quinta-feira, outubro 04, 2007

ALMADA NASCENTE ?



A saga da "renovação" da Lisnave conheceu nos últimos dias mais um capítulo com uma mega-mediática divulgação em quase todos os jornais , o que não é de estranhar, pois trata-se sobretudo de uma gigantesca operação financeira liderada pelo Fundo Margueira Capital.


A título de faits-divers é curioso ver uma Câmara Comunista que fez do operariado a sua bandeira de luta e deve muito do seu poder aos trabalhadores da Lisnave e Parry & Son - entretanto despedidos - regozijar-se agora de tal forma com uma operação capitalista e apanhar com ela boleia , para as próximas eleições autárquicas.

Bom, mas analisando o projecto pelas informações divulgadas , quer em termos de imagem, quer em termos de memória descritiva, o que foi tornado público é pouco ... muito pouco e cheio de contradições, as imagens poderiam ter sido um copy-paste de outros projectos ribeirinhos por esse mundo fora. Quanto à sua descrição e objectivos vemos o seguinte:

1 ) A dado passo é mencionado que a habitação " não é o objectivo primordial do projecto" , mas pretendem construír
"espaços habitacionais que irão promover o aumento desta zona ribeirinha de seis para cerca de 15 mil habitantes"!

2) Ainda não se sabe que indústrias se vão instalar, que tipo de serviços, e sobretudo que empresas se vão ali fixar, mas já há uma certeza, vão-se criar exactamente :
14 mil novos postos de trabalho!

3) Vão-se criar, para os 14 mil trabalhadores mais 15 mil habitantes (de primeira) "uma rede de autocarros eléctricos , ferry e táxis de àgua ... um metro até Lisboa ." pergunto , porque se vai fazer isto para estes "novos residentes" e não se faz nada disto pelos mais de 300 mil residentes de Almada e Seixal ?

4) Uma coisa é certa, o diagnóstico que Richard Rogers faz , qualificando como o grande problema para reabilitar Almada é "os transportes públicos" ... demolidor para 30 anos CDU não?

5) Ainda todos estaremos lembrados da megalomania de ideias como a Torre Biónica de um arquitecto espanhol ou as divagações de Manuel Graça Dias, mas agora parecem estar todos contentes com prédios de "QUARENTA ANDARES - 132 metros "!!!

Devem estar a brincar !!! Não?


6) Quanto ao chamado
"passivo ambiental" ficamos a saber, mas muito pouco seguros, que " nenhum destes aspectos representará uma restrição relevante para a urbanização do local" havendo até "...a possibilidade de manutenção dos resíduos e solos contaminados na área de intervenção ..." , a coisa promete...

7) Depois vem o "politicamente correcto" da necessidade da "criação de vias para a utilização da bicicleta e a construção de uma rede pedonal" e vem de novo a pergunta, porque não tem sido esta a filosofia para o desenvolvimento do restante concelho no construído nas últimas duas décadas?

8) Temos depois para concluir o ramalhete e da forma mais vaga e descomprometedora possível, estão no projecto...
"espaços dedicados ao conhecimento e à cultura, como um Museu do Estuário do Tejo, Um Museu Nacional da Indústria Naval, um polo universitário, um Centro de Ciências e Tecnologia, duas escolas , um complexo desportivo, um pavilhão multiusos, uma biblioteca, uma creche (só uma?) e ainda um centro de saúde" ... como são fáceis as promessas!!!

Concluindo, não posso estar mais de acordo com Alberto Antunes , que declarou sobre estes projectos que "Já serviram de mote a várias campanhas eleitorais e parece que servirão mais uma. São projectos que nunca saem do papel, que não se sabe como e quando vão ser realizados".

E acrescento :

- E sobretudo vão distrair dos verdadeiros problemas de Almada e de trinta anos de incompetência !!!

7 comentários:

Anónimo disse...

Vejam o que o João Cravinho diz na entrevista da Visão.

Patrícia Ribeiro disse...

Caro Blogger,

Vimos pedir-lhe ajuda na divulgação de um jogo ambiental que gostaríamos que chegasse ao maior número possível de pessoas.

Trata-se de:

www.ecoquizonline.com

Gostaríamos de saber se tem a possibilidade de inserir um link ou um pequeno banner, acompanhado de uma notícia na sua webpage ou no seu blog?

Para além disso, seria fantástico se pudesse dar a conhecer este QUIZ aos membros da sua mailing list, ajudando a passar a palavra.

Este jogo visa promover a eco-consciência e a adopção de comportamentos responsáveis para com o meio ambiente.

Obrigada pelo feedback,

Equipa EcoQuiz

Barra disse...

Qual o mal de um prédio de 132 metros? Em todas as cidades Europeias se têm contruído edifícios altos

Madrid tem as cuatro torres, Paris a La defense e Lisboa está sempre atrasada... já é tempo de termos umas quantas torres e na margueira não há problema.

De resto a melhoria de uma zona que está abandonada é sempre bem vinda... já que neste país as coisas só andam assim...

Ponto Verde disse...

Não considero a construção em altura um simbolo de progresso, mas respeito a sua opinião.

mário da silva disse...

A construção em altura só faz sentido se o espaço envolvente VERDE for criado ou preservado.

A mim não me faz muita impressão ter quatro torres de quarenta andares, desde que sejam enquandradas por um parque subterrâneo que comporte os veículos das mesmas, metro subterrâneo, sistema de processamento de lixo interno e um parque arbóreo de 15 hectares a envolvê-las. É uma forma de rentabilizar o espaço e preservar o ambiente.

Nem é muito nem causa realmente muita confusão. Em Macau conheci um compelxo que tinha cinco torres de quarenta e cinco andares cada... não tinha era parque nenhum à volta, embora tivesse dois perto, só mais torres.

Os Olivais, em Lisboa, são um exemplo onde se têm algumas torres (não tão altas) mas imensas áreas verdes e assim a asfixia do betão/alcatrão é muito menor.

A questão não está na altura mas sim na densidade.

Entre pequena volumetria e alta densidade por hectare (PDM da Moita) e alta volumetria para a mesma densidade por hectare eu prefiro mil vezes a última.

Até a questão de fornecimento de água, electricidade, comunicações, recolha de resíduos (estação de vácuo c/ separação) pode ser muito mais bem rentabilizada na última opção do que na primeira.

Pode até, inclusivamente, incluir uma estação de pré-tratamento de águas cinzentas e seu uso nas regas do parque arbóreo cincundante.

Mas isto é urbanismo e não betonismo.

Até mais.

Anónimo disse...

A loucura está a ser perigosamente interiorizada pelos autarcas da cidade de Almada. É tempo de pegar na vassoura.
Mas que gente tem a oposição? Convem-lhes este jogo porque assim vão comenda alguma coisita dos tachitos enquanto os comunistas engordam com o capitalismo

Anónimo disse...

sinceramente... podias ser um pouco mais inparcial, a camara e comunista sim, mas nao e por isso que tem de fechar os olhos a realidade e nao se aporveitar do capital para dar melhores condiçoes de vida aos seus residentes.Pq nao nos aproveitarmos do capital se estamos sempre a ser explorados por ele?
Ja agora, era preferivel metal a apodrecer?
bem...tanta raiva contida, da logo pa ver a tua inclinação politica.