sexta-feira, maio 12, 2006

SEIXAL - UM HOSPITAL NUMA ZONA PROTEGIDA


Não faltam alternativas para implantar o hipotético hospital, mas porque razão só se fala no único Sitio Rede Natura existente no Concelho?

A anunciada reviravolta no resultado do estudo que anteriormente aconselhava a ampliação do Hospital Garcia de Horta em deterimento da construção de uma nova unidade de raiz no Seixal , – ainda não decidida nem anunciada pelo Governo - “possivelmente a localizar num terreno público no Fogueteiro” acaba por ser acima de tudo o premiar ( e legitimar) do erro que é o modelo de desenvolvimento aplicado a toda aquela região, de tal forma que o único argumento para construir um novo “hospital” é unicamente o de que “ as dificuldades de circulação a certas horas do dia, podem exceder os tempos de demora aceitáveis para o acesso a uma unidade hospitalar, nomeadamente em situações de urgência”.

Espera-se que a comissão que avaliou a construção de um novo hospital baseando-se neste factor de má mobilidade e mau ordenamento , tenha contado com um novo IC(32) que passará a Oeste da actual A2 a menos que se considere que esse IC32 não descongestionará a A2 no troço Fogueteiro-Almada nem facilitará a mobilidade entre os concelhos de Almada e Seixal e não facilitará também a ligação de Sesimbra a Almada (seria assim, talvez melhor não o construír!!!).

Se há lacunas deste tipo no estudo (tal como a que não conta com a faixa de emergência na autoestrada - ? - ) está-se levianamente a delapidar o erário Publico e a contribuir mais uma vez para encobrir a incompetência de autarcas na gestão do território , neste caso com o custo de um novo “hospital” – com pequenas dimensões, e com serviços orientados para o hospital de dia, o ambulatório, a reabilitação e os cuidados materno infantis - quando faria mais sentido e teria menores custos e melhor atendimento, uma ampliação do Hospital já existente (HGH) com todas as valência e em pleno funcionamento, assim é dele que Seixal e Sesimbra continuarão dependentes... se as valência vão ser só aquelas anunciadas e reduzidas, então o problema de mobilidade para o Garcia de Horta continua real e este hospital não vai resolver seja o que fôr no argumento utilizado para o justificar.

A decisão normal num país normal, rico, desenvolvido e ordenado seria aquela que resultou do primeiro estudo, como não somos nada disso, a decisão “correcta” será mesmo construir um novo hospital mesmo se minimalista em termos de valências acarretando sempre uma dependência do Hospital Garcia de Horta – Mas o que terá contribuído para uma alteração tão radical nas conclusões do estudo da Escola de Gestão do Porto?

Outro factor que se continua a estranhar é o facto dado como consumado de que a localização será o Fogueteiro. Ora aquela localização insere-se num Sítio Rede Natura 2000... Enquanto o concelho do Seixal se expande em todas as direcções, é realmente estranho que o único lugar apontado seja uma zona sob protecção ambiental... sobretudo quando no Seixal se fala na reconversão dos terrenos da antiga Siderurgia (200 ha) que receberão uma operação de reconversão à semelhança da operada na zona de intervenção da Expo 98 onde no caso, para além de habitação, tal como está projectada para o Seixal, se construíu também um Hospital (o CUF Descobertas) ,este local do Seixal teria a vantagen de servir em proximidade também a freguesia mais populosa de Sesimbra (Quita do Conde) e o concelho vizinho do Barreiro pela ponte que será construída em breve e que permitiria que esta pequena unidade hospitalar do Seixal funcionasse também em ligação e complementaridade com o Hospital do Barreiro.

Outras zonas poderiam igualmente ser tomadas em consideração para a construção deste “hospital” , até por vir a ser não um Hospital com todas as valências como já referimos – tal como os criticos da construção temiam - uma “pequena unidade de proximidade” . Ela deveria , pela estrutura anunciada, não estar inserida no meio de uma floresta (protegida) mas mais entrosado com a malha urbana , opções seriam zonas já condenadas à urbanização como a zona da Quinta da Trindade, Quinta do Outeiro na zona dos futuros Paços do Concelho , ou na Amora junto ao novo hipermercado LECLERC em construção ou ainda na zona de expansão urbana para S.Marta do Pinhal ou zona dos antigos areeiros e porque não dado o lobbye do PCP nesta questão, na Quinta da Atalaia ?...Porque são sempre as zonas verdes virgens e protegidas a ser sacrificadas?

É que se a razão apontada para a construção deste hospital é a acessibilidade, não se compreende que quem defende a localização do Fogueteiro não tenha ponderado o congestionamento brutal da Estrada 378 – Fogueteiro –Sesimbra, isto ainda sem ter sido construído o Eco-Resort da Mata de Sesimbra, este congestionamento da EN 378 é bem mais problemático que o congestionamento da A2 que tem faixa destinada a emergências, outro ponto ignorado nesta revira-volta decisória...

Fico também curioso de ver também como coexistirá num mesmo Sítio Rede Natura 2000 um local de protecção ambiental definido por regulamentação comunitária, e duas centrais de betonagem, uma delas acabada de instalar...e agora um Hospital...

No meio de tudo isto sobra o engano e a hipocrisia dos que incitam à luta pela manutenção das Maternidades no interior equiparando-a à agitação popular do PCP no Seixal, quando uma é consequência directa da outra, é por o interior se desertificar em função desta suburbanização de zonas como as do Seixal (premiado com a construção de um pequeno hospital) que no interior fecham maternidades ...nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

10 comentários:

Anónimo disse...

"Agora, a mesma equipa justifica a inversão na proposta com a «única objecção razoável» ao alargamento do Garcia de Orta: os problemas de acesso rodoviário ao actual hospital."

É o que acontece quando a manta é curta: saem, por enquanto, vitoriosos os do Seixal e descobre-se a careca aos de Almada.
É o que acontece quando se querem alcançar( leia-se demonstrar ao seu público alvo) resultados rápidos...

antonio disse...

se o actual hospital de almada tem problemas de acessiblidade é porque sempre que se constroi algo é tudo á balda. o proximo hospital no Seixal, se for construido também vai ser á balda.

m.salvador disse...

Falta seriedade a esta autarquia do Seixal, parece que ganharam um jogo qualquer, construir um hospital também implica ordenar e não parece que é o que estão a fazer pondo o hospital numa zona protegida. Outras soluções de localização têm que ser postas na mesa!

Anónimo disse...

ICN “chumba” Mata de Sesimbra


O Plano de Pormenor da Zona Sul da Mata de Sesimbra, em fase de consulta pública, integra 1.200 hectares do Parque Natural da Arrábida, o que o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) considera uma violação da lei. Os técnicos consideram que não existem razões que justifiquem a elaboração de um plano de pormenor naquela área do Parque Natural, pelo que a proposta configura uma «usurpação do poder da administração central pelo poder local».

«Face ao exposto, emite-se parecer desfavorável, devendo o PPZSMS confinar-se à área territorial exterior aos limites do Parque Natural da Arrábida», refere o documento. Segundo declarações da directora do PNA à Lusa, o PPZSMS «não respeita os parâmetros do Parque», já que estes 1.200 hectares são sujeitos a um regulamento distinto.

Para a directora do PNA, o plano de pormenor «não tem em conta os nossos parâmetros. Ao considerar esses 1.200 hectares como zona "non aedificandi" permite-se um aumento dos índices de construção nos terrenos confinantes. O interesse de incluir esta área no PPZMS é precisamente aumentar os índices, porque o que conta é a zona global». A responsável acrescentou que «há áreas em que se pode construir dentro dos parâmetros do Parque».

O parecer alude ainda à «violação da lei por desrespeito do princípio da hierarquia e da conformidade na relação existente entre o PPZSMS e o Plano do Parque Natural», já que o regime especial de ocupação, uso e transformação do solo nesta área protegida sobrepõe-se aos planos municipais de ordenamento do território e deve ser respeitado por estes.

A lei impõe assim a nulidade aos planos elaborados e aprovados em violação de qualquer instrumento de gestão territorial com o qual devessem ser compatíveis. No entanto, o documento relativo à Mata de Sesimbra que se encontra em consulta pública continua a incluir os 1.200 hectares do Parque Natural da Arrábida.

«A Câmara alega que o acordo celebrado entre o Estado, o município de Sesimbra, a Aldeia do Meco, S.A., e a Pelicano, S.A., relativo à Mata de Sesimbra incluía esta área, mas esse não é o nosso entendimento», salientou Madalena Sampaio.

A responsável do PNA adiantou que, apesar da consulta pública estar a decorrer sem haver um entendimento prévio quanto à parcela do PNA incluída no PPZSMS, «terá de haver posteriormente uma fase de concertação entre as entidades da administração local e central para conciliar estas divergências», já que o parecer do ICN é vinculativo.

O PPZSMS prevê a construção de uma "eco-cidade" com 8.000 alojamentos e capacidade para 30 mil pessoas numa zona florestal com cerca de 4.800 hectares. O projecto obteve o aval dos ambientalistas do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), por considerarem que o projecto oferece garantias de sustentabilidade, mas foi "chumbado" pelas principais associações ambientalistas portuguesas.

O projecto da Mata de Sesimbra, promovido pela imobiliária Pelicano, é o primeiro de uma série de empreendimentos que a One Planet Living (entidade parceira da WWF) pretende desenvolver nos cinco continentes para mostrar que é possível construir habitações e espaços de lazer sem prejudicar o ambiente e a conservação da natureza
2006-05-12 / 16:42
/www.regiaodesetubalonline.pt

Anónimo disse...

Hospital na Quinta da Atalaia Já!

nunocavaco disse...

Até com o hospital encalham. Irra, santa ignorância. Falar no nome do P.C.P. e liga-lo de qualquer forma ao fecho de maternidades é no mínimo de uma falta de vergonha muito acentuada. No ar só uma reflexão, se a regionalização fosse uma realidade se calhar metade destes problemas não se passavam. Quem fala de ordenamento do território sem falar de regionalização é porque não conhece as leis nem para que foram criadas e aí amigos se alguém tem culpa não é o P.C.P., antes pelo contrário.

Anónimo disse...

A sua regionalização senhor Cavaco já está a funcionar na Margem Sul com esta ditadura reinante da CDU, só falta construír um Muro de Berlim.

AV disse...

Istala-se em zona protegida porque, por paradoxal que pareça, é mais barato e fácil.

AV1

AV disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
AV disse...

Ó Nuno, deixe-se da treta do costume, que a culpa nunca é de quem faz é de quem está lá em cima.
Por uma vez, sejam homenzinhos e assumam a ruptura com práticas de outros camaradas vossos, mais velhos, e que tinham outro entendimento das coisas.
Agora vocês são tão modernaços como qualquer PSD ou PS que por aí anda.
As diferenças são cada vez mais difíceis de perceber na Área Metropolitana de Lisboa.
Até já partilham todos a mesma cassete.
A culpa é das leis, a culpa é de não haver regionalização, a culpa é de todos menos de vocês.
Irra que já é hipocrisia a mais.
Para não falar, no caso da bela Moita que tão bem conhece e assessora, de pura e simples incompetência política.

AV1