segunda-feira, setembro 05, 2005

FESTA DO AVANTE 2005 - "CDU NAS AUTARQUIAS, UM PROJECTO DIFERENTE" - TEORIA E PRÁTICA 3










Betão invade montados no Seixal

- É por demais evidente a ocupação de espaço anteriomente ocupado por floresta e por montado em todo o concelho do Seixal , o sobreiro apesar de espécie protegida tem aqui o tratamento de qualquer infestante. É notória a falta de sensibilização de autarcas eleitos (e porventura de candidatos) para a conservação da natureza , muitos devem achar até que isso de "proteger passarinhos" não é coisa de muito homem, desconhecendo totalmente da mais valia que a biodiversidade tráz, até numa visão puramente economicista do ecossistema, mas a ignorância é por demais evidente e notória nas imagens.

Mas os sintomas estão relatados, os diagnósticos feitos, só não se aplica uma terapeutica ao doente (leia-se País) porque talvez interesse mais manter o paciente moribundo e apático e ganhar ainda mais à custa do que o enferma. Vai-se ganhando mais algum dinheiro em consultas (forums, discussões, reuniões) em medicamentos desadequados (centros comerciais, hospitais, rotundas e passeios monumentais) e no corpo clinico que mais parece um bando de coveiros (autarcas corruptos, construtores civis, clubes de futebol...).

Mas como disse o diagnóstico está feito e até sabem como fazer bem como mostra a teoria autárquica do PCP que temos aqui analizado nos ultimos dias e que é a que diz respeito à Margem Sul (Almada, Seixal, Moita...), continuando a publicar excertos de dignissimos autarcas e membros do PCP publicados no nº 143 da REVISTA PODER LOCAL, debrucemo-nos hoje sobre um artigo de Jorge Silva e o seu "Diagnóstico do estado urbano do país" onde critica o crescimento urbano em Portugal "feito à margem de um processo de planeamento eficaz" e que teve como consequências :

-1. A suburbanidade de origem legal ou clandestina com a formação de bairros (cidades), com infraestruturas deficientes, sem equipamentos, mono-funcionais, sem praças e espaços verdes, sem racionalidade na rede viária, sem estacionamento com uma degradação evidente do ambiente urbano.

-2. A desestruturação da rede urbana, a irracionalidade nas redes de transportes, na localização do emprego, abandono urbano dos velhos tecidos construidos (...) a favor da expansão urbana desfragmentada, em vez da r
equalificação dos tecidos construidos centrais.


Imagem- Corroios. Da guetizaçao à insegurança, mau estar e ...xenofobia vai um passo...



-3. A inedequação das tipologias do tecido construído às funções urbanas «guetização» de minorias étnicas e de grupos sociais


-4- Os habitantes a quem a cidade se dirige estão a ficar à margem desta, perverte-se o que de mais importante existe no
conceito urbano. É a desurbanização (...) Estamos a assistir ao crescimento de uma geração de não cidadãos. (...)

- Nos bocados de cidade onde a exclusão social é mais evidente e a sociedade envolvente não oferece oportunidades vemos surgir bandos expontâneos que se unem à volta de novas paixões da sociedade de consumo (...) bandos com grande rejeição do mundo externo que entendem hostil.
- A segurança deixa de ser uma emanação natural da vida em sociedade e é cada vez mais um problema individual ou de grupo.

Concluindo: "Percebe-se que este sistema urbano, tal como se tem vindo a formar, não está autoregulado e já não é mais sustentável e que caso não haja uma profunda reformulação de politicas, a rotura é inevitável".

Imagem - bairro (problemático) da Quinta da Princesa






E na prática? -Temos um excelente diagnóstico feito das cidades que construimos nas ultimas décadas, e onde essa fórmula nos vai levar à" rotura inevitável", ora se o PCP tem tudas estas ideias sistematizadas, intelectualizadas, publicadas, porque raio continuam a cometer os mesmos erros , porque se continua a urbanizar de forma frenética e esquizófrénica, fora de qualquer lei da oferta e da procura, e se deixa degradar os centros antigos, o património construído e o património natural ??? Porque se continua a guetizar a população que seria suposto integrar na malha social e urbana? Porque se continuam a querer contra tudo e contra todos criar mais Bairros da Cucena (junto à Siderurgia Nacional).

Porque se continua a fuga para a frente quando é mais que nunca necessário avaliar recursos, racionalizar meios e criar cidadãos, não cidadãos de primeira e de segunda... mas cidadãos, criticos, interventivos, participativos... é que sem cidadãos não há CIDADE senhores autarcas!

6 comentários:

anarca disse...

Eles gostam é de gente amorfa.

Anónimo disse...

País dos Reformados
Ao menos num capítulo ninguém nos bate, seja na Europa, nas Américas ou na Oceânia: nas políticas sociais de integração e valorização dos reformados.

Aí estamos na vanguarda, mas muito na vanguarda.

De acordo, aliás, com estes novos tempos, em que a esperança de vida é maior e, portanto, não devem ser postas na prateleira pessoas ainda
com tanto a dar à sociedade.
Nos últimos tempos, quase não passa dia sem que haja notícias animadoras a este respeito. E nós que não sabíamos!
Ora veja-se:
- o nosso Presidente da República é um reformado; o nosso "mortinho por ser" candidato a Presidente da República é um reformado;
- o nosso ministro das Finanças é um reformado;
- o nosso anterior ministro das Finanças já era um reformado ;

- o ministro das Obras Públicas é um reformado;
- gestores ilustres e activíssimos como Mira Amaral (lembram-se?...) são reformados;
- o novo presidente da Galp, Murteira Nabo, é um reformado;
- entre os autarcas, garantiu-o o presidente da ANMP, há "centenas, se não milhares" de reformados;
- O nosso Presidente da região de Turismo da Costa Azul (eleito pelo seu próprio voto) è um reformado;

Digam-me lá qual é o país da Europa que dá tanto e tão bom emprego a reformados, que valoriza os seus quadros independentemente de já estarem a ganhar uma pensãozita, que combate a exclusão e valoriza a experiência dos mais (ou menos...) velhos! Ao menos neste domínio, ninguém faz melhor que nós. Ainda hão-de vir todos copiar este nosso tão generoso "Estado social"...

Anónimo disse...

Para comparar:

"Uma história de 2 aeroportos:

Áreas:
- Aeroporto de Málaga: 320 hectares;
- Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.

Pistas:
- Aeroporto de Málaga: 1 pista;
- Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.

Tráfego (2004):
- Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de
crescimento, 7% a 8%ao ano.
- Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de
crescimento 4,5% ao ano.

Soluções para o aumento de capacidade:

Málaga:
- 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade
20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade
e continua a ter uma só pista.

Lisboa:
- 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução
faraónica a 40Km da cidade.

"É o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o
próprio espírito."
E entretanto vão-nos aumentando os impostos directos, indirectos,
taxas, combustíveis, etc., etc., etc..

Anónimo disse...

como não têm argumentos para rebater os excelentes textos que aqui se podem ler os militantes da CDU atiram areira para os olhos com estas coisas dos aeroportos e das reformas...... sentiram-se acossados por militantes do próprio partido desaconselharem aquilo que a CDU desta zona tem feito...... pois que embrulhem e passem a ler com mais atenção os próprios documentos e edições do Partido.

Ainda estão de ressaca da festa, mas leiam estes textos com atenção, já que não leram as revistas, pois pode ser que aprendam algo.

Parabéns ao autor deste site, pois revela uma bela qualidade ao nível bibliográfico.

Anónimo disse...

Este post leva-me a pensar no problema que maior preocupa neste concelho, a falta de segurança. É verdade que a Câmara não tem nada a ver com o policiamento, mas esta exclusão social mal feita, ou seja, a «guetização», propulsiona esta insegurança, pois em vez de integração social, promove-se a exclusão social e por consequência a marginalização e crime.
Guetos como o da Cucena são prejudiciais ao bem estar social.

Anónimo disse...

Eles querem lá saber, querem é continuar com o tacho.