terça-feira, outubro 24, 2006

SEIXAL - A SIDERURGIA DO BETÃO - 1
















Na Europa Moderna, carregámos durante décadas, como povo , o estigma de um país atrazado, parado no tempo por uma ditadura fascista e obscurantista, com rasgos imperiais, tinhamos no entanto na Europa , um handicap que nos era vantajoso, apesar de sermos um país pequeno, com poucos recursos naturais, tinhamos uma arquitectura que nos distinguia dos demais povos , uma paisagem variada e , arrisco a dizê-lo, as melhores praias da Europa.

Caído o império, regressasdos a este quadrado agora de Liberdade, em vez de investirmos na sustentabilidade dessa vantagem competitiva, a ideia foi explorar até à exaustão esse filão, não conservando-o, mas delapidando-o rápida e esquizófrénicamente ao mesmo tempo que se exibem a correr os sinais exteriores de riqueza como em mais nenhum outro país da Europa. Eça de Queiróz hoje teria muito para se inspirar...

O Último desses projectos esquizófrénicos acaba de ser apresentado no Seixal (onde há muito todo e qualquer senso parece ter sido perdido) e sem mais demoras, com os agradecimentos a N.P. passo a citar a noticia publicada na imprensa regional e no DESTAK.

"Antiga Siderurgia no Seixal dá lugar a 1500 fogos
2006/10/20

A Câmara do Seixal aprovou o estudo que prevê a construção de 1.500 fogos de habitação, escritórios, comércio e equipamentos de lazer numa área industrial devoluta superior a 100 hectares da antiga siderurgia nacional de Paio Pires.

O Estudo de Ordenamento Urbano e Paisagístico foi aprovado quarta-feira com os votos favoráveis da maioria CDU e do PS e a abstenção do PSD, devendo ser apreciado em Novembro pela Assembleia Municipal.

Até ao fim do ano a autarquia compromete-se a aprovar o programa de encargos para a elaboração de um plano de pormenor, que irá "detalhar" o conjunto de intervenções previstas no estudo.

Depois de elaborado, o plano de pormenor terá de ser ainda aprovado pelo Governo, já que altera o uso de solo industrial definido no Plano Director Municipal, em revisão.
O estudo urbano e paisagístico da siderurgia, concluído um ano depois do prazo estimado, abrange numa área superior à prevista inicialmente, num total de 506 hectares.

Aos 372 hectares de terreno da antiga siderurgia nacional, propriedade do Estado, e do Parque Industrial do Seixal, gerido pela empresa pública Urbindústria, somam-se agora os recintos das duas empresas privadas siderúrgicas em actividade - a Lusosider e SN Seixal (Longos).

A globalidade dos investimentos públicos e privados apontados no documento, incluindo descontaminação de solos, ascende a 150 milhões de euros.

Numa faixa de 110 hectares fronteira ao rio Coina poderão vir a ser construídas 1.500 casas a custos controlados e a preços de mercado, em prédios de quatro a seis andares, zonas verdes, comércio, serviços e vários equipamentos de uso colectivo e de lazer, como centro náutico, recintos desportivos, escolas, centro de saúde e lar de idosos.
Fora do perímetro habitacional haverá uma vasta área reservada para indústria pesada e de ponta, logística, centro empresarial e de formação profissional.

O estudo propõe também a construção de novas acessibilidades rodoviárias e ferroviárias, incluindo uma ponte entre Seixal e Barreiro, a reactivação do porto fluvial de mercadorias de Paio Pires e a preservação do património histórico-natural, como o alto-forno da siderurgia, o moinho de maré e a casa antiga da Quinta da Palmeira e a lagoa com o mesmo nome. "

8 comentários:

Anónimo disse...

"Fora do perímetro habitacional haverá uma vasta área reservada para indústria pesada e de ponta, logística, centro empresarial e de formação profissional." ISto é brincadeira não é!!?!?!? então querem colocar habitação junto de indústria pesada?? hum, estes senhores são sábios!!

"O estudo propõe também a construção de novas acessibilidades rodoviárias e ferroviárias, incluindo uma ponte entre Seixal e Barreiro," As estradas do Seixal nas horas de ponta são o caos, por isso nada melhor do que contruir mais urbanizações, fazer uma ligação do Barreiro desenbocar directamente no Seixal para melhorar o transito!!! Vai ser o paraíso!

ex. militante disse...

VAMOS CORRER COM ELES...AH VAMOS! ....VAMOS!

ISTO É DEMAIS! BASTA!

Anónimo disse...

Há mais ou menos um ano atrás já havia alertado aqui para esta negociata que estava a ser cozinhada com os terrenos norte da Siderurgia Nacional... e cá está! confirma-se o que já era sabido!
Gostava apenas de deixar aqui umas perguntas, muito embora não seja este o espaço público de intervenção que a CMS tanto apregoa - mas esse, a Assembleia Municipal, é uma vergonha e ninguém pode ter voz discordante!
- Qual é o interesse deste projecto? mais casas? mais população para o concelho?
- Não percebo qual é também o interesse da SNEGES na promoção imobiliária, uma vez que supostamente existem para fazer a promoção e gestão do parque industrial? será por o actual presidente ter anteriormente trabalhado na Teixeira Duarte? estamos a falar de um projecto de requalificação urbana ou de mais um projecto de especulação imobiliária?
- As industrias pesadas vão-se manter no mesmo sitio? segundo se diz, a Lusosider já informou que a construção de habitação ao lado da sua fábrica implica a sua saída do local. Mas alguém acredita que estas empresas se vão manter no local com habitação massificada ao lado? sujeitas a "ouvir" os protestos dos moradores???
- Por fim, quando estas empresas decidirem ir embora, porque, em primeiro lugar, as expectativas que presidiram à sua instalação se alteraram e, em segundo lugar por não quererem ter "problemas", quem vai ser o sindicalista designado para se por à porta das mesmas a queixar-se da deslocalização e da inacção do governo? será que vai dar direito a discurso na festa do Avante e a artigo no folhetim municipal?
Parabéns Sr. Alfredo Monteiro e comparsas por mais este atentado ao concelho! E nós, parvos, continuamos impávidos e serenos a assistir!

Julio Fogaça disse...

Estão a um passo de serem corridos pelo próprio partido no decalque do que aconteceu em Setúbal. Em Setubal foram corridos o Presidente e o Vereador do Urbanismo, no Seixal vai ser corrido o ________________ e o _____________.

Mas antes parece que querem deixar o terreno minado por muitos e longos anos e se calhar os bolsos bem recheados , seus e dos vindouros.

A Soeiro Pereira Gomes tem que limpar esta gente. Ó Jójó o que é que estão à espera? E porquê agora este beijo na boca ao PS local?

Ana César disse...

Não é possivel que continue esta politica de betão em expansão cada vez mais para a periferia deixando os centros históricos decadentes e desertos.

João Figueiredo in "O Banheirense" disse...

Foram os governos PS e PSD que mataram a industria pesada no nosso distrito, empurrando para o desemprego dezenas de milhares de trabalhadores, e empurrando outros tantos para reformas antecipadas, que não por acaso, estão a por em causa o sistema de segurança social.

existem casas a mais no seixal? pois existem. não conheço ninguém que diga o contrário. os motivos é que não podem ser assacados sempre aos mesmos.

a pressão imobiliaria nas zonas suburbanas tem muita influencia da especulação imobiliária na Capital, o que empurra muitas famílias das classes médias e média baixa para os suburbios. ao mesmo tempo os municípios encontram-se numa situação de dificuldades orçamentais, que vão sendo cobertas com a construção civil. Entretanto temos prédios em ruinas em Lisboa, sempre com alguém pronto a mandar a baixo para fazer empreendimentos de luxo, ou escritórios, continuando a empurrar as famílias menos abastadas para as periferias, aumentando as necessidades de trasnportes, muitas vezes insuficientes, o que obriga muita gente a recorrer ao carro individual. Facil de perceber que assim se aumenta drásticamente o fluxo de transito, as dificuldades de mobilidade, a poluição, etc...

quando um dia quiser ser sério na sua análise, pense um pouco nisto.

António disse...

O João Figueiredo está a fazer, com o devido respeito, aquilo a que se chama "asobiar para o lado"!!! Então a culpa de haver tanta construção, ausência de ornamento urbanismo, falta de planeamento urbano, ausência de uma rede de esgotos, de vias de acesso é dos outros concelhos? Será que me pode dizer quem é que governa a margem sul desde de 74? Que eu saiba para se construir é preciso autorização da câmara, então bastava a câmara impor um travão na dita construção e não tínhamos chegado a este ponto! E o mais ridículo é a câmara continuar a licenciar e a deixar construir num concelho que tem excesso de casas! Jardins, ciclo vias, parques verdes para a prática de desporto e contacto com a natureza nem vê-los!

Nós que vivemos no Seixal por vezes nem nos apercebemos da realidade ou chegamos a um ponto em que nos habituamos a ela. Há pouco tempo um amigo foi-me visitar e passamos pela zona de Pinhal de Frades.... ele ficou chocado com aquilo, desde não haver passeios, jardins, haver cabos por tudo quanto é lado, a famosa linha de alta tensão etc etc... lá tentei convence-lo de que o Seixal não era aquilo, mas a verdade é que aquilo tb é Seixal! Seixal que é governado pelos mesmos desde de 74!

No que respeita aos culpados pela morte da indústria pesada não foram os que indicou, mas sim as nacionalizações dessa mesma indústria! Ás nacionalizações há a adicionar a ausência de uma gestão eficaz, falta de investimento em investigação e desenvolvimento em novas tecnologias e métodos de produção etc etc Não que eles, PSD e PS tb não sejam culpados! As nacionalizações deram o resultado que todos sabemos... mas neste aspecto quase de certeza temos discordâncias ideológicas!!

Anónimo disse...

...e tb não se deve esquecer q a nossa entrada na então CEE nos obrigou a deixar de produzir aço devido às quotas de produção q nos foram impostas e cuja consequência foram indemnizações e subsidios para não produzir. Como aconteceu, por exemplo, com certos sectores da nossa agricultura.