segunda-feira, dezembro 05, 2005

A BICICLETA E O SEIXAL












Imagem- cidadão utiliza a inacabada ciclovia Metro Sul Tejo em Corroios - frente à Moviflor

O "Metro" ainda está longe de por aí circular, e as contas dos seus custos com atrazos e obras refeitas, longe de serem apresentados , apareceu timido e a fingir que era já a sério, poucos dias antes das eleições, mas dois meses passados ainda anda pouco mais de escassas centenas de metros.









MST em testes no Talaminho, um investimento enorme num meio não poluente, de aplaudir também a ciclovia , a prioridade deveria ser der-lhe continuidade e não o começar e acabar em lado nenhum como é hábito... não se compreende que face a este investimento se estejam a construir mais uma nova via para automóveis (paralela à EN 10)

O que tem já uso dos cidadãos, apesar de não conduzir a lado nenhum, é a ciclovia que acompanha a linha do eléctrico o que mostra exemplarmente que as pessoas aderem a este meio de transporte, assim tivessem condições para o utilizar em segurança.


Pena é que paralelamente a esta ciclovia e via destinada a transporte publico não poluente (o eléctrico) avance mais uma via destinada a automóveis (imagem) , via essa (paralela à EN10) que vai rasgar a Quinta da Princesa (mais uma conquista de Abril 30 anos depois...) , e com ela desaparecerão mais um numero largo de sobreiros e pinheiros, e abrindo caminho a mais urbanizações, a mais automóveis, a mais poluição... um contrasenso como é bom de ver à ciclovia e à linha de eléctrico. Será que o espaço entre a EN10 e a nova via é para urbanizar???!!!

Ou o objectivo é valorizar com acessos pagos por todos a Quinta da Atalaia ??? É que todos os caminhos se parecem encaminhar para aquela bandeira Soviética que se exibe sobranceira durante todo o ano em território português e ao mesmo tempo divergem de onde seria lógico passar o Metro, ou seja , nas zonas mais habitadas...


Contrasenso semelhante ocorreu com a via férrea Fertagus, em vez de ter um percurso onde as estações fossem implantadas para servir as zonas povoadas, deslocou-se a linha e as estações para longe , permitindo e fomentando novas urbanizações, seria interessante verificar quem lucrou... e quem agora vai lucrar com o percurso escolhido para o eléctrico.

É bom de ver que assim não vamos lá, é um fartar vilanagem com investimento publico, desenhado à medida para valorizar terrenos em beneficio da especulação imobiliària e em prejuizo da qualidade de vida dos cidadãos e do meio ambiente.

Depois é claro que não se cumpre Quioto, só que depois seremos de novo todos a pagar e não só aqueles que fomentam e lucram com estas politicas.Depois é claro que fomentar o uso da bicicleta seja ridicularizado, é que muito desperdicio de dinheiros publicos seria evitado, perderiam no entanto os que se opõem a estas simples , de custo minimo e utilização imediata (ver primeira imagem) medidas , compreende-se...

9 comentários:

Anonimex disse...

O PCP é um dos maiores proprietários da Margem Sul, junte-se o poder nas Câmaras e o que dará senão tráfico de infências?

abstracto disse...

Geralmente costumo estar em sintonia com os textos aqui colocados pelo ponto verde, no entanto este não é o caso.
A existência de ciclovias e de corredores onde circulem veiculos movidos a energia eléctrica, não substitui a necessidade de vias destribuidoras de tráfego. A Holanda como sabe além de possuir um grande numero de ciclovias, possui igualmente um grande numero de vias distribuidoras de tráfego automóvel. Ou seja são um complemento e não uma substituição. A via que refere, vem na minha opinião com vários anos de atraso (é claro que não vou aqui analizar os possíveis intentos que a CMS possa ter com a obra). Se se analizar as vias estruturantes deste concelho chega-se à conclusão que são as mesmas há 30 anos, quando a população era cerca de 30 000, inclui-se nestas as estradas nacionais principais e secundárias e a auto-estrada, o resto é um rendilhado de ruas que antes não eram mais do que azinhagas ou vias feitas por construtores pouco preocupados com as acessibilidades. Poder-se-á questionar o traçado, agora considerar que é desnecessária, é esquecer a quantidade de carros que circulam na estrada nacional 10, e garantidamente o grosso dessas pessoas não vai passar a usar o metro ou a bicicleta.
Discordo ainda da opinião do ponto verde quando afirma que o traçado do comboio deveria passar nos nucleos urbanos, pois decerto não afirmaria isso se este fosse passar próximo da sua casa. Mesmo com o avanço da técnica continua a ser uma máquina demasiado ruidosa para circular em centros urbanos. E o que vai sendo feito pelo mundo fora é estes circularem próximo dos nucleos urbanos, e a ligação a estes ser feita por meios mais ligeiros. Com estes condicionantes dificilmente o traçado poderia ser diferente, até porque o traçado não variou muito do que estava planeado há mais de 30 anos (ainda me lembro de ver na zona do Casal do Marco estacas vermelhas que indicavam o corredor para essa via).
Posto isto considero, que não se deve ignorar as necessidades das 180 000 pessoas que vivem no concelho, e achar que de repente a maioria começa a ir para o emprego de bicicleta ou transporte publico. Até posso concordar com o ponto verde que essa deveria ser a atitude da população, mas o que se verifica não é isso, pelo que duas vias a ligar o Seixal e Almada é pouco, a terceira via é essencial.
Embora o tenha em grande consideração, acho que neste caso não tem razão.

LB disse...

De facto, não posso deixar de concordar com o que aqui escreveu o Abstracto. Podemos questionar o traçado da via (e a mim custa-me especialmente assistir à destruição da zona da Quinta da Princesa) mas, não podemos de maneira nenhuma considerar que não é uma via essencial para o concelho pelas razões que o abstracto já referiu.
O problema não é de agora, o problema está a montante, na balburdia que é o planeamento urbanístico deste concelho. Depois de feito o dano, é claro que teremos de resolver os problemas de acessibilidades dos habitantes do concelho porque as vias existentes estão estranguladas.
O novo MST poderá vir a ajudar em muita coisa mas convenhamos que a política de transportes também deixa muito a desejar e que se calhar é por isso que ninguém os utiliza.
Quanto à utilização da bicicleta que já foi tema de ontem, esquecemo-nos de uma coisa que se existe na Holanda e cá não existe. Se chegarem a Zentral Station de Amesterdão repararão nos parques de bicicletas existentes, ou seja, eu levo a minha bicicleta até ao comboio e deixo-a lá num parque apropriado! cá não existe! são estas pequenas coisas que fazem a diferença.

Ponto Verde disse...

Agradeço o comentário de abstrato, e reconheço que as questões são sérias e talvez mal explicadas da minha parte.

A grande questão que aqui pretendo levantar é esta. As novas vias, os novos meios, e as novas alternativas têm um problema na sua filosofia, mais do que resolver os problemas dos actuais residentes, têm como objectivo abrir novas frentes urbanas.

Sobre o comboio (que de facto pelo que escrevi pode dar a entender que defenderia outro traçado) o traçado é compreensivel, o que o não é são os novos e densos nucleos urbanos que nasceram como cogumelos e continua (ver Torre da Marinha), com o que se projecta para junto de Coina e por aí adiante, isto é um erro contrário a tudo o que tenho visto na Europa e EUA.

Sobre a nova via, a grande questão é que vai haver uma faixa de terreno entre as duas vias, a nova e a EN10 no espaço entre Corroios e o Talaminho, que lhe vai acontecer o quê ??? será para criar um corredor verde? Ou será para mais pavilhões industriais e mais habitação???

Voltando de novo ao comboio, estou de acordo com o traçado, mas não com a densificação urbana que ele acrescentou e ainda com o facto de paralelamente à linha não se ter criado um corredor arborizado como forma de atenuar o ruido e a monstruosa quantidade de hectares que foi deflorestada sem qualquer contrapartida (no Casal do Marco desapareceu um Pinhal entre a Padaria Central e a Auto Estrada).

Caro abstrato , não sou lirico ao ponto de cnsiderar que amanhã por decreto iriamos todos de pasteleira para o trabalho. Isso será um trabalho educativo e de civismo antes do mais, a não ser que haja um verdadeiro choque petrolifero...o que não é de excluir. O que sempre aqui defendi foi que a construção de uma ciclovia é malguns casos um mero acto de ordenamento das vias já existentes, com pouco investimento e um retorno imediato, uma vez que ficam de imediato utilizáveis!!!

Agradeço o comentário e a discordância aqui sempre bem vindas.

Ponto Verde disse...

Agradeço também o comentário entretanto chegado de lb, que acrescente alguns pontos importantes e verdadeiros.

Anónimo disse...

pois, pois, eu bem ando a dizer que não podemos ser utópicos. que isso das bicas é muito bonito mas que devemos ser realistas . Olha o tipo da foto vai ter o mesmo caminho que o concelho do seixal , é uma via sem saida e o retorno é bem mais penoso. é a vida . de qualquer maneira a aletrnativa á variante á EN 10 só está a ser construida na base daquele acordo entre a carrefour e a camara, que agora se gorou por causa dos nossos amigos sobreiros. pois é quem paga adiantado normalmente fica mal servido. foi o caso da carrefour.

lb - espero que este comentario contribua para começares a ter uma ideia diferente de mim. vais ver ainda vamos ser grandes amigos e pedalar até ao infinito numa rua por aí d epreferencia perto de si para nao nos cansarmos muito.

Anónimo disse...

Para manter a pedalada, ver:
Cidades para Bicicletas, Cidades de Futuro.

http://www.europa.eu.int/comm/environment/cycling/cycling_pt.pdf

Cumprimentos
Joaquim Nascimento

abstracto disse...

Concordo com o ponto verde, quando refere, a má localização dos novos aglomerados urbanos que estão a nascer ao longo da linha de comboio. Aliás é interessante verificar que durante anos e anos não se pôde construir (e bem) no corredor que previa a construção da linha de comboio, e agora é vêr os "cogumelos" a aparecerem à volta desse mesmo corredor. Tomemos por exemplo o Fogueteiro e a sua torre dos lirios. Ou seja houve a preocupação de construir a linha o mais afastado possível dos aglomerados urbanos, e agora são estes que se aproximam dela. Daqui a uns anos de certeza que vão aparecer queixas de moradores, por causa do baralho dos comboios. Este pais é mesmo ridiculo!
Quanto à florestação ou reflorestação é melhor nem falar, pois parece que a decisão foi deixar as áreas circundantes o mais parecido com um deserto, ou então colocam aquelas paredes acusticas "lindissímas" que agora estão na moda.

NP disse...

Costumo andar várias vezes de bicicleta, especialmente aqui no Concelho e desafio tentarem andar nas estradas... é um risco tremendo e nenhuma delas está verdadeiramente preparada para os ciclistas.

Desde logo porque as margens das estradas estão todas "f*****s", mal alcatroadas e muitas vezes sem berma e/ou sem ligação entre o alcatrão e a berma. Depois acresce o facto da habitual falta de civismo dos condutores.

Sobra a faixa Arrentela-Seixal e a zona Ribeirinha da Amora, ainda reduzida a metade, pois a outra metade iniciou-se para a campanha das eleições, mas tarda em abrir.

Quanto ao metro, acho bem que se tenha colocado a ciclovia e o passeio até deve ser interessante. Mas imaginem agora o que é chegar (p.explo) das Paivas até ao início da ciclovia junto à Toyota !!!
A zona das Paivas até à Cruz de Pau, a zona do tunel, depois a faixa bus até à Toyota..... ou seja, a faixa para bicicletas está lá, mas só tem ligação ao resto quando se prolongar a linha... que será daqui a quanto tempo ? 4 anos ? 5 anos ?

Ou seja, em resumo, o que falta são faixas que tenham ligação entre elas, como disse a Arrentela e o Seixal estão ligadas, são 2.7KMS, mas depois não têm ligação à Amora, nem daqui para a zona do metro junto à Toyota.

São bons inícios, muito ténues e muito singelos, mas muito pouco para as muitas pessoas que os querem usar

Outra situação: uma das viagens que faço com alguma regularidade, no Verão é até à praia. Aqui (apesar de tudo) o Seixal ganha aos pontos, pois o percurso a partir do momento em que se entra no concelho de Almada é mau, muito perigoso e sem bermas, margens ou passeios.

A total despropósito, esta questão fez-me lembrar uma questão: alguém sabe por onde raio vai passar o Metro na Cruz de Pau ? Por cima pelas estreitissimas vias locais ? ou loucamente pelo túnel ? ou nem passa ali e vira para qq lado antes ?