sexta-feira, abril 14, 2006

BAIRRO SOCIAL ... NA PRAIA














Do Região de Setubal on line, o artigo de Claudia Veloso que pode ser aqui lido na íntegra (clique) :

A construção de um bairro social na Mata de Santo António, na Costa de Caparica, está a provocar a revolta dos moradores, que acusam a Câmara e a CostaPolis de «premiarem» quem constrói uma barraca clandestina. O concurso para adjudicação da obra já está lançado e prevê que nos 14,5 hectares se construa um núcleo de dois edifícios em banda, para além de equipamentos desportivos e de lazer.

Uma «verdadeira injustiça» para os proprietários, considera Pedro Félix, da Comissão de Moradores. «Não temos nada contra o realojamento, mas existem outros terrenos onde podia ser construído o bairro social», afirma. A proposta já tinha sido contestada na fase de discussão pública do Plano de Pormenor, com um abaixo-assinado que reuniu cerca de quatro mil assinaturas. «Não serviu para nada, ignoraram a opinião de quase metade dos moradores de toda a Costa de Caparica», lamenta.

Aquela que consideram ser «a zona nobre» da Costa, com a «melhor praia» da região, devia ser preservada. «Vão destruir o pouco que ainda há na Costa», critica, defendendo para a zona «apenas» a requalificação da mancha verde e a criação de equipamentos desportivos e de lazer. Para que o projecto avance, falta apenas a assinatura de um protocolo de cedência de terrenos entre a Junta, a CostaPolis e a Câmara, cuja minuta já foi aprovada.

«Finalmente há condições para que o Polis saia do papel e não há razão para atrasar mais o processo», considera o presidente da Junta. «A Costa de Caparica bateu no fundo, e se continuarmos com construção clandestina e total desorganização urbanística, é melhor fechar a porta», comenta António Neves. A preocupação é «tentar encontrar uma solução de compromisso que minimize os impactos negativos daquela construção». De resto, considera, «é preciso coragem política para avançar» porque um bairro social é «um mal menor».

Diferente entendimento tem a comissão de moradores, que está a equacionar o lançamento de um novo abaixo-assinado e a reactivação da antiga Associação Costa Amada, para que possa recorrer aos tribunais.

Para a Câmara, no entanto, não há razão para esta apreensão. A solução é «das mais modernas e avançadas», defende o vereador António Matos. Do ponto de vista arquitectónico, garante ainda, o projecto está «muito bem feito» e vai permitir «implementar o princípio da diversidade social»

5 comentários:

Dae-su Oh disse...

Se há projectos assassinos, este é um deles, deve haver interesses maiores que se sobrepõem.

Feliz Páscoa

martin salvador disse...

Beneficiar o infrator, uma pouca vergonha, primeiro constrói-se uma barraca no dominio publico ou onde não é permitido construir, depois á custa dos impostos dos que respeitam a lei, constróem-se apartamentos em zonas onde o comum pagador de impostos está impedido de ter uma casa paga a peso de ouro. Isto não é descriminação positiva, isto é gozar com o povo!

robert disse...

É incrível como hoje em dia qualquer projecto controverso na Península de Setúbal é "inovador", "moderno", "único a nível mundial", etc.

Estou farto de inovar a construção de habitação social a quem não merece em plena duna e com vista para o mar, do hipermercado mais moderno do país (!?), e daquelas eco cidades únicas no Mundo e em Júpiter, onde nos querem piscoticamente fazer crer que dezenas de milhares de fogos não vão ter impacto nenhum numa área ambientalmente sensível!

Estes e muitos mais atentados aconteceram ao longo dos anos, porque pelos vistos "nos outros concelhos da margem norte também os há". Ah ok, então está tudo bem e vivemos felizes para sempre.

E já agora, questiono a mudança de opinião do Presidente da Junta da Costa da Caparica, o engenheiro António Neves, que até à uns tempos era acérrimo opositor a este projecto de habitação social em plena mata.

Qual a contrapartida para a mudança de opinião ?

Anónimo disse...

Ainda vou a tempo de fazer uma barraquinha e depois dão-me um apartamento com vista para o mar onde mais ninguém pode construir por ser uma zona protegida? Pode ser até um TO , OK:

AV disse...

Na Margem Norte, o Judas também fez coisas muito "interessantes" nesta matéria, enquanto andou por Cascais.

AV1