sexta-feira, abril 11, 2008

LAVÁMOS TODOS A MEMÓRIA DAS NOSSAS ORIGENS?





O que transborda de unanimismo e preguiça cívica na sociedade portuguesa , falta-nos em exemplo ou exigência.

Vem isto a propósito da construção do novo aeroporto e da nova travessia sobre o Tejo.


Quero eu voltar a sublinhar que considero demasiado perigoso o unanimismo sem contrapartidas ou exigência a que aparentemente se chegou com a decisão de construção destas duas infraestruturas.

Querem-nos convencer tanto da sua inevitabilidade , como da razão da sua escolha ou do seu factor de criação de riqueza e para isso utilizam uma técnica básica de vendas , o da promoção por tempo limitado , aquela do "compre antes que esgote " ou "só hoje!"...já estamos atrasados...


Esse stress da decisão urgente faz-me desconfiar, primeiro porque evita a discussão, depois porque tudo justifica , incluindo a ausência de estudos de impacto ambiental.

A ser necessário construír um novo aeroporto , até que estou de acordo com a localização escolhida , mas será mesmo de facto necessário ?

O excelente aeroporto que nasceu das cinzas do Pedras Rubras faz-me pensar que talvez alguém ande a sabotar a Portela ... ah! mas não há tempo a perder , muito menos para pensar ou exigir , pensar que o tráfego actual (preço do petróleo, taxas de carbono, recessão das economias europeias e USA...) pode até diminuír drásticamente e que por esse factor as low-cost até se extingam - lembram-se da Panamericam ou da TWA , da Swissair ou da Sabena ? - e nada disto é infelizmente impossível...


O mesmo se aplica à nova ponte!!! Justifica-se e "é urgente" criar uma ligação ferroviária com valências totais , carga , TGV, comboio suburbano e Metro Ligeiro ... mas é cecessário ser em ponte ?
Mas é mesmo necessário ser em Ponte Rodo-ferroviária ?
Mais uma vez "não há tempo" para analizar...para pensar...


Bom então se não há tempo para isso , se com todas as pressas já está decidido , se há um unanimismo total e uma excitação geral nos autarcas da Margem Sul deixem-me então terminar lembrando mais uma vez o seguinte !


A construção destas estruturas será paga pelos cidadãos europeus e pelos cidadãos nacionais independentemente da sua origem ou local de residência, a maioria deles nunca vai usar estas estruturas ou beneficiar directa ou indirectamente delas!
Nós , residentes na Margem Sul e em Lisboa, antes pelo contrário, vamos beneficiar delas e largamente .

- Não é então moralmente aceitável que a nossa contrapartida como directos beneficiários , seja garantir que outros valores são respeitados , começando pelo controlo financeiro da obra e dos seus prazos e acabando na exigência de apurados estudos de impacto ambientais com minimização de consequências adversas garantindo a sustentabilidade ambiental local, da região e do país apesar da obra ?

- Não é moralmente aceitável que se exija dos autarcas rigor e garante da defesa do ambiente e do património construído e que não cedam perante as pressões urbanas que apenas beneficiam alguns , incluindo os próprios autarcas?

Penso que estes dois pontos é o minímo moralmente exigivel perante o País e perante a Europa . É caso para perguntar, se ainda há moral na politica ?
Há que corrigir o unanimismo sem exigência em que mergulhámos em extâse com a nova ponte !


Acordem "oposições"! Os outros já sabemos ao que andam !
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POST SCRIPTUM

O post de ontem "Agradecimento" nasceu da atitude arrogante de uma declaração do presidente da RAV no programa "Prós e Contras" para este técnico, uma diferença de "sessenta ou setenta milhões de euros" no orçamento era "desprezivel" , isto somado á atitude quase infantil dos presidentes de Câmara e da Ass.de Municipios de Setubal e da AML .

- Quanto, por sessenta ou setenta milhões de euros se poderia fazer no "interior" para melhorar as condições de vida dos residentes e fixar novos residentes?

- Quanto no "interior" se poderia fazer em educação, com o dinheiro gasto em rotundas, fogo de artificío e propaganda nos Municípios da Margem Sul ?

- Quanto se poderia fazer em transportes nas aldeias do "interior" com o dinheiro que diáriamente está a ser desperdiçado no funcionamento "faz-de-conta" do Metro Sul do Tejo ?
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Aqui (clique) um filme, nada leve, para o fim-de-semana.

9 comentários:

Anónimo disse...

O GOVERNO E AS AUTARQUIAS QUEREM É GANHAR DINHEIRO A URBANIZAR A QIMIPARQUE A SIDERURGIA E A LISNAVE, ATÉ METERAM O COELHONE NUMA CONSRUTORA! LEMBREM-SE , QUEM SE METE COM O COELHONE LEVA! PERDÃO QUEM SE METE COM A SOMAGUE LEVA! OU SERÁ - QUEM SE METE COM O PS LEVA?

residente disse...

Os oportunistas estão a aproveitar o vento favorável dos governantes para se governarem.
Até há ex-governantes que são excelentes exemplos pelas suas funções actuais no privado.
Autarcas há que aproveitam a boleia.
Quem vier atrás ou cá ficar, apaga a luz.

Manuel Rocha disse...

Diz muito bem e subscrevo.

Mas há uma questão nesta análise que, convenhamos, não facilaria a governança por muito bem intencionada que ela fosse, a saber, a vontade generalizada de manter niveis de poder de compra e de consumo elevados, coisa que não se obtém sem as famigeradas politicas de crescimento económico de que os investimentos públicos em questão são importante motor.

Há pois aqui um ciclo vicioso complexo com pouco espaço para a refexão heterodoxa.

A resposta à pergunta que dá o timbre, acho-a fácil : "óbviamente, lavámos"!
Por isso é "curto" responsabilizar governantes e autarcas, que de resto são apenas "amostras" de quem somos, certo ?

:))

Ponto Verde disse...

Exacto ! E só vão até onde lhes deixamos ír , só que andamos, uns , muito alheados,outros , da mesma massa acham que fariam o mesmo se tivessem a oportunidade, outros esperam que mude a côr , para fazerem o mesmo , eu por cá , por não me identificar com nenhum deles, vou protestando e esperar que haja ainda alguma moral e decência.

Quanto ao betão motor da economia , discordo, há outros motores, mas é claro, com outros protagonistas.

Operário Corrosivo disse...

Então e agora?! Já não há argumentos para estropiar o dinheiro da autarquia em campanhas contra o governo. Pelos vistos, 3 decadas depois, comunas e poder central entram em acordo...

São os chamados amigos às direitas!

Anónimo disse...

UM MOV.CIVICO JÁ!

Anónimo disse...

É realmente urgente que nasça um movimento cívico a sério. Os problemas da margem sul são tantos e tão graves que não é mais possível suportar esta situação de braços cruzados.
O movimento cívico pode nascer com os partidos da oposição não tem de os excluir. A sua participação é importantissima sem contudo se limitar apenas a cidadãos com filiação partidária. Bem pelo contrario que nasça um movimento aberto a todas as pessoas que nele queiram participar de boa fé e que a sua motivação seja a melhoria da qualidade de vida da população.

Anónimo disse...

Paulo Edson, Samuel Cruz, Fonseca Gil entre outros estão em situação priviligeada para avançarem com um movimento cívico possuiem as estruturas partidárias que tanta falta fazem para dar apoio nestas iniciativas. Esta nova geração de políticos tem todas as condições para mudarem o rumo das coisas. São pessoas inteligentes, cultas, informadas, solidárias, interventivas e com um profundo sentido de cidadania. É preciso tomar a iniciativa os apoios não faltarão. Estamos muitos desejosos de nos livrarmos da ruina que é Alfredo monteiro e os seus lacaios.

Anónimo disse...

Ontem já era tarde!