segunda-feira, setembro 15, 2008

A ESTOCADA FINAL OU A GRANDE OPORTUNIDADE?


Numa primeira vaga de ocupação humana há muitos séculos atrás veio a agricultura e a pesca , depois no final do século passado, só no final do século passado , a indústria pesada e transformadora, a construção e reparação naval ... nos últimos anos essa indústria não foi substituída por industrias de ponta e alto valor acrescentado como seria desejável e de esperar num país europeu, mas manteve o mesmo perfil, o que representou perda de empregos, de criação de riqueza... (excluindo a Auto Europa).

O modelo produtivo foi substituído pelo modelo predador, delapidador , insustentável , o modelo em que a construção e especulação imobiliária é a cereja no topo do bolo, um bolo por vezes malcheiroso e estéril das áreas ocupadas pelas antigas industrias e não recuperadas, a que há a somar centenas e centenas de hectares de áreas de exploração de inertes, até no Parque Natural da Arrábida.

É neste enquadramento de erros sucessivos , numa altura de revisão de alguns PDMś , e depois de sucessivos e multiplos erros urbanisticos e ambientais que surge o seguinte documento:

Resolução do Conselho de Ministros que lança o Projecto do Arco Ribeirinho Sul, visando a requalificação urbanística de importantes áreas da margem sul do estuário do Tejo e contribuindo para a valorização e competitividade da Área Metropolitana de Lisboa

Esta Resolução vem lançar o Projecto do Arco Ribeirinho Sul, visando a requalificação urbanística de importantes áreas da margem sul do estuário do Tejo, nos municípios de Almada, Barreiro e Seixal, quer os que são hoje da esfera pública e constituem activos do Estado, quer os envolventes.(...)


Para a elaboração do Plano Estratégico que permita a realização do Projecto do Arco Ribeirinho Sul, é constituído um Grupo de Trabalho na dependência do Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e com a representação de outros ministérios, ficando a Parque Expo, em colaboração com a Parpública, encarregada de prestar o apoio técnico necessário.

Determina-se, ainda, que o Projecto do Arco Ribeirinho Sul se deve realizar de acordo com as seguintes orientações estratégicas:

a) Valorização do património público em presença, numa óptica que atribua o devido peso à utilidade pública desses terrenos para a qualificação urbanística e ambiental do estuário do Tejo e da Área Metropolitana de Lisboa;

b) Adopção de um modelo de intervenção que permita assegurar que desta intervenção não decorrem encargos para o Estado nem para as empresas públicas proprietárias de espaços nas áreas abrangidas, excepto aqueles que eventualmente se relacionem com a resolução de passivos ambientais pelos quais nenhuma outra entidade seja juridicamente responsável;(...)

e) Promoção de um modelo de desenvolvimento urbanístico equilibrado que contribua para a dinamização das actividades económicas e para a criação de emprego na região, proporcionando a melhoria da qualidade de vida de toda a população da Área Metropolitana de Lisboa;

f) Adopção de critérios urbanísticos e construtivos compatíveis com as melhores práticas ambientais e de eficiência energética.

Com este projecto pretende-se desenvolver, de forma integrada, um vasto território, que inclui, designadamente, cerca de 55 ha na Margueira, no concelho de Almada, cerca de 536 ha na chamada Siderurgia Nacional, no concelho do Seixal, e cerca de 290 ha nos terrenos da Quimiparque, no concelho do Barreiro.

A recente decisão de localização do Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, a construção da Terceira Travessia do Tejo e o conjunto de outras iniciativas interligadas com estes investimentos, vêm dar particular relevância a esta intervenção, criando a oportunidade de promover um crescimento ordenado e sustentável e atraindo para a recuperação destas áreas degradadas parte dos investimentos, da edificação e das actividades induzidos por aquela importante infra-estrutura aeroportuária.

Fica a dúvida:

- É a grande oportunidade ou a estocada final nesta Margem Sul ?

Para já um erro absurdo , a urbanização de áreas propriedade do Estado sem a intenção clara de contenção de nenhuma das outras , quando o que é necessário é a renaturalização e re-florestacão do muito que foi perdido e do que deverá ser compensado pelo NAER e pelas multiplas urbanizações em apreciação.
Devo dizer que temo o pior por a defesa dos valores naturais estar pouco ou nada acautelada , para já, nesta resolução, enquanto que no mesmo documento, em relaçao ao Litoral Norte as premissas são bem mais claras:

A intervenção a realizar (Polis Litoral Norte) tem ¨eixos estratégicos¨ bem mais ¨ambientais¨ :

a) Protecção e defesa da zona costeira visando a prevenção de risco;

b) Preservação e requalificação dos valores naturais;

c) Valorização e promoção dos valores naturais e culturais singulares do Litoral Norte;

d) Requalificação e revitalização de núcleos urbano-marítimos;


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NOTA

Houve um estranho "bloqueio" que impediu acessos durante o fim-de-semana ao blogue a-sul. O alojador Blogger diz ser alheio à situação que desconhecia , da mesma forma somos alheios ao acontecido .

A normalidade parece entretanto reposta.

Ele há mistérios....e também ameaças (clique) ...

8 comentários:

Velas do Tejo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Velas do Tejo disse...

Será a estocada final, sem dúvida... do ponto de vista ambiental - salvo construção de um aterro para lixo radioactivo - julgo que não será muito pior do que está ou já foi.

Contudo, todos os sinais da economia apontam para que construtores, promotores imobiliários e autarcas "Betonantes" se afoguem na falência do betão.

Começa a ficar evidente que nem a Banca já tem dinheiro para alimentar o artificial mundo novo do betão armado em T3 com vista rio!

Anónimo disse...

Ninguém aprende ? Hoje falência do 4º maior banco dos Estados Unidos .

hkt disse...

Poderá ser esta a razão do bloqueio?

"...temos que entrar nesse blog do PSD que se está a aproveitar e ajudar a botá-lo abaixo..."

http://hekate-hkt.blogspot.com/2008/09/maquiavel-renascido.html

Daniel Geraldes disse...

Eu acho que é mesmo a estocada final.

Paulo Edson Cunha disse...

Boa noite,

a propósito da caixa que fez para o Hekate, que remete para o meu blogue:

É Grave um energumeno fazer um comentário como o que eu tenho no meu blogue "Revolta das Laranjas".
Mas muito mais grave é ter o post o dia todo, ter sido visitado por mais do que 100 (cem) pessoas e nenhuma (presumo que pelo menos alguém identificado ou simpatizante do Partido Comunista tenha lá ido entre os mais de 100 internautas)ter condenado a atitude do indivíduo.

Tenho por regra entender que toda as pessoas, são pessoas de bem, até me provarem o contrário, e como não sou nenhum fundamentalista em nada na vida, tenho de muita gente do Partido Comunista a melhor das impressões, apesar de não partilharmos os mesmos ideais.

Penso que qualquer uma desas pessoas, sendo comunista, se sentirá profundamente ofendida e vexada com aquele comportamento.

O estranho, como disse, é ainda não ter aparecido alguém a manifestá-lo.

Vou acreditar que de todos os visitantes, nenhum era simpatizante do Partido Comunista...

EMALMADA disse...

Com os vícios tão bem interiorizados pelos autarcas do betão desta margem sul do Tejo,é capaz de ser a estocada final e mais uma oportunidade de negócio que eles não quererão perder.

NunoFRB disse...

É a estocada final, primeiro- como em tantos outros sítios por todo o país, investe-se na urbanização e no turismo, o que em muitos locais, se fosse bem planeado como a restauração de áreas de valor histórico e no caso da construção urbananistica, ser em zonas que não prejudiquem o ambiente ou a cidade já existem; segundo- neste país está a assistir a um fenómeno, o encerramento de fabricas e de espaços industriais e de construção de obras megalómanas que custam uma fortuna e que no final saem milhões de euros mais caras do que o previsto, e depois culpam a crise, não investe nas empresas na industria, um país não vai muito longe só com turismo; e terceiro- a área da Margueira, na minha opinião seria melhor aproveitada se fosse restaurada (talvez redesenhada para abranger outros tipos de embarcações para além dos petroleiros e super-petroleiros) do que um passeio recreativo para gente rica, eu sou a favor da criação e restauração de áreas turísticas, mas em áreas de grande valor industrial (cada em vez menor número) como os antigos Estaleiros Navais da Margueira.