quarta-feira, abril 11, 2007

PORTUGAL, UM RETRATO SOCIAL






Com o terceiro episódio da série em título,
Portugal, um retrato social exibida ontem, como todas as terças-feiras depois do Telejornal (RTP 1) , a RTP presta finalmente um verdadeiro serviço publico e a dupla António Barreto Joana Pontes confirma a excelência do documentário da sua autoria (com musica de Rodrigo Leão).

Este episódio focou a mudança de vida dos portugueses, a sua passagem da ruralidade para a vida urbana e a forma como desregradamente as cidades desde aí se desenvolveram, casuisticamente, ao sabor de interesses ligados à construção civil, que se mantêm e não da qualidade de vida das populações que esgotam o seu tempo em intermináveis percursos casa emprego resultado de um ausente planeamento e de uma politica errada de cidade.


Focados os problemas do crescimento das periferias enquanto Lisboa definha e se degrada, num absurdo impensável de desperdício de recursos ...

Curiosa a entrevista do Presidente da Câmara de Almada (anos 80, FEPU? APU? CDU ainda não era, embora sempre PCP...) , as desculpas de então que quase trinta anos depois se mantêm quase que inalteradas e a construção clandestina na Fonte da Telha onde é denunciada a permissividade (cumplicidade) da autarquia (ou de funcionários da autarquia) que cobravam as multas para tudo continuar como estava...


Aliás fez escola nesta época esse "tipo de construção" que por cá imperava e intitulado de "fazer à multa"...penso não serem precisos mais comentários!!!

Os documentários esses, podem ser vistos
aqui, se não viu, vale mesmo a pena!

3 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns pelo artigo e pela perspicácia de fazer uma referência especial ao então presidente da CMA (José Vieira).
Então, como agora, quem quiser saber como NÃO deve fazer (construir), visite ALMADA.
Para além da construção sem regras, querem melhor exemplo que a inserção urbana do traçado do MST?
Primeiro construiu-se muito e mal (à multa, edifícios com mais pisos, quarteirões com mais edifícios, edifícios com mais fracções por piso...), e depois pretendem "plantar" o comboio regional junto às mesas de cabeceira dos moradores...
Essa não. É de mais.
Somos cidadãos com direitos...
Obrigado pelo apoio aos moradores da Rua Lopes de Mendonça.
Com a vossa ajuda havemos de fazer ouvir a nossa voz nos cinco continentes, pese embora o facto de, no nosso pequeno Portugal, os responsáveis políticos por tão graves atentados continuarem a ter "ouvidos de mercador"...
Será que vamos permitir?

ex-militante disse...

Que tristeza, pareciamos a Roménia.

António disse...

Achei curioso e engraçado um senhor que estava a construir na Fonte da Telha a dizer: Eles (os fiscais) vêm cá todos os dias, mas olham e não fazem nada e nós é claro, continuamos a construir! Pagamos um multa e pronto!

outra expressão do dito senhor: Isto ( da legalização e da autorização para construir) só vai com dinheiro porque caso contrario nunca nos dão autorização!

O mais engraçado é que tirando as roupas e a qualidade da imagem é completamente actual, ou seja muito pouco mudou, a não ser a quantidade de casas e a anarquia que reina no planeamento urbanístico. A grande Lisboa é feia, desorganizada e um exemplo de incompetência e corrupção. Nada foi feito com planeamento a pensar no futuro e o pior é que continuamos na mesma. Veja-se o nosso exemplo na margem sul e no meu caso particular o Seixal, criam-se urbanizações novas sem qq critério de beleza e funcionalidade e só depois de praticamente de se construir a ultima torre é que fazem os “jardins”, isto quando na fase de "planeamento" deixaram terreno para tal, ou seja depois de todas as pessoas lá estarem a viver é que plantam aqueles rebentos que vão dar origem a árvores dai a 10 ou 15 anos!

Enquanto o financiamento das câmaras estiver dependente da construção nada vai mudar. Mas só isso não vai chegar, é necessário definir que tipo de construção se pretende para cada zona e limitar os construtores a construir em altura e estilo, tal e qual como em qq cidade europeia em que ao percorrer as ruas haja uma certa homogeneidade no prédios.

Em relação à questão do dinheiro sei que actualmente é verdade em Almada...assim como em outras autarquias!!

O programa propriamente dito é excelente, embora nos crie uma grande tristeza!