sexta-feira, setembro 02, 2005

PROPOSTAS VERDES PARA A MARGEM SUL - HORTICULTURA E CIDADANIA


Propostas verdes e humanizantes para a Margem Sul



O Vereador do ambiente Rui Sá, eleito pelas listas da CDU e candidato CDU à Câmara Municipal do Porto tem participado no importante projecto da criação de hortas sociais, no inicio deste ano Rui Sá esteve presenta na inauguração da "Horta da Condominia" na freguesia de Lordelo que disponibilizou 25 talhões individuais, em simultâneo com um espaço de lazer com bancos e mesas.

Aos municipes interessados estão a ser ministradas acções de formação em torno da temática da compostagem e agricultura biológica. Esta "Horta da Condominia" fará parte de uma rede de hortas comunitárias que se alargará segundo a vontade da autarquia, aos Bairros do Regado e Piuo XII, e que constitui um trabalho desenvolvido no âmbito do Projecto "Acção Local XXI" estabelecido entre o pelouro do Ambiente e as organizações Cívicas mais representativas da sociedade civil do concelho do Porto.

Na Margem Sul o que é que temos? Uma agricultura que pouco mais é que de subsistência nas zonas mais rurais de Alcochetre , Moita, Montijo e mesmo Barreiro e quase que o enjeitar ou ignorar deste tipo de ocupação ludica e social por parte das autarquias de Almada e Seixal, que parecem envergonhadas daquelas actividades da iniciativa dos seus municipes .

Em Almada assiste-se sobretudo ao desenvolvimento de tarefas agricolas por parte da população de origem Africana na zona entre a malha urbana de Almada e o Plano Integrado de Almada - PIA (Picapau Amarelo) que nos transporta no espaço com o cenário surreal das torres em fundo.

PIA - População Africana traz as suas raizes agricolas para a malha urbana , um espaço priveligiado de integração e assimilação.

No restante concelho de Almada o avançar do Betão e a cada vez menor existência de baldios tem praticamente feito desaparecer este "hobby" para uns, importante complemento social para outros.

No Seixal por sua vez há ocupação de espaços abandonados dos seus seculares fins agricolas um pouco por todo o concelho, mas comportando parcelas minusculas onde pouco mais se produz que um ramo de salsa ou algumas alfaces. No que respeita aos espaços maiores e com mais hortas e ocupantes, surgem associados dois graves problemas de saúde publica, as hortas junto à antiga Fábrica de Lanificios da Arrentela entre o Fogueteiro e a Torre da Marinha, que são irrigadas com o esgoto a céu aberto que é o Rio Judeu.

E por outro lado temos as hortas junto à Siderurgia , Quinta da Cucena , irrigadas com àguas depositadas nas lagoas de hidrocarbonetos da Siderurgia, carregadas de poluentes e metais pesados. A criação de hortos comunitários , seu fomento e apoio parece não ser politica de
nenhuma das Câmaras a Sul do Tejo.


Hortas junto à Fábrica de Lanificios da Arrentela (primeira imagem, foto de um colaborador) e Siderurgia Nacional, mais dois caso de saúde pública que de horticultura biológica..



Este modelo de micro-agricultura social é defendida por Gonçalo Ribeiro Telles , tal como a existência destes locais da cidade ocupados por pequenos espaços horticolas que se tornam ao mesmo tempo locais de lazer e de complementariedade à economia doméstica.

Na A.M.L. Ricardo Sá Fernandes candidato B.E. à Câmara de Lisboa parece ser o único a defender no seu programa, abertamente e como bandeira da sua candidatura, o fomento e a criação desses espaços verdes.

6 comentários:

Anónimo disse...

As Hortas sociais estão nas ideias a desenvolver pelo actual executivo na revisão do PDM

Anónimo disse...

Infelizmente o Betão tem invadido sem lógica qualquer tipo de solo, aquele em só nasce uma esteva (quem é que ainda sabe o que é uma esteva?) ou o mais fértil solo agricola.
O lado do dinheiro é que interessa, se o terreno tem caracteristicas férteis, vá de lá pôr um campo de glfe, se é de aluvião, só não se plantam prédios se não puderem.
Na margem Sul encaixaram gerações de gente que sempreviveu no e do campo em blocos de apartamentos onde da terra só podiam contactar com meia duzia de vasos em varandas minusculas isto antes delas serem transformadas em marquizes de aluminio.
As hortas sociais são de extrema importância como o texto refere, não só como ocupação, mas como fonte de produtos biológicos e logo equilibrio das finanças familiares num tempo que começa a ser negro com as pensões que auferimos.
José Rapazote

Anónimo disse...

Está-se a esquecer das Terras da Costa de onde provêm a maior parte das hortaliças e legumes que abastecem o Jumbo de Almada e outros mercados. Em relação ao Seixal, este começou com um projecto, que acho que já acabou, sobre a compostagem, quer nas escolas quer nas moradias. Embora ache que o nº de moradias abrangida seja insignificante perante o nº de municipes que habitam o concelho, é de louvar estas pequenas e poucas iniciativas que a CMS tem.

Anónimo disse...

É verdade que a zona dos Lanificios da Arrentela está destinada a mais um projecto imobiliàrio e a uma grande superficie?

Roberto Leão

Anónimo disse...

Este post demonstra desconhecimento pois existe uma zona de hortas sociais na Quinta das Sementes, na Cruz de Pau, a qual é propriedade da Câmara.

Fernando Pena disse...

Pedia-lhe a justiça de reconhecer que, em 4 anos de Assembleia Municipal de Almada, um partido defendeu insistentemente a agricultura urbana como parte fundamental de um novo e urgente modelo de ordenamento. Mesmo face à incompreensão (próxima da zombaria) das restantes bancadas.

A simples leitura das actas ou dos documentos apresentados pelo CDS-PP permitirá ver que, em repetidas circunstâncias, foi proposta a inversão de um desenvolvimento a retalho, fundado no betão e nos salpicos de relva, e a adopção de uma gestão moderna dos sistemas natural e edificado.

Este é, aliás, um ponto fulcral do programa eleitoral do CDS para as Autáquicas de 2005. Que pode ser muito mais efectivo se, aqueles que se identificam com essas ideias , e sem complexos ideológicos, nos derem a força necessária. E que não nos deixem sós a remar contra a inevitabilidade da decadência urbana para que nos têm conduzido.

Fernando Sousa da Pena
Deputado Municipal do CDS-PP