português !!! Mas mesmo em Portugal há alternativas a este modelo e mais próximo do modelo Europeu.

Dois exemplos,em Lisboa a Rua do Carmo, Nova do Almada e Garret que têm as tais lojas ditas "de marca" , ancoradas a um centro comercial urbado, Chiado e que aglutina a vida urbana da cidade que comunga com outras lojas de comércio tradicional, o mesmo acontece no Porto com a Rua de Santa Catarina.


Nas pequenas cidades e povoações por essa Europa fora vemos a mesma fórmula, uma rua de peões, agradável e de fácil acesso, se há dimensão para tal, pode até haver um centro comercial, mas de pequenas dimensões e dentro da malha urbana, fazendo parte e funcionando em complemento da rua, mas não algo desgarrado da malha urbana como é o caso do Shopping Montijo, do Rio Sul, do Almada Forum... esse modelo simplesmente arraza o comércio local e desertifica a cidade tranportando o seu comércio para o modelo (low cost) "loja dos trezentos /chinezas" criando cidades desqualificadas, desertas , vazias e sem qualidade urbana e humana.


Compare-se esta formula com a realidade nacional face à Europa, somos um país comparativamente pobre com trejeitos de rico por meio de recurso ao crédito dominado por um sistema bancário altamente lucrativo... É por aqui que vamos?

2 comentários:

Anónimo disse...

"Luís Campos e Cunha, economista e antigo ministro das Finanças, sublinhou à TSF que no caso do agravamento da situação, Portugal pode ressentir-se por contágio através do país vizinho.

O antigo ministro das Finanças salientou ainda que se «o pior dos cenários se viesse a verificar os preços das casas caíam abruptamente, o que poderia levar a falências de empresas ligadas à construção civil e ao sector imobiliário».

O economista adianta que nesta eventualidade muitas pessoas poderiam ficar impossibilitadas de pagar os empréstimos, sendo obrigadas a entregar as casas aos bancos.

Entretanto as bolsas europeias fecharam no vermelho. Lisboa seguiu o tom das principais praças e fechou a perder 2,5 por cento."

in:
http://tsf.sapo.pt/online/economia/interior.asp?id_artigo=TSF182784

Anónimo disse...

Continuo a utilizar o pequeno comércio e para quem viva no concelho do seixal recomendo o Mini Mercado Borges em Paio Pires na rua que vai para o campo do Paio Pires Futebol Clube. O Belmiro de Azevedo à minha conta tinha que ir apanhar caracóis, enquanto eu conseguir fugir à sua gula.A canalhice que quem trabalha para ele sofre é caso de policia. Mas é o nosso Portugal......