terça-feira, agosto 29, 2006

A INDIA NA MOITA, O TERCEIRO MUNDO NA OUTRA BANDA












Cais Novo na Moita, um estaleiro de desmantelamento de navios que nos faz parecer estar na India.

Outro problema ambiental grave no Estuário do Tejo é o selvagem e sem controlo desmantelamento de navios no concelho da Moita
. O demantelamento de navios em fim de vida, sobretudo da geração de navios que chegou agora ao fim do seu ciclo é uma operação delicada em termos ambientais pelos materiais usados na sua construção, nomeadamente pelo uso generalizado de amianto.

Todos se lembrarão ainda da polémica acontecida Março ultimo, que envolveu o desmantelamento do Porta Aviões francês Clemmenceau e que os franceses pretendiam enviar para a India, um país que é um paraíso para este tipo de operações .

Em Maio a polémica voltou a acender-se com a Greenpeace a aconselhar as autoridades indianas a proíbir o desmantelamento de um navio de cruzeiro SS. FRANCE propriedade de uma companhia Malaia, em Alang. Só este navio "carrega 900 toneladas de amianto , estando também contaminado com substâncias tóxicas e cancerígenas banidas internacionalmente" segundo a Greenpeace.

Segundo a Greenpeace esta actividade de desmantelamento de navios é das actividades económicas mais poluentes e que ocorre em zonas do planeta onde não há controlo ambiental, como a India, pondo em risco operários e o meio ambiente.

A actividade que se desenvolve no cais novo da Moita é digna de países sem qualquer controlo ambiental, mas poucos imaginarão que tal se faz com vista para uma capital europeia...Lisboa, logo ali, na outra banda.





15 comentários:

João Afonso disse...

Senhor Ponto Verde concordo inteiramente com este post! Todavia era bom que tivesse o cuidado de esclarecer os seus mais de 500 visitantes diáriose afirmasse que a culpa destes desmantelamentos selvagens é da Administração do Porto de Lisboa e da Capitania do Porto de Lisboa, bem como que as Autarquias locais não tem qualquer jurisdição sobre estas áreas. Saberá o senhor, que tudo sabe, que a APL e a Capitania obrigam os proprietários dos terrenos confinantes ao leito dos rios a deixarem que o desmantelamento destes navios seja efectuado nas suas propriedades, não se preocupando minimente com os residuos... Saberá o senhor que um proprietário não aceitou tal imposição, e foi ameaçado com pesadas multas... Recorreu a Tribunal, e a APL alegou que os residuos era o menos importante, que o importante era o desmantelamento das embarcações para "limpeza" do Rio. Saberá que noutro caso a Capitania do Porto de Lisboa e a Policia Maritima, sem qualquer aviso, entrou num terreno privado, e sob ameaça de prisão ao proprietário, efectuaram uma manobra de desmantelamento de um navio, não se preocupando minimamente com os residuos. Pois é tudo isto é triste... Tudo isto é o Portugal que temos!

almerindo dias disse...

Cabe às autarquias denuciar estas situações, nomeadamente aquelas que são fruto de uma coligação com um partido dito ecologista como "OS VERDES".

A península de Setúbal não é só co-incineração nem manif's para os benzocas levarem os iates até ao Portinho da Arrábida.

João Afonso disse...

Para o ponto verde e amiguinhos cabe as autarquias denunciar estas situações... Mas quantas vezes as autarquias as denunciaram? Qulaquer cidadão bem informado e honesto intelectualmente tem conhecimento dessas denuncias, as quais caiem em "saco roto". Agora é evidente que a ideia dos pontinhos é utilizar este facto para atacar as autarquias, só que mais uma vez o "tiro saiu-lhes pela culatra..."

moiteiro disse...

A autarquia podia por exemplo interditar o acesso ao trânsito de pesados, isto se interessa-se ou não ganhasse com o caso.

alfredo disse...

"Quem cala consente"

Onde estão os protestos dos chamados "verdes"? Estão com a cabeça na areia, né joão afonso?

Pirate disse...

«...logo em Lisboa, capital europeia» ?
Só se for por "acidente" geográfico. porque Lisboa é capital de um país que diverge da UE em cada ano que passa, não só em termos de incumprimento de normas ambientais mas também nos principais indicadores sócio económicos e isto apesar das paixões do actual governo pelo desenvolvimento sustentado numa pretensa revolução tecnológica...
Como escreveu Fernando Sobral no Jornal de Negócios
"Sócrates é um actor. E acredita que Portugal é um palco à altura das suas potencialidades."
Portugal continua a anos luz de uma política ambiental sólida e ambiciosa.
Comparem-se por exemplo os níveis de triagem e reciclagem dos diversos tipos de lixo entre Portugal e os restantes países da UE.
Está tudo dito...
Estamos mesmo mais perto da India no ambiente.

Caparicano disse...

A Margem Sul, por já ser poluída, não tem que continuar a receber todas as actividades marítimas e fluviais poluentes da Grande Lisboa ! Só em Almada temos os silos de cereais na Trafaria, a Lisnave, os portos de transfega de combustível na Banática (Monte da Caparica), e os inevitáveis efluentes domésticos.

O estuário do Tejo é uma das áreas mais bonitas da Europa, e uma das mais poluídas e mal tratadas. Dá que pensar...

AV disse...

O abandono a que está votada a zona ribeirinha junto ao chamado "Cais Novo" de Alhos Vedros pode ter origem nos tratos de polé dados pela APL mas que me pareça, a construção de qualquer vedação que impedisse o abandono de monos como sofás e frigoríficos em zonas de antigos viveiros e marinhas podia ser da responsabilidade da autarquia, assim como - e vamos ser honestos - nunca nas últimas décadas se fez qualquer tipo de sensibilização e mobilização da população para aquele problema como se fez com outros, é verdade que sempre sem resultados práticos.
Mas o mais estranho é que na AMunicipal está uma líder nacional de OS Verdes e na JFregueisa de Alhos Vedros um outro dirigente dessa força política (é verdade que eles são quase todos dirigentes... pois militantes de base são para aí uns 3) e nunca houve qualquer tipo de declarações públicas sobre o assunto que não fossem forçadas, enquanto sempre se pronunciaram sobre tudo e mais alguma outra coisa.

AV1

Martin Salvador disse...

E quanto ganha a CM da Moita por ter tal empresa instalada no concelho?

nunocavaco disse...

Mais um post que demonstra que o ponto verde só percebe de batatas, fritas, e no prato. Atira a tudo o que é CDU sem saber o que faz. A responsabilidade é da A.P.L. e por muitas vezes, ao contrário do que o Av1 escreveu, as autarquias se manifestaram contra esta situação.

João Afonso disse...

Neste caso o Ponto Verde errou foi o alvo, julgava que acertava na CDU e acertou no Governo PS/APL... O problema deve ser da azia por causa da Festa do Avante.

AV disse...

EU no caso do NCavao demmonstraria o que afirma, em vez de apenas enunciar.
É que o Cais está lá desde antes de ele ter nascido e talvez por isso, ele não esteja a par de tudo o que se fez mas, como afirma que a CMM agiu, escreva quando e como e digitalize lá um documento ou faça um link para provar o que afirma.

Quanto às minha críticas ao comportamento de OS Verdes, sempre tão preocupados com a co-incineração, registo que ninguém defende o seu silêncio neste caso.

AV1

André Santos disse...

Concordo plenamente com o post.

Sr. João Afonso, esqueça lá as autarquias e os partidos politicos porque isto aqui é caso nacional e você já me está a meter impressão com as suas politiquices.

Ou vai dizer que gosta do que viu na foto?
É que quem não gosta reclama, independentemente de quem for a culpa!

alfredo disse...

Este nuno cavaco/joão afonso é um fartote de rir.

É com cada bocarra, mas provar...

João Afonso disse...

André Santos
Meu caro se lesse o meu primeiro comentário saberia a minha posição sobre o assunto. Todavia o ponto verde, em comentário feito, aproveitou o assunto para desferir mais um ataque às Câmaras - para ele as Câmaras comunas são culpadas de todos os problemas que se passam na margem sul, inclusive das unhas encravadas dos municipes... O que me obrigou a responder. Em face disto errou o alvo, com a referência a politiquices!