domingo, novembro 25, 2007

GRAFFITI E DEGRADAÇÃO URBANA (3)


A reposição deste tema valeu de novo uma discussão acessória, a de o graffiti ser ou não arte.

Digo acessória porque não considero ser o cerne da questão. Há de facto alguns murais feitos com spray que denotam grande criatividade e destreza, é arte quando nos consegue para além da qualidade, transmitir e "dizer" algo, e isso é pessoal e intransmissivel.

A discussão ficaria neste campo se estes "artistas" actuassem como os demais, para além da obra criada, fornecessem o seu suporte fisico, mas o grave é que tal não é o caso, neste caso o suporte da obra é fornecido por um terceiro, que não tem a opção de dizer se está disposto a isso ou não.

Para além disso, dessa liberdade de ter uma parede "branca" (que também pode ser considerada uma expressão artistica!) , há o conteúdo da obra , se se gosta ou não, uma tela pode-se adquirir, tal como uma escultura, mas um graffiti é imposto!

Mas na maioria dos casos temos a tarefa facilitada, pois em "99%" dos casos não há ninguém que considere arte a matéria produzida, nem os próprios. Trata-se sim de marcações territoriais, marcações territoriais que são manifestações marginais de controlo de um determinado local ou de transmissão de capacifdade de aceder a determinado local, quer pela sua dificuldade , quer pela sua interdição.



São marcações ao nível da que outros animais fazem com urina , com fezes ou com outras secressões hormonais.

Mas o mais grave nisto é que a sociedade organizada, nomeadamente e sobretudo as autarquias deixam-se subjugar a este controlo territorial marginal , não defendendo os restantes cidadãos que têm de cohabitar com este tipo de "expressão territorial" a qual os intimida e inibe.

8 comentários:

Anónimo disse...

Para além de não perceber rigorosamente nada do que, do ponto de vista sociológico, está por trás deste tipo de expressão em meios urbanos, o Ponto Verde revela aqui (nos três posts que já dedicou ao tema, provavelmente muitos mais se seguirão) uma impressionante insensibilidade social. Repare-se no essencial da ideologia defendida: quem pinta graffitis é marginal (por definição, note-se), portanto tem que ser reprimido! Sem mais!

Esta é a ideologia do fascismo! Puro fascismo. Para mais, revelando tão profundo desconhecimento dos aspectos sociológicos (sim, o fenómeno está muito estudado e muito documentado, informe-se e verá) que a expressão dos graffitis encerra.

Eu também não gosto da maioria dos graffitis que por aí aparecem (e não, não é só em Almada. Em todos os meios urbanos isso acontece). Mas daí a considerar que quem os pinta (todos quantos os pintam) são marginais e só merecem repressão, vai uma tremenda distância.

Por isso, confirmo o que antes aqui disse: Ponto Verde de ecologista nada tem, a não ser uma capa conveniente para enganar incautos. É um puro reaccionário, atrevo-me a dizer mesmo fascista, que certamente não desdenharia fazer sua a máxima do general espanhol da ditadura, o qual disse para quem o quis ouvir que "sempre que ouve falar de cultura, puxa da pistola". Ponto Verde é assim. Sempre que ouve falar de alguma coisa de que não gosta, puxa da "pistola" e massacra. Sem mais.

Anónimo disse...

és mesmo reaccionário, contigo a sociedade é feita de soldadinhos de chumbo a marchar , a marchar e depois tens vergonha de ser da margem sul. nao haverá para aí um trauma de infancia ? contra o betão , contra o grafiti , contra os autarcas, contra os condominios fechados , contra o metro ... um autentico MRPP

ex-militante disse...

Boa tentativa, agora quem defende a liberdade é fascista, o mail foi enviado da reunião do PC da Torre da Marinha?

ex-militante disse...

Sim, que é um direito e uma liberdade não ter a parede da casa cheia de marcas e pinturas degradantes. Em cheio Ponto Verde.

ana miranda disse...

O que vejo nos filmes são jovens a vandalizar o que parece ser um wc publico e um transporte publico. Proibir ou punir é urgente, tudo são crimes contra o património e contra a nossa sociedade.

Anónimo disse...

o Ponto Verde revela aqui (nos três posts que já dedicou ao tema, provavelmente muitos mais se seguirão) uma impressionante insensibilidade social. Repare-se no essencial da ideologia defendida: quem pinta graffitis é marginal (por definição, note-se), portanto tem que ser reprimido! Sem mais!

Esta é a ideologia do fascismo! Puro fascismo.

Ponto Verde de ecologista nada tem, a não ser uma capa conveniente para enganar incautos. É um puro reaccionário, atrevo-me a dizer mesmo fascista, que certamente não desdenharia fazer sua a máxima do general espanhol da ditadura, o qual disse para quem o quis ouvir que "sempre que ouve falar de cultura, puxa da pistola".

Ponto Verde é assim. Sempre que ouve falar de alguma coisa de que não gosta, puxa da "pistola" e massacra. Sem mais.

grafitinao disse...

Anónimo da analogia do General Espanhol: Então deduzo que é um apoiante da grafittagem, e que tem conhecimento de inúmeras justificações sociológicas, culturais, económicas e até quem sabe biológicas que o fazem perdoar o comportamento vandalizante que aqui se denuncia e critica? Folgo muito em ouvir isso. Já agora, dê aí a sua morada, que é para os amigos da pintura com spray irem lá fazer javardice nas paredes à vontade, assim pode ser que enquanto lá andam ocupados deixem em paz o meu prédio, as paragens de autocarro que uso, os sinais de transito que gostava de conseguir ler, os semáforos de peões (!) que me daria jeito conseguir ver quando atravesso a rua, as carruagens dos comboios e metro, e mais uma série de objectos e estruturas que sicenramente prefiro que mantenham a pintura original.

Anónimo disse...

Deduz mal e apressadamente, caro grafitinao. Muito mal e tão apressadamente, que nem ao trabalho de ler tudo o que escrevo no comentário a que se refere se deu. Digo, a páginas tantas, o seguinte: "Eu também não gosto da maioria dos graffitis que por aí aparecem (e não, não é só em Almada. Em todos os meios urbanos isso acontece). Mas daí a considerar que quem os pinta (todos quantos os pintam) são marginais e só merecem repressão, vai uma tremenda distância." Aqui está a resposta à sua falsa e apressada dedução.

Mas mantenho, no essencial, a minha opinião sobre a atitude dos Pontos Verdes que por aqui andam a destilar ódio contra tudo o que não seja do seu agrado.

No post a seguir a este (e vou lá reproduzir este comentário para que não se perca na voragem dos posts em cima de outros posts), o autor do blog revela, uma vez mais, aquilo que eu aqui pretendi e pretendo denunciar: uma mentalidade repressiva pura, por isso de natureza fascista e fascizante. Nem mais! Porquê? Por isto:

Em primeiro lugar usa a deturpação e a mentira para tentar justificar a sua posição sobre esta matéria. Serve-se de exemplos que todos sabemos não são exemplos coisíssima nenhuma. Tenta "vender-nos" os EUA como país onde este fenómeno não existe (porque é "controlado", mas quanto a isso já lá vamos), e basta cada um de nós andar um pouco atento até às simples notícias que nos invadem as nossas casas pela televisão para desmentir categoricamente esta absoluta inverdade, pura demagogia, do Ponto Verde. Nos EUA, nas grandes cidades americanas, este fenómeno existe e é bem visível para todos. Portanto o Ponto Verde usa uma mentira esfarrapada para justificar a sua posição ... injustificável.

Segundo, os meios para combater o "mal" são (para o Ponto Verde, claro) meramente os meios da repressão pura e dura: polícia, câmaras de vigilância video e prisão para cima dos malandros que andam a pintar o meu bem estar burguês. Nem mais, repressão para cima de todos quantos põem em causa o meu bem estar pessoal. Eu calço as pantufas e assisto do meu coinfortável cadeirão, de charuto aceso na boca e jornal aberto entre as mãos, à aplicação da "justiça" aos marginais que incomodam o meu sentido pessoal de sociedade livre e democrática. Este é o pensamento e o posicionamento do Ponto Verde. Todos quantos o "incomodam" (pelo menos incomodam a sua consciência) não têm que ser entendidos, não têm que ser percebidos, não são seres humanos. Não, são meramente uns malandros, mal educados, marginais (quem os criou como marginais? Eles próprios? Será? Claro, o Ponto Verde não foi certamente, como Pilatos lavará seguramente daí as suas mãos impolutas ...), e portanto a única saída possível é porrada para cima e, se possível, eliminação (Holocausto? Não, também não cheguemos aí. Mas que me faz lembrar um célebre poema de Brecht, isso faz ...).

Terceiro, Ponto Verde é incapaz de perceber que este fenómeno é um fenómeno sociológico de grande dimensão e importância, que não se resolve por meios violentos. Pelo contrário, é precisamente a violência (urbana, económica, social) que gera este tipo de movimentos "marginais". É a exclusão social que gera estes movimentos de contestação. O Ponto Verde quer combater o mal com mais mal, ignorando (ou não) que essa solução foi infelizmente ensaiada no passado em muitos pontos do nosso mundo, sempre com os mesmos resultados: a ditadura feroz e violenta! Mas sobre este tipo de questões já percebi que o Ponto Verde é absolutamente inculto, portanto não vale a pena estender-me muito mais.

Quarto, Ponto Verde, na sua cegueira anti Câmaras Municipais da Margem Sul do Tejo, anti comunista primário que revela ser em cada frase que escreve, não percebe, não pode perceber, que a criação de um espaço próprio onde esta expressão social que são os graffitis, e em muitos casos também uma expressão artística com qualidade, possa desenvolver-se, não é estimular que ela permaneça descontrolada no nosso meio urbano, é, ao contrário, integrá-la na nossa vida quotidiana. Isso, o Ponto Verde também não pode entender, e por isso ataca a CM Seixal da forma como faz.

Enfim, estas algumas das razões pelas quais publiquei o meu comentário anterior, o qual mantenho naturalmente na íntegra. E repito, a mim também não me agradam muitos dos chamados graffitis que aparecem em algumas áreas do nosso concelho (como de todos os concelhos com características urbanas semelhantes à nossa). Mas daí a excomungar, violentar, ostracisar e excluir liminarmente, como se de um Auto de Fé da Inquisição se tratasse, aqueles que os pintam, vai uma distância enorme, tão grande como a distância que separa o bom senso e a inteligência do tal General Espanhol que cada vez que ouvia falar de cultura puxava da pistola.