terça-feira, setembro 06, 2005

ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA - O PRINCIPIO DO FIM


















Na imagem, Santa Marta do Pinhal, no canto inferior esquerdo ainda se percebe qual o tipo de urbanismo, unifamiliar, de baixa dimensão desejado -pelas pessoas - para substituir o campo, certamente de quem buscava o contacto próximo com a natureza e com as suas raizes, no resto da imagem, o que os urbanistas, empreiteiros e autarcas cozinharam, uma Sto.António dos Cavaleiros da Margem Sul - a urbanização nasceu na absoluta lógica canibalizadora da via Férrea FERTAGUS.

É nossa posição, já por algumas vezes aqui elencada,de que este modelo assente na construção civil e especulação imobiliária está no FIM... acabou... Kaput!

Basta viver na Margem Sul olhar em volta e usar a memória para ver que há prédios inteiros (novos) há anos em venda, ou à espera de serem acabados. Há milhares de apartamentos usados á venda, alguns com o anúncio já desbotado e imperceptivel.Há moradias por exemplo na rota da praia, em Belverde também à venda há anos. Por outro lado o acesso ao crédito é cada vez maia facilitado.

Há diversos artigos assinados por ilustres economistas internacionais, analisando a "conjuntura" imobiliària na Europa e Estados Unidos e alertando para a eminência de um "crash" no sector, não são só trabalhos jornalisticos para os quais também já alertaámos recentemente como os publicados na Economist, são alertas vindos do FMI e da Reserva Federal Norte Americana, se há quem insiste em fazer crer que Portugal e a economia portuguesa nada têm a ver com esta especulação imobiliária, autores há que se têm dado ao trabalho de reflectir sobre o tema e enquadrá-lo nos referenciais nacionais, saliento dentro desse esforço o excelente artigo do Professor Adelino Fortunato publicado no PUBLICO do passado dia 30 de Agosto e que transcrevo alguns excertos, recomendando a leitura total deste trabalho:

"(...) o que é especificamente português é a forma irracional do ponto de vista urbanistico, ambiental, cultural e social de muitos projectos dos operadores do mercado imobiliário, que se desenvolvem na base de cenários sem expectativa nem fiabilidade, e cuja incongruência se combina fácilmente com a falta de capacidade politica, técnica e cultural das autarquias e do governo central.

Do ponto de vista autárquico (temos) o seu sistema de financiamento e incentivos (...) o esquema preverso, porque se alimenta dos projectos de loteamento e respectivos impostos (...) confere aos promotores privados uma capacidade de influência sobre os processos de urbanização e de edificação(...)

O resultado está à vista em termos de elevado desordenamento do território, perda de valores ambientais relevantes, destruição do equilibrio tradicional de muitos locais e desertificação e descaracterização cultural de muitas outras (...)

(Governo Central e Partidos politicos) ... há uma incapacidade em conjugar preocupações de desenvolvimento sustentável, inscritas em muita legislação portuguesa, desenvolvida a partir de directivas da União europeia, com as decisões politicas que muitas vezes a contradizem...exemplos...Freeport de Alcochete (...) e Mata de Sesimbra (...)

Para além da insustentabilidade ambiental, o actual modelo vai conduzir muitos agentes e autarquias financeiramente mais débeis a confrontar-se com erros de apreciação. Quando o movimento de descida e contracção das margens de lucro se fizer sentir (...) o Pânico pode invadir o mercado. Bastará uma pequena subida das taxas de juro e a cobrança a sério dos impostos e taxas municipais para que alguns pequenos aforradores se tentem livrar das segundas e terceiras habitações acelerando a tendência para a baixa de preços.

Nessa altura, as autarquias vão coleccionar um monte de betão abandonado e desvalorizado, que não gera as receitas por elas antecipadas. Eis um desenlace possivel de uma das maiores bolhas especulativas da história economica."

7 comentários:

João Afonso disse...

Não entendo as Câmaras comunistas da margem sul do tejo são tão más, e o Prof. Adelino Furtado para apresentar maus exemplos de urbanismo na margem sul do tejo vai a Alcochete e a Sesimbra, ou seja a duas câmaras socialistas... Pelos vistos, e como em Outubro temos que escolher entre os comunistas e os socialistas, o melhor é escolhermos os comunistas pois os socialistas são bem piores!

Anónimo disse...

Essas CÂmaras nem nunca foram comunistas!! Tem um passado e historial socialista ah pois é!!

Anónimo disse...

O professor Adelino Furtado deve ter casa em Almada ou Seixal!! lol

raposa disse...

Este senhor João afonso, ou que se assina como tal , já devia pelas vezes que "por acaso tem vindo a este blogue" ter compreendido que o nivel das opiniões e dos textos vão mais além que as asneiras que aqui deixa como testemunho.

Anónimo disse...

Esse primeiro sennhor dos comentários nem sequer leu o texto, quer é que continuem a votar CDU para guardar algum tacho , e para ele pouco importa que os camaradoas a quem disseram que viver no Seixal e Arredores era bom e ai deviam investir uma vida de trabalho, mas, afinal pela expeculação e pela politica da CDU podem vir a perder tudo, é disso que fala o texto que esse senhor nem deve ter lido pois troca Prof.Fortunato com Prof. Furtado, cambada de ignorantes que pensam que o povo é uma massa de anormais e analfabetos.

Anónimo disse...

É arrepiante olhar para este tipo de fotografias. O que fizeram nesta espécie de cleptocracia nestes 30 anos de rédea solta...
Infelizmente, não é só na margem Sul, mas é verdade que por aqui e pela periferia de Lisboa é um exagero. Que espécie de qualidade de vida têm as pessoas a viver assim? Só cimento de má qualidade, não há uma árvore não há nada.
Para o partido comunista (e outros que tais), a lógica do quanto pior melhor é a única que funciona. É nesse "espaço político" que chafurdam. A única coisa que os mantém a flutuar é este país ser o que é. Se tivesse evoluido, como previsto e como o povo merecia, já tinham desaparecido há muito, ou pelo menos evoluido também.
Mas não. Os desgovernos sucessivos faces da mesma moeda, na prática, são mentirosos relapsos e pouco melhores que os comunistas. Os incêndios são uma face visível do problema, mas o resto é igual e assim chegamos a este ponto.
A fábrica de fealdade, como alguém já lhe chamou. -- JRF

Anónimo disse...

o engraçado é que todas as camaras que passaram de cdu para ps a construçao foi maior que nunca e pelo que vejo pela primeiras propostas do ps para almada e seixal sao grandes obras de betao que eles tem preparado seja para o terreno da lisnave seja para a ponta dos corvos mas ai uma vez mais vem o betao ecologico.