terça-feira, agosto 07, 2007

INCÊNDIOS, UMA INDUSTRIA


Os incêndios têm uma época, aquela que actualmente atravessamos, coincide normalmente com uma época do ano em que salvo alguma tragédia, não há noticias de relevo que alimentem os media, pelo que a "época de incêndios" coincide também à falta de futebol... com a época das noticias sobre incêndios.

Como é óbvio e natural e como sempre assim foi, mesmo sem a intervenção humana, o fogo foi uma constante da vida na Terra, de causas naturais ocorrem por descargas eléctricas da atmosfera sob a forma de raios, ou pelo calor extremo... depois vem o desleixo humano, a falta de cautela e as razões culturais (criação de pasto), as razões mentais , as vinganças...

A esse rol de razões , juntaria sobretudo em zonas sob pressão urbana , a destruição do coberto vegetal que impede a construção, para esta avançar .

Nova razão , certamente inteligente , sábia e sustentada é a opinião do vereador do ambiente da Câmara do Seixal, que acrescente ao rol dos suspeitos aqueles que não querem que se construa nas florestas...óbviamente... destruindo-as , gostam estes ambientalistas, tanto das florestas, tanto as querem preservar da construção, que as queimam para nelas não poderem plantar prédios...

Mas quanto a indústrias, para além da industria do dispatrate atrás referenciado, os incêndios alimentam à partida a indústria do tablóidismo noticioso, do quanto pior melhor, do jornalismo de sargeta, das questões pornográficas postas ao cidadão de como se está a sentir enquanto a mulher tem um ataque histérico , a casa arde e os animais para sustento da casa jazem já carbonizados...depois vêm as velhas questões, mostras as chamas, censurar... por aí adiante...

Depois vem a não descurar, a indústria dos meios aéreos, essa tem este ano nova tática, de actuar em fogos nascentes e não só nos casos incontroláveis como acontecia até aqui (o que aliás parece ser uma boa tática)... envolvidos estão neste momento em Portugal 52 "meios aéreos" - para ter uma noção do que são 52 aviões e helicópteros , veja-se que é exactamente o mesmo número da frota actual da TAP... - se isto não é uma indústria...

Há também a indústria da madeira, das celuloses à biomassa...aglomerados , já que o uso da madeira se torna limitado para alguns outros fins , mas que por via da escassez faz também aumentar o preço da madeira não ardida (e Portugal debate-se já de uma assinalável escassez de matéria prima).

Se os Bombeiros são uns heróis obstando a que a tragédia provocada não seja maior, não deixa de ser verdade que há uma indústria ligada aos equipamentos e meios de ataque a fogos...

Para terminar esta análise sucinta, lá vem a indústria do Betão & Mais-valias, aquela que menos Investe mas mais ganhos tem em todo este processo , e será talvez a principal causa de incêndios na Margem Sul. Quase todos os incêndios que têm ocorrido neste e em anos anteriores têm a suspeição de lá ter entrado mão interessada em abrir brechas urbanas, até em zonas protegidas nos Planos Directores e que obrigariam à reflorestação nunca executada...

































O que tem sucedido este ano sobretudo no concelho do Seixal, leva a crer que ou alguém muito desiquilibrado anda a dar cabo de tudo o que é mancha verde, ou que há já mais que matéria para exigir à Policia Judiciária uma investigação
sobre os incêndios ocorridos na Flor da Mata (imagem 1), no Parque Industrial do Seixal (imagem 2), em Paio Pires (Alto dos Bonecos) ou no Casal do Marco (imagem3), tudo isto em frentes urbanas que estão a alastrar de uma forma aparentemente descontrolada e com elevada pressão de construção...


Mas talvez tudo se resuma às palavras sábias do vereador do ambiente e afinal de contas sejam quem não queira a construção que está a queimar o Seixal, mas aí senhor vereador, mande lá a PJ investigar...

1 comentário:

ex-militante disse...

Tudo uma grande farsa, estas coisas não se investigam, uma mão lava a outra.