sábado, fevereiro 03, 2007

AMBIENTE NAS PRIMEIRAS PÁGINAS















A apresentação, ontem em Paris , das conclusões do Painel das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, veio alertar mais uma vez para as culpas do Homem e dos seus comportamentos nas suas causas e consequências. Daí que tenha sido dado pela imprensa, um inusitado destaque a temas de Ambiente que estarão cada vez mais na ordem do dia.

Um destaque também para a entrevista do Ministro do Ambiente à TSF e DN, senão pelo conteúdo, pelo menos para mostrar que o Professor Nunes Correia é ministro daquela pasta...

Destaco também o Editorial de hoje do Diário de Noticias sobre o tema da semana:

Socorro!


António José Teixeira




As alterações climáticas derivadas do aquecimento global já não são assunto que apenas sensibilize os ortodoxos do ambiente. Esta é uma das alterações qualita-tivas do debate sobre o futuro do planeta. O relatório dos peritos da ONU divulgado esta semana confirma todos os indícios alarmantes conhecidos e deixa a certeza de que a tendência futura é de agravamento. A subida da temperatura, o degelo das calotes polares, com a consequente elevação do nível dos oceanos, e a desregulação crescente dos fenómenos meteorológicos são algumas das consequências visíveis. Não são cenários do amanhã. Estão aí. A erosão crescente da costa, as cheias mais abundantes ou os furacões mais numerosos já fazem parte do presente. O tempo urge e é precisa acção política consequente, mais do que as habituais palavras preocupadas.

O Protocolo de Quioto foi o primeiro instrumento internacional para combater o aquecimento global. Se os seus subscritores o cumprirem (já são 136 países), espera-se uma redução de 5,2% das emissões de gases poluentes. Será um avanço, mas curto. Os principais estados poluidores - os EUA, a China e a Índia - estão de fora. Ainda hoje, apesar das evidências científicas, se gasta dinheiro a tentar inculcar a ideia de que o aquecimento global é uma manobra de ficção.

A evidência científica deve obrigar-nos a todos a novos comportamentos. É necessária uma maior exigência política que obrigue ao cumprimento de regras mais compatíveis com as possibilidades ambientais. O uso mais racional da energia, seja na indústria automóvel ou na construção de edifícios, é decisivo para atenuar os desequilíbrios.

Jacques Chirac apelou ontem, na Conferência Internacional de Paris para uma Governança Ecológica Mundial, a uma revolução. Chirac diz que o tempo não é para meias-medidas. Propôs uma organização das Nações Unidas para o ambiente, tal é a dimensão do desafio. Durão Barroso lembrou as mais de 400 convenções e protocolos ambientais que não são coerentes e precisam de ser coordenados. Há muito a fazer em termos de acção política.

Não é apenas Chirac que percebeu finalmente o risco que enfrentamos. Tony Blair juntou-se a Al Gore no debate sobre as verdades inconvenientes que desagradam a muitos negócios. George W. Bush fez uma referência ao ambiente no discurso do estado da nação. É um pequeno passo. Talvez um começo. Os EUA são importantes para a reviravolta no modo de vida mundial. Como diz o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, "os EUA são suficientemente fortes para estabelecerem uma agenda internacional, mas demasiado débeis para aplicar essa agenda à escala global". O esforço que é pedido é político e é global. Até porque os custos humanos e económicos da inacção são já brutais e vão agravar-se.
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Entretanto continua a saga na Moita, artigos no DN e Publico

2 comentários:

Paulo Sempre disse...

Ambiente....uma estranha realidade.
Bom fim de semana.

Anónimo disse...

Será que na Baixa...da Banheira já aceitam as alterações climáticas?