segunda-feira, março 05, 2012

"A BOLHA ? NINGUÉM A VIU


O mercado da construção e imobiliário português faz lembrar a velha história das bruxas. Pode não se acreditar nelas, mas lá que existem, existem. Na discussão sobre a existência de uma "bolha" no sector, ninguém admite o fenómeno. Mas o que não falta são manifestações de que ele anda por aí. E bem vivo.
O mercado da construção e imobiliário português faz lembrar a velha história das bruxas. Pode não se acreditar nelas, mas lá que existem, existem. Na discussão sobre a existência de uma "bolha" no sector, ninguém admite o fenómeno. Mas o que não falta são manifestações de que ele anda por aí. E bem vivo.

O pudor com que os peritos falam no tema chega a ser caricato, fundado numa espécie de prudência supersticiosa. Tal como falar numa recessão é tido como meio caminho andado para provocar uma, parece que, caso se fale na "bolha" imobiliária portuguesa, se correrá o risco de a fazer rebentar com um pouco mais de estrondo do que aquele com que se tem esvaziado, com alguma discrição, desde 2008. Há, ainda, a hipótese clássica. Um problema de que não se fala, não é um problema. 

Tudo seria fácil e simples se a observação da realidade e a crua frieza dos números não fossem mais fortes do que as ilusões que se tentam criar em seu redor. Há centenas de milhares de casas para vender em Portugal, fruto de anos a fio de furiosa aposta na construção nova e que alimentou os bolsos dos empreiteiros e os cofres das autarquias. O fácil acesso ao crédito a baixo preço alimentou o aparecimento de mais oferta, atraída pela valorização dos imóveis, e os bancos colocaram o pé no acelerador. O processo de crescimento da "bolha" colocou-se em marcha, mas ninguém o quis ver enquanto foi inconveniente para o negócio.

A espiral teria de ser interrompida e seria apenas uma questão de tempo até se desfazer o mito, vulgar em Portugal, de que investir no imobiliário não tem risco. Ou o outro mito que garantia que uma casa se valoriza sempre, verdade assente em alicerces de geleia como muitas famílias já terão descoberto, mas que também não será estranha às empresas. Entre as imobiliárias, prevê-se que a falência bata à porta de mais de oitocentas nos próximos tempos. Entre as construtoras, a quebra de actividade foi tão radical que está abaixo daquela que o sector registou em meados dos anos 90.

Na periferia das grandes cidades, onde a euforia do cimento deixou as marcas mais intensas, o valor de mercado das casas já registou quedas que chegam a 40%. Na área do financiamento à habitação e à construção estão dois dos focos de tensão mais graves sobre a saúde financeira dos bancos. Ao crédito mal parado, as instituições financeiras vão somando uma carteira de casas para leiloar, num mercado em que escasseiam os compradores e o dinheiro para os financiar. 
Há boas oportunidades de investimento, actualmente? Há. Seria possível comprar, hoje, uma casa a metade do preço que o mercado exigia há cinco anos? Depende das zonas, mas é bastante provável. Se as construtoras estão penduradas, as famílias estão mais apertadas para conseguirem honrar compromissos financeiros, os bancos apanham dos dois lados, os preços caem de forma substancial, parece claro que Portugal tem uma "bolha imobiliária", só que parece ter vergonha em admiti-lo.

A euforia e o lento "crash" que se lhe seguiu teriam acontecido se o País tivesse legislação do arrendamento que não tratasse os senhorios como instituições de beneficência? Não se sabe. Mas um mercado com rendas formadas através do encontro entre a oferta e a procura teria evitado uma parte daquelas dores e a deterioração de zonas antigas das cidades. Se a nova legislação conseguir corrigir este flagelo, a aposta estará ganha
.

sexta-feira, março 02, 2012

A GERAÇÃO "I" DE INSUSTENTÁVEL





Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Mia Couto

quinta-feira, março 01, 2012

SECAS DE MARÇO


I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões


sábado, fevereiro 25, 2012

DN O ESTADO DO AMBIENTE 5


Apesar de os países desenvolvidos poderem ser já um exemplo em termos ambientais, há 5800 milhões de pessoas sujeitas a condições que podem, a médio prazo, gerar graves crises financeiras, sociais e ambientais. Ainda assim, referiu ontem o professor Filipe Duarte Santos no debate sobre o estado do ambiente, realizado no auditório do Diário de Notícias, em Lisboa, há que ser "otimista". Mas realista.
No debate que rematou a Grande Investigação DN, publicada diariamente desde domingo, o especialista em alterações climáticas caracterizou os problemas que atingem a maior parte da população mundial. Chama-lhe "quadrado da insustentabilidade"e assenta em quatro grandes fatores críticos: as desigualdades de desenvolvimento e riqueza (por exemplo a questão da fome que atinge perto de 1000 milhões de pessoas); a insustentabilidade dos sistemas de energia (o acesso e o preço); as alterações climáticas e a insegurança alimentar (relacionada com a escassez de água, a perda de biodiversidade e a escassez de recursos renováveis e não renováveis). "O que está a acontecer é que temos bons exemplos de desenvolvimento sustentável, sobretudo nos países desenvolvidos, onde se inclui Portugal, mas estes são apenas 1200 milhões de pessoas", referiu. "Uma parte pequena, se pensarmos que há 7000 milhões de habitantes e se perspetiva que em 2050 sejam 9000 milhões", disse.
"O que me parece é que a nível global o desenvolvimento é insustentável e se não alterarmos o paradigma a nível global, vamos ter crises profundas." Parte da culpa, atribui à falta de um plano a longo prazo e à perda de tempo em programas efémeros em continuidade : "Há medidas e soluções, mas não existe uma governação eficaz." Confrontado pelo moderador António Perez Metelo sobre a questão das economias emergentes, como a China, Filipe Duarte Santos revelou que há cada vez mais "uma consciência destes problemas em todo o mundo". Apesar de, na China, existir o maior número de cidades "com poluição de uma dimensão tremenda", há vários movimentos cívicos que reivindicam medidas ambientais. "A China é, neste momento, o maior investidor a nível mundial em energias renováveis, passou facilmente os EUA", lembra o professor. E, apesar da poluição, alerta: "No ocidente não temos experiência política de governar um país com 1300 milhões de pessoas e temos de ter respeito por esse desafio." Ao longo do debate, o investigador sublinhou ainda a urgência na fiscalização - apesar de uma melhoria no Ministério do Ambiente - e no sistema de justiça. "Como cientista, acho extraordinário ainda não ter havido acordo dos partidos nesta matéria." Para rematar, deixa uma mensagem otimista: "Há possibilidade de as atuais perspetivas da Europa serem já consequência desta crise de insustentabilidade. E que se tomem medidas."
Filipe Duarte Santos
- Tem 69 anos
- Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e presidente do Departamento de Física

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

DN O ESTADO DO AMBIENTE 4



Estudo da Organização Mundial da Saúde estima que todos os anos os problemas ambientais provocam a morte a 16 700 portugueses e estão também na base de 14% das doenças registadas no País.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

DN O ESTADO DO AMBIENTE 3




A lei classifica como parque natural uma área rica em ecossistemas naturais cuja biodiversidade tem de ser protegida, mas só na Serra dos Candeeiros há mais de 400 pedreiras que todos os dias extraem toneladas de pedra (DN) .


Acrescento eu ... e na Arrábida (Parque Natural ) a mesma Barbárie.



quarta-feira, fevereiro 22, 2012

DN O ESTADO DO AMBIENTE 2



Para o arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, a revisão da atual Lei de Bases do Ambiente está a ser feita por pessoas pouco credíveis. O especialista diz ainda que os responsáveis portugueses desconhecem os verdadeiros problemas do País.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

DN O ESTADO DO AMBIENTE 1





"Na última década surgiu quase um milhão de novas habitações, ou seja, nove por hora. Especialistas apontam o dedo a um território ordenado de acordo com o crédito fácil e as mais-valias aos construtores."

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

O REINO DO PCP

Do Blogue INFINITOS


Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Em Almada: o PCP manda! a Câmara Municipal consente! e a PSP obedece!

Esta é uma denúncia que me chegou via correio eletrónico sábado passado. Não era anónima mas, por razões óbvias, não vou identificar de quem se trata.

«Um assunto interessante foi o que testemunhei ontem [sexta-feira, dia 17 de fevereiro], cerca das 22:15, nos muros no Garcia de Horta.
Uma carrinha (matrícula 58-35-OC) parada sobre o passeio, donde saíram uns quantos indivíduos que se puseram a pintar frases do PCP no dito muro contra a política de Saúde deste Governo.
Isso pouco teria de inédito. O que se passou a seguir é que tem que se lhe diga.
O Hospital contactou a PSP do Pragal, via telefone, pedindo que lá fossem acabar com o vandalismo. Foi respondido que, “o Sr. Osvaldo, da CMA autorizou esse trabalho”, pelo que nada podiam fazer.
Nós próprios, depois de feitas as fotos, fomos à PSP que nos confirmou a história do dito Sr. Osvaldo, e nos disse que iriam lá.
De facto foram, mas já só depois de terminado o “trabalhinho”, e nem sombra já da carrinha e seus ocupantes…
Ou seja, a CMA “autoriza” que se vandalizem muros de locais públicos, cuja reparação/limpeza terá que ser paga por todos nós. E a PSP do Pragal fecha os olhos, chegando ao local “oportunamente atrasada”.
Gostava de ver como se comportaria a CMA se alguém lhes fosse pintar a fachada…»

Pondo de lado a questão sobre o “estranho” entendimento que a CDU/PCP tem sobre o que é a liberdade de expressão e, em particular, esta forma de a usar, a denúncia deste caso prende-se com a atitude da Câmara Municipal e do comportamento da PSP.
Osvaldo Azinheira, membro do PCP local, é o assessor da senhora Presidente da Câmara desde longa data, convém não esquecer. E, já agora, é bom lembrar, também, que: dirigente da Academia Almadense até meados da década passada, foi o responsável pelo “desaparecimento” dos 300.000 euros transferidos da CMA para aquela coletividade em 2005… um caso de polícia que a autarquia sempre tentou abafar.
Mas, voltando à notícia do dia.
A resposta do Sr. Osvaldo Azinheira faz-nos ter sérias e legítimas dúvidas sobre uma situação que, a verificar-se, é de uma gravidade extrema: em Almada confunde-se o gabinete da Presidente da Câmara e a própria autarquia, com a estrutura organizativa do PCP. Ou seja, é o orçamento do município a pagar o funcionamento da estrutura organizativa do PCP e pior ainda: este esbulho dos recursos públicos acontece perante o beneplácito das autoridades…

Então à PSP, apesar dos testemunhos oculares e da recolha de provas concretas, basta um assessor da Presidente da Câmara Municipal dizer que o crime está autorizado para ter força de lei?
Agora já não é preciso justificar, expressamente, o que se afirma? Onde está o documento oficial  da CMA que autoriza o PCP a vandalizar aqueles muros?
Que argumentos foram apresentados para solicitar o pedido? Qual é a lei, ou o regulamento municipal, que permite atos desta natureza?
Como reagiriam a CMA e a PSP se em vez da CDU/PCP esta fosse, por exemplo, uma acção do PS, PSD ou CDS?
E não venham os do costume dizer que isto é liberdade de expressão... que proibi-lo é um atentado à democracia, etc. & tal... porque o que está aqui em causa é, sobretudo, a promiscuidade ente o PCP e a Câmara Municipal, a atitude parcial da autarquia, a indiferença das autoridades e o desrespeito pelas leis de protecção da propriedade. Porque a mensagem política desta pintura podia ser expressa de múltiplas formas, talvez até mais eficazes... e sem sem violar nenhuma norma legal. 

domingo, fevereiro 19, 2012

E VOLTA-SE A PENSAR NO FUTURO

GRANDE INVESTIGAÇÃO DN

O estado do ambiente

Ontem
O estado do ambiente
Durante quatro dias, o DN publica na sua edição impressa e no e-paper mais um trabalho de Grande Investigação, desta vez dedicado ao ambiente.

sábado, fevereiro 18, 2012

NÓS JÁ DESCONFIÁVANOS , AGORA É OFICIAL



Investigadores descobrem que cabras têm sotaques diferentes
17.02.2012
PÚBLICO
Investigadores da Universidade de Londres descobriram que nem todos os balidos são iguais e que os cabritos adoptam sotaques diferentes assim que começam a socializar com outros animais. O estudo foi publicado na revistaAnimal Behaviour.
A descoberta surpreendeu os cientistas porque até agora se pensava que os sons da maioria dos mamíferos eram demasiado primitivos para permitir variações subtis. As únicas excepções conhecidas eram os humanos, morcegos e cetáceos, apesar de muitas aves terem a capacidade de imitar sons.

Agora, as cabras (Capra hircus) juntaram-se ao clube, segundo Alan McElligott, da Universidade de Londres.

Allan McElligot e o seu colega Elodie Briefer estudaram 23 crias de cabras recém-nascidas. Para reduzir o efeito da genética, todos os animais nasceram do mesmo pai, mas de mães diferentes.

Os investigadores deixaram os cabritos com as suas mães e registaram os seus balidos com uma semana de idade. Depois, os 23 animais foram distribuídos ao acaso em quatro grupos separados, entre os cinco e os sete animais.

Quando chegaram às cinco semanas de idade, os seus balidos foram novamente gravados. “Tínhamos para analisar 10 a 15 tipos de balidos por cabrito para analisar”, disse McElligott, ao site New Scientist. Alguns dos balidos eram claramente diferentes mas análises mais detalhadas, baseadas em 23 parâmetros acústicos, conseguiram identificar variações mais subtis. Segundo os investigadores, cada grupo de cabritos tinha desenvolvido um sotaque distintivo. “Provavelmente é algo que ajuda à coesão do grupo”, acrescentou McElligott.

Em Maio do ano passado, a investigadora Elodie Briefer publicou um estudo na revista Animal Cognition onde concluiu que as cabras são capazes de reconhecer os balidos das suas crias.

As capacidades vocais não se limitam às cabras. Em 2006, um cientista da mesma Universidade de Londres e especialista em fonética, John Wells, realizou um estudo onde concluiu que as vacas aprendem sotaques regionais diferentes ao mugir (PUBLICO- Ecoesfera).

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

ANTI TERRORISMO NA QUINTA DA PRINCESA


Seixal

PJ em acção na Quinta da Princesa

Investigadores da Unidade Nacional Contra-Terrorismo da Judiciária, em colaboração com a PSP, desencadearam ontem uma operação na Quinta da Princesa, Seixal, que terminou com nove detidos: seis por tentativa de homicídio, roubos qualificados, tráfico de droga, detenção e posse de armas proibidas; três por posse de droga, armas e munições proibidas
Segundo o CM apurou, os suspeitos, entre 20 e os 30 anos, integram um gang que nos últimos meses tem travado uma verdadeira guerra pelo controlo do bairro da Quinta da Princesa de forma a impor a sua autoridade e facilitar o tráfico de droga.
Nas acções desencadeadas para dominar a zona, o grupo agora desmembrado atacou vários rivais com engenhos incendiários, nomeadamente cocktails molotov. À hora de fecho desta edição, os suspeitos estavam a ser ouvidos em tribunal. (Correio da Manhã- JCR)

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

O PAÍS QUEIROSIANO



1872, Eça de Queirós: 


"Nós estamos num  estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito.


 Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá...vir a... ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par,a Grécia e Portugal".

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

A AVE RARA


Hoje o a-sul resolveu fazer uma incursão no aterro sanitário da blogoesfera local e deixa o desafio .

Alguém se lembra ainda , ou sabe o paradeiro desta ave rara ? Que  "Não era filiado em partidos mas tinha ideais que movem a sua acção política e social. Sempre no interesse do Concelho onde moro, o SEIXAL."


Então "em tempo de embustes" o Seixal está tão orfão e há tanto tempo sem quem o defenda ?


Deixou de ter interesses no Seixal ?


Ou será que foi apanhado o crivo de alguma ETAR, agora que , segundo reza a propaganda, já não há esgotos a correr para o rio.  



terça-feira, fevereiro 14, 2012

O MAU USO DO BEM PÚBLICO



Tal como sou contra o uso de viaturas oficiais em actos e propósitos pessoais, como ír de Príus às compras ao Shopping, também me custa democráticamente a aceitar o uso de autocarros camarários para transporte em manifestações partidárias, ou outras, por melhores que sejam as intenções .


Este sábado em Lisboa havia uma verdadeira frota de autocarros das autarquias da margem sul estacionados pela Baixa ...

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

OS MAIORES DEVEDORES



O endividamento das câmaras atinge um total de oito mil milhões de euros, com empresas municipais incluídas, para um universo dos 308 municípios. 


Seis câmaras, a título de exemplo, totalizam 383,4 milhões da dívida: Portimão (PS), Setúbal (CDU), Seixal (CDU), Barreiro (CDU), Alijó (PS) e Vila Nova de Poiares (PSD). A dívida a fornecedores superior a 90 dias das seis autarquias é de 177,5 milhões de euros, o que dá perto de 490 mil euros por dia.



Nas dívidas a curto prazo, as 38 câmaras mais endividadas devem 387 milhões, ou seja, cerca de 30% dos 1,5 mil milhões em falta para fornecedores nos 308 municípios. Na Madeira, Santa Cruz tem 26 milhões de dívidas a curto prazo e o Cartaxo 18 milhões, apurou o CM.
As autarquias reconhecem dificuldades em obter poupança, apesar de a maioria já ter plano de saneamento financeiro ou "dezenas de medidas" para o efeito, como confessa Carlos Humberto, do Barreiro. Há casos como o de Vila Nova Poiares em que se pondera desligar a luz pública à meia-noite e não às 02h00. Perante o problema das dívidas a fornecedores, a Associação Nacional de Municípios, Governo e Banca estão em negociações há três semanas.
Dores Meira, de Setúbal, afirma ao CM: "Quando a CDU chegou à câmara, em 2002, assumiu uma dívida de 67 milhões [de Mata Cáceres]." E já saldou 24 milhões de euros (Correio da manhã)

sábado, fevereiro 11, 2012

O ESCARAVELHO DAS PALMEIRAS , A NOVA PRAGA



Oriunda da Ásia, a praga espalhou-se pelos países do Mediterrâneo e já dizimou muitas centenas de palmeiras no Algarve, tendo alastrado a vários pontos do território português. "O Jardim Botânico está ameaçado e de que maneira", diz a responsável pela colecção viva da instituição, Teresa Antunes.

"Estamos muito assustados porque o escaravelho anda aqui à nossa volta. O Instituto Britânico tem uma planta morta desde Dezembro e no jardim do Príncipe Real também já foram detectadas duas infectadas". Das três centenas de exemplares, o Jardim Botânico decidiu mandar aplicar um tratamento preventivo a 23, que correspondem às espécies mais apetecíveis para a enorme e voraz larva do escaravelho. Mas nada garante que o insecto não ataque as restantes espécies - como acabou, aliás, por fazer no Algarve.

"Não temos dinheiro para tratar mais palmeiras", admite Teresa Antunes, explicando que não é fácil aceder à parte superior das copas das enormes plantas, única forma de saber se existe ou não infecção.

O balanço mais recente do avanço da praga em Lisboa data de meados de Janeiro e dá conta do abate de 57 exemplares e da necessidade de eliminar mais 65, entre espaços públicos e jardins particulares. "E ainda a procissão vai no adro", observa a chefe de divisão da inspecção fito-sanitária do Ministério da Agricultura, Clara Serra.

Só a Câmara de Lisboa tem espalhadas pela cidade mais de três mil palmeiras. Quando os efeitos da praga se tornam visíveis, como aconteceu com vários exemplares no Campo das Cebolas, muitas vezes já é tarde de mais para salvar a planta. Só muito depois de ser invadida pelas larvas, que se alimentam das palmas e do coração da planta, a palmeira começa a dar sinais. Primeiro fica ligeiramente despenteada. A seguir cai-lhe a parte superior da copa.

"A disseminação está a acontecer a uma velocidade assustadora", diz Filomena Caetano, do Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo d"Almeida. Aqui estudam-se os fungos que podem ser usados para matar o Rhynchophorus ferrugineus, nome que os cientistas escolheram para designar este escaravelho.

Carlos Gabirro, sócio-gerente da Biostasia, firma que o município de Lisboa contratou para tratar e monitorizar 300 palmeiras, explica que enquanto no Algarve o escaravelho levou mais de cinco anos a causar grandes danos, na Grande Lisboa isso está a suceder em apenas dois anos. Porquê? "O insecto dá-se melhor com este clima", deduz. Seja com for, uma fêmea pode dar origem a cem ou mais indivíduos por semana. "E torna-se fértil uma semana depois de ter saído do casulo", acrescenta. Para agravar as coisas, um escaravelho consegue voar cinco a dez quilómetros.

"Estamos a agir, mas se o Estado não actua e se os privados não abatem as palmeiras infectadas é complicado", refere por seu turno o vereador dos Espaços Verdes de Lisboa, José Sá Fernandes. "Batemos sempre no mesmo problema: a câmara quer dinheiro para aguentar as despesas de tratamento. Mas o Ministério da Agricultura não o tem. O município vai ter de seleccionar as palmeiras com valor histórico que quer preservar", contrapõe Clara Serra.

Na Av. da Liberdade já foi necessário proceder a um abate, tendo o problema sido identificado em locais tão distintos como a Quinta das Conchas, no Lumiar, o Jardim do Torel ou a Feira da Ladra. Carlos Gabirro insiste em que a lentidão com que as diferentes entidades estão a agir pode deitar tudo a perder.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

PORTUGAL INOVA NA CONSTRUÇÃO


Investigadores da Universidade do Minho estão a criar um "revestimento revolucionário" para paredes e tetos que funciona como uma espécie de ar condicionado capaz de aquecer ou arrefecer a temperatura no interior das casas e escritórios.
 
A inovação está a ser desenvolvida pelo Departamento de Engenharia Civil daquela instituição de ensino superior e a equipa de investigação minhota diz não ter registos de uma invenção do género no resto do mundo, o que a torna única.
 
O revestimento é uma argamassa inovadora composta por gesso, cal ou cimento, areia, água e cápsulas microscópicas de PCM (um material de mudança de fase). Esta camada serve como climatizador, transitando de fase líquida para sólida ou vice-versa em temperaturas próximas da ambiente (20-25ºC).
 
Através da transição de fase sólida para líquida é possível, por exemplo, fazer descer o termómetro e reter energia do compartimento, tornando a divisão mais fresca.

Tecnologia deverá popularizar-se em dez anos
 
Em comunicado, o professor José Barroso de Aguiar explica que a tecnologia, baseada em microcápsulas termicamente ativas aplicadas na superfície das argamassas, deverá vir a popularizar-se num futuro próximo.
 
"Acredito nesta tecnologia, é muito útil para a sociedade em geral. Dentro de dez anos será corrente no interior dos edifícios", afirmou. No que respeita ao preço elevado que a construção pode acarretar, José Barroso de Aguiar garante que se trata de um bom investimento.
 
"Vai valer a pena pagar mais quando se constrói mas saber que esse custo inicial [devido às cápsulas microscópicas] se amortiza em poucos anos, graças à poupança em eletricidade", realçou o professor.
 
Esta inovação assume uma particular importância devido ao facto de permitir reduzir o consumo de energia, aumentando a eficiência energética e ajudando a poupar na fatura elétrica e, simultaneamente, de proporcionar um maior conforto térmico e promover a ecossustentabilidade.
 
O projeto, designado "Contribuição de Argamassas Térmicas Ativas para a Eficiência Energética dos Edifícios" é apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e termina em 2013.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

A BOLHA


Habitação: Crise instalou-se depois da expansão imobiliária

Alcochete lidera entrega de casas

Sintra e Alcochete lideram, na área metropolitana de Lisboa, a lista dos municípios com mais imóveis devolvidos aos bancos como forma de saldar a dívida de crédito, de acordo com a estimativa da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). Em 2011, foram devolvidos aos bancos 6900 imóveis, mais mil do que no ano anterior, o que representa um aumento de 18 por cento. 

Habitação: Crise instalou-se depois da expansão imobiliária

Alcochete lidera entrega de casas

Sintra e Alcochete lideram, na área metropolitana de Lisboa, a lista dos municípios com mais imóveis devolvidos aos bancos como forma de saldar a dívida de crédito, de acordo com a estimativa da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). Em 2011, foram devolvidos aos bancos 6900 imóveis, mais mil do que no ano anterior, o que representa um aumento de 18 por cento - Economia CM 31.01.12v.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

SETÚBAL , TRAGÉDIA EM OBRA MUNICIPAL



Cinco pessoas morreram ontem soterradas devido ao desabamento de uma parede no Mercado do Livramento em Setúbal, que ocorreu pouco depois das 17h (PUBLICO).

terça-feira, fevereiro 07, 2012

AMBRÓSIOS SOMOS TODOS NÓS


O presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, garantiu que a sua autarquia "não é nenhum local de negócios", rejeitando deste modo o remoque do juiz que o absolveu no caso do negócio milionário da Quinta do Ambrósio.

Valentim Loureiro foi ilibado do único crime por que estava acusado - burla qualificada - mas ouviu o juiz-presidente afirmar que não lhe parecia "curial" que a Câmara "sirva de agência de mediação imobiliária".

"A Câmara não é nenhum local de negócios. É evidente que se você, ou algum colega, disser que quer falar comigo, chega lá e põe um assunto qualquer, eu sou obrigado a ouvi-lo", respondeu Valentim Loureiro, quando questionado pelos jornalistas, após o veredicto.


"Agora, eu não dei nenhum andamento, não entrei no negócio, não me tocou um centavo", acrescentou.


Sublinhando que "não esperava outra coisa" se não a absolvição no processo, Valentim Loureiro acusou uma das filhas da proprietária da quinta do Ambrósio de "montar tudo isto" para conseguir com que a irmã "não beneficiasse em nada da venda desse terreno".


Acusou-a ainda de conduta similar no caso de uma propriedade da família em Paredes.


O autarca considerou que Gondomar "foi muito prejudicado por causa deste processo e de outros", na medida que, segundo disse, o seu presidente da Câmara se viu obrigado a desviar atenções das funções autárquicas para se defender das acusações.


"Isso é o que eu mais lamento", observou, declarando-se disponível para dizer "à senhora juíza da Justiça" (queria dizer ministra da Justiça) "o que pensam os arguidos envolvidos nestes processos" e o que "deve ser feito para acabar com muitas das coisas que aqui se passam".


O tribunal de Gondomar absolveu hoje Valentim Loureiro da acusação de burla qualificada no âmbito de um processo relacionado com o negócio milionário da Quinta do Ambrósio.


O vice-presidente da Câmara, José Luís Oliveira, e o fiscalista Laureano Gonçalves foram igualmente absolvidos da acusação de burla qualificada, mas condenados por branqueamento de capitais, com referência a fraude fiscal simples, a um ano e dez meses de prisão, pena suspensa por igual período.


Igualmente condenados por branqueamento de capitais foram o filho de Valentim Loureiro Jorge Loureiro (um ano e dez meses de prisão, pena suspensa), e o advogado António Ramos Neves (um ano e dez meses de prisão, pena suspensa).


E mais esta para clarificar mais um pouco:

O Ministério Público dizia que o fiscalista Laureano Gonçalves obteve uma procuração irrevogável para negociar os terrenos da quinta, em troca de 1,072 milhões de euros, pagos através de cheque da 'immerton' uma sociedade offshore que teria sido constituída exclusivamente para este negócio.

Pouco depois, mas ainda antes de os terrenos serem desafetados da Reserva Agrícola Nacional, a propriedade foi revendida à Sociedade de Transportes da Cidade do Porto por quatro milhões de euros.

Ainda segundo o processo, Valentim Loureiro, o seu "vice" José Oliveira e Laureano Gonçalves teriam feito crer à dona da quinta que essa desafetação nunca se concretizaria, o que o tribunal não deu como provado.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

« A MÃO DO PODER »

 

A Mão no Poder (por Paulo Morais)

Há grupos económicos portugueses que mantêm intactos os seus privilégios desde os tempos da monarquia. Ao longo de séculos, conseguiram domesticar todos os regimes.

Até hoje, cativam uma parte significativa do orçamento de estado, à custa do qual se habituaram a enriquecer. Beneficiam de rendas das parcerias público-privadas da saúde, como acontece com o grupo Mello ou Espírito Santo. Recebem milhões pelo pagamento de juros da dívida pública. Obtêm concessões em monopólio, como acontece com a Brisa, detentora, por autorização governamental, das auto-estradas de Porto a Lisboa.

Os favores que recebem do estado têm revestido as mais diversas formas. No tempo do fascismo, obtinham licenças num regime de condicionamento industrial, em que só os amigos do regime podiam criar empresas. O seu domínio sobre a economia e a política vem dos tempos da monarquia, onde pontificava o conde do Cartaxo, antepassado da família Mello. Já os Espírito Santo descendem do poderoso conde de Rendufe.

Assim, estes grupos conseguiram trazer até ao século XXI, incólume, a lógica feudal, a tradição de atribuição de prebendas aos poderosos. Com uma diferença. Enquanto no tempo do feudalismo o rei atribuía privilégios que consistiam na doação de benefícios económicos (terras), a par de poder político (títulos), hoje apenas se concedem favores económicos. Assim, estes grupos mantêm o poder sem os incómodos do escrutínio democrático. Sabem que mais importante do que ter o poder na mão é ter a mão no poder. Até porque sempre influenciaram a política. 

Conseguiram-no no tempo de Salazar, através do fascínio que Ricardo Espírito Santo exercia sobre o ditador. Em democracia, contratam políticos de todas as tendências. Eanistas como Henrique Granadeiro, socialistas como Manuel Pinho ou social-democratas como Catroga.

Neste jogo democrático viciado, os cidadãos são hoje como os servos da gleba de outrora, mas agora sob a forma de contribuintes usurpados. E reféns do sistema vigente, que muitos chamam de neoliberalismo, mas que não é novo nem é liberal. É apenas a manutenção do velho feudalismo (publicado no Correio da Manhã) 31.01.12.

domingo, fevereiro 05, 2012

OS ARTISTAS (2)



Neste video Alfredo Monteiro é confrontado com uma intervenção do então Bastonário da Ordem dos Engenheiros que denuncia as mais valias urbanisticas e a forma discricionária ( CORRUPTA ) em que muitas dessas alterações são feitas.

O Homem até gagueja... deve-se estar a lembrar que as criticas do Bastonário servem que nem uma luva ao caso da Flôr da Mata... e não responde (claro) o discurso continua a ser o das grandes obras ... um verdadeiro artista. Um desempenho para um Óscar.

sábado, fevereiro 04, 2012

OS ARTISTAS



Quando as contas das maravilhosas «parcerias» ainda eram uma maravilha e ainda não nos tinham apresentado a conta.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

REVISÃO DA MATÉRIA DADA ( 5 )

   
a-sul pelos seus leitores

Teoria da Conspiração ou ponto da situação ?

« A tem um terreno onde habita há muito, B e C adquirem uma floresta contígua.

A Câmara local a partir de determinada data protege ambientalmente o local. "O ambiente é para manter para as futuras gerações". Diz a lei

B e C dividem o terreno a meio

Na parte de C (uma sociedade off-shore) protocolam com a câmara fazer algo "social" URBANIZANDO o tal local "protegido para as futuras gerações"

Quem vive em redor e disfruta da floresta, revolta-se, A ,associa-se à revolta e dá a cara com a dita Sociedade Civil mobilizada em prol da defesa da área, até porque A gere o seu terreno a letra da lei que protege o ambiente... B e C nunca trataram da floresta, nunca limparam ou a mantiveram.

O esquema era simples para C na qualidade de proprietários lucravam com betão num terreno cheio de pinheiro e com um valor patrimonial fiscal...de para aí 400€ , a Câmara amiga garantia comprar o betão (coisa útil se deflagrasse uma crise e não houvesse mercado) e haveria sepre um X e um Y que infraestruturaria e construíria , deviodamente enquadrados pelo promotor C.

A Câmara dita de Social confrontada com o desmascarar das ligações com C e D ... X e Y... as exigências da Sociedade Civil e a pressão de A junto de outras instâncias, deixa a coisa a arrecefer...
 

Passados uns anos a Câmara sanciona o corte dos pinhais, por causa de um verme, B e C , depositam a D , nas respectivas metades do terreno inicial de B+C ,a inerência de cortar todos os pinheiros. Ao mesmo tempo é construída uma estrada que ao contrário do projectado e do PDM vai passar sobre os seus terrenos , indemnizando-os...

A sociedade civil protesta de novo, mas a Câmara (notóriamente amiga de B,C e D assiste) moradores informam dos limites do terreno , definido há décadas por marcos e por vedações alerta para para os pinheiros que não são de B nem de C sejam poupados, fazendo cumprir a tal lei ambiental .

Estala então o verniz e B diz que o que A defende como seu não é e que este salva pinheiros que não são de A, mas sim seus (B) . B , empresário importante, faz-se representar por advogados importantes, impacientes e muito atarefados com negócios em Luanda e vá de mandar cartas a A acusando das mais variadas malfeitorias.

B manda vedar todo o seu terreno corta estradas, caminhos e o acesso da Sociedade Civil à floresta. Impede parte da população, e sobretudo a A de aceder a Centro de Saúde, escola, lojas...

A volta a alertar para os limites do seu terreno.

A não se identifica com as falsas acusações e nunca entra em diálogo, nem nunca reage , simplesmente continua a gerir o terreno registado e legalmente demarcado como seu ... mas onde a Câmara amiga de B,C e D diz não encontrar documentação que prove a razão de A , é que entretanto houve fogos...mudanças de instalações...

B põe então A em tribunal, acusando-o das tais malfeitorias e construíndo só por si e em via única, uma acusação que pretende ver julgada em "processo sumário" ... Ah e já me esquecia... a testemunha de agravos , ameaças e sei lá que mais é : D

Teoria da Conspiração ? »


Bem sei que A impede há anos, ao fazer aplicar a lei , que B, C e... D ganhem uns MILHÕES de euros daquele terreno avaliado patrimonialmente , no caso de A , em 200 EUROS.

E assim se usa o Estado de Direito, se goza com as leis deste país com a Sociedade Civil e se cria danos ao bom-nome de A ... e uma bela duma VENDETTA!
(comentário anónimo deixado no a-sul)
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