segunda-feira, novembro 07, 2005

SEIXAL BETÃO E BENFICA














Imagem Gica Canoso (Record) publicada no Correio da Manhã 4 Nov.

Era inevitável que o que aqui temos denunciado desde há alguns meses e desde sempre escamoteada por parte de quem está ligado à autarquia do Seixal, porque dificil de explicar... que, antes de tudo a construção do Centro de Estágio do Benfica no Seixal é uma megaoperação imobiliària, veio finalmente ao de cima.

Na Feira Imobiliària de Lisboa esteve na passada quinta-feira presente, segundo noticia do Correio da Manhã, Luis Filipe Vieira, actual presidente do SLB «...esteve presente na apresentação do projecto da Quinta da Trindade...Vieira aproveitou para enaltecer o projecto, onde o Centro de Estágios está inserido. O dirigente revelou-se "satisfeito" pelas àguias fazerem parte de um empreendimento no valor de 200 milhões de euros e que comporta projectos como o Centro Comercial Rio Sul, o projecto da Siderurgia entre outros.»













Quinta da Trindade - o projecto imobiliàrio "1325 apartamentos em edificios que podem atingir 8 pisos.Grande parte dos terrenos onde se fará a construção estão afectos à Reserva Agricola Nacional e Reserva Ecológica Nacional" (Expresso 28/06/01)



Como aqui temos largamente sublinhado apesar do incómodo que tal tem trazido , é que o Centro de Estágios sempre foi o alibi e o salvo conduto para desbloquear a construção numa zona que em condições normais para qualquer outro investidor não seriam possiveis, relembre-se que este projecto ocupa zonas de Reserva Ecologica e Reserva Agricola e incluia uma vasta àrea ocupada por montado de sobro e outra vegetação, para além do valor patrimonial da verdadeira Quinta da Trindade, hoje totalmente ao abandono e futuramente descaracterizada no meio do Betão.









A imagem junto, é a imagem real e actual do empreendimento, menos poética que a imagem virtual de divulgação e promoção, faz antever um impacto muito maior e menos verde do que o apresentado pela maqueta que Luis Filipe Vieira admira e acima reproduzida , além disso pela forma como aquela Avenida Central está rasgada há quem já anteveja o esventrar da Quinta do Àlamo no futuro. Lembre-se que onde agora se vêm aqueles rectângulos verdes havia antes sobreiros e outra vegetação centenária vê-se agora o "interesse publico" da coisa...

11 comentários:

NP disse...

Já se sabe que nada é ao acaso.
Primeiro vem o Centro de Estágios, depois em plena campanha o presidente do Benfica trás a equipa de autocarro para ver as vistas, como se já treinassem aqui no dia seguinte (afinal é so lá para Fevereiro ou Março) e agora é que surge a confirmação definitiva da muralha de betão que ali vai ser feita.

É bom que o autor do blog tire fotos nos próximos tempos, vão ser as últimas que pode tirar e mesmo assim já muito mais de metade de Quinta da Trindade foi ao ar.

Tão vergonhosa é toda esta situação que a própria autarquia tem um posto de turismo que organiza pontualmente visitas às quintas do concelho. Recentemente uma das visitas incluía a Quinta da Trindade, mas uns dias antes da data foram os inscritos informados que tal não podia acontecer. Razões :

1) as obras do Centro de Estágios tinham causaudo uma queda de areias e lamas para dentro do edificio

2) O edificio é muito sensível e não pode ser visitado por muita gente em simultâneo.

Concluo eu que não só destroem o exterior da quinta, como ainda se servem da casa como vazadouro, num lamentável incidente, como também não contribuem em nada para a recuperação e manutenção do edificio!

E esperamos nós que esta tendência betonista não atravesse para a Quinta do Álamo, que fica ali a 2 passos e que é propriedade da Diocese de Setúbal

Anónimo disse...

VERDES , onde estão ?

LB disse...

e a seguir é a Qta. do Álamo!
E o que eu gostava mesmo de saber era quanto gastou a autarquia a promover a famosa campanha há uns anos atrás no pasquim concelhio que dava pelo nome "A quinta da Trindade é nossa"...

Provavelmente quem pagou essa campanha até foi a Euroárea :)

E o melhor mesmo é organizarmos um raid fotográfico à Quinta do Álamo quanto mais não seja para daqui a uns anos, para os nossos netos, organizar-mos uma exposição sobre o Concelho do Seixal no início do século.
... sempre podemos dizer a famosa frase "isto antes... era tudo quintas" :)

Uther II disse...

Bom, tenho umas questões a apresentar, que ainda não me foram esclarecidas.
Tenho visto muitos pontos de vista, mas nada consigo inferir logicamente dos mesmos...
Questão 1 - O centro de estágio do Benfica é bom ou mau para o Concelho? Em aspectos gerais, irá trazer mais valias?
Questão 2 - Qual era o valor da Quinta da Trindade?
Já agora, qual era o valor da Quinta do Brasileiro?
E da Quinta das Laranjeiras?
E da Quinta do Gato Bravo?
E Santa Marta do Pinhal, não era uma Quinta?
Como era o Concelho do Seixal/Almada há 70 anos atrás?
Se existisse a guerra de impacto ambiental como hoje, onde morávamos? Será que existia este tipo de discussão? Concerteza que não, pois não passávamos de 2 mil habitantes...
Questão 4 - Se as obras parassem, e hipotéticamente o projecto fodsse embargado, será que os comentários e pontos de vista não seriam exactamente os opostos aos actuais?

Sobre a minha opinião, nada comento, pois tal como disse, tenho ouvido muita coisa, mas não vejo razões de imposição para o progresso do Concelho.

Mais lembro a polémica ambiental envolvida na Ponte Vasco da Gama. No entanto tenho ouvido que actualmente a fauna está melhor que antes da sua construção.

Que as críticas sejam constructivas,

Cumprimentos,
Uther II

lb disse...

Caro Uther!

Mas ninguém está contra o progresso aqui, pelo menos no que a mim me toca, não sou contra o progresso... Apenas questiono a forma como este progresso é feito... Será que estamos mesmo a falar de progresso?

É que a destruição de quintas históricas para a construção de mais não sei quantos blocos habitacionais não se me afigura como um progresso por aí além senão vejamos:
- Cria empregos? - sim! durante a construção e depois?
- Exige um cada vez maior investimento camarário em infraestruturas básicas? - Sim! e à custa de quem?
- Saturação das vias de comunicação com a consequente necessidade de aumento das mesmas por forma a fazer face ao aumento do tráfego automóvel - à custa do quê e de quem?
- Maiores necessidades de ajustamento da oferta de transportes públicos para fazer face à crescente demanda de transportes para as zonas onde as pessoas trabalham - é que, na maioria dos casos, quem habita nestes concelhos não trabalha nos mesmos, normalmente terá de se deslocar para Lisboa, Oeiras, etc..
- Degradação da qualidade de vida de quem já cá habita há muitos anos. Afinal as Câmaras deverão trabalhar para os seus municipes, ou para municipes vindouros? - e atenção que nada me move contra que existam cada vez mais pessoas a habitar no concelho, começo é pensar na falta de espaço...

Agora relativamente à questão do centro de estágio... pois concerteza que trará alguma animação à cidade do Seixal. Daí a ser um pólo dinamizador do concelho, espero que sim, que contribua positivamente para isso.

Mas o que eu não vejo, não ouço que existam planos, desconheço quaisquer movimentações das Câmaras para tal é, o tal progresso, o progresso que não é feito só de construção de habitação.

Empresas, emprego, etc... nada!

Joana Lima disse...

Isto é progresso como o das periferias de Paris que foram para aqui decalcadas (não copiatam o bom é claro), depois dará estou certa, mais tarde ou mais cedo que os habitantes da Quinta da Princesa, Quinta da Cucena... (para quem não conhece não são quintas mas problemáticos bairros sociais)ao ver que não têm a qualidade de vida destas supostas urbanizações de luxo (pelo menos pagam-se como tal) , virão depois para aqui e não será para passear...

Os senhores autarcas estão a construir uma bomba relógio de muito dificil dezactivação. Em Paris já explodiu, olhem que para aqui não deve faltar muito.

Uther II disse...

Caro lb,
Compreendo onde quer chegar.
No entanto, podde criar comércio local, dinamizado pela quantidade populacional que lá irá existir;
Cria habitações e nova gente virá morar para o Seixal. Pode ser visto negativamente, caso não exista um bom projecto urbanistico.
No entanto a necessidade move o ser humano e é neste ponto que começa a existir o progresso.
As Câmaras devem de trabalhar tanto para os municipes, como para os municipes vindouros(embora eu pense que seja preocupante para o executivo os munícipes vindouros e da sua ideologia politica mas isso é outro tema). Desse trabalho, novos projectos virão. Concordo que nem só de urbanização deve viver o Seixal, mas quem sabe se serviços centrais e postos tecnologicos não comecem a apostar na Margem Sul como fazem em Oeiras?
Não sabemos... Apenas um bom planeamento infraestrutural levaria a este sonho.

E quanto ao bairro social planeado/proposto para perto de Fernão Ferro/Quinta da mata?
Não será mais preocupante?
Vamos trazer novos municipes que os outros municipios não querem?
Eu prefiro cá aqueles que veem por bem e de livre vontade...

Mariana Belo disse...

Uber compreendo a perspectiva, mas quando se vai pôr um ponto final?

.Seixal passou de 30000 para 160000 habitantes em 30 anos

.Seixal perdeu o atractivo dos espaços verdes que têm acabado a um ritmo assustador e construido perigosamente guetos nas periferias.Agora querem guetos para "ricos"???

.Seixal continua a crescer em àrea Industrial, PIS e tudo o que aparece...

.Seixal espera mais meia duzia de urbanizações do tipo da que agora está ser comercializada para a Qta.Trindade.

Quando se põe um ponto final na construção em terreno virgem e se começa a reabilitar as zonas antigas a começar pelos Bairros sociais dos anos 60...???

LB disse...

Caro Uther,

Pelos vistos partilhamos de algumas preocupações comuns... no entanto, a mim, preocupa-me imenso, este modelo de desenvolvimento.
Ressalva-se aliás, a não exlusividade deste modelo no que ao concelho do Seixal diz respeito. É um problema nacional, e em particular da Área Metropolitana de Lisboa.
Eu questiono o modelo, e na maioria dos casos sou contra o mesmo, porque constato que, não existe qualquer tipo de modelo! Ou seja, como não há modelo, vai-se "contruindo" uma manta de retalhos que a mim não me agrada. E tanto se me dá que os bairros sejam para classes altas ou baixas porque o problema está no modelo de desenvolvimento não definido!

Se calhar o amigo Uther estará a perguntar-se: mas porque é que este gajo "escolheu-me" para discutir isto? :) - é que fico feliz por existirem pessoas que estão preocupadas e que gostam de debater diferentes pontos de vista. Isso é bom!

Uther II disse...

Caro LB,
São as discussões e os pontos de vista diferentes que criam as novas soluções ou que nos abrem o horizonte. Quando as criticas são constructivas e sabemos ouvi-las, de certo que nos tornamos muito mais ricos do que somos. Eu é que tenho de agradecer este debate.
Concordo que quando existe falta de modelo/planeamento e urbanizações ficam problemáticas, que acontece com Santa Marta do Pinhal, Massamá ou Rio de Mouro, os projectos não devem avançar. Se as infraestruturas e acessos são saturadas pelo aumento demográfico, estou contra qualquer criação urbanística.
Esta sim é uma razão lógica para não estar de acordo com a construção na Quinta da Trindade.
Cara Sra Mariana Belo,
A reabilitação é um projecto bonito, mas utópico caso ninguém venha a lucrar com isso. Temos o exmplo da zonha ribeirinha do Seixal, onde moram 2000 habitantes e onde as casas estão a cair de podres, situação que agrada aos senhorios(não gastam dinheiro em obras) e aos arrendatários(que não pagam muito para lá morarem).
Seixal cresce em área industrial?
Onde? É que desconheço novas indústrias no Seixal, mas ouço falar muito nas que fecharam há anos atrás.

Cumprimentos,
Uther II

Mariana Belo disse...

Caro UtherII,(np e lb) pela primeira vez participo numa discussão civilizada neste forum de facto com questões postas criteriosamente e não com irracionalismos clubisticos ou partidários, o tema de hoje fácilmente nos guiaria nesse facilitismo.

Continuo a defender a reconversão urbana, e ela só não é viàvel e uma utupia como lhe chama no presente, porque se permite construir em terreno agricola, em leito de cheia, em montado, em charneca ou sobre as dunas.

Se houvesse critério e uma politica de contenção do uso do solo pensando na sustentabilidade, já seria praticável a recuperação dos centros históricos dando-lhes de novo vida e valor.

E não é uma utopia sabe porquê, porque o PDM do Seixal prevê isso, como todos os documentos e politicas regionais assumidas pela autarquia do Seixal (PROTAL e outros) simplesmente , não se cumpre a lei!

Quanto aos terrenos industriais , caso não tenha reparado o que está a dar é a construção de pavilhões, para pôr a render... não se destinam a nenhuma industria , comercio ou serviço pré destinado, o objectivo é a especulação e o dinheiro fácil permitido pelo tráfego de influências...

Obrigado por esta troca de pontos de vista. Cordialmente