domingo, outubro 07, 2007

OUTRAS RECONVERSÕES











Decorreu esta semana em Lisboa o Congresso Waterfront Expo 2007 , onde se pretendiam analisar, discutir e apresentar projectos de reconversão em zonas ribeirinhas, aproveitou-se nomeadamente para apresentar o projecto Almada Cidade da Água ou Almada Nascente, um projecto que pretende ocupar a área ocupada pelas antigas instalações e docas da Lisnave em Cacilhas.


Porque há uma tentativa de convencer a população que , nomeadamente a opção pela construção em altura , a opção pela grande carga urbana ( mais oito mil residentes na zona que actualmente e uma população de empregados de 14 mil pessoas) é inevitável e sinal de modernidade, "como se faz lá fora", gostaria de falar aqui noutros projectos "lá de fora que não alinham pela mesma bitola".

A título de exemplos falei aqui de Londres, sobre o qual gostaria de referir o seguinte:

- Criados 15o hectares de espaços verdes
- Criadas redes pedestres e ciclovias ao longo do rio

- Construídas pontes pedonais
- Criado um Parque ecológico com base aquática com um santuário para aves.
- Plantadas 200 mil árvores.
- Construídos 20000 fogos , sendo 19% destinados a arrendamento.

O projecto recebeu inumeros prémios de arquitectura, de conservação da natureza e de paisagismo.

Outro exemplo é o de Boston, recentemente concluído, apesar de se enquadrar numa zona de arquitectura em altura, optou-se antes por melhorar os transportes e as acessibilidades à zona mais antiga e anteriormente também ela reconvertida (Quincy Market) , há agora uma nova área a reconverter denominada East River onde se vai privelegiar construção de baixa densidade onde estão também projectados parques e outros equipamentos colectivos.

As antigas vias congestionadas transformaram-se em vias de elevado fluxo com um enquadramento verde passando a denominar-se Greenway , com um cuidado particular no arranjo paisagistico.

Outro exemplo de reconversão portuária ocorreu recentemente em Oslo , transformou-se um porto "abandonado" ,noutras valências, com habitação , escritórios e serviços mas com baixa densidade de ocupação, criando-se uma nova zona de lazer numa cidade rodeada de verde e natureza.

Contrariamente à ideia reinante de que basta fazer um copy-paste do que foi feito na Expo e aplicá-lo na Margem Sul, em três pontos distintos, Lisnave, Quimiparque e Siderurgia, há que ,no âmbito da Àrea Metropolitana , considerando necessidades de habitação, transportes e indústria, ponderar da necessidade de avançar, para além da necessidade urgente de resolver o chamado "passivo ambiental".

A estas reconversões anunciadas para a margem-sul falta uma componente florestal que é necessária e fundamental para a reabilitação destas áreas que há cinquenta anos eram terrenos agrícolas e de uma grande biodiversidade. Veja-se os exemplos dados e sobretudo o de Londres!

5 comentários:

Barra disse...

Tanto em Boston como em Londres a necessidade maior seria a de construir espaços funcionais e verdes, já que de edifícios altos estão bem servidos... para que mais?

Há vários projectos e construções de momento que mesmo não tendo construção em altura, apresentam densidades elevadas.

De notar que a Hafencity em Hamburgo tem semelhancas com a cidade da água em Almada. É um projecto que apesar da sua densidade, a qualidade dos edifícios é optima, havendo sempre espaços verdes.

Em termos da frente ribeirinha de Lisboa, estou de acordo na não construção de edifícios altos como existe em alguns projectos. Penso que aquela zona toda é para a população que necessita urgentemente de espaços renovados à beira mar.

Barra disse...

Quanto à necessidade de espaço florestal na Msul... baseia-se principalmente na não destruíção da já existente, reabilitando os edifícios mais antigos/devolutos e zonas industriais (Lisnave, Siderugia e Quimiparque), em vez da construção em zonas de mancha agrícola e florestas como se faz...

mário da silva disse...

O meu comentário a este tema perdeu-se lá mais abaixo. Não era à Parpública mas sim à construção em altura. Está aqui, para não me repetir.

mário da silva disse...

Ah! Sim.

Embora a minha opinião seja aquela eu acho que não há gente nem para as casas que já existem (milhares à venda no Seixal e Montijo) e para as já planeadas e infraestruturadas (mais milhares no Seixal, Almada, Moita, etc).

A aposta na Margem Sul devia ser outra mais parecida com esta e com esta, e disso não vejo nada. Só barracões e caixotões.

E depois digam mal do homem. Ele também tem vizinhos poderosos.

Até mais.

Ponto Verde disse...

Agradeço o enriquecimento da discussão e aceito como é óbvio outras opiniões, e acho até que a construção em altura nomeadamente nos USA e Canadá resulta pela forma como as cidades estão estruturadas e como são os suburbios ,têm exactamente a conotação inversa de Portugal.

Em Almada não defendo tal tipo de evolução concordando com o Mario Silva e concordo com Barra sobre Lisboa.

A Grande questão é : Na realidade precisamos de mais milhares e milhares de habitação?

A resposta é óbvia, mesmo antes do inicio da grande crise do imobiliário que considero já iniciada com a crise do crédito!!!

E essa resposta é NÃO! O imobiliário funcionou nos ultimos anos como uma verdadeira Dona Branca, e esse esquema piramidal, e por vezes mafioso chegou a um beco sem saída pelos milhares e milhares de apartamentos em oferta , que não têm procura!!!