sábado, março 08, 2008

OS NÓS E OS LAÇOS



O Título é como sabem de
Alçada Baptista, mas traduz o que nós humanos somos, animais , racionais, que estabelecem entre si nós e laços de relacionamento.Isso , associado à inteligência , à memória e à capacidade de poder transmitir tudo isso às gerações futuras, distingue-nos dos restantes animais.

Esses nós e esses laços constroem a família, o circulo de Amigos, os conhecidos, os vizinhos...constroem a comunidade , o bairro, a aldeia, a vila, a cidade , são nós e laços afectivos que estruturam indivíduo , o inserem no grupo, lhe dão guias morais e comportamentais.



Vivemos num tempo em que há uma desestruturação efectiva desses nós e desses laços , as causas são resultado de multiplas crises, uma crise na familia ,crianças e velhos são hoje postos demasiado à margem de familia em depósitos a tempo inteiro ou quase, chamados infantário-escola ou centro de dia- lar de idosos , há uma crise de valores ao pôr o dinheiro e o consumo acima de tudo o resto , depois há uma cutura de sucesso versos precaridade que nos vão transformado em sociedade low cost com todos os riscos que daí advém.

Óbvio que tudo isto são resultado de politicas macro e muitas vezes transnacionais há muito tempo erradas.



Mas acontece que há a níve
l local uma outra quota parte de responsabilidade, uma responsabilidade notória nesta Margem onde vivemos. Uma responsabilidade que tem a ver a desestruturação da cidade não pensem que sou contra a Cidade, não sou ! Sou contra a Metrópole, essa metrópole sem centro , sem dimensão humana, sem alma ! E é a Metrópole o que os nossos autarcas da Margem Sul têm fomentado ("a Capital das duas margens com o centro no Estuário") por isso têm transformado tradições locais unicas num sucedâneo que se repete indiferenciadamente em Almada, no Laranjeiro, na Moita ou no Seixal...



É por isso que também por um cr
itério totalitarista da força politica reinante se quebraram alguns nós e laços... nós e laços que entendo aqui, ao nível da ligação com a terra, com as localidades , com as tradições e o património também o património natural ... deixa-se caír o que nos torna únicos e nos dá um sentido de comunidade, deixa-se ao abandono os locais que eram as nossas raízes e o nosso orgulho, urbaniza-se tudo por igual e enche-se rápidamente esses caixotes de betão de gente desenraizada que nunca se vai integrar porque não há diferença, porque não há espaço de cidade, o centro , as ruas, as lojas, a padaria, a mercearia...

Não há integração porque se perdeu a dimensão humana da cidade!


E isso interessa a quem de
cide, a quem controla, a quem urbaniza e vive disso, autarquias , o Partido, os construtores. Interessa construir cada vez mais, cada vez mais longe, e deixar caír o que é mais antigo, o que lembra outra forma de estar, outra cultura ... e isso é muito perigoso !

O aumento da violência, da criminalidade, da insegurança é um dos seus reflexos !

Nota - as imagens não pretendem ser nenhum pastiche fascista,mas tão só mostrar o que eramos e o que faziamos há uma ou duas gerações atrás. Porque é fundamental não esquecer quem somos, filhos e netos dessa Gente !

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DESTAQUE

Para o Dias Com árvores , um espaço verde e com raizes.

8 comentários:

ex-militante disse...

Ó Ponto verde, somos lá filhos e netos dessa gente , somos é DOUTORES, a começar pelo Alfredo ! Doutor Alfredo , com mestrado na Treta e Doutoramento em Faz de Conta! Somos lá filhos e netos de pescadores, o único no Seixal que ouvi dizer ser neto de pescadores e filho de funcionário da Mundet foi o Dr.Carlos !

Anónimo disse...

Parabéns Ponto verde. Estou-lhe grato pelo "OS NOS E OS LAÇOS" A é de grande qualidade o que se escreve aqui neste blog mas mesmo assim a cada dia surpreende-me. È espectacular. Faz-me bem saber que há mais gente a pensar como eu sobre como se devem organizar as cidades, o que não se deve fazer aos nossos idosos e às nossas crianças os perigos que representam para todos nós a cultura do betão. As fotografias foram muito bem escolhidas . O que nos dá orgulho dos nossos é se foram gente boa pescadores ou camponeses o que importa é que tenham sido gente boa. Não me parece que um dia os filhos destes senhores que tem destruido o que de memória havia que encaminharam o crescimento deste concelho para uma amalgama de cimento sem rosto quem em vez de unir as pessoas as afasta que em vez de permitir e incentivar os laços proprios duma comunidade feliz provoca violência, não me parece que os seus filhos se possam orgulhar deles um dia. Mais uma vez obrigado ao autor do blog.

Ponto Verde disse...

Eu é que agradeço!

Paulo Araújo disse...

Obrigado pela simpática referência ao Dias com Árvores. E votos de que o A-Sul continue, com a acutilância de sempre, a denunciar o que precisa de ser denunciado.

Anónimo disse...

Mas são os filhos dos pescadores e dos operários que querem que não sejam tratados como os seus antepassados. há aqui uma enorme confusão.
Hoje os filhos dos operarios acedram ao ensino superior , são gente que continuam o trabalho dos pais mas noutra dimensão , com muita estima pelo seu passado . e por isso não gostam que sejam tratados como foram os trabalhadores da lisnave e de outras empresas . tratados como gente que deve ser encarneirada e que não tem vontade propria. OS FILHOS DOS OPERARIOS TÊM O DIREITO A SER DA METROPOLE , COSMOPOLITAS . Enganam-se aqueles que julgam que estão a falar para esta geração como se estivesssem a falar para pescadores dizemdo-lhe que o melhor será fazer desta terra uma quinta onde se esteja periférico e sirva para passar fins de semana . NAO . Os filhis dos pescadores e operarios querem estar no mesmo patamar dos filhos de outros que estão na "capital" . E já estão nesse patamar . Isso aflige muita gente e acanha outros .
Ponto Verde : meta isto na cabeça : Nós aqui somos iguais aos outros e queremos o mesmo que os outros porque temos direito . Nao é por sermos filhos de pescadores mque devemos continuar com o discurso miserabilista. Antes pelo contrário temos muito orgulho no nosso passado

Ponto Verde disse...

Caro anónimo , gostava de sublinhar aqui alguma confusão de princípios quando afirma e respeito:

"Nós aqui somos iguais aos outros e queremos o mesmo que os outros porque temos direito . Nao é por sermos filhos de pescadores mque devemos continuar com o discurso miserabilista. Antes pelo contrário temos muito orgulho no nosso passado"

Começando pelo fim, o orgulho no passado, é discutível, pois tem-se permitido arruinar valores históricos e ambientais dados de bandeja a uma meia dúzia destruíndo património de todos e que não voltará.

Quanto ao "Nós aqui somos iguais aos outros e queremos o mesmo que os outros porque temos direito"

Eu também sou daqui , e o que quero é desenvolvimento sustentável, desculpe mas não percebi o que acha ter direito , problemas sociais, engarrafamentos constantes , poluição ao nível da Av. da Liberdade, escolas super lotadas e com problemas disciplinares e criminais... bom , eu isto dispenso, mas se pensa que isto é desenvolvimento, quem sou eu para contrariar.

Há outros modelos de desenvolvimento, se chama periferia estar a 20 minutos do centro de Lisboa, também considero discutivel... como considero discutivel que o desenvolvimento esteja na "Metropole" ... posso aceitar a cidade de média dimenssão, mas não aceito que transformem a Margem Sul numa Caracas, numa São Paulo ou numa Cidade do Mexico, meu caro, há modelos "periféricos" nas cidades da Europa com uma qualidade de vida que um residente do centro de Lisboa só pode sonhar!!!

Agradeço o seu comentário que respeito mas discordo quando afirma «Os filhos dos pescadores e operarios querem estar no mesmo patamar dos filhos de outros que estão na "capital" » , pois gostava de lhe dizer que não concordo porque acho que aqui poderiam estar bem melhor , não fosse a cópia pacóvia que os nossos autarcas têm de desenvolvimento...

Sabe que os Suburbios só em Portugal têm esta conotação pejorativa...na Europa Rica ou nos Estados Unidos ou Canadá , é nos suburbios que está a qualidade de vida , e os suburbios são para onde os "filhos dos pescadores e operários " de lá anseiam ir viver!

Anónimo disse...

O comentário do anónimo que diz que "Os filhos dos pescadores e operários querem estar ao mesmo nível dos filhos de outros" revela um complexo de inferioridade que nos está a ficar caro.
Para que esta gente resolva o seu complexo tem à força de criar a sua metropole para não ser menos que outros de outras cidades. Que tacanha esta mentalidade. Esta gente sente-se menos se não tiver muitos prédios à sua Volta? Muitos carros muita poluição? Que atrasados... Que noção tão estapafurdia. Para resolver complexos de inferioridade há felizmente muitos psicólogos. Não destruam o meio ambiente por causa disso.

Velas do Tejo disse...

Bom post... estou demasiadamente cansado para fazer um comentário que o dignifique, no entanto, parabéns.