quinta-feira, agosto 25, 2005

NO SEIXAL - AS "TRAZEIRAS" DA MARGEM SUL


Novos autarcas, Novas politicas para o século XXI


Manuel Carvalho escrevia no Publico de 20 de Agosto em Editorial sob o tema "Os desafios do poder local" o seguinte: "(...) dificilmente haverá oportunidade para responder à questão essencial : depois de 20 anos em estado de graça, como é que o poder local conseguirá sacudir os anátemas do caciquismo, da prepotência e da corrupção que nos ultimos anos desbarataram o capital de prestigio acumulado depois do 25 de Abril? (...) A verdade é que o modelo de desenvolvimento das principais politicas publicas do país nas ultimas décadas se esgotou (...) o fim da estruturação básica do território acabou, e , em geral os autarcas continuam sem saber muito bem como formular uma nova geração de politicas.
É neste quadro que se pode explicar a proliferação das rotundas - sendo em muitos casos, uma boa solução para os problemas da circulação local, tornaram-se a anedota que recorda os fontanários de outros tempos. O betão já não é resposta para coisa nenhuma, e muito menos para a ambição dos municipes. O essencial está feito. O que interessa é que as autarquias intervenham mais no apoio à educação, à cultura e ao desenvolvimento das economias locais e regionais. E que apostem na qualidade de vida (...)

Mas basta uma breve volta pela Margem Sul , face a face com a capital, geográficamente Àrea Metropolitana de Lisboa, para ver que os autarcas em exercicio nada compreenderam e que muitos dos candidatos propõem mais do mesmo, baralhando tudo e não criando alternativas ambientais para uma região que precisa delas urgentemente, as leituras dos valores do ozono tróposférico são só mais um indicador que as coisas não vão bem.

Mas dessa breve volta pela Margem Sul , o que sobressai ? Uma esquizofrenia construtiva sobretudo no Seixal e no Montijo, invasão de zonas agricolas, junto ao Rio em Alcochete e na Moita . Rotundas e mais rotundas também no Montijo (com estatuária para todos os gostos...), no Barreiro aguarda-se pela reconversão do Quimiparque , em Almada alarga-se a mancha urbana e matraqueia-se um Metro que nunca mais mexe um centimetro nas obras que se fazem e desfazem e levam os cidadãos ao desespero e no horizonte põem a Cidade da Água e o Polis da Caparica e deixo para o fim o Seixal.













Não se vislumbra solução para o passivo ambiental da exploração de inertes e fabrico de explosivos no concelho do Seixal


No Seixal o desvario é total, as grandezas de mais um Shopping e mais duas Grandes Superficies , certamente para destruir o que ainda resta do pequeno comércio local, o Centro de Estágios do Benfica que só foi dado à luz com mais contrapartidas imobiliárias e tratamento preferencial à mistura, a Siderurgia promete ser transformada em mais urbanizações, o Parque Industrial onde a Câmara fez questão de estar representada- mesmo se as instalações são arrendadas a peso de ouro à principal construtora da região- e depois vem o mais grave, a preocupação de construir a contra relógio passeios ribeirinhos a versão Seixalense das rotundas que também as há, e deixar no esquecimento as trazeiras do Seixal, as trazeiras da Margem Sul, as centenas de hectares ocupados por activos e inactivos areeiros, por gigantescas crateras de exploração de inertes, e pelo terreno ocupado pela antiga Sociedade Portuguesa de Explosivos, paredes meias está o aterro municipal.

Tudo isto que muitos desconhecem e a maioria do Seixal ignora pode ser uma verdadeira bomba relógio em termos ambientais se forem afectadas as captações de àgua que abastecem o concelho... mas mais importante que tratar dos verdadeiros problemas do concelho parece hoje ser, fazer umas centenas de metros de monumental e dispendioso passeio ribeirinho (que podia até ser, uma barata ciclovia e zona pedonal) , é mais visivel em vésperas de eleições e sempre se enganam alguns tolos.

16 comentários:

Ambientalistas da Amadora disse...

Infelizmente muitos autarcas, de todas as cores políticas, têm estabelecido relações intímas com as empresas de construção cívil e outros grupos económicos. O próprio vice presidente da CM do Porto e responsável pelo urbanismo diz hoje, na revista Visão, que, por todo o país, são várias as autarquias que cedem pressões de empreiteiros e partidos políticos para a viabilização de projectos urbanísticos. Na Amadora, por exemplo, Joaquim Raposo está a ser investigado pela Polícia Judiciária por alegadas ligações suspeitas a empresas de construção civil. Mais detalhes sobre este caso e respectivas fontes em:

http://ambientalistasdaamadora.blogspot.com/

Anónimo disse...

É pena o vereador da Câmara do Porto não ter proferido aquelas declarações quando estava em funções, e fazê-lo agora quando viu que não fazia parte da lista. Mais se as declarações são sérias e está de boa fé deveria falar os nomes dos politicos que o pressionaram a aprovar os projectos urbanisticos.

Anónimo disse...

Este ano, pela primeira vez os partidos políticos estão obrigados a entregar orçamentos de campanha no Trbunal Constitucional. Os mesmos estão disponíveis na internet no site do Trbunal Constitucional, e no que concerne ao Seixal dá gosto ver:
Orçamento Total:
PSD - € 332.230,00
PS - € 303.500,00
CDU - € 172.400,00
Valor de angariação de fundos da responsabilidade das estruturas locais de cada partido:
PSD: € 84.307,50;
PS : € 220.310,00;
CDU: € 2.500,15
Destes números resulta o seguinte:
Como é que o PS consegue angariar no concelho € 220.310,00? É sabido que a estrutura local é bastante débil, nas eleições para as estruturas locais do PS participaram 150 pessoas, o que obrigaria a que cada um tivesse que contribuir com cerca de € 1.500,00 para atingirem o valor dos fundos... Como não é crível que isso aconteça, restam os construtores civis...

Anónimo disse...

Os valores aqui colocados por o anterior comentador decorrem da lei. Não são valores reais e obejctivos. O que vem ali descrito é o montante máximo possivel, naõ quer dizer seja isso gasto.

Anónimo disse...

E em que parte entram os gastos aos contribuintes dos outdoors da câmara. Pois por cada aoutdoor da CDU temos logo ao lado um da Câmara.

Anónimo disse...

Os números da campanha do PS pecam por escassos, face ao número de outdors que tem colocados. Não há dúvida que para custear esta campanha o PS vai ter que recorrer aos construtores civis, aos quais vai pedir dinheiro a troco de promessas sobre futuras urbanizações. É sabido que muitos dos construtores civis agradava-lhes uma mudança de cor política, pois sabem que com a actual maioria não vão poder construir a seu belo prazer. Há processos pendentes há muitos anos na Câmara, como é o caso da Quinta do Castelo, em Corroios; Quinta dos franceses, em Seixal; Maria Pires, na Amora; em que a Câmara não deixa que o apetite voraz dos construtores se materialize, e por isso esses senhores estão disponíveis para pagar milhares de euros a troco da licença de construção de milhares de fogos.

Anónimo disse...

Parabéns caro amigo, grangeou contra informação ao mais alto nivel, isto é digno de um verdadeiro manual do KGB ou da STASI. Isto é Portugal ou a Sibéria?

Anónimo disse...

E este blog, é do tipo da desinformação da responsabilidade da CIA, o autor deve ter tido um curso intensivo na Embaixada dos Estados Unidos.

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

Caro anonimo, acabo de passar meia hora no site do TC e nao encontro esses valores em lado nenhum. Podia dar-nos um linkzito mais directo para a informacao sobre as contas dos partidos politicos?

Anónimo disse...

Respondendo a' minha propria pergunta, aqui fica o link directo:

http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/contas03220205.html

Anónimo disse...

O limite máximo admissível de despesas realizadas nas campanhas eleitorais para as autarquias locais é fixado nos seguintes valores:

a) 1350 salários mínimos mensais nacionais em Lisboa e Porto;
b) 900 salários mínimos mensais nacionais nos municípios com 100000 ou mais eleitores;
c) 450 salários mínimos mensais nacionais nos municípios com mais de 50000 e menos de 100000 eleitores;
d) 300 salários mínimos mensais nacionais nos municípios com mais de 10000 e até 50000 eleitores;
e) 150 salários mínimos mensais nacionais nos municípios com 10000 ou menos eleitores.

Anónimo disse...

É pena os cartazes da CÂmara não entrarem em nenhumas contas!!Excepto no bolso do contribuinte!!
Hoje já temos um novo!! Convém tb que retirem alguns que foram colocados hà quatro anos com promessas não realizadas!!

Anónimo disse...

Que cartaz é que foi colocado há quatro anos, cujas promessas não tivessem sido realizadas?

Anónimo disse...

Só um exemplo o pavilhão da Escola Básica 2, 3 de corroios!!

Anónimo disse...

O Pavilhão da Escola Básica 2, 3 de corroios era da responsabilidade do poder central, que o devia ter construido, quando construiu a escola. Já repararam que desde a construção da Escola Secundária da Amora, há 25 anos atraz, que mais nenhuma escola foi construida com pavilhão? Esta politica da responsabilidade dos governos PS/PSD/CDS condenou gerações de jovens Seixalenses a não terem desporto escolar.
Há 5 anso foi efectuado um protocolo entre a Câmara e o Ministério da Educação, no qual cada entidade comparticiparia a 50% para a construção dos pavilhões em 5 escolas do concelho. Acontece que o poder central não cumpriu esse protocolo e só disponibilizou em PIDDACC verbas para 2 pavilhões, por isso a Câmara só pode iniciar a construção desses 2 pavilhões, visto o Poder Central não cumprir com o protocolo, e ter daddo o dito pelo não dito.
Assim se demonstra de quem é a responsabilidade!