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sexta-feira, setembro 24, 2010

SEIXAL JÁ "EXPORTA" CRIMINOSOS


Do Seixal para o país , assim se poderia titular este post , uma vez que que o bando envolvido num recente violento assalto à mão armada a um restaurante chinês do Porto Alto era oriundo do Bairro Social da Quinta da Princesa.

Do Correio da Manhã de 17/09/10 : « O gang, todo originário do bairro da Quinta da Princesa na Cruz de Pau, Seixal e com antecedentes de crimes violentos, roubou cerca de dez mil euros em dinheiro a vários clientes, bem como bens avaliados em 11 mil euros. Até levaram o BMW do dono do restaurante avaliado em dez mil euros »

Tirem as vossas ilações .

quinta-feira, setembro 23, 2010

AINDA O CARNAVAL DO AVANTE


A queixa de um leitor, numa carta publicada no Jornal Comércio do Seixal e Sesimbra do dia 10 de Setembro e que por constituir o sentir de muitos residentes aqui reproduzimos alguns excertos:

« Venho por este meio mostrar o meu desagrado, na condição de morador na Quinta da Medideira, em relaçã à frma como, de ano para ano, o organização da « Festa do Avante» tem vindo a piorar o seu desempenho. (...)

As ruas são bloqueadas por agentes e swó poderão passar os condutores que apresentarem um "livre trânsito" , disponibilizado pela CM. do Seixal aos MORADORES. (...)

(...) os moradores vêem-se, durante os três dias da festa Comunista, impedidos de tirarem os seus carros do estacionamento, visto que estes são trancados por outros, vendo-se obrigados a buzinar durante extensos minutos para poderem saír da sua rua para, tão simplesmente , irem trabalhar. (...)

Este ano vi cenas surreais de jovens a serem esmagados contra as grades do parque, depois de ingerirem grandes quantidades de álcool (...) .

E este cenário dantesco repete-se várias vezes , ano após ano . Três dias de intenso barulho, onde se assiste a cenas deploráveis da condição humana. Cada vez mais os visitantes da «festa do Avante» são menores de idade, que ingerem álcool e drogas livremente , longe da vigilância dos pais.

O Avante é liberdade . Liberdade para fazerem o que querem, tal como urinar contra as paredes dos prédios das ruas que dão acesso às entradas principais da Festa (...). Mário Fernandes »

Nota : Excertos , a carta pode ser lida na íntegra no Jornal Comércio do Seixal e Sesimbra de 10 de Setembro de 2010 pag 6.

sexta-feira, março 19, 2010

NOVA POLITICA DE HABITAÇÃO TAMBÉM NO SEIXAL ?


A notícia foi dada com discrição e não teve dos jornais locais , destaque algum, mas vincula a palavra do Presidente da Câmara do Seixal, Alfredo Monteiro , a uma nova politica de urbanismo e de habitação social.

Alfredo Monteiro segue assim recomendações que vêm de vários sectores da sociedade, nomeadamente aqueles que estudam mais profundamente os fenómenos de exclusão e guetização provocada por uma politica errada de habitação social seguida ao longo de décadas nas periferias das maiores cidades.


A notícia a que me refiro reporta-se a declarações de Alfredo Monteiro em reunião de Câmara sendo-lhe atribuídas as seguintes declarações, a propósito dos realojamentos dos habitantes do Vale de Chícharos , Jamaica :

« Estamos à procura de uma solução de realojamento para as famílias de Vale de Chícharos ao abrigo do recenseamento de 1997, procurando encontrar habitações devolutas e através de um acordo com as entidades bancárias. Neste momento de crise que vivemos, a solução não passa por construír novas casas, mas sim por utilizar as que se encontram devolutas, numa parceria que passa também pela reabilitação urbana »

Não podia estar mais de acordo, só discordo na desculpa da "crise que vivemos" , a questão de não construção de mais habitação deve ter a ver sim , com o abandono de politicas guetizantes uma oferta de casas novas que excede largamente a procura , com uma quantidade enorme de casas devolutas e com um parque habitacional degradado e também devoluto a necessitar de reabilitação e de... habitantes , para dar vida a zonas perfeitamente abandonadas ( e devidamente infraestruturas...com escolas desertas... centros de saúde sem utentes...) das nossas cidades.

- Relembro também que são leiloadas pelos bancos 120 casas por semana !

terça-feira, fevereiro 09, 2010

GADO , HORTAS E O FUTURO DAS CIDADES


Ontem no DN , por Roberto Dores ; " Embebedamo-nos com problemas como o TGV, sem nos apercebermos da gravidade em que caiu o nosso abastecimento" (Gonçalo Ribeiro Telles):

« Criação de cavalos no centro de Lisboa - mesmo que um dos animais fuja, como aconteceu na madrugada da passada terça-feira - ou o rebanho que cruza uma aldeia entre o redil e a pastagem, passando pelo meio dos moradores, têm um significado muito semelhante para o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles: "São as nossas origens agrícolas, que, infelizmente, estão tão esquecidas. A agricultura urbana deveria ter integração obrigatória no planeamento urbano, e o gado e a pastorícia são peças fundamentais nesse processo", alerta.

Segundo Ribeiro Telles, Portugal regista um "atraso secular" nesta matéria, o que está a provocar, garante, o despovoamento das aldeias e consequente procura dos subúrbios das grandes cidades, com elevadas concentrações humanas. Loures e Estoril, onde ainda resistem alguns pastores, depois de debandada geral das últimas décadas, são exemplos de desertificação apontados pelo arquitecto às portas de Lisboa. "Embebedamo-nos com problemas como o TGV, sem nos apercebermos da gravidade em que caiu o nosso abastecimento", insiste, defendendo que os animais domésticos "têm de ter cabimento nas nossas cidades, vilas e aldeias".

E não interessa se são "cavalos, ovelhas, galinhas ou porcos". Nem tão-pouco se atravessam aldeias, estradas ou cidades. "Os animais dão vida, porque uma terra que tenha animais, tem pastoreio, tem casas habitadas, tem escolas e futuro. Hoje só vemos velhos nas aldeias, escolas fechadas e os caminhos por onde o gado passa totalmente destruídos. Estamos a criar um deserto para viabilizar a monocultura industrial do eucalipto e do pinheiro", lamenta.

Para Ribeiro Telles, não é por acaso que as universidades americanas há muito que debatem o problema da agricultura urbana, que começou a disseminar-se por toda a parte. "É triste, mas nós não conhecemos nada desta realidade. Há quem defenda que a cidade e Lisboa não comporta vegetação e agora até há o perigo de aparecerem as casas ecológicas com telhados cobertos de plantas para haver mais espaço para construção em massa", diz o especialista.

O arquitecto admite que o debate em Portugal sobre a recuperação do pastoreio nas cidades "está mais do que feito". Porém, dá um exemplo de como todos os argumentos têm caído em saco roto: "Quando se quer promover uma parcela de terreno, põe-se uma menina bonita ao lado", refere, lamentando que ninguém invista num outdoor com os utilizadores da paisagem, que seriam os pastores. Chegámos ao cúmulo de ver placas à beira da estrada afixadas nas melhores várzeas do país", aponta. »

domingo, maio 24, 2009

A PROPÓSITO DA BELA VISTA (3)



« (...) No fundo , a Bela Vista e muitas outras urbes similares são produto e consequência de uma tormentosa acumulação de erros.


Entre muitos outros, há a destacar os seguintes : organização espacial, planeamento urbano, inserção e reinserção de minirias e franjas desfavorecidas, desinvestimento cultural e planificação social.

À semelhança da arquitectura, que promove o encaixotamento humano, centenas de famílias desenraizadas foram ali colocadas sem contexto, criando um pequeno grande gueto sem identidade mas com códigos e cultura próprios.

Estigmatizados ao longo dos tempos, assumindo a chancela de "um mundo à parte" ou "terra de ninguém" , a Bela Vista foi misturando o seu caldo de cultura em função de lógicas de sobrevivência e de retaliação. (...)

O estigma avolumou-se, as diferenças acentuaram-se e a tragédia irrompeu.

Agora é preciso tratar os despojos e acautelar o futuro próximo.

E essa é uma tarefa de todos e deve começar de imediato.»

Raul Tavares (Jornal da Região 16/5/09 - Editorial)
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Ao longo dos últimos três dias vimos aqui três artigos de opinião, de três jornais e de três autores diferentes. Todos eles , observadores independentes, diagnosticam os mesmos males, os mesmos erros.

Será que o Poder Central e Local , o Ministério da Habitação, do Ambiente, a Procuradoria Geral da República , a Provedoria de Justiça , as CCDR's , o Tribunal de Contas vão continuar a assinar de cruz estes projectos patrocinados pelas "autarquias" , quando muitos deles, como é o caso da Flôr da Mata , Pinhal dos Frades no Seixal, são acima de tudo , um caso de polícia, mais que de politica ... e muito menos de habitação?

quarta-feira, maio 20, 2009

O DESERTO



Quando o ex. militante comunista , hoje ministro das Obras Públicas, Mário Lino se referiu à Margem Sul como um deserto, devia conhecer a filosofia destas autarquias CDU que têm uma incompatibilidade visceral a tudo o que é campo, a tudo o que é árvore e espaço verde .

A mais recente notícia de desflorestação veio-nos de junto da A2, Estação de Serviço Seixal e é visível por todos os que ali passam. Agora já não há àrvores que regenerem o ar ou que absorvam os maus cheiros do aterro mesmo ali ao lado.

De Miratejo chega-nos também a denúncia e a crítica do corte das àrvores de maior porte de alameda principal .
Mas alguém consegue explicar esta politica de desertificação ?

Será que a filosofia é zonas de qualidade na Margem Sul, bem urbanizadas e arborizadas ? Jamais ! (em francês... leia-se JAMÉ)

domingo, maio 17, 2009

HABITAÇÃO SOCIAL , DA AUTOCONSTRUÇÃO À CORRUPÇÃO (3)


No ído período pós revolucionário ,vulgo PREC , as politicas de habitação social que assentaram na Operação SAAL , tinham a sustentá-las um envolvimento do Estado numa dinâmica de diálogo tripartida com os cidadãos e com os técnicos (arquitectos e sociólogos...) envolvidos nesse processo e até com o Movimento das Forças Armadas .

Isto numa fase em que o país se encontrava sem dinheiro, mergulhado nas consequências do primeiro choque petrolífero , e práticamente ingovernável .


Nos finais de 1975 dáva-se o 25 de Novembro , em 1976 era aprovada a Constituição e aconteciam as primeiras eleições para o Poder Local . Emergiam associações de moradores e uma grande dinâmica de intervenção social.

Foi neste enquadramento histórico que nasceu a Operação SAAL que pretendia , aplicar , com o envolvimento dos actores acima mencionados, politicas de habitação em ruptura com os Bairros Sociais da ultima fase do Estado Novo e que aplicava a politica de bairros sociais segregadores para as periferias urbanas.


Da discussão entre todos os intervenientes no processo surgiram objectivos que conduziram este programa para políticas urbanas e de habitação com as seguintes linhas mestras :

- O direito a uma habitação decente e o «direito ao lugar».

Estes objectivos eram encarados como objectivos realistas e tangíveis, suficientemente precisos para permitir a mobilização ampla de um leque diversificado de actores, especialmente de populações locais, e suficientemente progressistas para se «encaixarem» no projecto mais amplo de transformação socialista da sociedade portuguesa.

Enquanto o primeiro objectivo - a habitação decente - ecoava directamente nas necessidades mais básicas de amplos sectores das populações urbanas, o segundo objectivo - o «direito ao lugar» -, enraizava-se numa longa história de resistência das populações de bairros urbanos contra a sua transferência, pela força ou por via de decisões administrativas - ainda que com a melhor das intenções - para outros bairros, normalmente situados nas periferias da cidade.


Depois de 1976, contudo, este tipo de política habitacional, associado à recusa do «direito ao lugar», foi frequentemente utilizado como meio para a redistribuição de populações em função das dinâmicas de especulação fundiária e dos negócios da construção civil, dando origem a graves situações de exclusão social. Populações de vários bairros urbanos continuam, hoje, a resistir a essa política. (João Arriscado Nunes , Nuno Serra
in «Casas decentes para o povo»: movimentos urbanos e emancipação em Portugal ).

Outra marca do SAAL era a vincada vertente arquitectónica dos seus projectos que hoje são referência internacional , com as assinaturas de Siza Vieira (imagem 1 Bairro das Bouças Porto) , Eduardo Souto Moura , Hestnes Ferreira ou Gonçalo Byrne (imagem 2 Bairro Casal da Figueira Setúbal ) entre outros , marca abandonada pelos blocos descaracterizantes e estigmatizantes , da habitação social mais recente.

O que se fez posteriormente à extição do SAAL , pode-se dizer que foi o recuperar das politicas de habitação social do final da ditadura , com as consequências que passados trinta anos se conhecem, quer socialmente, quer do ponto de vista urbano.

O que é ainda mais triste é verificar que, as autarquias que seguiram supostamente , desde essas primeiras eleições autárquicas de 1976 , a alegada via da participação popular acabaram por seguir o mesmo caminho fascista, autoritário, segregador e guetizante das ideias que supostamente combatiam.

Houve um aproveitamento político e clientelismo na subversão de princípios dos programas de habitação social posteriores, como o PER (Plano Especial de Realojamento já extinto ) , ou CDH (Contrato de Desenvolvimento de Habitação) que entraram na especulação fundiária, na procura das mais valias por alteração de uso do solo e construção civíl , que nem os Planos Directores Municipais vieram pôr cobro, antes serviram como mais um instrumento de delapidação territorial, saque ambiental e tráfico de influências marginalizando ao mesmo tempo populações carenciadas para as periferias em verdadeiros guetos com resultados que diáriamente fazem notícia .

sábado, maio 16, 2009

HABITAÇÃO SOCIAL , DA AUTOCONSTRUÇÃO À CORRUPÇÃO (2)



A Aldeia da Meia Praia em Lagos foi também ela uma operação SAAL tornada famosa por uma canção de José Afonso , a "canção da autoconstrução" .

Hoje a "canção é a da chave na mão" , paga paternalisticamente por todos nós , com o orçamento mínimo fraudulento ou o subsídio de desemprego forjado ...

A filosofia base do SAAL era construír habitação condigna, não nas periferias , criando guetos , mas nos próprios locais onde as pessoas viviam e estavam integradas. Era envolver as populações no esforço social de construção criando importantíssimos laços afectivos às habitações.

Aldeia da Meia-Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faço
(...)

Oh mar que tanto forcejas
Pescador de peixe ingrato
Trabalhaste noite e dia
Para ganhares um pataco
(...)
Quem aqui vier morar
Nao traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana
(...)
Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te mudo
Chupam-te até ao tutano
Chupam-te o couro cab'ludo
(...)
Diz o amigo no aperto
Pouco ganho, muita léria
Hei-de fazer uma casa
Feita de pau e de pedra
(...)
Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado

Veio um cheque pelo correio
E alguns pedreiros amigos
Disse o pescador consigo
Só quem trabalha é honrado

Quem aqui vier morar
Nao traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana

Eram mulheres e crianças
Cada um c'o seu tijolo
"Isto aqui era uma orquestra"
Quem diz o contrário é tolo

E toda a gente interessada
Colabarou a preceito
- Vamos trabalhar a eito
Dizia a rapaziada

Nao basta pregar um prego
Para ter um bairro novo
Só "unidos venceremos"
Reza um ditado do Povo
(...)
Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar pra trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

(...)

Eram mulheres e crianças
Cada um c'o seu tijolo
"Isto aqui era uma orquestra"
Quem diz o contrário é tolo

quinta-feira, maio 14, 2009

HABITAÇÃO SOCIAL , DA AUTOCONSTRUÇÃO À CORRUPÇÃO



Em 1975 a abordagem que era feita ao "Direito à habitação" (clique) tinha como estratégia a operação SAAL.

A Operação SAAL (clique) (Serviço Ambulatório de Apoio Local), foi um programa de habitação, que surgiu entre 1974 e 1975, no Porto, Lisboa, Setúbal e Algarve. Este programa, consistia na construção de casas a baixo custo, para as populações carenciadas. Estas construções eram financiadas a fundo perdido, com apoio no terreno, através de arquitectos e engenheiros, contratados pelo Estado e também da ajuda dos próprios moradores. Este programa visava a erradicação completa das zonas de barracas.

Está em exibição, um filme que retrata este programa, intitulado “As operações SAAL” do realizador João Dias.

AS OPERAÇÕES SAAL, de João Dias é o mais completo, abrangente e emocionalmente rico documento, de um período crítico do Pais e da sua história recente. Em 1974/75, um projecto de habitação envolveu arquitectos e população numa iniciativa única e revolucionária. Os pobres conquistavam casas, que eles próprios construíam, e a arquitectura portuguesa dava um passo ímpar na sua afirmação dentro e fora de portas.

Trinta anos depois, as memórias filmadas dos actores destes processos ajudam a entender as repercussões sociais e culturais das Operações SAAL, ao mesmo tempo que um extenso acervo documental inédito ajudará a reflectir sobre os caminhos que a arquitectura e o urbanismo têm percorrido desde essa altura.

AS OPERAÇÕES SAAL é um exemplo de documentário crítico, porque os sucessivos avanços na acção - e no território - resultam de um obsessivo desejo de intromissão na verdade, contaminado de um sentido de urgência perante factos em risco de desaparecimento. (Dossier de imprensa).

sexta-feira, maio 08, 2009

JOVENS NOS CENTROS


Os dois casos que aqui aflorei nos últimos dias revela que apesar de todas as mudanças operadas na sociedade na última década , das questões levantadas com estes modelos de "urbanismo" ultrapassados e marginalizadores, da crise que se abateu sobre o imobiliário e do excesso de habitação construída , as autarquias de Almada e Seixal propõem-se , mais uma vez e com dinheiros públicos recriar os erros do passado e problemas do presente , Quinta da Fonte , Quinta da Princesa, Bela Vista ...

Com a agravante de estar a arrazar com teritório de grande valia ecológica . quando falo de valia ecológica falo de questões que têm a ver com o equilibrio ambiental e qualidade de vida da própria especie humana que de forma tão displicente, inconsequente e ignorante trata terrenos que leis anteriores queriam ver como protegidos.


Continua a haver um contínuo expandir das zonas urbanas , ao contrário do que acontece na Europa , ao mesmo tempo que os centros das cidades se degradam, envelhecem e desertificam , deixando fora de uso equipamentos que nos custaram dinheiro e que agora ficam desaproveitados , como escolas, centros de saúde, hospitais ... voltando a ser replicados na periferia , custando-nos mais dinheiro...


Há um non-sense total nestas politicas, pelo que é uma lufada de ar-fresco ver que na base de poder do sistema autárquico alguém põe o dedo na ferida , passo a citar parte de um texto publicado no Blogue Rumo a Bombordo sobre o Seixal :

«Infelizmente, é com muita tristeza minha que encaro a situação do centro histórico do Seixal, praticamente ao abandono, e a degradar-se mais a cada dia que passa.

A diminuição da população nas últimas décadas na Freguesia do Seixal é um dado assente.
É uma população envelhecida e maioritariamente carenciada, que não possui rendimentos suficientes para reabilitar os edifícios.

Não irão ser os condomínios privados que se constroem nas periferias que vão combater a desertificação. É necessário aproveitar as infra-estruturas já existentes, para assim podermos remodelar e dar vida nova ao centro histórico do Seixal.

Urge dar a conhecer a todos os cidadãos do Seixal, que o seu centro histórico irá ser entregue ao abandono, com a saída dos serviços camarários, para o novo edifício administrativo situado na Arrentela, que juntamente com o parque oficinal, irá custar cerca de 250 mil euros mensais à autarquia e consequentemente aos munícipes.


Qual será o futuro dos pequenos comerciantes que na sua maioria sobrevivem ao dia a dia graças aos funcionários camarários? São eles que irão notar a diferença, que irão sofrer com a mudança.
É por tudo isto que temos a obrigação de apostar nas obras de conservação e no cada vez maior mercado de arrendamento dos edifícios do centro histórico.

É urgente utilizar todos os mecanismos possíveis para a recuperação urbana do centro histórico do Seixal. É necessário trazer os jovens de novo para o centro histórico, e para isso há que criar novos fogos para habitação jovem.

Há que adquirir e recuperar os prédios do centro histórico e disponibilizalos para fogos de habitação jovem. Um dos nossos objectivos será a criação de um programa de habitação jovem nos núcleos de formação histórica. Alguns dos edifícios do centro histórico são de grande dimensão, como T4 ou T5 ou até alguns T6, o que permite a sua reconversão, aumentando o número de casas disponíveis.

Desta forma, cada fogo pode permitir construir pelo menos 3 novas casas, requalificando e transformando-se, em grande parte, em casas mais pequenas, de maior interesse para os jovens. Não nos podemos esquecer, que para o executivo camarário da CDU, o Seixal histórico está oficialmente “aniquilado”.

Devemos igualmente lembrar que com o projecto que a câmara tem, e que a junta apoia, nada será feito em prol dos Seixalenses que habitam no centro histórico, e de todos os seus comerciantes, pelo contrário, arriscamo-nos a ver perecer, perante os nossos olhos o centro histórico do Seixal.(...)
»

[por Rui Miguel Brás]
Membro da Assembleia de Freguesia da Secção do PS Seixal/Arrentela

quinta-feira, maio 07, 2009

ALMADA - O CAVALO DE TRÓIA DAS TERRAS DA COSTA


Ponto prévio : As Terras da Costa têm dos terrenos mais férteis do país. É desses terrenos, na sua maioria pequenas propriedades familiares, que se abastecem de frescos , grande parte dos mercados e restaurantes da região de Lisboa.

As famílias de agricultores vivem do cultivo da terra que alimenta outras actividades a juzante, não vivem do Rendimento Mínimo Garantido , nem em Casas oferecidas pela Câmara.

A Câmara de Almada ficou de posse de férteis terrenos das Terras da Costa onde hoje quer construír um Bairro social, por estes estarem classificados como Reserva Ecológica e Reserva agrícola Nacional.


A Câmara de Almada seria o fiel depositário daquele Banco de Terras, o garante da defesa da valia destes terrenos perante as presentes e futuras gerações . E o que vai fazer ? Caixotes de betão...pois então , tal como a Câmara do Seixal quer fazer na Flôr da Mata !


«Atentado às Terras da Costa na Caparica



Hoje, previa-se que às 6:00 horas as máquinas e o pessoa
l da Câmara Municipal de Almada com o apoio da GNR viessem “tomar conta”
das terras de uma família de agricultores, nas Terras da Costa (junto à Torre das argolas na Freguesia da Costa da Caparica) com o total desrespeito pelas Leis do País e pela Justiça Portuguesa. Não foi feito qualquer auto de notificação a esta família pela Câmara Municipal de Almada e por isso, a ocorrer tratava-se de uma acção de completo desrespeito pelas pessoas num Estado de Direito. Este acontecimento ainda pode ocorrer durante o dia de hoje ou nos próximos dias.

Passaram poucos dias das comemorações do 25 de Abril e depois dos ilustres discursos de pompa e circunstância, proferidos pelos responsáveis da Autarquia Almadense. Importa que a população Almadense e os Portugueses conheçam a verdade e as reais intenções da Autarquia que em nome do Desenvolvimento (não sustentado), hipotecam o futuro das Pessoas que naquelas terras trabalham e viveram, bem como, de gerações vindouras que poderiam usar este recurso.

Ontem durante a manhã, a GNR e os funcionários Municipais numa brigada pretenderam “ocupar” os terrenos desta família mas não conseguiram fazê-lo, por intervenção da acção popular. Esta brigada Municipal não tinha qualquer documento legal, mas afirmavam os fiscais municipais, que esta “expropriação” se destinava à construção de 10 prédios para habitação social - jogam-se populações umas, contra as outras.

Verificamos que desta forma se iniciou, a execução Plano de Pormenor da Frente
Urbana e Rural Nascente (PP4) – do Projecto POLIS Costa da Caparica - ainda não colocado á discussão pública e sequer, com um Estudo de Impacto Ambiental que o regule. De referir, que estas terras estavam protegidas porque faziam parte da Reserva Ecológica Nacional (REN), da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica (PPAFCC) e da Reserva Agrícola Nacional (RAN) e que foram sucessivamente desanexadas destas protecções desde 2005. Feitos alguns cálculos simples, serão urbanizadas e destruídas pela construção da estrada ER-377-2 cerca de 50 ha das Terras da Costa. Os agricultores e a população em geral irão defender as Terras da Costa contra o betão e agora, contra esta acção de “expropriação/ ocupação” ilegal e por isso, se concentraram no local para a impedir.

Os especialistas e o próprio Ministério da Agricultura e Pescas, consideram estas terras de grande valor agrícola, defendendo a sua conservação e protecção dado que, pelas suas parti
cularidades edafo-climáticas, conseguem produzir 4 colheitas anuais com uma produtividade muito elevada, sendo o seu escoamento assegurado pelos mercados da Área Metropolitana de Lisboa.

Na verdade, estes agricultores reclamam o uso e a propriedade das Terras da Costa dado que, desde há ge
rações que ali vivem e foram os seus antepassados que as reclamaram ao mar, por isso, decorre em sede de Justiça processos.
Repudiamos completamente a destruição das Terras da Costa e este acto administrativo, e por isso, já apelámos à senhora Governadora Civil de Setúbal, para que tome as providências necessárias, acautelando as tensões sociais, ambiente de intimidação e até de violência na população nesta área do Concelho de Almada.
Caparica, 29 de Abril de 2009.

José António Costa Pereira
Coordenador do Movimento um Charneca para as Pessoas»

sexta-feira, outubro 03, 2008

SEMANA DA LÓGICA (5)

No Seixal , uma das meninas dos olhos do regime em termos patrimoniais , o moinho de Maré de Corroios foi encerrado há anos para obras . Recuperamos a noticia então publicada na nota de imprensa ... em 26/08/2002 :

¨...1,5 milhões de euros, comparticipados pelo III Quadro Comunitário de Apoio, é quanto vai custar a recuperação do centenário Moinho de Maré de Corroios. Os trabalhos de reabilitação já vão em dois anos e, segundo a autarquia, com esta última fase das obras, o edifício estará aberto ao público em meados de 2003.¨


Sim viram bem , o fim das obras foi anunciado para... há mais de ... CINCO ANOS !!! ...
Ora o que acontece é que cinco anos após a prometida reabertura (
...meados de 2003... ) os portões de acesso ao espaço e o edifício matêm-se fechados!

Numa zona carente de espaços verdes , é um atentado que pelo menos o espaco exterior , ajardinado esteja também ele vedado ao público , apesar de requalificado à custa do III QCA ... apesar dos custos que exige e a sua rega e manutenção...sem que o povo possa usufruír!

É caso mais uma vez para perguntar:

QUAL É A LÓGICA ?

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PETIÇÃO POR UMA POLICIA MUNICIPAL

Nesta Margem Sul cada vez mais insegura , decorre uma iniciativa de recolha de assinaturas (clique) para subscrever uma petição destinada a exigir à Câmara do Seixal a criação de uma Policia Municipal.

PARTICIPE !

quarta-feira, outubro 01, 2008

SEMANA DA LÓGICA (3)


Em todas as cidades há árvores centenárias, exemplares belos e de grande porte, dão sombra e ar puro a várias fgerações, regulam a temperatura ambiente e são sorvedouros de carbono e poluentes.

Por estas bandas não há espécimens deste tipo, a maioria das árvores são raquiticas e pouco ou nada cuidadas, as que conseguem sobreviver e crescer criando cantos de paz e tranquilidade, são passado pouco tempo cortadas pela raiz.

Não há claramente por parte dos responsáveis autárquicos (urbanismo e ambiente) a noção patrimonial que para uma rua, para uma localidade, ou para um concelho , representa o seu património vegetal e o que tal constitu
e de bem estar para a população.














O exemplo de hoje foi-nos enviado por um leitor de Pinhal dos Frades nosso habitual colaborador e que há cerca de um ano aqui nos trouxe a destruição de um pinhal
inteiro e que hoje documenta o corte de árvores em vários pontos da zona em que reside !

Acontecendo estes cortes em pleno Outono, até parece que alguém anda a fazer um stock de lenha para aquecimento... porque se a razão era o Sol que era tapado pelas folhas lembro que sendo árvores de folha caduca deixariam em breve de cobrir o Sol, o que é útil no Verão em casas onde fácilmente se atingem mais de 4o graus



Numa das ruas foram cortadas todas as árvores , único verde no meio do betão ! Porquê ?

Tem sido recorrente o corte de árvores de grande porte nos jardins do Seixal e Amora, e relembro também o corte em árvores centenárias na Quinta da Trindade, mas este caso de Pinhal dos Frades é caricato , pois eram os únicos pontos arborizados daquela rua... que já foi um pinhal ...

QUAL A LÓGICA ?
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Comparemos agora a prática com a teoria panfletária (clique) , por exemplo nas comemorações deste ano do Dia do Ambiente . Cito:

"Raízes, a vida secreta das árvores" é o tema das comemorações do Dia da Árvore e Dia Mundial da Floresta em 2008. O programa deste ano sugere inúmeras actividades, dirigidas aos públicos mais diversos, que visam sensibilizar para o respeito pelo ambiente.

(...) acção de sensibilização sobre preservação dos espaços verdes, um concurso de fotografia, ateliês com material reciclado, sessões de leitura e visitas ao Viveiro Municipal.

Que tal uma "acção de sensibilização" destinada aos responsáveis autárquicos que tutelam a "preservação dos espaços verdes" ?

Ou então haja quem nos explique qual "a vida secreta das árvores" no Seixal que acabam inevitávelmente em troços que nem para a serração servem, só para a lareira ...

terça-feira, setembro 30, 2008

SEMANA DA LÓGICA (2)


As urbanizações nascem como cogumelos na Margem Sul, casos há de mega-urbanizações nascidas do nada há uma década, que se continuam a expandir em área e em altura sem quaisquer equipamentos , com poucos ou nenhuns arranjos exteriores e sem sítio para onde ir , sobretudo para os jovens.

São verdadeiros dormitórios que despejam gente na autoestrada, na via férrea , nos barcos da Transtejo , diáriamen
te na capital e que dela regressam ao final do dia.
Um desses péssimos exemplos na Margem Sul está em Santa Marta de Corroios.


Como contrapartida dos enormes lucros que permitem aos construtores gerar, as autarquias lá vão mendigando alguns equipamentos, a maioria dos espaços verdes, dos jardins , dos parques infantis, geralmente fica no papel , por isso que quando um equipamento é construído há que elogiar.
É o caso de um campo, ou de um ringue como lhe queiramos chamar, com piso sintético e uma excelente estética construído em Santa Marta do Pinhal ... mas qual a lógica de o dito ringue estar construído um metro abaixo do nível do terreno a toda a volta, será que não compreendem que quando chover o único desporto que ali se praticará será ... polo-aquático ?

Parece surreal, mas sim, foi feito um b
uraco quadrangular com cerca de um metro de profundidade em relação ao terreno, e aos arruamentos mais proximos , e depois, na sua base foi assente o ringue da imagem...








- Será um cenário apressado para a Seixalíada ?
- Será uma construção provisória ?
- Porque está aquela construção um metro abaixo do nível do solo ?

QUAL A LÓGICA ?

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segunda-feira, setembro 29, 2008

SEMANA DA LÓGICA (1)


As rotundas vão nascendo a bom ritmo neste jardim à beira-mar plantado e a Margem Sul é um bom exemplo desta moda.

Não bastasse a opção viária, debatemo-nos agora com uma nova corrente artistica , aquela que projecta "elementos decorativos " para os ditos circulos . Claro que há para todos os gostos , geralmente o
"gosto" e as opções roçam, umas vezes o ridiculo, outras o duvidoso , quase todas o kitsh , mas do que se estaria à espera ?

Bom, mas não é o gosto, nem a estética o objectivo deste post, é sim o perigo que determinadas opções têm para os cidadãos . Um desses exemplos é a rotunda recentemente criada nas Paivas - Seixal , aquela que tem um catavento com a forma de uma muleta , embarcação tipica do Seixal .
Esse "cata vento alegórico" encima um obelisco piramidal , mas o pior não está aqui , o perigo está na representação encontrada para as "vagas" em que navega aquela nau e composta por chapa de aço de mais ou menos cinco milimetros, algumas acabando mesmo em aresta viva (tipo barbatana de tubarão) como a imagem documenta .

Não se compreende onde andam os técnicos que tal aprovaram, nem que o presidente tenha ele mesmo inaugurado e logo aprovado , tal aberração ... então não dá para ver que aquilo, no meio de uma via é um perigo potencial?

Então não dá para imaginar um motociclista em despiste para cima daqueles gumes , ou um peão cuspido num atropelamento para cima daquelas guilhotinas , ou mesmo uma viatura ir , desgovernada, aterrar sobre aqueles abre-latas ?

Bom, parece que não ... mas se algo acontecer um dia, sabemos quem são os responsáveis !

QUAL É A LÓGICA ?
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Sobre o referido "monumento" o Boletim Municipal informou e decretou em
primeira página que "Simbolo municipal afirma memória colectiva e unidade do concelho" , uma frase que não quer dizer absolutamente ... nada , nas palavras de um conhecido ex- vereador , pouco mais será que um "silogismo ilógico"...
Da reportagem sobre a inauguração vemos acima , uma fotografia com o Presidente Alfredo Monteiro e com o Vereador do Ambiente Carlos Mateus. Parece que nenhum tem o minimo discernimento para poder antecipar o potencial perigo daquelas chapas de aço .

Assumem o risco e as inerentes responsabilidades?
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Colaborações e fotos podem ser enviadas para:

pontoverdesul@gmail.com

sábado, setembro 20, 2008

PREOCUPANTE


Noticia publicada no Correio da Manhã e Publico online de ontem e que dá conta que serão “centenas os jovens que vieram das favelas brasileiras para a Margem Sul de Lisboa e criaram o Primeiro Comando de Portugal (PCP)" !

Pergunto , o que pensa o governo fazer:

-Desafectar zonas de protecça
o ambiental para construír habitacão condigna para estes jovens ?

- Oferecer-lhes ligações de banda larga para manterem e incrementarem os seus contactos ?


-Distribuír-lhes computadores Magalhães e rebaptizá-los em up-grade Pedro Álvares Cabral para lhes facilitar a mobilidade?


E as autarquias CDU da Margem Sul, continuam relutantes em criar uma Policia Municipal ?:

É que a notícia a que me refiro acima e que passo a citar é preocupante!!!


¨Serão centenas os jovens que vieram das favelas brasileiras para a Margem Sul de Lisboa e criaram o Primeiro Comando de Portugal (PCP). Não têm documentos mas sim cadastro e as autoridades acreditam estarem por trás de actos de violência, como o que vitimou um ourives de Setúbal, noticia hoje o "Correio da Manhã".

O homem, 20 anos, que disparou sobre o ourives José Correia, que reagiu a um assalto, foi preso pela Polícia Judiciária na semana passada e está hoje em prisão preventiva. É membro do Primeiro Comando de Portugal.

O Primeiro Comando de Portugal será um clone do Primeiro Comando da Capital, que promete trazer uma nova justiça, criado no Brasil nos anos 90.

Segundo o "Correio da Manhã", as autoridades estão preocupadas com esta nova realidade trazida por centenas de jovens que se instalaram no distrito de Setúbal, organizados e dispostos a recriar os guetos brasileiros.¨


Não é curioso que tenham encontrado e reconstruído o seu habitat favelado, na Margem Sul ?
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Entretanto e no Seixal ,graças à manifestaçao do regime, a Seixaliada, toda a a mobilidade no concelho está bloqueada, pelo corte de pontos vitais da rede viária, criando monumentais engarrafamentos!

Nao está nada mal esta "semana europeia da mobilidade" ...