terça-feira, setembro 16, 2008

A CRISE NO IMOBILIÁRIO E A SUA AVALANCHE


A propósito do tema aqui analisado nos últimos posts, a crise do imobiliário, e o abrandamento na procura de habitação. Cito excertos de um artigo publicado no Publico online no passado dia 15:

O abrandamento é apontado por Francisco Moura, consultor comercial da Century 21 das Laranjeiras, em Sete Rios. "Nos usados a partir dos €500 mil, a procura é praticamente nula. Por esse preço, opta-se por casas novas", considera. O vendedor refere o facto de ser cada vez mais comum os proprietários estarem a cortar até €10 mil nos valores. A culpa, sublinha, é do excesso de oferta.


"Agora, é frequente um apartamento ficar no mercado mais de seis meses", constata.
O excesso de construção de fogos novos cruzado com o arrefecimento económico explica, segundo Azeredo Perdição, a "apatia" que se abateu sobre o mercado imobiliário nacional.

O secretário-geral da Associação de Promotores e Investidores Imobiliários deixa um recado aos agentes: "Sejam criteriosos nos projectos". Nota ainda que o mercado dos usados está a ser afectado pela construção de habitações novas, sobretudo nas periferias das grandes cidades, "onde os proprietários sentem sérias dificuldades para se desfazerem das casas".(...)

Números oficiais não existem mas a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) garante que actualmente estão à venda perto de 450 mil imóveis em todo o país. "Isto é o que eu posso apurar no nosso sítio oficial na Internet", explica José Eduardo Macedo, presidente da APEMIP.




250 mil imóveis sobreavaliados

Há ainda outro dado avançado por este responsável que indica que do total de casas à venda, 250 mil estão com preços especulativos, ou seja, acima do seu real valor. "Isto só significa uma coisa: que os seus proprietários vão estar mais tempo para as vender e só o farão depois de baixarem os preços".

Outra fonte de informação do sector, o 'Confidencial Imobiliário', estima que existem 292 mil imóveis à venda só nas áreas metropolitanas do Porto, Lisboa e Algarve. Por outro lado, Ricardo Guimarães, director daquela publicação especializada em imobiliário, diz que o tempo médio de venda de uma casa está a aumentar. "Os tempos médios de absorção subiram dos seis a sete meses em 2007 para nove a dez meses em 2008".(...)

O presidente da APEMIP acrescenta que "actualmente só compra casa quem está mesmo a precisar de uma habitação, enquanto há uns anos atrás se investia regularmente neste segmento". Outras fontes garantem que há um sentimento generalizado de que os preços dos imóveis ainda podem baixar mais no próximo ano, e que por isso poderá haver intenções de compra adiadas. (...)

8 comentários:

Daniel Geraldes disse...

Consta que o PCP e o PS aprovaram a nova da lei do divorcio exactamente para se vender mais imóveis.

publico disse...

O Banco Central Europeu (BCE) vai injectar hoje mais 70 mil milhões de euros no mercado monetário da Zona Euro para aliviar as tensões ligadas à crise financeira desencadeada nos Estados Unidos.

publico disse...

A Merril Lynch, líder mundial de corretagem, foi comprada pelo Bank of America. A maior seguradora e o maior banco de empréstimos e poupanças dos EUA foram fortemente penalizados em bolsa, devido ao receio de colapso financeiro. E os analistas prevêem quebras significativas nos lucros das financeiras Goldman Sachs e Morgan Stanley no terceiro trimestre. Os efeitos da crise do "subprime" (crédito hipotecário de alto risco) são ainda muito incertos.

publico disse...

A American International Group (AIG), maior seguradora dos EUA em activos, vai ter de se socorrer do capital das suas subsidiárias (20 mil milhões de dólares) para aumentar a liquidez, após uma tentativa fracassada de recuperação financeira.

A empresa está presente em Portugal através da participada Alico, instalada em Lisboa desde 1985. Actualmente, esta emprega 80 pessoas e dispõe de 250 agentes, gerindo "uma carteira com mais de 40 mil apólices"

dn disse...

Nos seus 158 anos de história, o Merrill Lynch, quarto maior banco de investimento norte-americano, sobreviveu a várias crises: a Grande Depressão de 1930, o colapso do fundo de alto risco Long-Term Capital Management, há 10 anos, ou às falências no sector ferroviário do séc. XIX. Mas, ontem, não conseguiu ultrapassar a crise do subprime, iniciada com as falências no crédito hipotecário de alto risco nos EUA.

expresso disse...

Preços das casas começam a cair
Especula-se que 250 mil das 450 mil habitações à venda estão sobreavaliadas. Quando questionados sobre o preço, "negociável" é a palavra mais proferida proprietários e agências imobiliárias que têm casas para venda nos classificados dos jornais.

Anónimo disse...

a câmara do Seixal não consta na lista.... enfim!

http://www.apambiente.pt/divulgacao/Projectos/SemanaEuropeiaMobilidade/participantesapoiantes/Documents/Q5_CM_localidades_Part_Ap_08.pdf

Frederico Maia disse...

As pessoas se quisessem viver completamente sós, tinham ficado pelas aldeias do interior onde há muitas casas vazias e baratas.
Ficar nas cidades onde existem mais fogos do que habitantes, obviamente que se torna incómodo e obriga a essas reuniões de corações solitários pelos ginásios e afins.
A partilha de casas e o aluguer tem futuro, a venda de casas não tem.
Só assim se justifica que para trabalhar como angariador imobiliário já não se pague ordenado mas se tente explorar mais de 50% de cada venda para o bolo das grandes mediadoras.
Assim se esfola o papalvo!