
No seguimento dos post's anteriores e indo para além da protecção ambiental , para a salvaguarda da saúde publica é preocupante acompanhar o que se passa com a piscicultura de Corroios e o pouco cuidado com que o ambiente e os cidadãos estão a ser salvaguardados.
Uma ETAR é uma Estação de Tratamento de Águas Residuais, trata ESGOTO? E que tipo de efluentes ? Supostamente os domésticos das zonas vizinhas, mas também das pequenas industrias a por exemplo multiplas pequenas oficinas, até de reparação automóvel que despejam ainda óleos usados directamente para as sargetas.
Há que contar também com as águas pluviais que arrastam inúmeros poluentes de uma zona densamente povoada como é toda a bacia de Corroios (desde a Sobreda) , e toda a encosta desde a Quinta do Brasileiro ao Miratejo e que vão desaguar sem tratamento na quela zona de sapal (embora haja quem seja a favor destas combinação esgoto/piscicultura).
Há que contar também com o acumulado de poluentes e metais pesados ao longo de várias décadas e considerar que laboram ali, a centenas de metros, vários estaleiros de reparação naval...
Ora, é no meio de todo este cocktail de poluentes que a Direcção Geral de Agricultura, a CCR de Lisboa e Vale do Tejo e a autarquia do Seixal pretendem autorizar a laboração de uma piscicultura . Destas três entidades, a única que tem mantido reservas á laboração tem sido a Câmara do Seixal, mas por questões formais e de poder, e não por pretender salvaguardar o sapal ou as populações que vão consumir pescado produzido naquele local!
Os argumentos aqui citados ontem são preocupantes , as fragilidades e a ilegalidade do projecto só são comparáveis em grau de escandaleira, com o branqueamento que se está a fazer de tudo isto, bem como o silêncio nos meios de comunicação, o que leva a ser premente uma questão aqui posta ontem por um leitor, passo a citar:
«Não percebo como é que os danos ambientais de repôr a zona como estava originalmente podem ser maiores que os causados ao deixar em laboração uma produção agropecuária (que é o que uma piscicultura se trata).
Não se vão dar concentrados proteicos aos peixes, nem antibióticos ou outros promotores de crescimento, nem os tanques vão produzir efleuntes?
Tudo isto e tudo o resto envolvido numa piscicultura tem menos impacto no sapal que abrir os canais e deixar as marés fluir outra vez para dentro daqueles hectares?
Ah, e só mais uma coisa: os peixes alí criados vão ter "denominação de origem", como seria suposto? Eu acho que seria do interesse do consumidor saber que o produto é "made in seixal" - o interesse é o mesmo de saber se consumo vegetais "made in estarreja", por exemplo.»
E agora acrescento também , se alguém está a monitorizar os sedimentos de décadas (onde se incluem DDT's e produtos hoje proíbidos, tais como os usados na reparação naval e causadores da extinção das ostras naquele local ?) de poluentes revoltos e dissolvidos de novo na água da piscicultura e se vai haver uma monitorização em tempo real das águas despejadas pela ETAR e se em caso de avaria ou acidente da ETAR há um mecanismo de contingência para salvaguardar a piscicultura ?
O que espera a Câmara do Seixal para explicar tudo isto á população ? E porque sendo uma obra autorizada pelo "Poder Central" lesiva do concelho e dos cidadãos, não denuncia nem actua?
Ah já sei, será por causa da estrada?





Polémica com seis anos